10/27/2008

O grande engodo


Tenho a mania, entre muitas outras, de querer comer coisas saudáveis, seja lá o que isso queira dizer. Faz-me impressão a quantidade de merdas que misturam naquilo que nos impingem e que nós alegremente compramos, consumimos e damos a consumir aos nossos filhos. Já há tempos, aliás, fiz aqui uma posta sobre o assunto. Falava sobretudo de 'E's, esses entes misteriosos sob os quais pode estar disfarçada a substância mais inócua do mercado ou o mais prejudicial veneno sem que, a maior das vezes, a maior parte dos fregueses se apercebam, já que imagino que, além da minha obsessiva pessoa, só deve haver outros dezassete consumidores em Portugal a percorrer paranoicamente as listas de ingredientes nos supermercados, acabando por deixar para trás 95% dos produtos novos que surgem e chamam de tempos a tempos a tempos a minha atenção.
Já o tinha dito e repito, pois não consigo, por mais que tente, compreender, como é que pessoas que dizem preocupar-se com o que ingerem, acabam por levar gato por lebre, nomeadamente quando acham que estão a comprar um magnífico pão integral, cheio de cereais e fibras, e enriquecido com sementes, mas se esquecem de constatar que o dito pão se acha igualmente enriquecido com meia-dúzia de aditivos químicos dos quais pelo menos dois são comprovadamente cancerígenos. Aliás, muito se poderia discorrer aqui só sobre o pão. Alguém já se apercebeu, por exemplo, que existe à venda uma broa de milho provinda de uma entidade que à partida nos mereceria total credibilidade chamada "Museu do Pão" (sede: Seia, Serra da Estrela) e que mesmo esta não é isenta de aditivos, vulgo merdas que misturam na farinha, no fermento e sei lá mais o quê para aquela porra durar mais tempo ou lá o que é, como se a broa não durasse naturalmente uma semana e até mais caso se guarde no frigoríco e/ou se torre em fatias finas??? E ninguém diz nada?

Sim, eu também "aderi" à "moda" dos produtos naturais, aliás, nisto como noutras coisas, já lá andava antes de a maior parte das pessoas se ter dado conta da sua existência, desculpem os inúmeros e incontáveis a falta de modéstia, mas as verdades são para serem ditas. Só que tentei fazer a coisa como deve ser e como sou imensamente paranóica e obsessiva - sim, eu sei, já o tinha dito anteriormente, mas o assegurar-nos constantemente de que deixámos as torneiras fechadas faz parte da nossa doença, não sei se os inúmeros e incontáveis conhecem - dizia eu pois que, como sou imensamente paranóica e obsessiva, passei nessa altura a ler tudo o que era rótulo e a assegurar-me da composição dos alimentos e até de outras coisas, mas isso não vem agora ao caso. O importante e trágico é que progressivamente fui eliminando produtos da despensa, frigorífico e sobretudo da alimentação diária. A coisa piorou um pouco quando o meu filho nasceu, e como já vai fazer onze anos, podem os inúmeros e incontáveis comprovar que o que digo é deveras verdade, ou seja, ainda nem bem se sonhava neste país que os ditos produtos naturais se tornariam uma coisa muito in e já eu frequentava os celeiros da vida e me tinha apercebido do quanto isto pode ser enganador e, além de enganador, paradoxal. Pois não andou o ser humano a "evoluir" durante tanto tempo a fim de conseguir produzir mais e mais barato, de conseguir fazer com que a riqueza chegasse a mais e mais gente e a um preço mais acessível, a inventar formas de conservar os alimentos para que durassem mais e com eles as suas qualidades nutritivas, a reproduzir artificialmente qualidades naturais para que chegássemos a esta espantosa realidade: se eu hoje quiser um alimento natural, tal qual era consumido no tempo dos meus avós, tenho de pagar bem mais caro por ele do que se o consumir cheínho de produtos químicos ou a saber a plástico, porque há uma lei qualquer para a qual eu não votei que diz que o mesmo tem de ser embalado numa porra de uma embalagem que lhe altera as características além de ser antiecológico, mas isso já são outros quinhentos e se vocês ainda tiverem pachorra outro dia faço uma posta sobre o assunto.

Dei por mim a pensar nisto e em muitas outras coisas enquanto percorria os corredores de um recém-inaugurado espaço comercial especializado em agricultura biológica. Tudo muito bom, mesmo muito. Leite propriamente dito, mugido da vaca que pastou erva pura, sem pesticidas. Só por isso tenho de pagar duas vezes e meia o preço da coisa geneticamente modificada e artificialmente manipulada. Pão sem quatrocentos e e trinta e cinco 'E's. (Sim, inúmeros e incontáveis, ide comprar o vosso pão ao Pingo Doce e lede a etiqueta. E depois, se quiserdes, continuai a comê-lo e a dá-lo de comer aos vossos filhos. Eu cá sou maluquinha mas prefiro comprá-lo na padaria ou na tal loja e imaginar que ele vem um pouquinho que seja mais limpo...). Mais 50% de aéreos. Fruta e legumes que cheiram ao mesmo que aqueles que colho nos pomares alentejanos onde por vezes tenho o privilégio de poder fazê-lo (Arrotar mais 30 a 150% dos aéreos em relação aos mesmos frutos e legumes inodoros, congelados quando ainda não estavam maduros e que vão apodrecer sem nunca terem passado pela fase do comestivel). Não garanto a pureza a cem por cento, mas como fazê-lo? Não estão os lençóis freáticos, as águas, os caudais contaminados? Mas quando os produtos são preparados, como o pão de que falava mais acima , pelo menos não lhes foram acrescentadas substâncias que dão por nomes enigmáticos como 'intensificador de sabor' ou 'regulador de acidez'. Lá em casa, a hortelã, o coentro e o sumo de limão acrescentados na hora ainda conseguem intensificar o sabor e regular a acidez de qualquer alimento...

Mas francamente, que chateia à brava, chateia. Comprar a minha manteiga sem sal ( e branquinha..., como veio ao mundo) e ter de pagar mais dez a vinte cêntimos do que se levasse a sua congénere salgada. Ou chegar à farmácia querendo comprar um produto contra os piolhos - pois é verdade, inúmeros e incontáveis, eles andem aí, mais fortes, mais invasores do que nunca!!!, preparando-se para um ano escolar em grande e para contribuir para a riqueza da indústria farmacêutica em peso (aliás, pergunto a mim própria se não serão estes que "fabricam" estas pragas todos os outonos...) - e dar com uma loção nova que apregoa o seguinte: "SEM NEUROTÓXICOS". E logo ao lado, não se fosse dar o caso de eu não ter percebido: "NO NEUROTOXICS". Sim senhor. É assim que ao fim de cinco anos a lutar desenfreadamente contra esta bicharada fico a saber o que andei a colocar repetidamente na cabeça do meu filho! FODA-SE! ESTES GAJOS ESTÃO A GOZAR COM QUEM??? Portanto eu pago vinte euros por um frasco de uma tanga qualquer cujo efeito vai durar 15 dias, que vai pôr o puto aos berros e a chorar, e ao fim de quinze dias vou lá buscar mais porque entretanto ele foi re-infestado e estou a pespegar-lhe com uma droga que lhe está a causar danos cerebrais e nem sequer sou informada???
Mais, para quem ainda não saiba: gelatina é bom, não? Pois é. Faz crescer as unhas e o cabelo, não é? Pois é. Mas não é aquela que vos vendem. Essa é feita à base de farinha DE CARNE DE PORCO. Procurem nos ingredientes. Só a gelatina vegetal é saudável e essa só é vendida em determinados sítios.
Mais. Cornetto de Morango e Perna de Pau. É bom, não é? Pesquisem lá que 'E's são aqueles. Dois deles são cancerígenos. Porque é que ainda estão no mercado? Vocês sabem? Eu não.

Exijam da porra do governo e da rachtaparta da ASAE, já agora, que foi para isso que os puseram lá, se é que alguém ainda se lembra, que nos esclareçam sobre as merdas que andamos a comprar e a dar aos nossos filhos. Que venenos são estes que são permitidos/tolerados pelas autoridades?


E já agora, se tiverem estômago, dediquem lá 20 minutos das vossas vidas a ver isto. Mas vejam mesmo. Aprende-se mais do que em três anos de blogosfera. Se precisarem, existe uma versão traduzida e legendada em Português que está bastante fiel ao original. Divulguem. Mostrem aos nossos filhos. É que, apesar de tudo, pode ser que ainda haja saída. Afinal, andamos aqui para alguma coisa ou só para alimentar este gigantesco engodo?




Ah, é verdade: com 1/2 copo de vinagre dá-se cabo da piolhada... Ah, pois é!!! É vê-los, senhoria, a tombar na banheira, que nem tordos, clamando por misericórdia!... O preço? Uma agradável surpresa!...

PS: Só para terminar, e depois prometo que não vos empato mais, não percam esta brilhante crónica do RAP. Eu própria não o teria dito melhor (heheheh)...

Tal qual outra droga qualquer

Ao princípio é a loucura. Vive-se a coisa intensamente. Respira-se por ela. Quer-se a toda a hora. E ela paga-nos da mesma moeda. Compensa-nos. Preenche-nos. Dá sentido à vida. Faz-nos esquecer toda a merda em volta. Faz-nos achar que vale a pena.

Depois... depois vem o choque da realidade. Afinal vai tudo dar ao mesmo. Tudo a mesma tanga. O grande vôo deu em grande estatelanço. Demos com os cornos no chão e nem sabemos bem quando é que deixou de ser o que era. De que falo? Da coca? Do sexo desenfreado? Do grupinho dos "amigos"? Da blogosfera?

E será que importa verdadeiramente? Só mudam as moscas, mesmo...

(Lembro-me repetidamente dos versos do Sérgio Godinho: "Depois do primeiro assombro logo o corpo fica farto"...)

10/23/2008

Triste mundo este em que vivemos

Goste-se dele ou não.
Tenha o homem plagiado o 'Equador' ou não tenha.
Irrite-nos ou não quando se sai com aqueles disparates sobre criancinhas em restaurantes ou querer continuar a fumar-nos para cima no café da esquina e ainda achar que tem razão.
Tenha-se ou não paciência para o seu humor cliclotímico...

... só pessoas muito maldosas e que não fazem a mínima ideia do que é escrever podem congratular-se com o que aconteceu ao MST.

Quanto à "eminência intelectual" que se saiu com aquela pérola do pensamento contemporâneo, que bem faria em ir ler livros, dos que correspondam à sua definição, e deixar a blogosfera, já tão sobrepovoada, em paz e sossego...

