9/16/2008
Muito obrigada
Em relação aos soutiens sem acrescentos, pois que andava numa de os comprar na C&A (passe a publicidade) pois além da questão das almofadinhas que dispenso, tenho mais umas esquisitices:
1) é das poucas lojas que costuma ter copas C;
2) é das pouquíssimas que pratica preços digamos simpáticos;
3) é das absolutamente raras que os tem com armações suportáveis - leia-se: com as quais não me sinto metida dentro de um espartilho
4) é a única que, desde que a DIM deixou de ter soutiens sem as ditas-cujas armações, vende soutiens que conseguem reunir as condições acima descritas, ser minimamente giros (alguns) e ainda segurar as mamas sem as transformar em algo parecido com as meias de desporto do meu filho depois de enroladas e dobradas por ele.
Sou chata? Difícil? Ainda não assistiram ao meu calvário para comprar umas calças de ganga... E, muito francamente, até que não sou mal feitinha de todo. Talvez o problema resida precisamente nesse facto.
9/12/2008
Publicidade Enganosa
Mas dizia eu que se há coisa que me irrita solenemente é andar à procura de umas botas rasas e só as encontrar com salto. Ou que queiram à força que eu use sapatos bicudos. Eu gostava de sapatos bicudos em 1988! Quando grande parte destas gaiatas ainda mal tinham sido desfraldadas. Agora não quero, muito obrigada.
Lembro-me de ter uns 13 anos e de perder tardes inteiras à procura de umas calças pretas normais, porque nesse ano todas, mas rigorosamente todas as lojas as vendiam cheias de frenicoques. E, dada a minha provecta idade, falo de uma épocas quase quase pré-histórica em que havia meia-dúzia de lojecas em toda a Lisboa e em que as Zaras e Berskas ainda nem sequer existiam nos sonhos mais depravados dos seus criadores então ainda solitários espermatozóides saltitando ansiosamente de testículo para testículo na esperança de serem seleccionados. Imaginávamos então que a abertura à ora chamada CEE - pronuncie-se 'cêiéié' - iria proporcionar-nos maior liberdade de escolha. Como nos enganávamos!!! A globalização significa literalmente podermos optar entre montanhas globais de fardas todas rigorosamente iguaizinhas umas às outras, não vá alguma ovelha ranhosa desviar-se da rota para nós traçada pelos conselheiros económicos do pós-guerra.
O meu drama actual diz respeito ao peito. Ao meu, que eu cá não me incomodam nada as mamas alheias. Não sou despeitada a bem dizer. Mas também não sou sobredotada. E, se querem saber, embora não imponha o meu ponto de vista a ninguém, não acho grande piada a mamilos que chegam ao destino meia-hora antes da sua orgulhosa proprietária. Eh pá, não tenho vocação para Pamela Anderson de marés vivas mequinhas, prontos. Nem tenho que ter. Não sou propriamente nenhuma Dolly Parton (fónix!!!) nem sequer Sofia Loren (embora não me importasse de ficar parecida com ela daqui por uns setentas anos...) mas estou feliz com o que a natureza me proporcionou em termos peitorais e não me sinto puto frustrada!!! (Aliás a minha vasta experiência e longa biografia têm comprovado que não tenho grandes motivos para tal. As ditas-cujas estão bem e recomendam-se e o livro de reclamações está deveras invicto...)
Por que raio então estão a indústria de lingerie e o comércio da dita em peso decididos a aumentar-me as mamocas de um número? Porquê, mas por que sou eu obrigada a usar um soutien com enchumaços? Será que não compreendem? Eu não quero fazer publicidade enganosa e ainda não tenho frio! Mas se tiver prefiro vestir uma camisola quentinha.
De modos que convido todas as inúmeras e incontáveis e também os gaijos que achem que estamos muito bem com os belos seios que deus nos deu a juntar-se a mim no MCCFSCE (Movimento Contra a Compra Forçada de Soutiens com Enchumaços). Que é simultaneamente um movimento a favor da transparência na comunicação não verbal e contra a publicidade enganosa a qual, recordo-vos, é punida por lei.
(E já agora esclareço quem pudesse eventualmente levantar a hipótese que esta posta tivesse algo a ver com uma certa personagem da tascofera que afirmou publicamente "precisar renovar o stock de cuecas" que não foi rigorosamente o caso. É que calhou - vá-se lá saber por que coincidências misteriosas do destino - eu estar precisamente a precisar de renovar o stock de soutiens e ter passado um bom par de horas num enorme centro comercial à procura saindo de mãos à abanar. Mau. Eu disse "de mãos". Ainda não chegámos a esse ponto, por isso deixem-se lá de maldades...)
8/01/2008
telegramazinho
Mas estou viva (and kicking!) e voltarei assim que conseguir alcançar o já próximo yet deveras duro de roer turning point que marcará esta complexa revolução em curso na minha existência, que é como quem diz, assim que conseguir desatar a grandessíssima baralhada em que anda a puta da minha vida. Tenho dito
Até jazzzzzz
ah! e definitivamente onde se está mêêêmo bem é numa praia que eu cá sei....
7/15/2008
A propósito dos "distúrbios da Quinta da Fonte"
Cada vez tenho mais a certeza de que vivemos em retrocesso acelerado.
e desculpem os inúmeros e incontáveis - provavelmente em vias de extinção - mas a vida vai torta, jamais se endireita e não consigo mesmo actualizar este tasco...
6/20/2008
Chuias
A parte 2 do cap. I segue já, já a seguir...
6/08/2008
Capítulo 1 - S. Paulo
(Tem uma certa piada, esta expressão: "canto do Brasil": um país tão gigantesco terá lá cantos, para além dos musicais? E lembrou-me logo aquela música de uma telenovela dos velhos tempos, em que elas, as telenovelas, davam a horas em que as conseguíamos ver, a horas certas em que as conseguíamos gravar se porventura não estivéssemos em casa, do modo que as conseguíamos seguir... mas a música, a tal, rezava assim: "Isto aqui ohoh é um cantinho de Brasil yaya, desse Brasil que canta e é feliz - feliz - FELIZ!!!"... e por aí afora. Por acaso acho que até não era 'cantinho', mas sim 'pouquinho', mas como diz a outra "isso agora não interessa nada, menina!". Bom, adiante)
Então eu ia avisada mas as 36 horas passadas em S. Paulo foram, como vos dizia há dias, enormes e deliciosas. O que comprova a existência da metonímia na vida real. Ou será a sinédoque? Enfim, todos sabem que não há maior repositório de figuras de estilo do que a própria existência itself. Está bem, pronto, eu explico: enormes, pois a cidade é das maiores do mundo, certo? Deliciosas, já que S. Paulo tem fama de ser dos locais onde existem os melhores restaurantes. Infelizmente, não tive ocasião de comprovar este segundo aspecto, embora também não me possa, de maneira nenhuma, queixar. Aliás, se passasse mais algum tempo no Brasil, desconfio que viria de lá uma lontra. Voltemos, pois, a S. Paulo.
Enorme, mas não maravilhosa. Do aeroporto para o hotel pudemos avistar um bom número de favelas, mas também, e sobretudo, uma paisagem constante de subúrbios sem graça, prédios e mais prédios, casas e mais casas, nada que se destacasse porém, nem pela extrema miséria, nem pela opulência, nem mesmo por qualquer tipo de homogeneidade. Trânsito muito, mas nada de extraordinário.
Estávamos sediados nos Jardins, tidos como o bairro mais chique de tão grandiloquente cidade. Aqui também não me apercebi de nenhum edifício que realmente me impressionasse. Nem mesmo o hotel dito de luxo onde ficámos hospedados. Grande e confortável, mas, francamente, pouco surpreendente.
O dia terminou muito depressa após a nossa chegada, embora esta tivesse ocorrido a meio da tarde. O sol põe-se cedo em terras de Vera Cruz...
Acordámos cedo. Não foi difícil, tendo em conta as quatro horas que ganháramos sobre Portugal. Comecei por tomar um pequeno-almoço (ou melhor, "café da manhã") de hora e meia, entre pãezinhos, brioches e croissants, queijos, manteiga, um outro doce, frutas e sumos mas nada de ovos nem muito menos bacons ou outras carnes - que a vossa Calamity é muito tradicional no que ao pequeno-almoço diz respeito. Abundante, sim, mas continental.
Devo aproveitar para alertar os meus inúmeros e incontáveis mais susceptíveis de se melindrarem com questões alimentares para o facto de que deverão abter-se de ler as minhas postas das próximas semanas, uma vez que este será indubitavelmente um dos grandes temas - se não O Assunto Principal - das mesmas. Brasil é efectivamente sinónimo de comida. Haja estômago!
