6/20/2008

Chuias

Que existe um bófia frustrado em inúmeros portugas, eu já sabia. Tipos que deviam ter aproveitado quando bastava ter "mais de 18 anos e a 4ª classe" para fazer parte "do corpo da GNR". Ou da PSP. Ou da Guarda Fiscal. Ou do raio que os parta. Não são suficientemente velhos para terem sido chibos no tempo da outra senhora ou foram-no e não conseguem habituar-se a viver na era pós-25 de Abril porque precisam como de pão para boca de controlar a vida dos outros, sobretudo com o intuito doentio de os apanharem em falso, seja lá o que isso possa querer significar na sua mente torcida. Até há algum tempo, julgava eu que a categoria 'polícia de trânsito' era exclusiva dos homens de meia-idade. Constato esta semana que me enganava. Também as há mulheres. E piores que eles, pois se os primeiros gostam de se colocar 'a jeito' a verificar se sabemos mesmo fazer uma manobra como eles - ou melhor, na esperança mal disfarçada de que deixemos o carro ir abaixo ou que demos uma porrada bem assente nos automóveis vizinhos - mas raramente nos abordam a não ser para se armarem em arrumadores/instrutores de condução ("destroce, destroce, destroce, vira tudo!!!"), já elas ficam a ver e se temos o desplante de nos aproximar demasiado do carro da frente - que, por sinal, e pelo que me apercebo, é sempre delas - rosnam, ladram, ameaçam e só falta virem bater-nos muito embora nada, rigorosamente nada tenha acontecido ao seu(?) mui precioso veículo. Mulherzinhas feias, frustradas e desocupadas, não perdem uma ocasião para destilarem veneno há (decerto) muito acumulado. Como bófia já é feminino, a designação que lhes atribuo é chuias. Pobres chuias. Da telenovela do indefectível Aguinaldo, tiro a resposta para elas: "Fazendo o favor de se retirar, sua desinfeliz!!!"

A parte 2 do cap. I segue já, já a seguir...

6/08/2008

Capítulo 1 - S. Paulo

Eu ia avisada. De que S. Paulo não era a mais bonita das cidades brasileiras. Que era grande de mais, confusa de mais, poluída. Quente de mais quando está calor, fria de mais quando está frio. Como se alguém pudesse acreditar que pudesse alguma vez estar frio nalgum canto do Brasil.

(Tem uma certa piada, esta expressão: "canto do Brasil": um país tão gigantesco terá lá cantos, para além dos musicais? E lembrou-me logo aquela música de uma telenovela dos velhos tempos, em que elas, as telenovelas, davam a horas em que as conseguíamos ver, a horas certas em que as conseguíamos gravar se porventura não estivéssemos em casa, do modo que as conseguíamos seguir... mas a música, a tal, rezava assim: "Isto aqui ohoh é um cantinho de Brasil yaya, desse Brasil que canta e é feliz - feliz - FELIZ!!!"... e por aí afora. Por acaso acho que até não era 'cantinho', mas sim 'pouquinho', mas como diz a outra "isso agora não interessa nada, menina!". Bom, adiante)
Então eu ia avisada mas as 36 horas passadas em S. Paulo foram, como vos dizia há dias, enormes e deliciosas. O que comprova a existência da metonímia na vida real. Ou será a sinédoque? Enfim, todos sabem que não há maior repositório de figuras de estilo do que a própria existência itself. Está bem, pronto, eu explico: enormes, pois a cidade é das maiores do mundo, certo? Deliciosas, já que S. Paulo tem fama de ser dos locais onde existem os melhores restaurantes. Infelizmente, não tive ocasião de comprovar este segundo aspecto, embora também não me possa, de maneira nenhuma, queixar. Aliás, se passasse mais algum tempo no Brasil, desconfio que viria de lá uma lontra. Voltemos, pois, a S. Paulo.
Enorme, mas não maravilhosa. Do aeroporto para o hotel pudemos avistar um bom número de favelas, mas também, e sobretudo, uma paisagem constante de subúrbios sem graça, prédios e mais prédios, casas e mais casas, nada que se destacasse porém, nem pela extrema miséria, nem pela opulência, nem mesmo por qualquer tipo de homogeneidade. Trânsito muito, mas nada de extraordinário.
Estávamos sediados nos Jardins, tidos como o bairro mais chique de tão grandiloquente cidade. Aqui também não me apercebi de nenhum edifício que realmente me impressionasse. Nem mesmo o hotel dito de luxo onde ficámos hospedados. Grande e confortável, mas, francamente, pouco surpreendente.