Experimentei os fones

... mas não resultou!!! Ela não descansou enquanto não conseguiu que eu os tirasse! Gesticulou até conseguir a minha atenção. Retirei-os fingindo-me surpeendida e voltei a colocá-los. Passado um bocado torna a fazer-me muitos sinais. Que estava a tamborilar com os dedos na mesa. Se eu tivesse dito alguma coisa quando anteontem ela largou 147 vezes um abre-papéis de metal compacto em cima da mesa de madeira maciça...
Há dias, depois de me interromper consecutivamente durante duas horas e meia, teve o desplante de me "mandar calar" porque se queria concentrar numa determinada tarefa. Continuo a rir-me para ela mas não sei até quando.



estou realmente mudada

10/17/2008

Da amizade e do amor

A amizade é uma forma de amor.
O amor precisa de ser regado diariamente com uma boa dose de amizade.

... E se tantas vezes esquecemos a primeira da segunda então raramente nos lembramos...

10/15/2008

Metafísica para todos

MiniCalamity, 2 anos e 10 meses:

- Mãe, quem está ássuiiar?
- Quem está o quê, filha?
- Á- ssu - iár!
- Quem está a assobiar?
- Sim!
- São os passarinhos, filha
- Os passarinhos?! Estão a cantar?
- Sim, estão a cantar.
- É música!!! (expressão de quem acabou de ter a revelação divina)


Calamitoso Júnior, 10 anos e 10 meses:

- Mãe, sabes qual é o sentido da vida?
- (glup) euh... eu não, filho, e tu, sabes?
- Eu não, mãe, mas o D e o N sabem.
- Sabem, então qual é?
- Eles não souberam explicar.

10/14/2008

Luas

Eh pá não me chateiem que eu hoje mordo!

PS: Estou a falar com o resto do mundo. Inúmeros e incontáveis são sempre bem vindos ao tasco...

10/10/2008

Nem de propósito

Chegamos à escola ligeiramente atrasadas. A turma já se prepara para ir dar uma voltinha pelo pátio e fazer um pouco de "ginástica" ao ar livre. Mantenho-lhe o casaco vestido. O S. vem logo ter comigo e pede-me ajuda para vestir o dele. Não sei porquê é assim desde o início. Devo ter cara de mãe de todos. Já quando o Calamitoso Júnior andava na infantil, os coleguinhas andavam sempre de minha volta. Enfim. Visto o casaco ao S. e a MiniCalamity já vai pela mão dele de um lado e o D do outro. Logo atrás deles outros dois meninos manifestam a sua alegria de viver pespegando um enorme chocho na boca um do outro. E riem-se, deliciados. Ninguém viu, a não ser eu. Ninguém (ainda) para lhes meter minhocas nas cabecinhas frescas e saudáveis. E dou por mim a pensar: o homem nasce livre e com capacidade de amar ilimitada e incondicional. E o preconceito? De onde virá???

(Notícias das 14h00: O parlamento acaba de chumbar os casamentos de homosexuais. Triste país este. Triste partido este que dá pelo nome de socialista. O mesmo que levou este assunto a campanha como se se tratasse de algo crucial para a nação e que agora impõe esta palhaçada de disciplina de voto aos seus lacaios. Curiosamente tinha esta posta guardada desde ontem. Sendo assim, nem de propósito, inúmeros e incontáveis, já que não há, definitivamente, nada como realmente...)

(lembro-me com alguma frequência daquele genial primeiro álbum de Gabriel o Pensador: "O preconceito é uma coisa sem sentido/Tire a burrice do peito e me dê ouvidos...")

(tentei linkar notícias mas o blogger não deixou. Será que tb é homofóbico?)

É bom mudar de vez em quando mas há 39 dias que levo com isto!!!

Ela fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala. Ininterruptamente, como um rio já próximo da foz que nunca mais acaba de se atirar para o oceano. Fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala naquela voz portentosa que se impõe acima de todos os outros sons e não permite a mais ninguém prosseguir (muito menos iniciar!) quaisquer conversas, quer sejam presenciais ou telefónicas. Aliás, não acredito que não se aperceba de que estas - as conversas - pré-existiam às suas quase sempre inconvenientes e constantes interrupções, já que ainda por cima se trata habitualmente de temas adjacentes (sendo que o termo 'adjacente' é pouco mais do que um eufemismo) sobrepondo-se a assuntos de trabalho. Para mais é algo venenosa embora não me pareça má pessoa. Mas julga-se no direito de se meter onde não é chamada, nomeadamente nos afazeres dos outros sendo que, se porventura consegue levar os dela avante, será certamente um milagre. E fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala. Fala tanto que em meia-hora da sua ausência consigo produzir mais que numa manhã inteira debaixo do bombardeamento cerrado do seu linguajar incessante.

10/03/2008

Enquanto fazia o meu reiki

todos os pássaros da cidade se juntaram lá fora para darem um concerto e transformaram o quintal num jardim...

10/01/2008

Neo Calamitices (2 anos e 10 meses)

A minha filha é uma deslumbrada. De manhã quando saímos para a escola leva dez minutos a extasiar-se perante todos os cães, gatos, bebés, "sehois" e "senhoias", pedras da calçada, carros ("os carros fazem muito dói-dói!"), motas, contentores do lixo ou quaisquer outros objectos ou seres vivos que possamos encontrar pelo caminho. A palavra de ordem é "Olha mãe, um ..... (preencher com a palavra adequada)tão liiiindo!!!". Se se tratar de um cão ou gato (por algum motivo eu os coloquei ali acima à frente de todos os outros), de imediato a pergunta dispara: "Posso fazer festinhas, posso?". Se for bebé nem pergunta. Quase que trepa pelo carrinho adentro.
O fascínio pelas coisas simples da vida é tão grande que, no outro dia, depois de ter presenteado o bacio com um imponente cagalhão, chamou-me triunfante:
"Olha, mãe, que cocó tão liiiiindo!!!"

As conversas mais interessantes decorrem no carro onde se entretém a declinar o seu recém-descoberto manancial de questões existenciais. Monólogos nos quais demonstra um raciocínio lógico a toda a prova.

"Ó mãe, é de dia, agora, é de dia, não é de noite"

"Mãe, esta escola é muito gira, posso lá ir? (A escola nova dela)

Finalmente os nossos impagáveis diálogos

- Mãe, ê qué i pa casa da Paula...
- Porquê, filha, o que é que há em casa da Paula?
- Tá lá a Paula!


Eu (ainda) furiosa ao volante do carro depois de um trajecto de 5 minutos a descarregar as minhas contrariedades para cima das criaturas (períodos curtos mas durante os quais o Calamitoso Júnior já aprendeu à sua custa que o melhor é permanecer calado até o balão esvaziar) :
- Sou uma palhaça, eu,é o que é!
Ergue-se uma vozinha lá de trás:
- Ó mãe eu sou uma palhaça!..

9/23/2008

Olha que giro!!! A vossa Calamity tem uma missão grandiosa




Your Life Path Number is 11



Your purpose in life is to inspire others



Your amazing energy draws people to you, and you give them great insight in return.

You hold a great amount of power over others, without even trying.

You have the makings of an inventor, artist, religious leader, or prophet.



In love, you are sensitive and passionate. You connect with your partner on a very deep level.



You have great abilities, but you are often way too critical of yourself.

You don't fit in - and instead of celebrating your differences, you dwell on them.

You have high expectations of yourself. But sometimes you set them too high and don't achieve anything.

9/22/2008

À falta de tempo para falar no tempo que passa,


falemos do tempo que faz...




Já que o dito-cujo irreparabile fugit e antes que me lance aqui num dos meus proverbiais devaneios que vão daqui aos 30 mil caracteres em duas horas e meia e quando dou por mim já é hora de almoço e os afazeres ficaram por cumprir, falemos então de coisas mais comezinhas, aquilo a que se costuma chamar de conversa de circunstância. Pois que falar do tempo tem até muito que se diga, ao contrário do que debita habitualmente o enfadonho senso-comum.


Lembram-me pois o calendário e o google que hoje é 22 de setembro, data em que principia a poética estação do ano pintada de dourado e escarlate


(escarlete, como dizia um brilhante chefe de redacção que tive em tempos mas lá estou eu a deixar-me desviar, rachtaparta a miúda que não há meio de se cingir aos factos, assim não te safas e os inúmeros e incontáveis vão-se embora, tu escreve o que eu te digo, depois não digas que não te avisei!!!).


As imagens que se encontram no já referido motor de busca são algo repetidas, pecam por ser bem mais bonitas em tamanho reduzido do que depois de devolvidas às dimensões originais, mas mesmo assim não resisto a surripar algumas para decorar o tasco. Já os sites meteos, weathers e afins, andam a prever chuva há três dias mas ainda ontem a vossa calamitosa apanhava cadelinhas numa praia próxima de Lisboa, enfiada dentro de água até ao pescoço... De tanto bombar, o sol rompia o denso nevoeiro e a temperatura do mar competia com paragens próximas do equador.

No pequeno quintal das traseiras, o jasmim que irrompe vindo da propriedade ao lado e que trepa parede do prédio acima como se disso dependesse a própria continuação da vida na Terra parece não se importar com datas marcadas. Já andava a ameaçar há dias e entre sábado e hoje confirmou as minhas suspeitas: floresce. Assim como o astro rei eclode entre as nuvens que, diga-se, apenas lá estão porque alguém lhes disse que todos os meteorologistas do burgo e arredores a haviam previsto. Ali a três metros, no quintal, esqueceram-se de regular os ponteiros e é primavera. No rádio, apesar das águas várias que a animadora de serviço apregoa repetidamente, a música pensa de outra forma. Diz que é verão e quem sou eu para a contradizer? Pois se até os meus poros concordam...


PS: E eis senão quando a própria animadora portadora do molhado oráculo meteorológico muda o discurso: anuncia para breve um remake daquela mítica e incontornavelmente ensolarada série das nossas infâncias/adolescências (excepção para aquelas criaturas inclassificáveis que nasceram nos anos 80), chamada... 'Verão Azul'! Comé, inúmeros e incontáveis? Eu não dizia???
Qual outono, qual quê?

9/18/2008

Perfumismo passivo, flagelo dos nossos dias

De há uns anos para cá tem-se falado muito em tabagismo passivo e pessoalmente acho muito bem que se chame a atenção de todos para este problema que tantos males causa e que é frequentemente (convenientemente) ignorado por pais, adultos em geral e por 'adolecentes inconcientes' que vêem na atitude de fumar na última fila do autocarro uma postura de rebeldia capaz de despoletar nos seus pares reacções do género: "Uau! És muita bom (boa)! Desafias a autoridade! Cá pra mim és o mais popular do burgo. Vou já propor a um agente cinematográfico que sejas convidado para protagonizar a próxima série teen do Disney Channel! " (ou da TVI, o que deve ir dar mais ou menos no mesmo...).
Sim, o tabagismo passivo é uma praga que deve ser combatida e, se me perguntam o que penso da nova lei, tenho de dizer que acho muito bem (aliás, se não me perguntam digo na mesma...). Quero ser eu a decidir quantos cigarros fumo por dia, a que horas os fumo e de que marca são.