Haja intestinos, também, que, por mais que vários anos de prática mais ou menos regular de yoga tenham tornado os meus mais amiguinhos da da minha pessoa (ainda recordo com dor os sete dias - sete! inaugurais do meu desembarque na Cidade da Praia em que a ingestão quotidiana e insistente de papaia, abacate e outras iguarias supostamente estimulantes da tripa em nada contribuíram para desbloquear o nó que se foi formando no meu baixo-ventre, chegando ao ponto de temer explodir se passasse mais um dia ao largo da sanita), ainda assim a lei da proporcionalidade esteve longe de ser respeitada na relação ingestão/evacuação.
Mas deixemo-nos de conversas de merda.
Além disso, se, ao fim de quatrocentas e oitenta e nove linhas de texto ainda não consegui passar do pequeno-almoço, aliás, café da manhã do primeiro dia, quando, ó deus meu, quando, perguntais-me vós, inúmeros e incontáveis, voltarei eu a terras lusas? Provavelmente por alturas de ir de férias. Se férias houver.
Regressemos então, mais uma vez, a S. Paulo, por assim dizer.
A etapa seguinte levou-nos aos arredores da dita. A uma charmosíssima pequena vila chamada Embu. De visita a um formosíssimo mercado de artesanato que dá pela graça de Embu das Artes. Um deslumbramento. Ali gastei metade do orçamento para toda a semana. E se soubesse o que sei hoje teria gasto todo o dinheiro já que poucas mais compras me foram dadas fazer durante o resto da estadia e muito me arrependi de não as ter feito todas naquele fim-de-manhã, princípio de tarde passado entre os maravilhosos artefactos a preços da uva-mijona que me acenavam de tudo o que era banca.
Foi também no Embu das Artes que, após ter-me espontaneamente juntado a três dos meus companheiros de viagem - de quem, aliás, não desgrudei mais ao longo dos oito dias - travei conhecimento com a Dona Bete (Betty?) ...
(continua... ah pois é!..)
PS: Estrelinha de mi corazón! Privatizastis? E não mi convidastis? Ou andas com isso outra vez pra trás e pra frente, a bêm dizêri?
6/02/2008
Sim, sim! Eu disse que voltava e volto!
Estou, pois, de volta, mas ainda em estado de choque atacada por jet-lag, trabalhos para entregar e, last but not the least, duas criancinhas sedentas da presença de sua mãe.
Contudo, não quis deixar de dar aqui uma saltada para reforçar a promessa. I'll be back. Mais cedo do que esperais, inúmeros e incontáveis, a vossa Calamity voltará à carga com a reportagem completa do périplo, incluindo entrevistas com celebridades, eventos sociais, visita ao Projac, mercados e feiras de artesanato, hotéis de luxo, ônibus cariocas, tour alucinante de táxi, parada gay, aviões da tam e da tap e variadíssimos apontamentos de análise, crónica e crítica com o bem conhecido de vossas excelências espírito de síntese que me caracteriza. Mi aguardem!!!
5/27/2008
Quem é vivo... ou A Calamitosa está de volta!
Há já algum tempo que tenho vontade de escrever esta posta e quero antes de mais dizer-vos o quanto sinto a vossa falta pois nem sequer tenho conseguido visitar as vossas tascas. Desde que entrei neste mundo mágico que é a blogosfera e que é tão precioso para mim que nunca tinha estado ausente por um período tão longo. Mesmo quando passo uns dias sem escrever, arranjo sempre maneira de dar um saltinho a saber das novidades já que vocês se tornaram parte da minha vida e esta experiência um aspecto fundamental de quem sou hoje. A blogosfera tem-me proporcionado um crescimento pessoal enorme, abriu-me horizontes insuspeitados, ajudou-me a desenvolver uma faceta da minha existência que estivera até então bloqueada, por assim dizer. Devo dizer que consegui, através deste meio poderoso, ultrapassar certas limitações que sempre me tinham impedido de atingir alguma plenitude, aquela realização como ser humano que só poderia alcançar pela palavra escrita mas que, por motivos que até agora não pude desvendar, ficava eternamente latente. Tem sido muito importante poder abrir-me como só aqui soube fazê-lo, obter o vosso feedback que, em certos casos é tão completo que se tornou também, e sobretudo, amizade, ouso até dizer, Amor. Pois só o amor é susceptível de transformar as pessoas e fazê-las ultrapassar-se a si próprias. E posso dizer hoje, ao fim destes dois anos e tal de bloguice militante, que foi isso que a blogosfera fez comigo. A Calamity que vos escreve não é a mesma Calamity que iniciou este tasco e muito menos aquela que seria caso não tivesse penetrado esta rede única. Sinto agora que fui iniciada, como só os que participam de elos especiais o são. Refiro-me à sensação de pertença que vocês me proporcionaram,
à possibilidade de me sentir 'fazer parte de' algo, algo que é maior do que a soma das partes e que tem existência para além das existências somadas de cada um de nós. E também à aprendizagem de um código, que se situa num outro plano que a própria linguagem, por mais grandiosa que esta seja e por mais que ela faça parte, e, em última instância, seja ela própria fundadora dessa mesma forma de comunicação global. (Para além de que, como dizia o outro, "The mean is the message", mas esse assunto levar-nos ia longe, e noutra direcção daquela que pretendo aqui e agora.)
Durante estas semanas, e mesmo antes de ter começado esta 'cura' de silêncio - pois penso que talvez assim possa definir o motivo da minha ausência, apesar de eu própria não conseguir explicar muito bem o que se está a passar - coloquei muitos aspectos da minha vida em questão e o blog não podia ficar de fora, até porque, como entenderam pelas linhas acima, ele é hoje uma das peças fundamentais da minha existência a vários níveis. Por ser assim é que uma crise pessoal teria sempre que implicar uma crise aqui do tasco. Não pensem porém os inúmeros e incontáveis que a vossa Calamity esteja deprimida. Antes pelo contrário. Sinto-me em fase acelerada de crescimento, de mudança, de transformação e os dias têm-se sucedido uns aos outros a um ritmo avassalador. Comecei, é verdade, este período por um momento de abatimento e tristeza, mas actualmente não é de nada disso que se trata. Contudo, interroguei-me muito sobre este tasco, chegando mesmo a pôr em dúvida a sua continuidade, já que senti a determinado passo que ele perdera o seu sentido. A leitura de postas antigas e seus comentários e a sensação de que chegara a um impasse, a uma 'crise de inspiração' fizeram-me confrontar com questões difíceis e desconfortáveis. O que quero eu da blogosfera? Porque continuo com isto? Fará isto ainda sentido? Será aquilo que se perdeu aqui irreversível? (Sim, porque é para mim hoje evidente que desde que me iniciei pela tascolândia, algo se perdeu, e confesso que ainda não digeri bem essa perda). Por que escrevo? Para quem escrevo?
Depois, tenho alguns - graves - defeitos. Um deles é o querer escrever tanto, sobre tantas coisas, que acabo por não escrever nada. Tal como, quando chego a uma gigantesca feira de artesanato, cheia de coisas maravilhosas, quero tanto levar tudo que acabo por sair de mãos vazias. Cheguei à conclusão de que sou uma pessoa com imensa dificuldade em tomar decisões. Escolher algo implica sempre desistir de outras coisas e eu não tenho grande capacidade de despojamento. Lido mal com a perda. Em relação à escrita, compreendo-o agora, é o mesmo. Escrevo tanto interiormente, sobre tantas coisas diferentes, que acabo por não o fazer de facto, por não passar ao acto, para não ter de optar. Para não ter de deixar questões por abordar. Assuntos por desenvolver. Aspectos por explorar. Serei louca? Certamente. Mas não só.
Agora, por exemplo, neste próprio momento em que vos escrevo. Se vocês sonhassem, se pudesse tão só passar-vos pela cabeça tudo aquilo que quero partilhar convosco! A posta de hoje levaria dias inteiros a escrever. Já estaria na posta da semana que vem e ainda estaria a escrever e vocês, inúmeros e incontáveis, banir-me-iam para todo o sempre da vossa blogosférica convivência. Mas as 'regras' implícitas (e que até já vi escritas por aí) deste clube são bem claras, e implacáveis: posts curtos. Este meio existe aqui e agora, em tempos de imediatismo, em que os mais lentos são implacavelmente excluídos, já que o mundo exige aceleração. Tenho que admitir que é algo que me assusta. Não é do nosso envelhecimento individual que o tempo passa a uma velocidade cada vez mais vertiginosa. Ouvir uma criança de 8 anos, como eu ouvi, afirmar que o ano passou a correr confirma as minhas suspeitas. Quando nós éramos crianças, o ano NÃO PASSAVA A CORRER.