O dia terminou muito depressa após a nossa chegada, embora esta tivesse ocorrido a meio da tarde. O sol põe-se cedo em terras de Vera Cruz...

Acordámos cedo. Não foi difícil, tendo em conta as quatro horas que ganháramos sobre Portugal. Comecei por tomar um pequeno-almoço (ou melhor, "café da manhã") de hora e meia, entre pãezinhos, brioches e croissants, queijos, manteiga, um outro doce, frutas e sumos mas nada de ovos nem muito menos bacons ou outras carnes - que a vossa Calamity é muito tradicional no que ao pequeno-almoço diz respeito. Abundante, sim, mas continental.
Devo aproveitar para alertar os meus inúmeros e incontáveis mais susceptíveis de se melindrarem com questões alimentares para o facto de que deverão abter-se de ler as minhas postas das próximas semanas, uma vez que este será indubitavelmente um dos grandes temas - se não O Assunto Principal - das mesmas. Brasil é efectivamente sinónimo de comida. Haja estômago!
Haja intestinos, também, que, por mais que vários anos de prática mais ou menos regular de yoga tenham tornado os meus mais amiguinhos da da minha pessoa (ainda recordo com dor os sete dias - sete! inaugurais do meu desembarque na Cidade da Praia em que a ingestão quotidiana e insistente de papaia, abacate e outras iguarias supostamente estimulantes da tripa em nada contribuíram para desbloquear o nó que se foi formando no meu baixo-ventre, chegando ao ponto de temer explodir se passasse mais um dia ao largo da sanita), ainda assim a lei da proporcionalidade esteve longe de ser respeitada na relação ingestão/evacuação.

Mas deixemo-nos de conversas de merda.
Além disso, se, ao fim de quatrocentas e oitenta e nove linhas de texto ainda não consegui passar do pequeno-almoço, aliás, café da manhã do primeiro dia, quando, ó deus meu, quando, perguntais-me vós, inúmeros e incontáveis, voltarei eu a terras lusas? Provavelmente por alturas de ir de férias. Se férias houver.
Regressemos então, mais uma vez, a S. Paulo, por assim dizer.
A etapa seguinte levou-nos aos arredores da dita. A uma charmosíssima pequena vila chamada Embu. De visita a um formosíssimo mercado de artesanato que dá pela graça de Embu das Artes. Um deslumbramento. Ali gastei metade do orçamento para toda a semana. E se soubesse o que sei hoje teria gasto todo o dinheiro já que poucas mais compras me foram dadas fazer durante o resto da estadia e muito me arrependi de não as ter feito todas naquele fim-de-manhã, princípio de tarde passado entre os maravilhosos artefactos a preços da uva-mijona que me acenavam de tudo o que era banca.
Foi também no Embu das Artes que, após ter-me espontaneamente juntado a três dos meus companheiros de viagem - de quem, aliás, não desgrudei mais ao longo dos oito dias - travei conhecimento com a Dona Bete (Betty?) ...

(continua... ah pois é!..)

PS: Estrelinha de mi corazón! Privatizastis? E não mi convidastis? Ou andas com isso outra vez pra trás e pra frente, a bêm dizêri?

6/02/2008

Sim, sim! Eu disse que voltava e volto!