Mas hoje gostaria de chamar a vossa atenção para outro flagelo que tem sido sistematicamente ignorado pelas autoridades competentes e que, no meu entender ,deveria ser combatido energicamente. Falo do perfumismo passivo. Sim, porque se todos sabemos que os cigarros dos outros causam anualmente centenas de milhares de cancros do pulmão e doenças respiratórias a nível mundial em cidadãos inocentes, inclusivamente em crianças, já a dimensão dos danos causados pelo perfumismo passivo é (que eu saiba) totalmente desconhecida. Os inúmeros e incontáveis devem com certeza conhecer o fenómeno a que me refiro: falo daquelas pessoas que tomam literalmente banho em perfume, obrigando quem quer que se aproxime a respirar os odores por elas (abudantemente) exalados, às vezes mesmo fazendo os demais - atrever-me ia a dizê-lo - correr perigo de vida. É verdade, há substâncias cancerígenas, estimulantes/depressoras do sistema nervoso central, anorexígenas, algumas chegam mesmo a ser alucinogénicas, outras ainda hipnóticas ou psicotrópicas, e, para mais, se a poluição atmosférica é crime, não se percebe por que motivo não são estas pessoas autuadas. Aliás, tendo em conta que, no nosso país, são sempre os indivíduos (de preferências om parcos recursos) a desembolsar coimas e multas para encher os cofres do Estado enquanto as grandes empresas prosseguem incólumes as suas actividades ilícitas - frequentemente causando catástrofes ambientais -, não compreendo que lógica preside a este aparente vazio legal (deve haver uma clausulazita da legislação que contemple este aspecto, mas infelizmente não sou jurista e quase que aposto que dificilmente daria por ela). Finalmente, e estou certa que os meus inúmeros e incontáveis me acompanham nesta minha posição, a regra do livre-arbítrio também significa que somos todos livres de nos drogarmos com as substâncias por nós escolhidas e que também podemos preferir não o fazer às oito da manhã...

Por tudo isto o meu apelo de hoje dirige-se à ASAE e à população em geral: combatamos o perfumismo passivo. O perfumismo passivo é um dos grandes males que assolam a sociedade contemporânea. Abaixo o perfumismo passivo. Todos à massiva distribuição de sabonetes neutros que irá decorrer em data a anunciar num centro urbano próximo de si. Assinem as petições à EPAL contra os cortes no abastecimento e à Assembleia da República visando tornar os mesmos inconstitucionais. Façam desta luta A NOSSA LUTA.

9/16/2008

Muito obrigada

às meninas que gentilmente me deram dicas sobre onde achar botas rasas, mas actualmente não preciso. Era só um exemplo...
Em relação aos soutiens sem acrescentos, pois que andava numa de os comprar na C&A (passe a publicidade) pois além da questão das almofadinhas que dispenso, tenho mais umas esquisitices:
1) é das poucas lojas que costuma ter copas C;
2) é das pouquíssimas que pratica preços digamos simpáticos;
3) é das absolutamente raras que os tem com armações suportáveis - leia-se: com as quais não me sinto metida dentro de um espartilho
4) é a única que, desde que a DIM deixou de ter soutiens sem as ditas-cujas armações, vende soutiens que conseguem reunir as condições acima descritas, ser minimamente giros (alguns) e ainda segurar as mamas sem as transformar em algo parecido com as meias de desporto do meu filho depois de enroladas e dobradas por ele.

Sou chata? Difícil? Ainda não assistiram ao meu calvário para comprar umas calças de ganga... E, muito francamente, até que não sou mal feitinha de todo. Talvez o problema resida precisamente nesse facto.

9/12/2008

Publicidade Enganosa

Se há uma coisa que me enerva quando preciso de alguma peça de roupa nova é a ditadura da moda. Não é que não haja ondas que me agradem, pelo contrário. Este ano várias, até. As túnicas ou vestidos curtos com calças justas. As saias e vestidos esvoaçantes. Os roxos e violetas (aos anos que os uso!). E fora da indústria têxtil: A música portuguesa. A música brasileira. O yoga. As preocupações ambientais. A comida vegetariana. Tudo coisas que não deviam ser questão de estarmos em ano par ou ímpar, mas enfim, lá estou eu a desviar-me, rachtaparta a rapariga...

Mas dizia eu que se há coisa que me irrita solenemente é andar à procura de umas botas rasas e só as encontrar com salto. Ou que queiram à força que eu use sapatos bicudos. Eu gostava de sapatos bicudos em 1988! Quando grande parte destas gaiatas ainda mal tinham sido desfraldadas. Agora não quero, muito obrigada.
Lembro-me de ter uns 13 anos e de perder tardes inteiras à procura de umas calças pretas normais, porque nesse ano todas, mas rigorosamente todas as lojas as vendiam cheias de frenicoques. E, dada a minha provecta idade, falo de uma épocas quase quase pré-histórica em que havia meia-dúzia de lojecas em toda a Lisboa e em que as Zaras e Berskas ainda nem sequer existiam nos sonhos mais depravados dos seus criadores então ainda solitários espermatozóides saltitando ansiosamente de testículo para testículo na esperança de serem seleccionados. Imaginávamos então que a abertura à ora chamada CEE - pronuncie-se 'cêiéié' - iria proporcionar-nos maior liberdade de escolha. Como nos enganávamos!!! A globalização significa literalmente podermos optar entre montanhas globais de fardas todas rigorosamente iguaizinhas umas às outras, não vá alguma ovelha ranhosa desviar-se da rota para nós traçada pelos conselheiros económicos do pós-guerra.

O meu drama actual diz respeito ao peito. Ao meu, que eu cá não me incomodam nada as mamas alheias. Não sou despeitada a bem dizer. Mas também não sou sobredotada. E, se querem saber, embora não imponha o meu ponto de vista a ninguém, não acho grande piada a mamilos que chegam ao destino meia-hora antes da sua orgulhosa proprietária. Eh pá, não tenho vocação para Pamela Anderson de marés vivas mequinhas, prontos. Nem tenho que ter. Não sou propriamente nenhuma Dolly Parton (fónix!!!) nem sequer Sofia Loren (embora não me importasse de ficar parecida com ela daqui por uns setentas anos...) mas estou feliz com o que a natureza me proporcionou em termos peitorais e não me sinto puto frustrada!!! (Aliás a minha vasta experiência e longa biografia têm comprovado que não tenho grandes motivos para tal. As ditas-cujas estão bem e recomendam-se e o livro de reclamações está deveras invicto...)

Por que raio então estão a indústria de lingerie e o comércio da dita em peso decididos a aumentar-me as mamocas de um número? Porquê, mas por que sou eu obrigada a usar um soutien com enchumaços? Será que não compreendem? Eu não quero fazer publicidade enganosa e ainda não tenho frio! Mas se tiver prefiro vestir uma camisola quentinha.

De modos que convido todas as inúmeras e incontáveis e também os gaijos que achem que estamos muito bem com os belos seios que deus nos deu a juntar-se a mim no MCCFSCE (Movimento Contra a Compra Forçada de Soutiens com Enchumaços). Que é simultaneamente um movimento a favor da transparência na comunicação não verbal e contra a publicidade enganosa a qual, recordo-vos, é punida por lei.

(E já agora esclareço quem pudesse eventualmente levantar a hipótese que esta posta tivesse algo a ver com uma certa personagem da tascofera que afirmou publicamente "precisar renovar o stock de cuecas" que não foi rigorosamente o caso. É que calhou - vá-se lá saber por que coincidências misteriosas do destino - eu estar precisamente a precisar de renovar o stock de soutiens e ter passado um bom par de horas num enorme centro comercial à procura saindo de mãos à abanar. Mau. Eu disse "de mãos". Ainda não chegámos a esse ponto, por isso deixem-se lá de maldades...)

8/01/2008

telegramazinho

Muitas e muitas saudades deste e dos vossos tascos e sobretudo vossas, ó inúmeros e incontáveis. Infelizmente sem computador há quase dois meses e com reduzidíssimas possiblidades de aceder a máquinas alheias que não seja única e exclusivamente para trabalhar - e quão pouco me apetece fazê-lo!!!

Mas estou viva (and kicking!) e voltarei assim que conseguir alcançar o já próximo yet deveras duro de roer turning point que marcará esta complexa revolução em curso na minha existência, que é como quem diz, assim que conseguir desatar a grandessíssima baralhada em que anda a puta da minha vida. Tenho dito

Até jazzzzzz

ah! e definitivamente onde se está mêêêmo bem é numa praia que eu cá sei....

7/15/2008

A propósito dos "distúrbios da Quinta da Fonte"

e do inenarrável 'Opinião Pública' a que assisti ontem à tarde na SIC - Notícias, quero avisar que à próxima vez que ouvir uma frase começada pelas palavras "Eu não sou racista mas" não respondo por mim.
Cada vez tenho mais a certeza de que vivemos em retrocesso acelerado.


e desculpem os inúmeros e incontáveis - provavelmente em vias de extinção - mas a vida vai torta, jamais se endireita e não consigo mesmo actualizar este tasco...

6/20/2008

Chuias

Que existe um bófia frustrado em inúmeros portugas, eu já sabia. Tipos que deviam ter aproveitado quando bastava ter "mais de 18 anos e a 4ª classe" para fazer parte "do corpo da GNR". Ou da PSP. Ou da Guarda Fiscal. Ou do raio que os parta. Não são suficientemente velhos para terem sido chibos no tempo da outra senhora ou foram-no e não conseguem habituar-se a viver na era pós-25 de Abril porque precisam como de pão para boca de controlar a vida dos outros, sobretudo com o intuito doentio de os apanharem em falso, seja lá o que isso possa querer significar na sua mente torcida. Até há algum tempo, julgava eu que a categoria 'polícia de trânsito' era exclusiva dos homens de meia-idade. Constato esta semana que me enganava. Também as há mulheres. E piores que eles, pois se os primeiros gostam de se colocar 'a jeito' a verificar se sabemos mesmo fazer uma manobra como eles - ou melhor, na esperança mal disfarçada de que deixemos o carro ir abaixo ou que demos uma porrada bem assente nos automóveis vizinhos - mas raramente nos abordam a não ser para se armarem em arrumadores/instrutores de condução ("destroce, destroce, destroce, vira tudo!!!"), já elas ficam a ver e se temos o desplante de nos aproximar demasiado do carro da frente - que, por sinal, e pelo que me apercebo, é sempre delas - rosnam, ladram, ameaçam e só falta virem bater-nos muito embora nada, rigorosamente nada tenha acontecido ao seu(?) mui precioso veículo. Mulherzinhas feias, frustradas e desocupadas, não perdem uma ocasião para destilarem veneno há (decerto) muito acumulado. Como bófia já é feminino, a designação que lhes atribuo é chuias. Pobres chuias. Da telenovela do indefectível Aguinaldo, tiro a resposta para elas: "Fazendo o favor de se retirar, sua desinfeliz!!!"

A parte 2 do cap. I segue já, já a seguir...

6/08/2008

Capítulo 1 - S. Paulo

Eu ia avisada. De que S. Paulo não era a mais bonita das cidades brasileiras. Que era grande de mais, confusa de mais, poluída. Quente de mais quando está calor, fria de mais quando está frio. Como se alguém pudesse acreditar que pudesse alguma vez estar frio nalgum canto do Brasil.