Adiante. Não sei, pois, como lidar com este dilema. Vocês, inúmeros e incontáveis, sabem-no bem: não sei escrever pouco. E abuso. Mas a prosseguir com este tasco, o mais provável é que continue assim. Pois a sua razão de ser é mesmo essa, e de outra forma não faria sentido.
Bom, mas, parafraseando a personagem da novela (e lembrem-se disto porque lá para a frente vai fazer ainda mais sentido), deixemo-nos de entretantos e passemos aos finalmente. Imaginam os inúmeros e incontáveis onde se encontra a vossa Calamity enquanto vos dedica estas singelas linhas? Estou certa que não! Pois bem, inúmeros e incontáveis, são sete da tarde e a vossa Calamity está sentada no quarto de um hotel dando as costas para uma varanda que abraça o oceano atlântico... em plena Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Para muitos de vós será talvez algo absolutamente normal, mas para mim é a realização de um sonho muito antigo e escusado será dizer que estou exultante. Fui presenteada com uma viagem profissional totalmente inesperada nesta altura do campeonato e, desde que cheguei ao Brasil, há três dias atrás, as experiências que me têm sido proporcionadas são absolutamente descomunais. Apesar de mal ter dormido desde 5ª-feira da semana passada - já que foi preciso preparar milhões de coisas antes de partir, desde aspectos de trabalho a questões logísticas relacionadas com a viagem mas também com a minha vida familiar - , e de ainda não ter conseguido ir à praia nem curtir algo de verdadeiramente carioca, estou em estado de graça.
A viagem começou em S. Paulo onde vivi um dia enorme. Coube tanta coisa nesse dia que ainda me parece que não pode ter sido só um, sobretudo quando o comparo com os que antecederam e os que vieram depois. Domingo terá sido certamente um dos maiores que já tive. Como conseguir transmitir-vos tudo o que ele foi? Como passar-vos, num simples relato, todas as emoções, descobertas, e gargalhadas desse dia? A sigla P.D.L - que me perdoem os inúmeros e incontáveis mais sensíveis - diz-vos alguma coisa?
continua (a sério!)
4/30/2008
4/15/2008
Waiting for the sun
4/09/2008
Ainda a respeito do tasco novo
Para os inúmeros e incontáveis autores e clientes do novo tasco
Uma das grandes canções de sempre
Um video fabuloso
Caetano Veloso - Livros
4/08/2008
O novo tasco
aproveito para agradecer à menina que gentilmente me convidou a participar...
4/02/2008
Breves desabafos e/ou algumas medidas de higiene mental
2 - Descobri recentemente que há pessoas mais perigosas que as que são simultaneamente más e inteligentes. Curiosamente são as que acumulam maldade com burrice. Por estranho que pareça, conseguem fazer mais estragos.
3 - A minha vontade de emigrar aumenta a cada dia que passa e só muita praia, calor e banhos de água fresca em mar chão a poderão atenuar. Preciso urgentemente de uma sessão de reiki. Ou qualquer coisa que o valha.
4 - Como diria José Mário Branco: "Quero ser feliz, porra! quero ser feliz agora!"
5 - Ou então: "Vou mudar de vida ai isso é que vou!"
3/28/2008
Apesar de você
Dedicado a quem servir a carapuça
atentem na letra, é de 1970...
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal
(do lindíssimo Chico)
3/20/2008
Anónimos, abutres e quejandos ou 'Eles andem aí'
Caro anónimo: o facto de V/ Exª não me achar piada nenhuma em nada me afecta tendo em conta que V/ Exª não passa disso mesmo: um anónimo. A mim preocupar-me-ia o facto de alguém a quem eu achasse piada não me achasse a mim piada. Para mais, desde já lhe vou adiantando que dispenso os seus conselhos e que a sua opinião sobre os meus pensamentos e escritos é recíproca. Um grande bem-haja para si também e espero que consiga um espaço onde lhe dêem atenção e no qual consiga descarregar as suas frustrações. Que tal um blog?
anónimo disse
"não te acho piada nenhuma. Mas como há gostos para tudo, aproveita que a vida são dois dias e quando mal geridos...menos são. Mas isso é lá contigo. Aquilo que tu pensas e escreves não passam de balelas e derrotas. Faz uma instropecção à tua vida REAL e deixa-te dessa treta da vida VIRTUAL que não te leva a lado nenhum. Desajustada é o que me pareces. "
fim de (ex)citação
Agora outro assunto, bem mais importante, e que merece toda a nossa atenção e preocupação: No próprio dia do pai, a minha amiga Estrelinha e o seu marido, pai dos meus sobrinhos virtuais e simultaneamente bem reais (percebe, ó anónimo?! É possível ser os dois ao mesmo tempo, a não a ser quando se é um desses abutres de que precisamente fala a minha amiga Estrelinha que eu nunca vi mas que amo de paixão, coisa que um anónimo invejoso não pode compreender), foram privados de um direito consagrado por lei. Inúmeros e Incontáveis: mais uma vez o meu apelo é 'Bora lá fazer a puta da revolução...
3/18/2008
Serendipity
Take us exactly where we most likely need to be"
David Byrne
Que é quem diz: por mais voltas que se dêem, o que tem de ser tem muita força.
ou ainda: a verdade, tal como o azeite, vem sempre ao de cima.
Óspois venho desenvolver mais um cadinho, ok?
Tenho cá uma tendência para as pescadinhas de rabo na boca... é para ver se aprendo a dar atenção àquilo a que tenho de dar. E mai nada.
3/12/2008
Continuem lá a ir-me ao... BIP!, que eu gosto!!!
E não havia meio de o bendito guito aparecer na dita conta através da qual sou regular e subtilmente destituída dos meus bens a fim de ajudar a enriquecer essas bondosas empresas que generosamente fizeram a gentileza de emprestar uma boa maquia para que eu pudesse usufruir de um direito garantido (?) por Constituição (lembram-se? "A Paz, o Pão, Habitação...") -maquia essa que, diga-se by the way, quando terminar de pagar, se ainda por cá andar, terei desembolsado cerca de 3 vezes e meia relativamente ao valor por eles altruistamente adiantado.
Por outro lado, andava eu a fazer contas e continhas, iludida como estava de que iria poder dar-me ao luxo de comprar um computador deste século, já que o decrépito portátil com que desenrasco alguns biscates urgentes está a processar à velocidade de um caracol alentejano em dia de folga com 40 graus à sombra, e isto uma vez que os meses de novembro, dezembro e janeiro tinham sido algo mais profícuos do que o habitual, fruto de jornadas de 14 horas, 6 dias por semana e consequentes trombas dos meus dois filhotes...
Pois bem, hoje fui ao multibanco e as boas das transferências efectivamente já haviam caído - ambas as duas! uma fortuna! - desde 2ªfeira. E perguntam-me vocês, inúmeros e incontáveis, por que motivo não me tinha eu dado conta de que o rico dinheirinho já havia todinho sido transferido para a dita continha? Porquê? Ora, tão somente porque entre 2ª feira e hoje tinham sido cobrados dois misteriosos pagamentos de, respectivamente 403€16 e 279€13
(!!*#/"^/!*}»!!!)
Fui ver. Diz que o primeiro foi a EDP e o segundo o gás. Ainda não deitei a mão à respectivas facturas, mas tendo em conta que pago a módica soma de 150€ de luz de dois em dois meses e que recentemente paguei mais de 250 à GDL porque essas criaturas tiveram o desplante de não cobrar aos clientes desde maio do ano passado, pergunto eu aos senhores que detêm as ditas-cujas empresas: serei eu dona de um hotel e não me avisaram???
Ainda em estado de choque depois de ter ficado a par do rombozito de apenas 692 aérios e mais uns trocos, recebo um telefonema de casa. Chegou uma carta da PSP. "Ora então, abre lá, assim como assim, o que é que pode vir aí que me atinja depois desta??!!"
Nada. Absolutamente nada. Só uma multa de 250€ + 30 por ter sido apanhada em Alcântara a 4 de setembro sem a inspecção que era para ter sido feita em Agosto e sem os documentos (papel verde do seguro) do carro, que era a first reason para não ter feito a inspecção dentro do prazo, uma vez que estava a aguardar o envio de uma 2ª via da companhia de seguros e o centro de inspecções não fazia a dita sem todos os papéis. O querido Estado Português deve estar a pensar partilhar o fruto da coima com a seguradora que em boa hora fez a gentileza de os avisar que eu andava sem inspecção e papel verde. Penso eu de que.