E eis se não quando os meus inúmeros e incontáveis já acham que me pirei de novo ou quiçá me tenha perdido pelas ruas do Rio enquanto me armava em garota de Ipanema... Pois bem, infelizmente, não. Pior ainda, estou de volta ao bulício alfacinha. Mas o prometido é devido e irei compartilhar os melhores momentos desta viagem inesquecível. Não consegui fazê-lo enquanto lá estava, pois trabalhei como uma condenada e dormir foi quase mentira.
Estou, pois, de volta, mas ainda em estado de choque atacada por jet-lag, trabalhos para entregar e, last but not the least, duas criancinhas sedentas da presença de sua mãe.
Contudo, não quis deixar de dar aqui uma saltada para reforçar a promessa. I'll be back. Mais cedo do que esperais, inúmeros e incontáveis, a vossa Calamity voltará à carga com a reportagem completa do périplo, incluindo entrevistas com celebridades, eventos sociais, visita ao Projac, mercados e feiras de artesanato, hotéis de luxo, ônibus cariocas, tour alucinante de táxi, parada gay, aviões da tam e da tap e variadíssimos apontamentos de análise, crónica e crítica com o bem conhecido de vossas excelências espírito de síntese que me caracteriza. Mi aguardem!!!

5/27/2008

Quem é vivo... ou A Calamitosa está de volta!