(Tem uma certa piada, esta expressão: "canto do Brasil": um país tão gigantesco terá lá cantos, para além dos musicais? E lembrou-me logo aquela música de uma telenovela dos velhos tempos, em que elas, as telenovelas, davam a horas em que as conseguíamos ver, a horas certas em que as conseguíamos gravar se porventura não estivéssemos em casa, do modo que as conseguíamos seguir... mas a música, a tal, rezava assim: "Isto aqui ohoh é um cantinho de Brasil yaya, desse Brasil que canta e é feliz - feliz - FELIZ!!!"... e por aí afora. Por acaso acho que até não era 'cantinho', mas sim 'pouquinho', mas como diz a outra "isso agora não interessa nada, menina!". Bom, adiante)
Então eu ia avisada mas as 36 horas passadas em S. Paulo foram, como vos dizia há dias, enormes e deliciosas. O que comprova a existência da metonímia na vida real. Ou será a sinédoque? Enfim, todos sabem que não há maior repositório de figuras de estilo do que a própria existência itself. Está bem, pronto, eu explico: enormes, pois a cidade é das maiores do mundo, certo? Deliciosas, já que S. Paulo tem fama de ser dos locais onde existem os melhores restaurantes. Infelizmente, não tive ocasião de comprovar este segundo aspecto, embora também não me possa, de maneira nenhuma, queixar. Aliás, se passasse mais algum tempo no Brasil, desconfio que viria de lá uma lontra. Voltemos, pois, a S. Paulo.
Enorme, mas não maravilhosa. Do aeroporto para o hotel pudemos avistar um bom número de favelas, mas também, e sobretudo, uma paisagem constante de subúrbios sem graça, prédios e mais prédios, casas e mais casas, nada que se destacasse porém, nem pela extrema miséria, nem pela opulência, nem mesmo por qualquer tipo de homogeneidade. Trânsito muito, mas nada de extraordinário.
Estávamos sediados nos Jardins, tidos como o bairro mais chique de tão grandiloquente cidade. Aqui também não me apercebi de nenhum edifício que realmente me impressionasse. Nem mesmo o hotel dito de luxo onde ficámos hospedados. Grande e confortável, mas, francamente, pouco surpreendente.

O dia terminou muito depressa após a nossa chegada, embora esta tivesse ocorrido a meio da tarde. O sol põe-se cedo em terras de Vera Cruz...

Acordámos cedo. Não foi difícil, tendo em conta as quatro horas que ganháramos sobre Portugal. Comecei por tomar um pequeno-almoço (ou melhor, "café da manhã") de hora e meia, entre pãezinhos, brioches e croissants, queijos, manteiga, um outro doce, frutas e sumos mas nada de ovos nem muito menos bacons ou outras carnes - que a vossa Calamity é muito tradicional no que ao pequeno-almoço diz respeito. Abundante, sim, mas continental.
Devo aproveitar para alertar os meus inúmeros e incontáveis mais susceptíveis de se melindrarem com questões alimentares para o facto de que deverão abter-se de ler as minhas postas das próximas semanas, uma vez que este será indubitavelmente um dos grandes temas - se não O Assunto Principal - das mesmas. Brasil é efectivamente sinónimo de comida. Haja estômago!
Haja intestinos, também, que, por mais que vários anos de prática mais ou menos regular de yoga tenham tornado os meus mais amiguinhos da da minha pessoa (ainda recordo com dor os sete dias - sete! inaugurais do meu desembarque na Cidade da Praia em que a ingestão quotidiana e insistente de papaia, abacate e outras iguarias supostamente estimulantes da tripa em nada contribuíram para desbloquear o nó que se foi formando no meu baixo-ventre, chegando ao ponto de temer explodir se passasse mais um dia ao largo da sanita), ainda assim a lei da proporcionalidade esteve longe de ser respeitada na relação ingestão/evacuação.

Mas deixemo-nos de conversas de merda.
Além disso, se, ao fim de quatrocentas e oitenta e nove linhas de texto ainda não consegui passar do pequeno-almoço, aliás, café da manhã do primeiro dia, quando, ó deus meu, quando, perguntais-me vós, inúmeros e incontáveis, voltarei eu a terras lusas? Provavelmente por alturas de ir de férias. Se férias houver.
Regressemos então, mais uma vez, a S. Paulo, por assim dizer.
A etapa seguinte levou-nos aos arredores da dita. A uma charmosíssima pequena vila chamada Embu. De visita a um formosíssimo mercado de artesanato que dá pela graça de Embu das Artes. Um deslumbramento. Ali gastei metade do orçamento para toda a semana. E se soubesse o que sei hoje teria gasto todo o dinheiro já que poucas mais compras me foram dadas fazer durante o resto da estadia e muito me arrependi de não as ter feito todas naquele fim-de-manhã, princípio de tarde passado entre os maravilhosos artefactos a preços da uva-mijona que me acenavam de tudo o que era banca.
Foi também no Embu das Artes que, após ter-me espontaneamente juntado a três dos meus companheiros de viagem - de quem, aliás, não desgrudei mais ao longo dos oito dias - travei conhecimento com a Dona Bete (Betty?) ...

(continua... ah pois é!..)

PS: Estrelinha de mi corazón! Privatizastis? E não mi convidastis? Ou andas com isso outra vez pra trás e pra frente, a bêm dizêri?

6/02/2008

Sim, sim! Eu disse que voltava e volto!

E eis se não quando os meus inúmeros e incontáveis já acham que me pirei de novo ou quiçá me tenha perdido pelas ruas do Rio enquanto me armava em garota de Ipanema... Pois bem, infelizmente, não. Pior ainda, estou de volta ao bulício alfacinha. Mas o prometido é devido e irei compartilhar os melhores momentos desta viagem inesquecível. Não consegui fazê-lo enquanto lá estava, pois trabalhei como uma condenada e dormir foi quase mentira.
Estou, pois, de volta, mas ainda em estado de choque atacada por jet-lag, trabalhos para entregar e, last but not the least, duas criancinhas sedentas da presença de sua mãe.
Contudo, não quis deixar de dar aqui uma saltada para reforçar a promessa. I'll be back. Mais cedo do que esperais, inúmeros e incontáveis, a vossa Calamity voltará à carga com a reportagem completa do périplo, incluindo entrevistas com celebridades, eventos sociais, visita ao Projac, mercados e feiras de artesanato, hotéis de luxo, ônibus cariocas, tour alucinante de táxi, parada gay, aviões da tam e da tap e variadíssimos apontamentos de análise, crónica e crítica com o bem conhecido de vossas excelências espírito de síntese que me caracteriza. Mi aguardem!!!

5/27/2008

Quem é vivo... ou A Calamitosa está de volta!

Saudosos inúmeros e incontáveis

Há já algum tempo que tenho vontade de escrever esta posta e quero antes de mais dizer-vos o quanto sinto a vossa falta pois nem sequer tenho conseguido visitar as vossas tascas. Desde que entrei neste mundo mágico que é a blogosfera e que é tão precioso para mim que nunca tinha estado ausente por um período tão longo. Mesmo quando passo uns dias sem escrever, arranjo sempre maneira de dar um saltinho a saber das novidades já que vocês se tornaram parte da minha vida e esta experiência um aspecto fundamental de quem sou hoje. A blogosfera tem-me proporcionado um crescimento pessoal enorme, abriu-me horizontes insuspeitados, ajudou-me a desenvolver uma faceta da minha existência que estivera até então bloqueada, por assim dizer. Devo dizer que consegui, através deste meio poderoso, ultrapassar certas limitações que sempre me tinham impedido de atingir alguma plenitude, aquela realização como ser humano que só poderia alcançar pela palavra escrita mas que, por motivos que até agora não pude desvendar, ficava eternamente latente. Tem sido muito importante poder abrir-me como só aqui soube fazê-lo, obter o vosso feedback que, em certos casos é tão completo que se tornou também, e sobretudo, amizade, ouso até dizer, Amor. Pois só o amor é susceptível de transformar as pessoas e fazê-las ultrapassar-se a si próprias. E posso dizer hoje, ao fim destes dois anos e tal de bloguice militante, que foi isso que a blogosfera fez comigo. A Calamity que vos escreve não é a mesma Calamity que iniciou este tasco e muito menos aquela que seria caso não tivesse penetrado esta rede única. Sinto agora que fui iniciada, como só os que participam de elos especiais o são. Refiro-me à sensação de pertença que vocês me proporcionaram,
à possibilidade de me sentir 'fazer parte de' algo, algo que é maior do que a soma das partes e que tem existência para além das existências somadas de cada um de nós. E também à aprendizagem de um código, que se situa num outro plano que a própria linguagem, por mais grandiosa que esta seja e por mais que ela faça parte, e, em última instância, seja ela própria fundadora dessa mesma forma de comunicação global. (Para além de que, como dizia o outro, "The mean is the message", mas esse assunto levar-nos ia longe, e noutra direcção daquela que pretendo aqui e agora.)
Durante estas semanas, e mesmo antes de ter começado esta 'cura' de silêncio - pois penso que talvez assim possa definir o motivo da minha ausência, apesar de eu própria não conseguir explicar muito bem o que se está a passar - coloquei muitos aspectos da minha vida em questão e o blog não podia ficar de fora, até porque, como entenderam pelas linhas acima, ele é hoje uma das peças fundamentais da minha existência a vários níveis. Por ser assim é que uma crise pessoal teria sempre que implicar uma crise aqui do tasco. Não pensem porém os inúmeros e incontáveis que a vossa Calamity esteja deprimida. Antes pelo contrário. Sinto-me em fase acelerada de crescimento, de mudança, de transformação e os dias têm-se sucedido uns aos outros a um ritmo avassalador. Comecei, é verdade, este período por um momento de abatimento e tristeza, mas actualmente não é de nada disso que se trata. Contudo, interroguei-me muito sobre este tasco, chegando mesmo a pôr em dúvida a sua continuidade, já que senti a determinado passo que ele perdera o seu sentido. A leitura de postas antigas e seus comentários e a sensação de que chegara a um impasse, a uma 'crise de inspiração' fizeram-me confrontar com questões difíceis e desconfortáveis. O que quero eu da blogosfera? Porque continuo com isto? Fará isto ainda sentido? Será aquilo que se perdeu aqui irreversível? (Sim, porque é para mim hoje evidente que desde que me iniciei pela tascolândia, algo se perdeu, e confesso que ainda não digeri bem essa perda). Por que escrevo? Para quem escrevo?
Depois, tenho alguns - graves - defeitos. Um deles é o querer escrever tanto, sobre tantas coisas, que acabo por não escrever nada. Tal como, quando chego a uma gigantesca feira de artesanato, cheia de coisas maravilhosas, quero tanto levar tudo que acabo por sair de mãos vazias. Cheguei à conclusão de que sou uma pessoa com imensa dificuldade em tomar decisões. Escolher algo implica sempre desistir de outras coisas e eu não tenho grande capacidade de despojamento. Lido mal com a perda. Em relação à escrita, compreendo-o agora, é o mesmo. Escrevo tanto interiormente, sobre tantas coisas diferentes, que acabo por não o fazer de facto, por não passar ao acto, para não ter de optar. Para não ter de deixar questões por abordar. Assuntos por desenvolver. Aspectos por explorar. Serei louca? Certamente. Mas não só.
Agora, por exemplo, neste próprio momento em que vos escrevo. Se vocês sonhassem, se pudesse tão só passar-vos pela cabeça tudo aquilo que quero partilhar convosco! A posta de hoje levaria dias inteiros a escrever. Já estaria na posta da semana que vem e ainda estaria a escrever e vocês, inúmeros e incontáveis, banir-me-iam para todo o sempre da vossa blogosférica convivência. Mas as 'regras' implícitas (e que até já vi escritas por aí) deste clube são bem claras, e implacáveis: posts curtos. Este meio existe aqui e agora, em tempos de imediatismo, em que os mais lentos são implacavelmente excluídos, já que o mundo exige aceleração. Tenho que admitir que é algo que me assusta. Não é do nosso envelhecimento individual que o tempo passa a uma velocidade cada vez mais vertiginosa. Ouvir uma criança de 8 anos, como eu ouvi, afirmar que o ano passou a correr confirma as minhas suspeitas. Quando nós éramos crianças, o ano NÃO PASSAVA A CORRER.
Adiante. Não sei, pois, como lidar com este dilema. Vocês, inúmeros e incontáveis, sabem-no bem: não sei escrever pouco. E abuso. Mas a prosseguir com este tasco, o mais provável é que continue assim. Pois a sua razão de ser é mesmo essa, e de outra forma não faria sentido.