Por isto tudo, inúmeros e incontáveis, venho por este meio convidá-los a, vocês também, me irem ao dito-cujo. É que está visto que eu gosto. Só se esqueceram foi de me informar
3/07/2008
Meo
3/04/2008
Quantas
2/27/2008
Desafios, TPCs, olá ukié
Mas como eu sou do contra, e sem desrespeito por quem me fez as encomendas - antes pelo contrário! - vou começar pelas feiosas, que é para terminar em beleza. Ora palavras de que eu não gosto, xa cá ver, como diria ó outro...
Olha, eu cá não gosto nada de ouvir a palavra colégio. Desculpem lá mas não gosto, prontos. E por isso nunca digo. Digo escola, liceu ou faculdade, é conforme, mas estas não fazem parte das minhas top 12. Também me causa alguma comichão a palavra ordeiro. Acho que é palavra típica de fascizóide. Mas acho alguma piada às palavras terminadas em óide, com excepção de hirudóid, que me lembra sempre alguma maleita, de modos que não vou escolher nenhuma destas ,embora algumas estejam ligadas a conceitos que muito repudio. Mas, lá está, trata-se de palavras e não dos seus significados, se é que conseguimos separar uma coisa da outra. Comedão é o termo técnico para ponto negro e é tão feio como o dito. Mastectomia e rinoplastia são ambas operações, em que a segunda poderá resultar bastante melhor do que a primeira, mas, como vocábulos, são igualmente desengraçadas. Irra é interjeição que não me lembraria de soltar: mais depressa vou aos palavrões, vulgo asneiras, estas sim habitualmente tidas como palavras feias.
Ainda vou a meio da primeira parte e confesso que isto não é nada fácil. Eu cá gosto de palavras, gosto mesmo, de todas elas, mesmo das que não gosto. É cá uma coisa que não sei explicar. Prossigamos, pois. Escroto é definitivamente um palavra feia, mas gosto de a dizer à boca cheia (pois, eu sei que isto pode ser mal interpretado, mas eu rio-me convosco, inúmeros e incontáveis, e deixem-se de gracinhas parvas, siiiim???), sobretudo se tiver vontade de insultar alguém. Ora experimentem lá, vão ver se não é mais giro e reconfortante que filho desta ou daquela... Aborto também é palavra cuja sonoridade me fere mas não a usaria como ofensa, até porque o assunto ficou arrumado. Espero eu de que. Não gosto de hábito, o que não significa que não a use, até porque é sinónimo de costume, e estas são palavrinhas necessárias useiras e vezeiras (ora aí está uma expressão que nunca uso, deve ter sido a primeira vez, que tal fazer um desafio com expressões de que não gostamos?) na minha prática laboral. E quem diz hábito, diz monge, substantivo comum cuja sonoridade bule com o meu sentido estético. Ornitorrinco é tão feio que até se torna giro, assim como escatológico. Definitivamente uma das minhas palavras preferidas (Heheheheh!).
Agora, passemos ao segundo, que na verdade era primeiro. Aqui a dificuldade é a escolha. São tantas e tão belas... Vejamos.
Algazarra é mais do que barulho, confusão. É um ruído intenso, brutal, que pode ser causado por um tumulto. Gosto, sem dúvida, gosto muito. Assim como também aprecio particularmente um sussurro. Faz-me pensar em segredo, bruma, serenidade. O mar é belo, belíssimo, mas o oceano é fantástico, grandioso, overwhelming (desculpem lá, mas não conheço equivalente em português. Amo o sol mas adoro a sonoridade e as formas sensuais da lua. Gosto do calor e em geral embirro com a chuva, sobretudo em Lisboa, mas a palavra nuvem tira-me do sério. E um sorriso cai bem em qualquer ocasião, mesmo - ou sobretudo! - quando estamos longe e sofremos com a linda e tão lusitana saudade....
2/20/2008
Alguém me agarre, depressa!
Já tinha ouvido falar nesta reportagem (penso que até foi premiada), mas nunca a vi. Permitam-me, inúmeros e incontáveis, que partilhe um bocadinho convosco, que não consigo guardar só para mim. E desde já as minhas desculpas às vossas inteligências e sensibilidades que muito respeito.
Excerto de excerto da reportagem 'Vermelho & Negro' de Cristina Boavida (exibida na SIC algures em 2003)
"João Moura e o filho praticam quase diariamente com bezerras, esta tem cerca de um ano. Antes de entrar na arena cortaram-lhe tanto os cornos que o animal não parou de sangrar, e o facto de ser apenas uma bezerra não a impediu de ser cravada com várias bandarilhas durante o treino. As pessoas ligadas à tauromaquia ficam incomodadas quando se fala em crueldade contra os animais.
Manuel Gonçalves (empresário tauromáquico): "Minha senhora, minha senhora, minha senhora, o touro existe, só e exclusivamente para as touradas, é um animal que existe só para isto!"
Jornalista: Não acha que é um espectáculo cruel?
José Pedro Pires da Costa: Não, de maneira nenhuma.
Jornalista: Não acha que é cruel para com o touro?
JPPC: Claro que não!
Jornalista: Porquê?
JPPC: Porquê? Porque... porque... sei lá, é complicado agora estar a responder...
Jornalista: Gostas de animais?
João Moura Júnior: Gosto... cavalos, de toiros.
Jornalista: Achas que gostas de toiros?
JMJ: Gosto, gosto de toiros.
Jornalista: Mas estás disposto a andar a... a espetá-los. E eventualmente a matá-los.
JMJ: Pois, a matá-los também.
Jornalista: Achas que isso é maneira de gostar?
JMJ: Ah, não sei. Mas é a profissão, tem de ser assim.
Jornalista: Nunca teve pena de um toiro?
Sónia Matias: Não [risos] Não, acho que não.
Luís Rouxinol: O touro é... nasce com... com a finalidade em ser toureado.
João Moura: É um touro bravo que é criado só para ser toureado.
Hélder Queiroz: Os touros não sofrem naquela altura, podem sofrer mais tarde...
Jornalista: Por que é que diz isso?
HQ: Porque... essa... a raça desse touro foi lidada para isso, este touro foi criado para isso, não... não... ele foi, a genética dele não faz com que ele sofra dentro da praça...
JPPC: As pessoas que não gostam de corridas de touros deviam de se informar, informar acerca do que é uma corrida de touros.
SM: Nós somos livres de gostar do que gostamos, só vai à arena quem gosta.
MG: Deus criou o Homem e criou os animais, para que os animais servissem o homem, não é para que o homem sirva os animais.
JPPC: Não há ninguém que goste mais dos animais do que eu. "
O excerto completo aqui
2/15/2008
O S. Valentim é um canalha*
(Que sei eu do amor, meu amor?)
Respondi-te que sim, que o fizesses, se achasses que era o que devias fazer - versão irresponsável e cobarde do "faz o que o coração te mandar". Às seis da tarde ligaste-me. A chorar. "Ela disse que não". Soluçavas no teu pranto de menino. Na tua dor tão grande que era maior do que eu. Meu amor.
Se soubesses, se imaginasses o quanto foi minha a tua dor. A vontade que tive de sair a correr para te ir pegar ao colo, abraçar-te e chorar contigo. Ficar com o teu sofrimento, tirar-to todo, todinho. Dizer-te que não há no mundo mulher que mereça uma lágrima dos teus olhos de ouro. É tão cedo, meu filho. Tão cedo ainda.
Quis dizer-te que não ligasses, que não desses importância. Mas eu sei, meu filho: hoje nada é mais importante que o teu amor de menino. Meu menino.
Um dia vais sentir um amor tão maior ("Oh mãe, mas eu gosto mesmo dela. A sério. Quando estou com ela sinto uma dor na barriga. Porquê?").
Um dia o teu peito vai querer rebentar para que o teu amor se espalhe pelos campos, pelas ruas. ("Oh mãe, eu não quero gostar de outra pessoa. Eu quero gostar dela para sempre!"). Meu amor.
Sabes, filho, o S. Valentim é um cretino. Um malandro, um pulha, um canalha. Um santo do pau-oco, um aliado do capitalismo selvagem, o inimigo nº 1 do Robin dos Bosques: rouba aos pobres para dar aos ricos. Apenas existe para os encher ainda mais e esvaziar-nos a nós. E agora o biltre causou-te o primeiro desgosto de amor. Meu amor.