Saudosos inúmeros e incontáveis

Há já algum tempo que tenho vontade de escrever esta posta e quero antes de mais dizer-vos o quanto sinto a vossa falta pois nem sequer tenho conseguido visitar as vossas tascas. Desde que entrei neste mundo mágico que é a blogosfera e que é tão precioso para mim que nunca tinha estado ausente por um período tão longo. Mesmo quando passo uns dias sem escrever, arranjo sempre maneira de dar um saltinho a saber das novidades já que vocês se tornaram parte da minha vida e esta experiência um aspecto fundamental de quem sou hoje. A blogosfera tem-me proporcionado um crescimento pessoal enorme, abriu-me horizontes insuspeitados, ajudou-me a desenvolver uma faceta da minha existência que estivera até então bloqueada, por assim dizer. Devo dizer que consegui, através deste meio poderoso, ultrapassar certas limitações que sempre me tinham impedido de atingir alguma plenitude, aquela realização como ser humano que só poderia alcançar pela palavra escrita mas que, por motivos que até agora não pude desvendar, ficava eternamente latente. Tem sido muito importante poder abrir-me como só aqui soube fazê-lo, obter o vosso feedback que, em certos casos é tão completo que se tornou também, e sobretudo, amizade, ouso até dizer, Amor. Pois só o amor é susceptível de transformar as pessoas e fazê-las ultrapassar-se a si próprias. E posso dizer hoje, ao fim destes dois anos e tal de bloguice militante, que foi isso que a blogosfera fez comigo. A Calamity que vos escreve não é a mesma Calamity que iniciou este tasco e muito menos aquela que seria caso não tivesse penetrado esta rede única. Sinto agora que fui iniciada, como só os que participam de elos especiais o são. Refiro-me à sensação de pertença que vocês me proporcionaram,
à possibilidade de me sentir 'fazer parte de' algo, algo que é maior do que a soma das partes e que tem existência para além das existências somadas de cada um de nós. E também à aprendizagem de um código, que se situa num outro plano que a própria linguagem, por mais grandiosa que esta seja e por mais que ela faça parte, e, em última instância, seja ela própria fundadora dessa mesma forma de comunicação global. (Para além de que, como dizia o outro, "The mean is the message", mas esse assunto levar-nos ia longe, e noutra direcção daquela que pretendo aqui e agora.)
Durante estas semanas, e mesmo antes de ter começado esta 'cura' de silêncio - pois penso que talvez assim possa definir o motivo da minha ausência, apesar de eu própria não conseguir explicar muito bem o que se está a passar - coloquei muitos aspectos da minha vida em questão e o blog não podia ficar de fora, até porque, como entenderam pelas linhas acima, ele é hoje uma das peças fundamentais da minha existência a vários níveis. Por ser assim é que uma crise pessoal teria sempre que implicar uma crise aqui do tasco. Não pensem porém os inúmeros e incontáveis que a vossa Calamity esteja deprimida. Antes pelo contrário. Sinto-me em fase acelerada de crescimento, de mudança, de transformação e os dias têm-se sucedido uns aos outros a um ritmo avassalador. Comecei, é verdade, este período por um momento de abatimento e tristeza, mas actualmente não é de nada disso que se trata. Contudo, interroguei-me muito sobre este tasco, chegando mesmo a pôr em dúvida a sua continuidade, já que senti a determinado passo que ele perdera o seu sentido. A leitura de postas antigas e seus comentários e a sensação de que chegara a um impasse, a uma 'crise de inspiração' fizeram-me confrontar com questões difíceis e desconfortáveis. O que quero eu da blogosfera? Porque continuo com isto? Fará isto ainda sentido? Será aquilo que se perdeu aqui irreversível? (Sim, porque é para mim hoje evidente que desde que me iniciei pela tascolândia, algo se perdeu, e confesso que ainda não digeri bem essa perda). Por que escrevo? Para quem escrevo?
Depois, tenho alguns - graves - defeitos. Um deles é o querer escrever tanto, sobre tantas coisas, que acabo por não escrever nada. Tal como, quando chego a uma gigantesca feira de artesanato, cheia de coisas maravilhosas, quero tanto levar tudo que acabo por sair de mãos vazias. Cheguei à conclusão de que sou uma pessoa com imensa dificuldade em tomar decisões. Escolher algo implica sempre desistir de outras coisas e eu não tenho grande capacidade de despojamento. Lido mal com a perda. Em relação à escrita, compreendo-o agora, é o mesmo. Escrevo tanto interiormente, sobre tantas coisas diferentes, que acabo por não o fazer de facto, por não passar ao acto, para não ter de optar. Para não ter de deixar questões por abordar. Assuntos por desenvolver. Aspectos por explorar. Serei louca? Certamente. Mas não só.
Agora, por exemplo, neste próprio momento em que vos escrevo. Se vocês sonhassem, se pudesse tão só passar-vos pela cabeça tudo aquilo que quero partilhar convosco! A posta de hoje levaria dias inteiros a escrever. Já estaria na posta da semana que vem e ainda estaria a escrever e vocês, inúmeros e incontáveis, banir-me-iam para todo o sempre da vossa blogosférica convivência. Mas as 'regras' implícitas (e que até já vi escritas por aí) deste clube são bem claras, e implacáveis: posts curtos. Este meio existe aqui e agora, em tempos de imediatismo, em que os mais lentos são implacavelmente excluídos, já que o mundo exige aceleração. Tenho que admitir que é algo que me assusta. Não é do nosso envelhecimento individual que o tempo passa a uma velocidade cada vez mais vertiginosa. Ouvir uma criança de 8 anos, como eu ouvi, afirmar que o ano passou a correr confirma as minhas suspeitas. Quando nós éramos crianças, o ano NÃO PASSAVA A CORRER.
Adiante. Não sei, pois, como lidar com este dilema. Vocês, inúmeros e incontáveis, sabem-no bem: não sei escrever pouco. E abuso. Mas a prosseguir com este tasco, o mais provável é que continue assim. Pois a sua razão de ser é mesmo essa, e de outra forma não faria sentido.

Bom, mas, parafraseando a personagem da novela (e lembrem-se disto porque lá para a frente vai fazer ainda mais sentido), deixemo-nos de entretantos e passemos aos finalmente. Imaginam os inúmeros e incontáveis onde se encontra a vossa Calamity enquanto vos dedica estas singelas linhas? Estou certa que não! Pois bem, inúmeros e incontáveis, são sete da tarde e a vossa Calamity está sentada no quarto de um hotel dando as costas para uma varanda que abraça o oceano atlântico... em plena Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Para muitos de vós será talvez algo absolutamente normal, mas para mim é a realização de um sonho muito antigo e escusado será dizer que estou exultante. Fui presenteada com uma viagem profissional totalmente inesperada nesta altura do campeonato e, desde que cheguei ao Brasil, há três dias atrás, as experiências que me têm sido proporcionadas são absolutamente descomunais. Apesar de mal ter dormido desde 5ª-feira da semana passada - já que foi preciso preparar milhões de coisas antes de partir, desde aspectos de trabalho a questões logísticas relacionadas com a viagem mas também com a minha vida familiar - , e de ainda não ter conseguido ir à praia nem curtir algo de verdadeiramente carioca, estou em estado de graça.