Bom, mas, parafraseando a personagem da novela (e lembrem-se disto porque lá para a frente vai fazer ainda mais sentido), deixemo-nos de entretantos e passemos aos finalmente. Imaginam os inúmeros e incontáveis onde se encontra a vossa Calamity enquanto vos dedica estas singelas linhas? Estou certa que não! Pois bem, inúmeros e incontáveis, são sete da tarde e a vossa Calamity está sentada no quarto de um hotel dando as costas para uma varanda que abraça o oceano atlântico... em plena Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Para muitos de vós será talvez algo absolutamente normal, mas para mim é a realização de um sonho muito antigo e escusado será dizer que estou exultante. Fui presenteada com uma viagem profissional totalmente inesperada nesta altura do campeonato e, desde que cheguei ao Brasil, há três dias atrás, as experiências que me têm sido proporcionadas são absolutamente descomunais. Apesar de mal ter dormido desde 5ª-feira da semana passada - já que foi preciso preparar milhões de coisas antes de partir, desde aspectos de trabalho a questões logísticas relacionadas com a viagem mas também com a minha vida familiar - , e de ainda não ter conseguido ir à praia nem curtir algo de verdadeiramente carioca, estou em estado de graça.

A viagem começou em S. Paulo onde vivi um dia enorme. Coube tanta coisa nesse dia que ainda me parece que não pode ter sido só um, sobretudo quando o comparo com os que antecederam e os que vieram depois. Domingo terá sido certamente um dos maiores que já tive. Como conseguir transmitir-vos tudo o que ele foi? Como passar-vos, num simples relato, todas as emoções, descobertas, e gargalhadas desse dia? A sigla P.D.L - que me perdoem os inúmeros e incontáveis mais sensíveis - diz-vos alguma coisa?

continua (a sério!)

4/15/2008

Waiting for the sun

Há alturas assim. Em que nem apetece escrever. Em que nos apetecia recolher ao mais profundo e recôndito lugar e ali permanecer até que o sol resolva rasgar as nuvens. Sim, os ciclos sucedem-se e a seguir à tempestade vem a bonança, pois vem. Mas até lá vou retornar ao casulo que a minha primavera ainda não começou

4/09/2008

Ainda a respeito do tasco novo

Para os inúmeros e incontáveis autores e clientes do novo tasco
Uma das grandes canções de sempre
Um video fabuloso

Caetano Veloso - Livros

4/08/2008

O novo tasco

Há 'novo' tasco na tascolândia, que é como quem diz, 'novo' blog na blogosfera. E digo 'novo' entre aspas porque as suas inúmeras e incontáveis autoras têm-no alimentado bem e com a regularidade de que um recém-nascido precisa e merece e já conta com bom número de postas saborosas e (ainda) fresquinhas. Espero que a qualidade e a quantidade se mantenha, até porque o objecto é transcendente. Vão até lá ver porquê

aproveito para agradecer à menina que gentilmente me convidou a participar...

4/02/2008

Breves desabafos e/ou algumas medidas de higiene mental

1 - Às vezes sinto que, das duas, três: ou sou atrasada mental, ou somos todos, ou então devo ter vindo de outro planeta.

2 - Descobri recentemente que há pessoas mais perigosas que as que são simultaneamente más e inteligentes. Curiosamente são as que acumulam maldade com burrice. Por estranho que pareça, conseguem fazer mais estragos.

3 - A minha vontade de emigrar aumenta a cada dia que passa e só muita praia, calor e banhos de água fresca em mar chão a poderão atenuar. Preciso urgentemente de uma sessão de reiki. Ou qualquer coisa que o valha.

4 - Como diria José Mário Branco: "Quero ser feliz, porra! quero ser feliz agora!"

5 - Ou então: "Vou mudar de vida ai isso é que vou!"

3/28/2008

Apesar de você

Dedicado a quem servir a carapuça

atentem na letra, é de 1970...

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

(do lindíssimo Chico)

3/20/2008

Anónimos, abutres e quejandos ou 'Eles andem aí'

Não estou a fugir ao desenvolvimento abaixo prometido. Fá-lo-ei o quanto antes. Mas como entretanto fui brindada com o gentil comentário que se segue, não consegui evitar partilhá-lo convosco e simultaneamente responder ao 'ajustado' anónimo que se deu ao trabalho de o escrever, tendo o cuidado de o deixar 4 ou 5 postas abaixo da actual, provavelmente de forma a não ser confrontado com os inúmeros e incontáveis e apenas me atingir a mim.
Caro anónimo: o facto de V/ Exª não me achar piada nenhuma em nada me afecta tendo em conta que V/ Exª não passa disso mesmo: um anónimo. A mim preocupar-me-ia o facto de alguém a quem eu achasse piada não me achasse a mim piada. Para mais, desde já lhe vou adiantando que dispenso os seus conselhos e que a sua opinião sobre os meus pensamentos e escritos é recíproca. Um grande bem-haja para si também e espero que consiga um espaço onde lhe dêem atenção e no qual consiga descarregar as suas frustrações. Que tal um blog?

anónimo disse
"não te acho piada nenhuma. Mas como há gostos para tudo, aproveita que a vida são dois dias e quando mal geridos...menos são. Mas isso é lá contigo. Aquilo que tu pensas e escreves não passam de balelas e derrotas. Faz uma instropecção à tua vida REAL e deixa-te dessa treta da vida VIRTUAL que não te leva a lado nenhum. Desajustada é o que me pareces. "
fim de (ex)citação


Agora outro assunto, bem mais importante, e que merece toda a nossa atenção e preocupação: No próprio dia do pai, a minha amiga Estrelinha e o seu marido, pai dos meus sobrinhos virtuais e simultaneamente bem reais (percebe, ó anónimo?! É possível ser os dois ao mesmo tempo, a não a ser quando se é um desses abutres de que precisamente fala a minha amiga Estrelinha que eu nunca vi mas que amo de paixão, coisa que um anónimo invejoso não pode compreender), foram privados de um direito consagrado por lei. Inúmeros e Incontáveis: mais uma vez o meu apelo é 'Bora lá fazer a puta da revolução...

3/18/2008

Serendipity

"The laws of chance, strange as it seems
Take us exactly where we most likely need to be"
David Byrne

Que é quem diz: por mais voltas que se dêem, o que tem de ser tem muita força.

ou ainda: a verdade, tal como o azeite, vem sempre ao de cima.

Óspois venho desenvolver mais um cadinho, ok?
Tenho cá uma tendência para as pescadinhas de rabo na boca... é para ver se aprendo a dar atenção àquilo a que tenho de dar. E mai nada.

3/12/2008

Continuem lá a ir-me ao... BIP!, que eu gosto!!!

Andava há dias à espera que me caísse na conta a boa da transferência bancária que lá para o dia 5,6,7,8,9,10 de cada mês as mui apreciadas entidades-patronais-que-não-o-são me fazem o favor de atribuir como remuneração pelo trabalho precário que diariamente executo para elas sem direito a segurança social, férias pagas ou outros direitos adquiridos pelos nossos antepassados nos dias da pré-história em que foi estabelecido o moribundo (leia-se morto, enterrado e já em avançado estado de decomposição) Wellfare State.
E não havia meio de o bendito guito aparecer na dita conta através da qual sou regular e subtilmente destituída dos meus bens a fim de ajudar a enriquecer essas bondosas empresas que generosamente fizeram a gentileza de emprestar uma boa maquia para que eu pudesse usufruir de um direito garantido (?) por Constituição (lembram-se? "A Paz, o Pão, Habitação...") -maquia essa que, diga-se by the way, quando terminar de pagar, se ainda por cá andar, terei desembolsado cerca de 3 vezes e meia relativamente ao valor por eles altruistamente adiantado.

Por outro lado, andava eu a fazer contas e continhas, iludida como estava de que iria poder dar-me ao luxo de comprar um computador deste século, já que o decrépito portátil com que desenrasco alguns biscates urgentes está a processar à velocidade de um caracol alentejano em dia de folga com 40 graus à sombra, e isto uma vez que os meses de novembro, dezembro e janeiro tinham sido algo mais profícuos do que o habitual, fruto de jornadas de 14 horas, 6 dias por semana e consequentes trombas dos meus dois filhotes...
Pois bem, hoje fui ao multibanco e as boas das transferências efectivamente já haviam caído - ambas as duas! uma fortuna! - desde 2ªfeira. E perguntam-me vocês, inúmeros e incontáveis, por que motivo não me tinha eu dado conta de que o rico dinheirinho já havia todinho sido transferido para a dita continha? Porquê? Ora, tão somente porque entre 2ª feira e hoje tinham sido cobrados dois misteriosos pagamentos de, respectivamente 403€16 e 279€13

(!!*#/"^/!*}»!!!)

Fui ver. Diz que o primeiro foi a EDP e o segundo o gás. Ainda não deitei a mão à respectivas facturas, mas tendo em conta que pago a módica soma de 150€ de luz de dois em dois meses e que recentemente paguei mais de 250 à GDL porque essas criaturas tiveram o desplante de não cobrar aos clientes desde maio do ano passado, pergunto eu aos senhores que detêm as ditas-cujas empresas: serei eu dona de um hotel e não me avisaram???