Deixa-me que te mande o meu postal de São Outra Coisa Qualquer (haverá lá santo que seja capaz de patrocinar o amor de uma mãe por um filho?) sob a forma de uma canção (como todas as canções de amor, ridícula)
Namoro
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita dizia ela tinha
um sorriso luminoso tão triste e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas na fímbria do mar
Sua pele macia era suma-uma
sua pele macia cheirando a rosas
seus seios laranja laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não
Mandei-lhe um cartão que o amigo maninho tipografou
'por ti sofre o meu coração'
num canto 'sim' noutro canto 'não'
e ela o canto do 'não' dobrou
Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete
pedindo e rogando de joelhos no chão
pela Sra do Cabo, pela Sta Efigénia
me desse a ventura do seu namoro
e ela disse que não
Mandei à Vó Xica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e dele nascesse um amor como o meu
e o feitiço falhou
Andei barbado, sujo e descalço
como um monangamba procuraram por mim
não viu ai não viu não viu Benjamim
e perdido me deram no morro da Samba
Para me distrair levaram-me ao baile
do Sr. Januário, mas ela lá estava
num canto a rir, contando o meu caso
às moças mais lindas do bairro operário
Tocaram a rumba e dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu
e a malta gritou 'Aí Benjamim'
Olhei-a nos olhos sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lálá lá lá lá lá
E ela disse que sim
E ela disse que sim
E ela disse que sim
E ela disse que sim...
(letra Viriato Cruz, intérpretes vários)
*(havia um filme francês chamado 'Le père-Noël est une ordure'. Não sei como se traduz 'ordure', que era a palavra exacta que gostaria de usar aqui. 'Canalha' é o conceito mais aproximado que encontrei.)
2/12/2008
Basta
(Da minha doença cuido eu. Quem quiser cuide da sua.
Só me lembro de ter parido dois filhos...)
2/04/2008
As duas calamitosas e o Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata

Ontem de manhã, a miniCalamity não achou melhor maneira de descer do sofá para o chão do que mergulhando directamente de cabeça. Vai daí, chorou um bocadinho, fui lá peguei-lhe ao colo, dei-lhe uns miminhos, uns beijinhos e uns abracinhos, parou de chorar e eu voltei aos meus afazeres. Mas uns minutos mais tarde, ao entrar de novo na sala, apercebi-me que estava a sangrar do nariz. Fora a hemorragia (pouco abundante e já quase estanque), parecia em plena forma, até porque brincava e se divertia como se nada fosse, mas com estas coisas é melhor não facilitar, de modos que resolvi levá-la ao hospital. (A propósito, alguém me explica por que motivo, sempre que temos de ir para o hospital é domingo de manhã?)
Recebidas por um rapaz assaz simpático, este último e a minha pessoa tentámos em seguida com a piolha a via do diálogo, mas a miniCalamity não foi na conversa. Se é para radiografar o pato, é para radiografar o pato, então para quê encostar o nariz a esta coisa onde me dizem que há de estar o Noddy? Eu cá sei muito bem com o que é que se parece uma televisão com o Noddy lá dentro e para começar, a televisão é preta e esta coisa é branca. Para além disso, a minha mãe está sempre a chatear-me para me chegar para trás e agora está aqui com este caramelo a mandar-me chegar para a frente. Mas por que carga de água é que vou encostar o nariz a esta coisa? Já bem basta o saco de gelo que a minha mãe me quis impingir durante o trajecto todo até aqui. Nem pensem. Acabou. Vou já para o chão que esta sala é gira que s'a farta e tem montes de coisas interessantíssimas para explorar...
Bom, vai tentativa vem tentativa, vai negociação vem negociação, e eis senão quando entra na sala de raio x outro técnico. Não percebi bem se vinha porque vinha ou se vinha para nos auxiliar. Mas também, inúmeros(as) e incontáveis, isso agora não interessa nada! Nossa, que homem bonito! Alto, na casa dos seus quarenta, cabelo longo cor de prata, de tal forma que eu digo: "Ó miniCalamity, olha para este senhor (e nisto o pouco bom senso que me resta dita-me que não acrescente as palavras que se preparam para brotar boca fora: "que tem um cabelo tão bonito!" e então substituo-as por um disparate do género: "mostra-lhe como és crescida e já te portas bem" - ou "como já sabes contar até 10", ou "que mias como um gato", ou "que sabes cantar o raiosparta-ónoddy" ou lá o que lhe disse, que isso agora também não interessa nada).
À porta da sala do Raio X, o técnico nº 1 despediu-se de nós e a miniCalamity lá foi, de envelope na mão, contendo as chapas que o rapaz lhe entregara. Simpática, como de costume, lançou um sonoro "Até amanhã", ao que o rapaz respondeu com uma gargalhada e pusemos os pés a caminho, a sua vozinha monologante ecoando pelo corredor vazio. Mas vinte passos à frente, não me contive: dei uma olhadela para trás ainda a tempo de ver de relance o Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata entrando de novo na sua salinha. Heheheh. Ficara a ver as duas calamitosas afastar-se corredor fora.
E agora, meninas, a questão é a seguinte: dói-me aqui. E aqui e também neste sítio... exactamente aí. Ai aiai aiaiaiai. Preciso urgentemente de uma radiografia... de corpo inteiro.
1/31/2008
Carta
(creio que no 457-C)
Venho por este meio solicitar-lhe se digne enviar-me alguma iluminação divina que não lhe faça falta ou, na impossiblidade de o fazer, que encarregue um dos seus angélicos funcionários de entrar em contacto comigo ou ainda, caso também esta solução viesse causar transtorno, que me faça chegar documentação explícita no sentido de esclarecer-me sobre a situação que passo a expor:
Desde que me lembro de ser gente tenho tentado ser gentil e justa para com os meus semelhantes e inclusivamente para com alguns dos meus diferentes. Refiro-me a cães, gatos, tartarugas e borboletas, enfim, à maioria dos animais nossos amigos, embora deva confessar que ainda não atingi o nível de progresso espiritual que me permita optar pelo vegetarianismo a tempo inteiro. Admito também ter, em noites de Verão, atentado contra a vida de uma outra melga que insistia em sugar o meu tão precioso líquido sanguíneo, tão necessário à minha sobrevivência, para além de privar-me das minhas tão necessárias horas de repouso, essenciais ao meu residual equilíbrio psicológico.
Contudo, e apesar desses episódios deploráveis da minha existência pelos quais desde já me penitencio, esforço-me todos os dias para evoluir tanto no meu âmago quanto na relação com o que me rodeia e penso sinceramente que não me tenho portado muito mal. Diria também que, mesmo em tempos em que não era tão atinadinha, nunca agi de molde a prejudicar quem quer que fosse e se porventura alguma vez o fiz, foi certamente sem intencionalidade, fruto de alguma imaturidade, inconsciência, ou incapacidade de medir as consequências dos meus actos. Estou certa porém, de que jamais causei dano de maior. A cada vez que me comportei de forma leviana, irresponsável ou inconsequente, fui invariavelmente eu e só eu a arcar com os prejuízos das minhas acções, exceptuando talvez uma ou duas vezes em que magoei os que mais amava, como os meus pais, mas acredito que todos os filhos o fazem, num momento ou outro do seu percurso pelos tortuosos caminhos do crescimento. Estou em crer que o Senhor não iria querer acertar contas comigo devido a um ou outro pequeno desvario próprio da idade, que eles mesmos já me perdoaram há décadas atrás e pelos quais julgo já ter pago a minha dívida.
É por tudo isto, Senhor, que venho, com toda a humildade e respeito que devo a V/ Alteza Majestosa, perguntar-Vos, o que raio fiz eu para merecer isto?
A resposta, como já referi acima, poderá ser-me facultada pela via que V/ Eternidade Divina julgar mais apropriada, pois, modéstia à parte, V/ Bondade Celeste logrou brindar-me com apreciável QI, pelo que penso ser capaz de atingir mensagem de carácter subliminar, caso V/ Essência Etérea opte por esclarecer-me via sonho, visão ou viagem astral permitindo insight sobre a vida anterior, dado que me parece evidente, dados os factos expostos no parágrafo anterior, situar-se aí a razão para este meu Karma, o qual me vem acompanhando já há umas décadas valentes.
Agradecia também me fosse outorgada, naturalmente na ocasião considerada adequada por V/ Altura Inatingível, informação relativa ao prognóstico da situação acima exposta. Trocando por miúdos: Até quando, Senhor, durará este meu castigo?