A viagem começou em S. Paulo onde vivi um dia enorme. Coube tanta coisa nesse dia que ainda me parece que não pode ter sido só um, sobretudo quando o comparo com os que antecederam e os que vieram depois. Domingo terá sido certamente um dos maiores que já tive. Como conseguir transmitir-vos tudo o que ele foi? Como passar-vos, num simples relato, todas as emoções, descobertas, e gargalhadas desse dia? A sigla P.D.L - que me perdoem os inúmeros e incontáveis mais sensíveis - diz-vos alguma coisa?

continua (a sério!)

4/15/2008

Waiting for the sun

Há alturas assim. Em que nem apetece escrever. Em que nos apetecia recolher ao mais profundo e recôndito lugar e ali permanecer até que o sol resolva rasgar as nuvens. Sim, os ciclos sucedem-se e a seguir à tempestade vem a bonança, pois vem. Mas até lá vou retornar ao casulo que a minha primavera ainda não começou

4/09/2008

Ainda a respeito do tasco novo

Para os inúmeros e incontáveis autores e clientes do novo tasco
Uma das grandes canções de sempre
Um video fabuloso

Caetano Veloso - Livros

4/08/2008

O novo tasco

Há 'novo' tasco na tascolândia, que é como quem diz, 'novo' blog na blogosfera. E digo 'novo' entre aspas porque as suas inúmeras e incontáveis autoras têm-no alimentado bem e com a regularidade de que um recém-nascido precisa e merece e já conta com bom número de postas saborosas e (ainda) fresquinhas. Espero que a qualidade e a quantidade se mantenha, até porque o objecto é transcendente. Vão até lá ver porquê

aproveito para agradecer à menina que gentilmente me convidou a participar...

4/02/2008

Breves desabafos e/ou algumas medidas de higiene mental

1 - Às vezes sinto que, das duas, três: ou sou atrasada mental, ou somos todos, ou então devo ter vindo de outro planeta.

2 - Descobri recentemente que há pessoas mais perigosas que as que são simultaneamente más e inteligentes. Curiosamente são as que acumulam maldade com burrice. Por estranho que pareça, conseguem fazer mais estragos.

3 - A minha vontade de emigrar aumenta a cada dia que passa e só muita praia, calor e banhos de água fresca em mar chão a poderão atenuar. Preciso urgentemente de uma sessão de reiki. Ou qualquer coisa que o valha.

4 - Como diria José Mário Branco: "Quero ser feliz, porra! quero ser feliz agora!"

5 - Ou então: "Vou mudar de vida ai isso é que vou!"

3/28/2008

Apesar de você

Dedicado a quem servir a carapuça

atentem na letra, é de 1970...

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

(do lindíssimo Chico)

3/20/2008

Anónimos, abutres e quejandos ou 'Eles andem aí'

Não estou a fugir ao desenvolvimento abaixo prometido. Fá-lo-ei o quanto antes. Mas como entretanto fui brindada com o gentil comentário que se segue, não consegui evitar partilhá-lo convosco e simultaneamente responder ao 'ajustado' anónimo que se deu ao trabalho de o escrever, tendo o cuidado de o deixar 4 ou 5 postas abaixo da actual, provavelmente de forma a não ser confrontado com os inúmeros e incontáveis e apenas me atingir a mim.
Caro anónimo: o facto de V/ Exª não me achar piada nenhuma em nada me afecta tendo em conta que V/ Exª não passa disso mesmo: um anónimo. A mim preocupar-me-ia o facto de alguém a quem eu achasse piada não me achasse a mim piada. Para mais, desde já lhe vou adiantando que dispenso os seus conselhos e que a sua opinião sobre os meus pensamentos e escritos é recíproca. Um grande bem-haja para si também e espero que consiga um espaço onde lhe dêem atenção e no qual consiga descarregar as suas frustrações. Que tal um blog?