Ainda em estado de choque depois de ter ficado a par do rombozito de apenas 692 aérios e mais uns trocos, recebo um telefonema de casa. Chegou uma carta da PSP. "Ora então, abre lá, assim como assim, o que é que pode vir aí que me atinja depois desta??!!"
Nada. Absolutamente nada. Só uma multa de 250€ + 30 por ter sido apanhada em Alcântara a 4 de setembro sem a inspecção que era para ter sido feita em Agosto e sem os documentos (papel verde do seguro) do carro, que era a first reason para não ter feito a inspecção dentro do prazo, uma vez que estava a aguardar o envio de uma 2ª via da companhia de seguros e o centro de inspecções não fazia a dita sem todos os papéis. O querido Estado Português deve estar a pensar partilhar o fruto da coima com a seguradora que em boa hora fez a gentileza de os avisar que eu andava sem inspecção e papel verde. Penso eu de que.

Por isto tudo, inúmeros e incontáveis, venho por este meio convidá-los a, vocês também, me irem ao dito-cujo. É que está visto que eu gosto. Só se esqueceram foi de me informar

3/07/2008

Meo

Será que é desta que me reconcilio com a PT comunicações?

2/27/2008

Desafios, TPCs, olá ukié

Como o prometido é de vidro, há sempre um dia em que a malta tem de se decidir a (cor)responder aos desafios, TPC's e afins que a nossa mui solicitada vida neste quintal que é a blogosfera nos exige/proporciona (depende de que ângulo queremos ver a coisa, se do do copo meio-cheio, se do do meio-vazio...). De modos que vamos a isto, que já se faz tarde e se a malta não diz nada, os inúmeros e incontáveis vão-se embora e ficamos tristes e abandonados na imensidão do ciberespaço. Ah, pois é. Pediram-me, pois, 12 palavras de que eu gostasse particularmente e ós pois, outras 12 de que eu em especial não gostasse.

Mas como eu sou do contra, e sem desrespeito por quem me fez as encomendas - antes pelo contrário! - vou começar pelas feiosas, que é para terminar em beleza. Ora palavras de que eu não gosto, xa cá ver, como diria ó outro...
Olha, eu cá não gosto nada de ouvir a palavra colégio. Desculpem lá mas não gosto, prontos. E por isso nunca digo. Digo escola, liceu ou faculdade, é conforme, mas estas não fazem parte das minhas top 12. Também me causa alguma comichão a palavra ordeiro. Acho que é palavra típica de fascizóide. Mas acho alguma piada às palavras terminadas em óide, com excepção de hirudóid, que me lembra sempre alguma maleita, de modos que não vou escolher nenhuma destas ,embora algumas estejam ligadas a conceitos que muito repudio. Mas, lá está, trata-se de palavras e não dos seus significados, se é que conseguimos separar uma coisa da outra. Comedão é o termo técnico para ponto negro e é tão feio como o dito. Mastectomia e rinoplastia são ambas operações, em que a segunda poderá resultar bastante melhor do que a primeira, mas, como vocábulos, são igualmente desengraçadas. Irra é interjeição que não me lembraria de soltar: mais depressa vou aos palavrões, vulgo asneiras, estas sim habitualmente tidas como palavras feias.
Ainda vou a meio da primeira parte e confesso que isto não é nada fácil. Eu cá gosto de palavras, gosto mesmo, de todas elas, mesmo das que não gosto. É cá uma coisa que não sei explicar. Prossigamos, pois. Escroto é definitivamente um palavra feia, mas gosto de a dizer à boca cheia (pois, eu sei que isto pode ser mal interpretado, mas eu rio-me convosco, inúmeros e incontáveis, e deixem-se de gracinhas parvas, siiiim???), sobretudo se tiver vontade de insultar alguém. Ora experimentem lá, vão ver se não é mais giro e reconfortante que filho desta ou daquela... Aborto também é palavra cuja sonoridade me fere mas não a usaria como ofensa, até porque o assunto ficou arrumado. Espero eu de que. Não gosto de hábito, o que não significa que não a use, até porque é sinónimo de costume, e estas são palavrinhas necessárias useiras e vezeiras (ora aí está uma expressão que nunca uso, deve ter sido a primeira vez, que tal fazer um desafio com expressões de que não gostamos?) na minha prática laboral. E quem diz hábito, diz monge, substantivo comum cuja sonoridade bule com o meu sentido estético. Ornitorrinco é tão feio que até se torna giro, assim como escatológico. Definitivamente uma das minhas palavras preferidas (Heheheheh!).

Agora, passemos ao segundo, que na verdade era primeiro. Aqui a dificuldade é a escolha. São tantas e tão belas... Vejamos.
Algazarra é mais do que barulho, confusão. É um ruído intenso, brutal, que pode ser causado por um tumulto. Gosto, sem dúvida, gosto muito. Assim como também aprecio particularmente um sussurro. Faz-me pensar em segredo, bruma, serenidade. O mar é belo, belíssimo, mas o oceano é fantástico, grandioso, overwhelming (desculpem lá, mas não conheço equivalente em português. Amo o sol mas adoro a sonoridade e as formas sensuais da lua. Gosto do calor e em geral embirro com a chuva, sobretudo em Lisboa, mas a palavra nuvem tira-me do sério. E um sorriso cai bem em qualquer ocasião, mesmo - ou sobretudo! - quando estamos longe e sofremos com a linda e tão lusitana saudade....

2/20/2008

Alguém me agarre, depressa!

Por motivos de trabalho, tive de fazer uma pesquisa no google que me levou à descoberta disto.
Já tinha ouvido falar nesta reportagem (penso que até foi premiada), mas nunca a vi. Permitam-me, inúmeros e incontáveis, que partilhe um bocadinho convosco, que não consigo guardar só para mim. E desde já as minhas desculpas às vossas inteligências e sensibilidades que muito respeito.

Excerto de excerto da reportagem 'Vermelho & Negro' de Cristina Boavida (exibida na SIC algures em 2003)

"João Moura e o filho praticam quase diariamente com bezerras, esta tem cerca de um ano. Antes de entrar na arena cortaram-lhe tanto os cornos que o animal não parou de sangrar, e o facto de ser apenas uma bezerra não a impediu de ser cravada com várias bandarilhas durante o treino. As pessoas ligadas à tauromaquia ficam incomodadas quando se fala em crueldade contra os animais.

Manuel Gonçalves (empresário tauromáquico): "Minha senhora, minha senhora, minha senhora, o touro existe, só e exclusivamente para as touradas, é um animal que existe só para isto!"
Jornalista: Não acha que é um espectáculo cruel?
José Pedro Pires da Costa: Não, de maneira nenhuma.
Jornalista: Não acha que é cruel para com o touro?
JPPC: Claro que não!
Jornalista: Porquê?
JPPC: Porquê? Porque... porque... sei lá, é complicado agora estar a responder...
Jornalista: Gostas de animais?
João Moura Júnior: Gosto... cavalos, de toiros.
Jornalista: Achas que gostas de toiros?
JMJ: Gosto, gosto de toiros.
Jornalista: Mas estás disposto a andar a... a espetá-los. E eventualmente a matá-los.
JMJ: Pois, a matá-los também.
Jornalista: Achas que isso é maneira de gostar?
JMJ: Ah, não sei. Mas é a profissão, tem de ser assim.
Jornalista: Nunca teve pena de um toiro?
Sónia Matias: Não [risos] Não, acho que não.
Luís Rouxinol: O touro é... nasce com... com a finalidade em ser toureado.
João Moura: É um touro bravo que é criado só para ser toureado.
Hélder Queiroz: Os touros não sofrem naquela altura, podem sofrer mais tarde...
Jornalista: Por que é que diz isso?
HQ: Porque... essa... a raça desse touro foi lidada para isso, este touro foi criado para isso, não... não... ele foi, a genética dele não faz com que ele sofra dentro da praça...
JPPC: As pessoas que não gostam de corridas de touros deviam de se informar, informar acerca do que é uma corrida de touros.
SM: Nós somos livres de gostar do que gostamos, só vai à arena quem gosta.
MG: Deus criou o Homem e criou os animais, para que os animais servissem o homem, não é para que o homem sirva os animais.
JPPC: Não há ninguém que goste mais dos animais do que eu. "

O excerto completo aqui

2/15/2008

O S. Valentim é um canalha*

Perguntaste-me se lhe havias de enviar um sms pelo S. Valentim.
(Que sei eu do amor, meu amor?)
Respondi-te que sim, que o fizesses, se achasses que era o que devias fazer - versão irresponsável e cobarde do "faz o que o coração te mandar". Às seis da tarde ligaste-me. A chorar. "Ela disse que não". Soluçavas no teu pranto de menino. Na tua dor tão grande que era maior do que eu. Meu amor.
Se soubesses, se imaginasses o quanto foi minha a tua dor. A vontade que tive de sair a correr para te ir pegar ao colo, abraçar-te e chorar contigo. Ficar com o teu sofrimento, tirar-to todo, todinho. Dizer-te que não há no mundo mulher que mereça uma lágrima dos teus olhos de ouro. É tão cedo, meu filho. Tão cedo ainda.
Quis dizer-te que não ligasses, que não desses importância. Mas eu sei, meu filho: hoje nada é mais importante que o teu amor de menino. Meu menino.
Um dia vais sentir um amor tão maior ("Oh mãe, mas eu gosto mesmo dela. A sério. Quando estou com ela sinto uma dor na barriga. Porquê?").
Um dia o teu peito vai querer rebentar para que o teu amor se espalhe pelos campos, pelas ruas. ("Oh mãe, eu não quero gostar de outra pessoa. Eu quero gostar dela para sempre!"). Meu amor.

Sabes, filho, o S. Valentim é um cretino. Um malandro, um pulha, um canalha. Um santo do pau-oco, um aliado do capitalismo selvagem, o inimigo nº 1 do Robin dos Bosques: rouba aos pobres para dar aos ricos. Apenas existe para os encher ainda mais e esvaziar-nos a nós. E agora o biltre causou-te o primeiro desgosto de amor. Meu amor.

Deixa-me que te mande o meu postal de São Outra Coisa Qualquer (haverá lá santo que seja capaz de patrocinar o amor de uma mãe por um filho?) sob a forma de uma canção (como todas as canções de amor, ridícula)

Namoro

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita dizia ela tinha
um sorriso luminoso tão triste e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas na fímbria do mar

Sua pele macia era suma-uma
sua pele macia cheirando a rosas
seus seios laranja laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não

Mandei-lhe um cartão que o amigo maninho tipografou
'por ti sofre o meu coração'
num canto 'sim' noutro canto 'não'
e ela o canto do 'não' dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete
pedindo e rogando de joelhos no chão
pela Sra do Cabo, pela Sta Efigénia
me desse a ventura do seu namoro
e ela disse que não

Mandei à Vó Xica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e dele nascesse um amor como o meu
e o feitiço falhou

Andei barbado, sujo e descalço
como um monangamba procuraram por mim
não viu ai não viu não viu Benjamim
e perdido me deram no morro da Samba

Para me distrair levaram-me ao baile
do Sr. Januário, mas ela lá estava
num canto a rir, contando o meu caso
às moças mais lindas do bairro operário

Tocaram a rumba e dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu
e a malta gritou 'Aí Benjamim'

Olhei-a nos olhos sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lálá lá lá lá lá
E ela disse que sim
E ela disse que sim
E ela disse que sim
E ela disse que sim...