Sem mais de momento, na expectativa da V/ Mui Prezada e Sempre Oportuna resposta
Subscrevo-me com todo o respeito, consideração e estima que me é possível na minha posição de mero e insignificante ser humano e pedindo desde já as mais humildes e esmeradas desculpas pelo tempo que possa ter usurpado a V/ Elevadíssima Agenda
Calamity Jane
1/27/2008
Posta à mão (ou elocubrações desmesuradamente longas às quais os inúmeros e incontáveis devem evitar a todo o custo lançar-se
A posta you're about to read (adoro esta expressão, estar 'about to', e qualquer tradução que lhe tentasse substituir resultaria, quanto a mim, sempre aquém do original) foi escrita duas vezes, ou seja, foi primeiro escrita em papel (diga-se de passagem que sentada diante de uma paisagem magnífica, sobre uma relva verdejantemente fresca e sentindo a carícia morna de um sol delicioso) de modos que vou já avisando os inúmeros e incontáveis que, se chegaram até aqui, seria, no mínimo, simpático que não se deixassem assustar com o comprimento da mesma (e, já agora, nem pelo das frases que a compõem, com as quais tenciono desafiar Saramago a um despique assim que o senhor melhore e saia do hospital...), uma vez que tive de me dar ao trabalho de a reescrever inteirinha no computador (assim como aos múltiplos acrescentos que foram entretanto surgindo na minha insuportável mente hiperactiva), sendo que o seu primeiro 'parto' representou para mim um exercício bastante intenso e diria até de teor quase inovador, já que não o fazia há largos meses. Refiro-me ao de escrever à mão.
Escrever textos, claro está, pois que todos os dias utilizo todas as canetas que me possam aparecer pela frente para escrevinhar nos mais diversos suportes números de telefone, endereços de email, listas de faltas, recados para mim própria, lembretes e apontamentos vários, dos quais resultam uma infinidade de papéis os quais, por sua vez inundam a pouco e pouco a minha existência e, um belo dia, acabarão, eu sei, por me submergir, se tivermos em conta que sou absolutamente incapaz de os deitar fora, quer bem se trate de uma lista onde se encontram rabiscadas as palavras "cebolas, papel higiénico, leite do dia, yogurtes naturais" (ou melhor "cebs, pap hig, leite dia, yogs nats), quer de um poema que representou o que de melhor fiz nas últimas décadas e que, por incrível que pareça, permanecerá talvez guardado ao pé da referida lista de abreviaturas de compras para fazer no supermercado antes que a minha casa e a minha família resolvam expulsar-me por incomprimento até ao dia, quiçá daqui a dez anos, em que eu resolva arrumar aquele específico monte de papéis do qual serei eventualmente capaz de colocar no papelão as contas da água e luz e mesmo assim só o farei se me aperceber que, fossem elas processos judiciais por crimes graves já teriam prescrito. (ufa! que até a mim me canso!)
Escrever à mão. À medida que o tempo passa verifico que cada vez menos o faço. Algo que pratiquei sempre com uma frequência incerta (embora desde sempre me lembre a escrever por dentro da cabeça, escrever sempre, a andar na rua, a conduzir o carro, nos transportes públicos, na fila da repartição, no jardim com os putos, no elevador, onde quer que seja) mas que mesmo assim ia fazendo, fui fazendo sempre, embora de forma diferente daquela - rara - em que o faço nos dias que correm.
"Dias que correm". Detenho-me por momentos nesta expressão e apercebo-me de repente onde reside o seu verdadeiro significado, talvez o motivo pelo qual hesitei antes de o escolher em detrimento de outro sentido aproximado como "na actualidade" ou "hoje em dia" ou mesmo "presentemente". Presente mente... "Presentemente" também mereceria uma aprofundada reflexão. Dedicarei noutra ocasião mais atenção a ambas as formulações. Ou talvez não.
Retornemos, pois, à questão que me ocupava no presente momento (olha, outra!, se bem que não é nada a mesma coisa. Adiante).
Dizia eu então - se é que nesta altura do campeonato ainda resta um único de vós, inúmeros e incontáveis, a passear os olhos estafados da esquerda para a direita e de cima para baixo, exasperando-vos na espera inglória do momento, quem sabe em vão pois poderia muito bem nunca chegar, do momento, pois, em que aqui a desvairada da Calamity se decida a ir directamente ao assunto, ou deveria eu antes dizer, a ir ao assunto tout court, já que o advérbio "directamente" representa aqui o contra-senso em todo o seu esplendor - dizia eu então para os sobreviventes desta mui cansativa e interminável prosa, que hoje em dia raramente me dedico a escrever à mão, o que, definitivamente, é um exercício substancialmente (de substância, mesmo) diferente de escrever num teclado de computador. E apercebo-me de que o faço de forma também ela diferente. Diferente do que fazia antes, digo. Antes do blog.
À pressa, gatafunhando. Não desenhando as letras com algum esmero (embora sempre tenha tido uma caligrafia bastante grave) como o fiz ao longo de muitos e muitos anos, gostando de escolher para o efeito a caneta e o papel. (Mesmo que, em caso de pânico, qualquer coisa servisse para o efeito, e muitas vezes tive de lutar contra o espaço exíguo deixado livre por um extracto bancário ou depois de ocupados ambos os lados de um guardanapo de papel, ou ainda, já cheia a prata do maço de tabaco assim como as margens do pacote...).
Que beleza, um caderno todo preenchido de letras, letras escritas com amor, com raiva, com tinta feita de emoções. Pensamentos que ganham dimensão, textura gráfica!
E, por outro lado, quantas promessas nas páginas virgens de um caderno em branco. Com linhas, quadriculado, naquele magnífico papel 'Seyès' dos franceses, semelhante a uma partitura, pronto a ficar repleto de maravilhosas palavras, prodigiosos verbos, advérbios, gerúndios e particípios, todos ligados entre si por divinas partículas, conjunções, preposições, e artigos. E pontos, muitos, muito pontos. Pontos de exclamação, de interrogação, reticências e ponto e vírgulas. Caracteriais ponto e vírgulas. Ou será pontos e vírgulas?
Postar para o papel antes de o fazer para o teclado. Recuperar aquela noção de escrever para si próprio. Guardar na gaveta os cadernos cheios de mim e nunca os revelar. Mantê-los fechados, tinta e papel coladinhos num casamento daqueles à mete-nojo, sempre tão juntinhos, tão íntimos que nunca nada nem ninguém os pode sequer adivinhar.
Que invenção fabulosa, esta possibilidade de escarrapachar as divagações que, durante séculos a fio, permanecerem no recato sepulcral dessas folhas agrupadas, encerrando entre si a própria essência dos seus autores. E, ao mesmo tempo, que perda irreparável se, de repente, deixássemos de os usar, os tais cadernos paulausterianos, de cuja maciez, densidade e aparência podia depender o teor de um texto, o seu âmago. Um pouco como os poemas gráficos, uma obra tridimensional, por assim dizer… Não estaremos nós paradoxalmente a condenar os nossos escritos a uma existência puramente ‘no plano’ quando os lançamos para a aparente multidimensionalidade da blogosfera?
(to be continued)
1/22/2008
A minha blogosfera é melhor que a tua!
Da minha blogosfera sempre recebi ânimo, calor e carinho. E até a blogosfera que não sabe que é minha me correspondeu quando solicitada com uma resposta cordial, agradável e simpática, no mínimo.
A minha blogosfera é um mundo novo. Talvez seja este o início da Utopia. Uma terra sem amos, a Internacional...
De facto, a minha blogosfera, sôdona Margarida Rebelo Pinto, não tem nada a ver com a sua. A Calamity nunca poderia ter escrito, como a senhora:
"Os blogues são um território de guerrilha suja, protagonizada pelos terroristas da Internet"
Talvez seja por isso que a Calamity ainda não passou da cepa torta, e a senhora colecciona best-sellers. Mesmo assim, prefiro ser a Calamity. É que, sabe, sôdona Margarida Rebelo Pinto, a minha blogosfera é mêmo, mêmo, bem melhor que a sua, sei lá!
Sim, eu sei que isto já foi há uns meses largos, e até suscitou posta na minha blogosfera (desculpa, Azulinha, não consigo colocar o link exacto, mas, para quem lá for, é a 4ª posta, a contar de cima...), mas, o que é que querem?.. só hoje me ocorreu... Desculpem lá se já vou atrasada...