anónimo disse
"não te acho piada nenhuma. Mas como há gostos para tudo, aproveita que a vida são dois dias e quando mal geridos...menos são. Mas isso é lá contigo. Aquilo que tu pensas e escreves não passam de balelas e derrotas. Faz uma instropecção à tua vida REAL e deixa-te dessa treta da vida VIRTUAL que não te leva a lado nenhum. Desajustada é o que me pareces. "
fim de (ex)citação


Agora outro assunto, bem mais importante, e que merece toda a nossa atenção e preocupação: No próprio dia do pai, a minha amiga Estrelinha e o seu marido, pai dos meus sobrinhos virtuais e simultaneamente bem reais (percebe, ó anónimo?! É possível ser os dois ao mesmo tempo, a não a ser quando se é um desses abutres de que precisamente fala a minha amiga Estrelinha que eu nunca vi mas que amo de paixão, coisa que um anónimo invejoso não pode compreender), foram privados de um direito consagrado por lei. Inúmeros e Incontáveis: mais uma vez o meu apelo é 'Bora lá fazer a puta da revolução...

3/18/2008

Serendipity

"The laws of chance, strange as it seems
Take us exactly where we most likely need to be"
David Byrne

Que é quem diz: por mais voltas que se dêem, o que tem de ser tem muita força.

ou ainda: a verdade, tal como o azeite, vem sempre ao de cima.

Óspois venho desenvolver mais um cadinho, ok?
Tenho cá uma tendência para as pescadinhas de rabo na boca... é para ver se aprendo a dar atenção àquilo a que tenho de dar. E mai nada.

3/12/2008

Continuem lá a ir-me ao... BIP!, que eu gosto!!!

Andava há dias à espera que me caísse na conta a boa da transferência bancária que lá para o dia 5,6,7,8,9,10 de cada mês as mui apreciadas entidades-patronais-que-não-o-são me fazem o favor de atribuir como remuneração pelo trabalho precário que diariamente executo para elas sem direito a segurança social, férias pagas ou outros direitos adquiridos pelos nossos antepassados nos dias da pré-história em que foi estabelecido o moribundo (leia-se morto, enterrado e já em avançado estado de decomposição) Wellfare State.
E não havia meio de o bendito guito aparecer na dita conta através da qual sou regular e subtilmente destituída dos meus bens a fim de ajudar a enriquecer essas bondosas empresas que generosamente fizeram a gentileza de emprestar uma boa maquia para que eu pudesse usufruir de um direito garantido (?) por Constituição (lembram-se? "A Paz, o Pão, Habitação...") -maquia essa que, diga-se by the way, quando terminar de pagar, se ainda por cá andar, terei desembolsado cerca de 3 vezes e meia relativamente ao valor por eles altruistamente adiantado.

Por outro lado, andava eu a fazer contas e continhas, iludida como estava de que iria poder dar-me ao luxo de comprar um computador deste século, já que o decrépito portátil com que desenrasco alguns biscates urgentes está a processar à velocidade de um caracol alentejano em dia de folga com 40 graus à sombra, e isto uma vez que os meses de novembro, dezembro e janeiro tinham sido algo mais profícuos do que o habitual, fruto de jornadas de 14 horas, 6 dias por semana e consequentes trombas dos meus dois filhotes...
Pois bem, hoje fui ao multibanco e as boas das transferências efectivamente já haviam caído - ambas as duas! uma fortuna! - desde 2ªfeira. E perguntam-me vocês, inúmeros e incontáveis, por que motivo não me tinha eu dado conta de que o rico dinheirinho já havia todinho sido transferido para a dita continha? Porquê? Ora, tão somente porque entre 2ª feira e hoje tinham sido cobrados dois misteriosos pagamentos de, respectivamente 403€16 e 279€13

(!!*#/"^/!*}»!!!)