(letra Viriato Cruz, intérpretes vários)

*(havia um filme francês chamado 'Le père-Noël est une ordure'. Não sei como se traduz 'ordure', que era a palavra exacta que gostaria de usar aqui. 'Canalha' é o conceito mais aproximado que encontrei.)

2/12/2008

Basta

Hoje digo basta.
(Da minha doença cuido eu. Quem quiser cuide da sua.
Só me lembro de ter parido dois filhos...)

2/04/2008

As duas calamitosas e o Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata



Ontem de manhã, a miniCalamity não achou melhor maneira de descer do sofá para o chão do que mergulhando directamente de cabeça. Vai daí, chorou um bocadinho, fui lá peguei-lhe ao colo, dei-lhe uns miminhos, uns beijinhos e uns abracinhos, parou de chorar e eu voltei aos meus afazeres. Mas uns minutos mais tarde, ao entrar de novo na sala, apercebi-me que estava a sangrar do nariz. Fora a hemorragia (pouco abundante e já quase estanque), parecia em plena forma, até porque brincava e se divertia como se nada fosse, mas com estas coisas é melhor não facilitar, de modos que resolvi levá-la ao hospital. (A propósito, alguém me explica por que motivo, sempre que temos de ir para o hospital é domingo de manhã?)


Enviadas para o Raio X, lá fomos, corredor fora, a miniCalamity e eu, de mãos dadas, pato Chicco a arrastar ("vamos lá tirar uma fotografia ao pato a ver se tem dói-dói na cabeça") pelo chão, tentando encontrar o nosso caminho por entre setas e setinhas, portas, janelas, átrios e elevadores, pelo labirinto que nos levaria à sala das radiografias.

Recebidas por um rapaz assaz simpático, este último e a minha pessoa tentámos em seguida com a piolha a via do diálogo, mas a miniCalamity não foi na conversa. Se é para radiografar o pato, é para radiografar o pato, então para quê encostar o nariz a esta coisa onde me dizem que há de estar o Noddy? Eu cá sei muito bem com o que é que se parece uma televisão com o Noddy lá dentro e para começar, a televisão é preta e esta coisa é branca. Para além disso, a minha mãe está sempre a chatear-me para me chegar para trás e agora está aqui com este caramelo a mandar-me chegar para a frente. Mas por que carga de água é que vou encostar o nariz a esta coisa? Já bem basta o saco de gelo que a minha mãe me quis impingir durante o trajecto todo até aqui. Nem pensem. Acabou. Vou já para o chão que esta sala é gira que s'a farta e tem montes de coisas interessantíssimas para explorar...

Bom, vai tentativa vem tentativa, vai negociação vem negociação, e eis senão quando entra na sala de raio x outro técnico. Não percebi bem se vinha porque vinha ou se vinha para nos auxiliar. Mas também, inúmeros(as) e incontáveis, isso agora não interessa nada! Nossa, que homem bonito! Alto, na casa dos seus quarenta, cabelo longo cor de prata, de tal forma que eu digo: "Ó miniCalamity, olha para este senhor (e nisto o pouco bom senso que me resta dita-me que não acrescente as palavras que se preparam para brotar boca fora: "que tem um cabelo tão bonito!" e então substituo-as por um disparate do género: "mostra-lhe como és crescida e já te portas bem" - ou "como já sabes contar até 10", ou "que mias como um gato", ou "que sabes cantar o raiosparta-ónoddy" ou lá o que lhe disse, que isso agora também não interessa nada).

Claro que a MiniCalamity não cooperou muito mais do que estava a cooperar com o outro rapaz e comigo antes da entrada do Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata, mas a partir daí, bem que a missão podia demorar o resto da tarde... Infelizmente duas chapas depois a coisa estava resolvida. Aguardámos o resultado na "salinha de espera" e cinco minutos mais tarde regressávamos às urgências pediátricas não sem antes nos termos perdido duas vezes pelo caminho.

À porta da sala do Raio X, o técnico nº 1 despediu-se de nós e a miniCalamity lá foi, de envelope na mão, contendo as chapas que o rapaz lhe entregara. Simpática, como de costume, lançou um sonoro "Até amanhã", ao que o rapaz respondeu com uma gargalhada e pusemos os pés a caminho, a sua vozinha monologante ecoando pelo corredor vazio. Mas vinte passos à frente, não me contive: dei uma olhadela para trás ainda a tempo de ver de relance o Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata entrando de novo na sua salinha. Heheheh. Ficara a ver as duas calamitosas afastar-se corredor fora.


E agora, meninas, a questão é a seguinte: dói-me aqui. E aqui e também neste sítio... exactamente aí. Ai aiai aiaiaiai. Preciso urgentemente de uma radiografia... de corpo inteiro.

PS: a miniCalamity está óptima e recomenda-se, como é evidente...

1/31/2008

Carta

Ao Exmo Senhor que se Encontra lá nas Alturas
(creio que no 457-C)

Venho por este meio solicitar-lhe se digne enviar-me alguma iluminação divina que não lhe faça falta ou, na impossiblidade de o fazer, que encarregue um dos seus angélicos funcionários de entrar em contacto comigo ou ainda, caso também esta solução viesse causar transtorno, que me faça chegar documentação explícita no sentido de esclarecer-me sobre a situação que passo a expor:

Desde que me lembro de ser gente tenho tentado ser gentil e justa para com os meus semelhantes e inclusivamente para com alguns dos meus diferentes. Refiro-me a cães, gatos, tartarugas e borboletas, enfim, à maioria dos animais nossos amigos, embora deva confessar que ainda não atingi o nível de progresso espiritual que me permita optar pelo vegetarianismo a tempo inteiro. Admito também ter, em noites de Verão, atentado contra a vida de uma outra melga que insistia em sugar o meu tão precioso líquido sanguíneo, tão necessário à minha sobrevivência, para além de privar-me das minhas tão necessárias horas de repouso, essenciais ao meu residual equilíbrio psicológico.

Contudo, e apesar desses episódios deploráveis da minha existência pelos quais desde já me penitencio, esforço-me todos os dias para evoluir tanto no meu âmago quanto na relação com o que me rodeia e penso sinceramente que não me tenho portado muito mal. Diria também que, mesmo em tempos em que não era tão atinadinha, nunca agi de molde a prejudicar quem quer que fosse e se porventura alguma vez o fiz, foi certamente sem intencionalidade, fruto de alguma imaturidade, inconsciência, ou incapacidade de medir as consequências dos meus actos. Estou certa porém, de que jamais causei dano de maior. A cada vez que me comportei de forma leviana, irresponsável ou inconsequente, fui invariavelmente eu e só eu a arcar com os prejuízos das minhas acções, exceptuando talvez uma ou duas vezes em que magoei os que mais amava, como os meus pais, mas acredito que todos os filhos o fazem, num momento ou outro do seu percurso pelos tortuosos caminhos do crescimento. Estou em crer que o Senhor não iria querer acertar contas comigo devido a um ou outro pequeno desvario próprio da idade, que eles mesmos já me perdoaram há décadas atrás e pelos quais julgo já ter pago a minha dívida.
É por tudo isto, Senhor, que venho, com toda a humildade e respeito que devo a V/ Alteza Majestosa, perguntar-Vos, o que raio fiz eu para merecer isto?

A resposta, como já referi acima, poderá ser-me facultada pela via que V/ Eternidade Divina julgar mais apropriada, pois, modéstia à parte, V/ Bondade Celeste logrou brindar-me com apreciável QI, pelo que penso ser capaz de atingir mensagem de carácter subliminar, caso V/ Essência Etérea opte por esclarecer-me via sonho, visão ou viagem astral permitindo insight sobre a vida anterior, dado que me parece evidente, dados os factos expostos no parágrafo anterior, situar-se aí a razão para este meu Karma, o qual me vem acompanhando já há umas décadas valentes.
Agradecia também me fosse outorgada, naturalmente na ocasião considerada adequada por V/ Altura Inatingível, informação relativa ao prognóstico da situação acima exposta. Trocando por miúdos: Até quando, Senhor, durará este meu castigo?

Sem mais de momento, na expectativa da V/ Mui Prezada e Sempre Oportuna resposta

Subscrevo-me com todo o respeito, consideração e estima que me é possível na minha posição de mero e insignificante ser humano e pedindo desde já as mais humildes e esmeradas desculpas pelo tempo que possa ter usurpado a V/ Elevadíssima Agenda

Calamity Jane

1/27/2008

Posta à mão (ou elocubrações desmesuradamente longas às quais os inúmeros e incontáveis devem evitar a todo o custo lançar-se

a não ser que se considerem inelutavelmente tão desvairados quanto a sua desvairada autora. Ós pois não digam que não avisei!)

A posta you're about to read (adoro esta expressão, estar 'about to', e qualquer tradução que lhe tentasse substituir resultaria, quanto a mim, sempre aquém do original) foi escrita duas vezes, ou seja, foi primeiro escrita em papel (diga-se de passagem que sentada diante de uma paisagem magnífica, sobre uma relva verdejantemente fresca e sentindo a carícia morna de um sol delicioso) de modos que vou já avisando os inúmeros e incontáveis que, se chegaram até aqui, seria, no mínimo, simpático que não se deixassem assustar com o comprimento da mesma (e, já agora, nem pelo das frases que a compõem, com as quais tenciono desafiar Saramago a um despique assim que o senhor melhore e saia do hospital...), uma vez que tive de me dar ao trabalho de a reescrever inteirinha no computador (assim como aos múltiplos acrescentos que foram entretanto surgindo na minha insuportável mente hiperactiva), sendo que o seu primeiro 'parto' representou para mim um exercício bastante intenso e diria até de teor quase inovador, já que não o fazia há largos meses. Refiro-me ao de escrever à mão.

Escrever textos, claro está, pois que todos os dias utilizo todas as canetas que me possam aparecer pela frente para escrevinhar nos mais diversos suportes números de telefone, endereços de email, listas de faltas, recados para mim própria, lembretes e apontamentos vários, dos quais resultam uma infinidade de papéis os quais, por sua vez inundam a pouco e pouco a minha existência e, um belo dia, acabarão, eu sei, por me submergir, se tivermos em conta que sou absolutamente incapaz de os deitar fora, quer bem se trate de uma lista onde se encontram rabiscadas as palavras "cebolas, papel higiénico, leite do dia, yogurtes naturais" (ou melhor "cebs, pap hig, leite dia, yogs nats), quer de um poema que representou o que de melhor fiz nas últimas décadas e que, por incrível que pareça, permanecerá talvez guardado ao pé da referida lista de abreviaturas de compras para fazer no supermercado antes que a minha casa e a minha família resolvam expulsar-me por incomprimento até ao dia, quiçá daqui a dez anos, em que eu resolva arrumar aquele específico monte de papéis do qual serei eventualmente capaz de colocar no papelão as contas da água e luz e mesmo assim só o farei se me aperceber que, fossem elas processos judiciais por crimes graves já teriam prescrito. (ufa! que até a mim me canso!)