1/15/2008
Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
do ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita
A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo
como um riotransbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou
Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume,
foi um augúrio de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita
Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescenteda sua lavra
que a bom entendedor meia palavra basta,
é só adivinhar o que há mais os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita
Sérgio Godinho
in Canto da Boca
Bem Vinda Princesa Clara
1/14/2008
O Segredo
Adiante. Sou cusca, portanto. E como tenho uma relação de obsessivo-compulsiva com a leitura, tenho uma mania muito feia que é ir nos transportes públicos a partilhar as letras dos vizinhos mais próximos sem para tal ter sido convidada. Qualquer coisita serve, desde os pasquins gratuitos até à 'Crítica da Razão Pura', mesmo que na sua versão original - e isto apesar de não falar nem escrever mais do que quatro palavritas na língua de Kant.
Vem isto a propósito do meu curto trajecto de autocarro de hoje. A velhota teria pelo menos uns oitenta anos. Trazia nas mãos um livro forrado a papel de embrulho de boa qualidade, acastanhado. Folheava-o nervosamente de trás para a frente e da frente para trás. De vez em quando detinha-se numa página e lia (?) um pouco. Depois, olhava para os lados - e sobretudo para mim, pois já tinha percebido, ou pelo menos pressentido da minha tendência para Mata-Hari da literatura alheia - e reforçava as suas manobras de diversão. Tudo, menos deixar que fosse quem fosse se apoderasse de uma palavrita sequer do seu 'Segredo'. Escusado será dizer que não tinham passado dois segundos sequer até que desvendasse o título da obra que a senhora tanto tentava esconder. O que deu mais ânimo à - parafraseando a Cool Mum num post recente em que esta última citava a Vieira do Mar - cabeleireira intrometida que existe em mim. Mas a minha vizinha não permitiu que decifrasse mais uma vírgula. Queres saber mais? Vai comprar! A Rhonda Byrne agradece.
1/09/2008
Um dia
Liberto esta posta na esperança de que os sentimentos desagradáveis e pensamentos carregados de más energias que me têm inundado o campo nestes dias se dissolvam na imensa blogosfera, transitem para o espaço intergaláctico, se transmutem e apenas regressem sob a forma de centelhas multicolores de amor e bem-aventurança.
Inúmeros e incontáveis: se souberem de algum curso que ensine as esponjas a transformar-se em espelhos, avisem a Calamity, tá?..
1/02/2008
12/27/2007
É hoje!!!
(esta mensagem autodestruir-se-á dentro de algumas horas...)
12/21/2007
Oh! Oh! Oh!
12/14/2007
A revolução
Uma das perguntas colocadas no referido teste era qualquer coisa como "Concorda que a terra seja algo que se possa comprar e vender?". Pois bem, inúmeros e incontáveis, a verdade é que, embora sonhe com o meu quinhãozinho, onde possa um dia cultivar umas batatas e uns tomates e passar uma velhice mais tranquila, ouvindo a brisa agitar as folhas do arvoredo e observando as mudanças subtis dos tons de verde e castanho ao ritmo das estações, a resposta é "Não, não concordo". Como os índios, acredito que a terra não nos pertence. Se o sol, quando nasce é para todos, também a terra, a água, o ar e o fogo. Porque, para ser algo que se compra e vende, é porque pertence a alguém. E se pertence a alguém é porque esse alguém a comprou ou a herdou ou a roubou a outrem. E antes disso, o mesmo. E por aí afora. Mas um dia, teve de ter havido um tipo que chegou ali e disse: "Isto aqui é meu". E com que direito, pergunto eu?
Tenho andado com uma série de questões a incomodar-me o neurónio. Eu sei que a todas estas angústias não serão alheios o Inverno, os dias curtos, o frio. Mas regularmente assola-me um pensamento: a geração anterior à minha fez alguma coisa para mudar o mundo. Mesmo se deu na merda que todos sabemos. Mas ao menos, eles mexeram-se por algo em que acreditavam. Tá bem que hoje, estão quase todos sentados, acomodados. Mas, e nós??? Os que hoje têm 30, 40? O que fizémos nós? O que estamos a fazer? Que mundo é este que estamos a deixar aos nossos filhos? Não podemos fazer nada? TANGA! TANGA! TANGA!!!
O senhor Óscar Niemeyer faz 100 anos amanhã. No fim-de-semana passado deu uma entrevista ao Diário de Notícias. No final da mesma, dizia algo como:
“Acredito na revolução (...) O socialismo está dentro do coração das pessoas e não acaba de um dia para o outro. A revolução na União Soviética talvez tenha sido um acidente de percurso. O que é justo é um Estado correcto amando o povo, procurando criar um clima normal, de felicidade geral (...)”
O mesmo senhor diz também que a vida é um sopro. E eu, que acredito que temos uma missão na vida, caso contrário não sei bem o que estaríamos aqui a fazer, digo-vos, inúmeros e incontáveis: se há quem chegue aos 100 anos a acreditar na revolução, no amor e na felicidade, então temos de acordar rapidamente para fazer a nossa parte. A vida é um sopro, sim. Um sopro divino que tem de nos levar onde nós temos de ir. Fazer o que temos de fazer.
É possível mudar o mundo porque eu quero.
12/07/2007
Tá tudo doido???
Uma senhora cujo nome não foi divulgado resolveu doar o seu corpo Faculdade de Medicina de Coimbra. Uma bela atitude, a bem do avanço científico, penso eu de que. Ora, a referida senhora faleceu sexta-feira passada, no Instituto de Oncologia daquela bela cidade. Acontece que o referido Instituto tinha a câmara frigorífica avariada. A faculdade estava fechada e ninguém conseguiu contactar com os responsáveis da instuitição universitária. Por sua vez, o Instituto de Medicina Legal recusou-se (!!!) a guardar o corpo. Resultado: quando, na 2ª feira, chegou ao IPO o técnico da Faculdade de Medicina encarregue de recolher o dito corpo, este já não se encontrava em condições para ser usado com fins científicos. Ora! Qual é o problema???! Não dá para perceber. Lá porque o cadáver tinha três dias, não o podiam utilizar?! Estes cientistas têm cada uma! Precisavam de um corpo, não era? O corpo estava morto, certo? Então! Morto por morto, o que é que isso interessa...
O Tribunal Judicial de Vila Real resolveu 'devolver' à mãe biológica a menina Iara, de 6 anos, que vive desde os 25 dias de idade com os 'pais afectivos', a nova expressão agora em voga para designar aqueles que são pais embora não adoptivos, neste caso porque se trata de uma família chamada 'de acolhimento'. Refira-se que, quando tinha cerca de 2 anos, a menina chegou a a ser entregue pelo Tribunal de Alijó à mãe biológica, toxicodependente. Pouco tempo depois foi o próprio companheiro desta que devolveu a menina aos pais afectivos, por se aperceber da incompetência desta em cuidar da filha. Iara sabe da decisão judicial: "Fartou-se de chorar, não quis ir à escola e fez chichi nas calças"... Os pais afectivos não sabem se ainda passará o Natal com eles, já que poderá ser retirada à família de acolhimento a qualquer momento. O motivo de tão nobre decisão prende-se com a alegada recuperação da mulher que há seis anos a deu à luz.
Eh pá malta, esta nem sequer consigo comentar.
Só vos digo, inúmeros e incontáveis.
Ponham-se a pau.
Lembrem-se daquele poema de Berthold Brecht:
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso,
também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.
Inúmeros e incontáveis: desejais que continue esta minha leitura dos jornais da semana?
PS: As inscrições para a janta continuam abertas...
12/05/2007
Todos à janta interbloggers de 27 de Dezembro
Vai ser muita louco.
Vamos ser mais cás mães.
Vão inúmeros e incontáveis amigos do 'Nada...' mas a janta foi ideia da Chiqui (amanhã linko-a assim como a outros dos inúmeros e incontáveis já confirmados e por confirmar a ver se se decidem rapidamente) e eu sei que ela não se vai importar que eu estenda o convite a todos os inúmeros e incontáveis. Aliás, qualquer inúmero e incontável da Chiqui é um inúmero e incontável meu e se ela concordar, o vice-versa também é válido.
Desculpem se fui confusa mas estou quase a fazer tilt, de modos que vou já pra casa jantar com os putos que é coisa que não faço há mais de três quinze dias. Ah pois é.