Fui ver. Diz que o primeiro foi a EDP e o segundo o gás. Ainda não deitei a mão à respectivas facturas, mas tendo em conta que pago a módica soma de 150€ de luz de dois em dois meses e que recentemente paguei mais de 250 à GDL porque essas criaturas tiveram o desplante de não cobrar aos clientes desde maio do ano passado, pergunto eu aos senhores que detêm as ditas-cujas empresas: serei eu dona de um hotel e não me avisaram???

Ainda em estado de choque depois de ter ficado a par do rombozito de apenas 692 aérios e mais uns trocos, recebo um telefonema de casa. Chegou uma carta da PSP. "Ora então, abre lá, assim como assim, o que é que pode vir aí que me atinja depois desta??!!"
Nada. Absolutamente nada. Só uma multa de 250€ + 30 por ter sido apanhada em Alcântara a 4 de setembro sem a inspecção que era para ter sido feita em Agosto e sem os documentos (papel verde do seguro) do carro, que era a first reason para não ter feito a inspecção dentro do prazo, uma vez que estava a aguardar o envio de uma 2ª via da companhia de seguros e o centro de inspecções não fazia a dita sem todos os papéis. O querido Estado Português deve estar a pensar partilhar o fruto da coima com a seguradora que em boa hora fez a gentileza de os avisar que eu andava sem inspecção e papel verde. Penso eu de que.

Por isto tudo, inúmeros e incontáveis, venho por este meio convidá-los a, vocês também, me irem ao dito-cujo. É que está visto que eu gosto. Só se esqueceram foi de me informar

3/07/2008

Meo

Será que é desta que me reconcilio com a PT comunicações?

2/27/2008

Desafios, TPCs, olá ukié

Como o prometido é de vidro, há sempre um dia em que a malta tem de se decidir a (cor)responder aos desafios, TPC's e afins que a nossa mui solicitada vida neste quintal que é a blogosfera nos exige/proporciona (depende de que ângulo queremos ver a coisa, se do do copo meio-cheio, se do do meio-vazio...). De modos que vamos a isto, que já se faz tarde e se a malta não diz nada, os inúmeros e incontáveis vão-se embora e ficamos tristes e abandonados na imensidão do ciberespaço. Ah, pois é. Pediram-me, pois, 12 palavras de que eu gostasse particularmente e ós pois, outras 12 de que eu em especial não gostasse.

Mas como eu sou do contra, e sem desrespeito por quem me fez as encomendas - antes pelo contrário! - vou começar pelas feiosas, que é para terminar em beleza. Ora palavras de que eu não gosto, xa cá ver, como diria ó outro...
Olha, eu cá não gosto nada de ouvir a palavra colégio. Desculpem lá mas não gosto, prontos. E por isso nunca digo. Digo escola, liceu ou faculdade, é conforme, mas estas não fazem parte das minhas top 12. Também me causa alguma comichão a palavra ordeiro. Acho que é palavra típica de fascizóide. Mas acho alguma piada às palavras terminadas em óide, com excepção de hirudóid, que me lembra sempre alguma maleita, de modos que não vou escolher nenhuma destas ,embora algumas estejam ligadas a conceitos que muito repudio. Mas, lá está, trata-se de palavras e não dos seus significados, se é que conseguimos separar uma coisa da outra. Comedão é o termo técnico para ponto negro e é tão feio como o dito. Mastectomia e rinoplastia são ambas operações, em que a segunda poderá resultar bastante melhor do que a primeira, mas, como vocábulos, são igualmente desengraçadas. Irra é interjeição que não me lembraria de soltar: mais depressa vou aos palavrões, vulgo asneiras, estas sim habitualmente tidas como palavras feias.
Ainda vou a meio da primeira parte e confesso que isto não é nada fácil. Eu cá gosto de palavras, gosto mesmo, de todas elas, mesmo das que não gosto. É cá uma coisa que não sei explicar. Prossigamos, pois. Escroto é definitivamente um palavra feia, mas gosto de a dizer à boca cheia (pois, eu sei que isto pode ser mal interpretado, mas eu rio-me convosco, inúmeros e incontáveis, e deixem-se de gracinhas parvas, siiiim???), sobretudo se tiver vontade de insultar alguém. Ora experimentem lá, vão ver se não é mais giro e reconfortante que filho desta ou daquela... Aborto também é palavra cuja sonoridade me fere mas não a usaria como ofensa, até porque o assunto ficou arrumado. Espero eu de que. Não gosto de hábito, o que não significa que não a use, até porque é sinónimo de costume, e estas são palavrinhas necessárias useiras e vezeiras (ora aí está uma expressão que nunca uso, deve ter sido a primeira vez, que tal fazer um desafio com expressões de que não gostamos?) na minha prática laboral. E quem diz hábito, diz monge, substantivo comum cuja sonoridade bule com o meu sentido estético. Ornitorrinco é tão feio que até se torna giro, assim como escatológico. Definitivamente uma das minhas palavras preferidas (Heheheheh!).