Escrever à mão. À medida que o tempo passa verifico que cada vez menos o faço. Algo que pratiquei sempre com uma frequência incerta (embora desde sempre me lembre a escrever por dentro da cabeça, escrever sempre, a andar na rua, a conduzir o carro, nos transportes públicos, na fila da repartição, no jardim com os putos, no elevador, onde quer que seja) mas que mesmo assim ia fazendo, fui fazendo sempre, embora de forma diferente daquela - rara - em que o faço nos dias que correm.

"Dias que correm". Detenho-me por momentos nesta expressão e apercebo-me de repente onde reside o seu verdadeiro significado, talvez o motivo pelo qual hesitei antes de o escolher em detrimento de outro sentido aproximado como "na actualidade" ou "hoje em dia" ou mesmo "presentemente". Presente mente... "Presentemente" também mereceria uma aprofundada reflexão. Dedicarei noutra ocasião mais atenção a ambas as formulações. Ou talvez não.

Retornemos, pois, à questão que me ocupava no presente momento (olha, outra!, se bem que não é nada a mesma coisa. Adiante).
Dizia eu então - se é que nesta altura do campeonato ainda resta um único de vós, inúmeros e incontáveis, a passear os olhos estafados da esquerda para a direita e de cima para baixo, exasperando-vos na espera inglória do momento, quem sabe em vão pois poderia muito bem nunca chegar, do momento, pois, em que aqui a desvairada da Calamity se decida a ir directamente ao assunto, ou deveria eu antes dizer, a ir ao assunto tout court, já que o advérbio "directamente" representa aqui o contra-senso em todo o seu esplendor - dizia eu então para os sobreviventes desta mui cansativa e interminável prosa, que hoje em dia raramente me dedico a escrever à mão, o que, definitivamente, é um exercício substancialmente (de substância, mesmo) diferente de escrever num teclado de computador. E apercebo-me de que o faço de forma também ela diferente. Diferente do que fazia antes, digo. Antes do blog.
À pressa, gatafunhando. Não desenhando as letras com algum esmero (embora sempre tenha tido uma caligrafia bastante grave) como o fiz ao longo de muitos e muitos anos, gostando de escolher para o efeito a caneta e o papel. (Mesmo que, em caso de pânico, qualquer coisa servisse para o efeito, e muitas vezes tive de lutar contra o espaço exíguo deixado livre por um extracto bancário ou depois de ocupados ambos os lados de um guardanapo de papel, ou ainda, já cheia a prata do maço de tabaco assim como as margens do pacote...).
Que beleza, um caderno todo preenchido de letras, letras escritas com amor, com raiva, com tinta feita de emoções. Pensamentos que ganham dimensão, textura gráfica!
E, por outro lado, quantas promessas nas páginas virgens de um caderno em branco. Com linhas, quadriculado, naquele magnífico papel 'Seyès' dos franceses, semelhante a uma partitura, pronto a ficar repleto de maravilhosas palavras, prodigiosos verbos, advérbios, gerúndios e particípios, todos ligados entre si por divinas partículas, conjunções, preposições, e artigos. E pontos, muitos, muito pontos. Pontos de exclamação, de interrogação, reticências e ponto e vírgulas. Caracteriais ponto e vírgulas. Ou será pontos e vírgulas?

Postar para o papel antes de o fazer para o teclado. Recuperar aquela noção de escrever para si próprio. Guardar na gaveta os cadernos cheios de mim e nunca os revelar. Mantê-los fechados, tinta e papel coladinhos num casamento daqueles à mete-nojo, sempre tão juntinhos, tão íntimos que nunca nada nem ninguém os pode sequer adivinhar.
Que invenção fabulosa, esta possibilidade de escarrapachar as divagações que, durante séculos a fio, permanecerem no recato sepulcral dessas folhas agrupadas, encerrando entre si a própria essência dos seus autores. E, ao mesmo tempo, que perda irreparável se, de repente, deixássemos de os usar, os tais cadernos paulausterianos, de cuja maciez, densidade e aparência podia depender o teor de um texto, o seu âmago. Um pouco como os poemas gráficos, uma obra tridimensional, por assim dizer… Não estaremos nós paradoxalmente a condenar os nossos escritos a uma existência puramente ‘no plano’ quando os lançamos para a aparente multidimensionalidade da blogosfera?

(to be continued)

1/22/2008

A minha blogosfera é melhor que a tua!

Hoje acordei com esta frase na cabeça. Imediatamente soube a quem ela se destinava. Claro que não era para nenhum de vós, inúmeros e incontáveis! A vossa blogosfera é igual à minha. Uma caixinha de surpresas. Recheada de pessoas bonitas, que foram entrando na minha vida devagar mas hoje ocupam um espaço real, palpável e que transcende largamente as fronteiras do virtual (seja lá o que isso for - terá a virtualidade fronteiras?). Mas a blogosfera não pára de me surpreender. A sério. E sempre pela positiva. Não consigo lembrar-me de uma única pessoa que tivesse conhecido por via deste universo fantástico e que me tivesse desiludido. E mesmo quando, por motivos vários, não entro em contacto directo com os bloggers, fico sempre pasma com o espírito de partilha, solidariedade e entreajuda com que me deparo sempre que, por algum motivo, recorro à blogosfera. Por vezes, não posso (ou não quero) dizer nada, mas fica a roer-me o bichinho. É um grilo cá dentro que diz: "Vá, denuncia-te! Diz quem és! Diz que pertences!". Pertença. Fazer parte de. É isso que a minha blogosfera me faz sentir. De certa forma possuímos algo em comum, que é só nosso e que nos une.
Da minha blogosfera sempre recebi ânimo, calor e carinho. E até a blogosfera que não sabe que é minha me correspondeu quando solicitada com uma resposta cordial, agradável e simpática, no mínimo.
A minha blogosfera é um mundo novo. Talvez seja este o início da Utopia. Uma terra sem amos, a Internacional...

De facto, a minha blogosfera, sôdona Margarida Rebelo Pinto, não tem nada a ver com a sua. A Calamity nunca poderia ter escrito, como a senhora:
"Os blogues são um território de guerrilha suja, protagonizada pelos terroristas da Internet"
Talvez seja por isso que a Calamity ainda não passou da cepa torta, e a senhora colecciona best-sellers. Mesmo assim, prefiro ser a Calamity. É que, sabe, sôdona Margarida Rebelo Pinto, a minha blogosfera é mêmo, mêmo, bem melhor que a sua, sei lá!

Sim, eu sei que isto já foi há uns meses largos, e até suscitou posta na minha blogosfera (desculpa, Azulinha, não consigo colocar o link exacto, mas, para quem lá for, é a 4ª posta, a contar de cima...), mas, o que é que querem?.. só hoje me ocorreu... Desculpem lá se já vou atrasada...

1/15/2008

Espalhem a notícia

Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
do ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher bonita

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo
como um riotransbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume,
foi um augúrio de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescenteda sua lavra
que a bom entendedor meia palavra basta,
é só adivinhar o que há mais os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita

Sérgio Godinho
in Canto da Boca

Bem Vinda Princesa Clara

1/14/2008

O Segredo

Admito que sou cusca. Sempre fui. Por natureza e também por (de)formação profissional. Herdei a característica do meu pai e já a transmiti ao meu filho. Safa-me o facto de não usar os conhecimentos obtidos por meios pouco ortodoxos para prejudicar ninguém e até devo ressalvar, em abono da verdade e da minha pessoa, que, por vezes, me vejo bem à rasca com informações que me vêm parar às mãos (ou aos ouvidos, ou ainda, aos olhos) e que não era suposto eu saber. Acresce que tenho uma vocação inata para esbarrar de nariz nas coisas mesmo sem andar à procura delas.

Adiante. Sou cusca, portanto. E como tenho uma relação de obsessivo-compulsiva com a leitura, tenho uma mania muito feia que é ir nos transportes públicos a partilhar as letras dos vizinhos mais próximos sem para tal ter sido convidada. Qualquer coisita serve, desde os pasquins gratuitos até à 'Crítica da Razão Pura', mesmo que na sua versão original - e isto apesar de não falar nem escrever mais do que quatro palavritas na língua de Kant.

Vem isto a propósito do meu curto trajecto de autocarro de hoje. A velhota teria pelo menos uns oitenta anos. Trazia nas mãos um livro forrado a papel de embrulho de boa qualidade, acastanhado. Folheava-o nervosamente de trás para a frente e da frente para trás. De vez em quando detinha-se numa página e lia (?) um pouco. Depois, olhava para os lados - e sobretudo para mim, pois já tinha percebido, ou pelo menos pressentido da minha tendência para Mata-Hari da literatura alheia - e reforçava as suas manobras de diversão. Tudo, menos deixar que fosse quem fosse se apoderasse de uma palavrita sequer do seu 'Segredo'. Escusado será dizer que não tinham passado dois segundos sequer até que desvendasse o título da obra que a senhora tanto tentava esconder. O que deu mais ânimo à - parafraseando a Cool Mum num post recente em que esta última citava a Vieira do Mar - cabeleireira intrometida que existe em mim. Mas a minha vizinha não permitiu que decifrasse mais uma vírgula. Queres saber mais? Vai comprar! A Rhonda Byrne agradece.

1/09/2008

Um dia

ainda hei de aprender a preservar-me de certas e determinadas agruras. Agruras, sim. Não me surge vocábulo mais adequado ao sentimento a que me refiro. Se há algo que me irrita na minha pessoa é o facto de deixar que certos assuntos me tirem o sono. Literalmente. Sou aquilo que se chama uma esponja. E, por mais que me auto-eduque, repetindo a mim própria até à hipnose frases como "não te deixarás atingir por veneno alheio", "não sofrerás por quem não vale vinte e cinco tostões em moeda nova" (sim, porque em moeda antiga, sempre vale a relíquia, certo? agora tentem lá converter vinte e cinco tostões em aéreos, a ver o que a coisa dá...), a verdade é que a matéria de que sou feita me torna absolutamente susceptível, qual terra fértil na qual poderá nascer sem ser semeada a planta mais daninha e em dois tempos ocupar todo o espaço, pondo em risco as espécies protegidas mais belas e preciosas que tanto trabalho haviam dado a brotar.
Liberto esta posta na esperança de que os sentimentos desagradáveis e pensamentos carregados de más energias que me têm inundado o campo nestes dias se dissolvam na imensa blogosfera, transitem para o espaço intergaláctico, se transmutem e apenas regressem sob a forma de centelhas multicolores de amor e bem-aventurança.
Inúmeros e incontáveis: se souberem de algum curso que ensine as esponjas a transformar-se em espelhos, avisem a Calamity, tá?..

1/02/2008

Bom ano para todos

O melhor "postal" de boas festas do século (até agora...)