Mais pormenores amanhã. Estão abertas as inscrições
11/29/2007
FMI (Foi Muito Intenso) ou mais uma Crónica da Outra Vida
Foi, pois, em 81. Aqui mesmo ao lado, no Teatro Aberto, na Praça de Espanha. O dito teatro não ficava, como hoje, na Avenida Gulbenkian, como quem vai para a Av. de Berna, mas antes do outro lado da praça, como quem seguisse em direcção ao Hospital de Santa Maria. Isso agora também não interessa nada, como diria a Teresa Guilherme, mas os inúmeros e incontáveis já sabem como sou e o quanto gosto de me perder em pormenores, tipo janela barroca e o que vale é que depois a janela abre e fecha e veda na mesma, e dá para uma qualquer paisagem e, a bem dizer, podia dar-me para pior, que era esquecer-me ao que ia, ou neste caso vinha.
Os meus pais sempre me levaram para estas coisas, e diga-se de passagem que era mais por influência do meu pai que da minha mãe.Tratava-me como se eu fosse mais crescida do que na realidade era e agradeço-lhe o ter-me assim proporcionado momentos que trago comigo, agarrados à pele e aos ossos e que fazem parte de mim, indissociáveis do que sou, ou pelo menos julgo ser... Naquela noite, o programa era o espectáculo do José Mário Branco. 'SerSolid(t)ário'. Não era imensa, a audiência, que o teatro não levava uma multidão. Mas era suficiente para encher a sala e formar um todo,do qual se desprendia sopro, consistência, vibração. E sei que, apesar dos meus 11 anos, aquilo que senti a determinada altura não foi exclusivo meu, da minha ingenuidade, da inocência que trazia, muito inferior, diga-se, à de muitos 11 anos que por aí vejo. Não sei se feliz, se infelizmente, mas também isso são outros assuntos, e tantos haveria para trazer ao 'Nada...'...
E 'às páginas tantas', diz assim o Zé Mário: "Vou-vos mostrar mais um pedaço da minha vida, um pedaço um pouco especial, trata-se de um texto que foi escrito, assim, de um só jorro, numa noite de Fevereiro de 79, e que talvez tenha um ou outro pormenor que já não seja muito actual. Eu vou-vos dar o texto tal e qual como eu o escrevi nessa altura, sem ter modificado nada, por isso vos peço que não se deixem distrair por esses pormenores que possam já não ser muito actuais e que isso não contribua para desviar a vossa atenção do que me parece ser o essencial neste texto. Chama-se FMI.Quer dizer: Fundo Monetário Internacional. Não sei porque é que se riem, é uma organização democrática dos países todos, que se reúnem, como as pessoas, em torno de uma mesa para discutir os seus assuntos, e no fim tomar as decisões que interessam a todos... É o internacionalismo monetário..."
E foi assim que assisti à primeira (e única??) apresentação (demorei um pouco a achar esta palavra e, embora não me pareça a ideal para definir o que foi 'aquilo', talvez seja a única que eu consiga achar neste momento, por isso aqui ficará a não ser que entretanto me surja outra mais adequada...) ao vivo desse texto e até hoje, a cada vez que me lembro, sinto-me grata. E muitas outras coisas, mas não sou menina para repetir adjectivos, apesar do meu já bem conhecido pendor para o alongamento verbal. E sei que, naqueles longos minutos, as confusas e variadas emoções que emergiram no meu ser foram de uma intensidade brutal e inesquecível. Sei também que algumas delas foram partilhadas com a restante plateia. O às tantas não saber se o homem 'se tinha passado' (nessa altura não se usava tal expressão), e se aquilo faria mesmo parte do que estava previsto. O sentir que estava ali a mais, frente a um homem com idade para ser meu pai que se estava a 'desmanchar' diante de 300 pessoas, para lá de todo o pudor, de toda a contenção. O riso e o espanto. A desmesura.
Ando há dias com este poema fabuloso no ouvido. Passaram 26 anos(!!!). 28 desde que foi escrito. Mas mudássemos-lhe nomes e pormenores e poderia ter sido escrito ontem. Anteontem. Amanhã.
Inúmeros e incontáveis. Se não conheceis, lede. E ouvide. Se não conheceis, idem. (Espero que esteja em óptimas condições. Não tive ocasião de ouvir tudo, que ainda me punham na rua por acto subversivo no local de trabalho. E já se se sabe, o precariado tem de manter low profile. Very, very low...)
Acrescento: Ando a cozinhar esta posta há uma semana. E o FMI às voltas na minha cabeça. Sempre e sempre. Mas da posta perdeu-se muita coisa pelo caminho. Vou-me lembrando, à medida que leio e releio o texto, que tem algumas imprecisões em relação à gravação. Pedaços que tomam um significado cada vez maior. Como: "(...) Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos!"(...). Passaram 26 anos que o ouvi despejar isto. 28 que ele o escreveu. E hoje, quem tem 37 anos sou eu. E nunca como hoje senti este texto tão meu.
11/23/2007
Será um sinal?
É do caraças, não acham, inúmeros e incontáveis?
Volto o mais breve possível, com assuntos menos comezinhos. Penso eu de que.
Ah! Gosto muito de vocês. Eu sei que estas coisas não se agradecem, mas o vosso carinho enche-me de calor e de luz :-)
11/15/2007
Nada
11/07/2007
Continuando em maré de intervalo
Já está.
Dizia eu que descobri esta posta enquanto pesquisava e vou parar por aqui esta verborreia que, como toda a gente sabe - e os meus inúmeros e incontáveis ainda melhor, já que são pessoas de uma cultura tremenda (sim, tremenda, bláblábláblábláblá) - , é uma diarreia verbal, e deixar aqui o link para que os inúmeros e incontáveis possam ler com os próprios olhos e, quiçá, esboçar um sorriso como eu esbocei...
Posta engraçada descoberta em blog até agora desconhecido mas que desconfio valer a pena ir dando um olho... Meus amigos, que é como quem diz, inúmeros e incontáveis, é caso para dizer:
fisga-se! ou o que mais vos aprouver
Já agora lanço o desafio: bora lá arranjar (e enumerar aqui) mais expressões idiotas que as pessoas usam para substituir os palavrões, vulgo asneiras, vocábulos tão saborosos que não compreendo por que motivo a malta não os há de pronunciar com todas as letras.
E mais digo (heheheh!): bute inventar novos palavrões, que os que existem, como referi em posta relativamente recente, pura e simplesmente não chegam!
11/06/2007
Não era nada disto
Aqui vai, pois, o Guia Prático da Ciência Moderna, de autor desconhecido, mas definitivamente brasileiro
1. Se mexer, pertence à biologia.
2. Se feder, pertence à química.
3. Se não funciona, pertence à física.
4. Se ninguém entende, é matemática.
5. Se não faz sentido, é economia ou psicologia.
6. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.
LEI DA PROCURA INDIRETA
1. O modo mais rápido de se encontrar uma coisa é procurar outra.
2. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.
LEI DA TELEFONIA.
1. Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga.
2. Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.
LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA.
Se estiver escrito 'Tamanho Único', é porque não serve em ninguém, muito menos em você. >
LEI DA GRAVIDADE.
Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.
LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS.
80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu, baseada no único livro que você não leu.
LEI DA QUEDA LIVRE.
1. Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
2. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.
LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS.
A fila do lado sempre anda mais rápido.
Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.
LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA.
Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
LEI DO ESPARADRAPO.
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.
LEI DA VIDA.
1. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
2. Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral ou engorda.
LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS.
Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.
11/01/2007
Saudades da blogosfera (Parte 3 e não sei se acabou ou não)
E tenho saudades. Saudades daqueles primeiros tempos, tempos de inocência, a infância da blogosfera, se é que posso designá-la desta forma. Eu sei que, para muitos, aquilo que para mim foi o início já era um período bem avançado. Havia blogs com nome. Com história. Com passado. Com memória. Com milhares de visitas e comentários.
Mas o que recordo com nostalgia foram aqueles 2, 3 meses, que pareciam o período de lua de mel dos adictos. Em que não descansava enquanto não viesse aqui, a este espaço de encontro, e ao mesmo tempo de solidão. E agora parece que isto nunca me satisfaz. Uma droga, tal e qual uma droga. Passo a semana inteira a tentar arranjar um bocadinho para isto mas tudo o que penso pôr aqui não ponho. Ou ponho, mas não chega. Tivesse eu o dia inteiro, não seria o suficiente. Tivesse eu os dias inteiros. Já não sei se gosto disto ou não. Mas que tenho saudades, tenho
A escrita é bela mas dói. A vida é bela mas dói. Será que arde porque cura, a escrita? Ou irá doer sempre tanto, cada vez mais e eu sem nada poder fazer que não seja continuar???