Agora, passemos ao segundo, que na verdade era primeiro. Aqui a dificuldade é a escolha. São tantas e tão belas... Vejamos.
Algazarra é mais do que barulho, confusão. É um ruído intenso, brutal, que pode ser causado por um tumulto. Gosto, sem dúvida, gosto muito. Assim como também aprecio particularmente um sussurro. Faz-me pensar em segredo, bruma, serenidade. O mar é belo, belíssimo, mas o oceano é fantástico, grandioso, overwhelming (desculpem lá, mas não conheço equivalente em português. Amo o sol mas adoro a sonoridade e as formas sensuais da lua. Gosto do calor e em geral embirro com a chuva, sobretudo em Lisboa, mas a palavra nuvem tira-me do sério. E um sorriso cai bem em qualquer ocasião, mesmo - ou sobretudo! - quando estamos longe e sofremos com a linda e tão lusitana saudade....

2/20/2008

Alguém me agarre, depressa!

Por motivos de trabalho, tive de fazer uma pesquisa no google que me levou à descoberta disto.
Já tinha ouvido falar nesta reportagem (penso que até foi premiada), mas nunca a vi. Permitam-me, inúmeros e incontáveis, que partilhe um bocadinho convosco, que não consigo guardar só para mim. E desde já as minhas desculpas às vossas inteligências e sensibilidades que muito respeito.

Excerto de excerto da reportagem 'Vermelho & Negro' de Cristina Boavida (exibida na SIC algures em 2003)

"João Moura e o filho praticam quase diariamente com bezerras, esta tem cerca de um ano. Antes de entrar na arena cortaram-lhe tanto os cornos que o animal não parou de sangrar, e o facto de ser apenas uma bezerra não a impediu de ser cravada com várias bandarilhas durante o treino. As pessoas ligadas à tauromaquia ficam incomodadas quando se fala em crueldade contra os animais.

Manuel Gonçalves (empresário tauromáquico): "Minha senhora, minha senhora, minha senhora, o touro existe, só e exclusivamente para as touradas, é um animal que existe só para isto!"
Jornalista: Não acha que é um espectáculo cruel?
José Pedro Pires da Costa: Não, de maneira nenhuma.
Jornalista: Não acha que é cruel para com o touro?
JPPC: Claro que não!
Jornalista: Porquê?
JPPC: Porquê? Porque... porque... sei lá, é complicado agora estar a responder...
Jornalista: Gostas de animais?
João Moura Júnior: Gosto... cavalos, de toiros.
Jornalista: Achas que gostas de toiros?
JMJ: Gosto, gosto de toiros.
Jornalista: Mas estás disposto a andar a... a espetá-los. E eventualmente a matá-los.
JMJ: Pois, a matá-los também.
Jornalista: Achas que isso é maneira de gostar?
JMJ: Ah, não sei. Mas é a profissão, tem de ser assim.
Jornalista: Nunca teve pena de um toiro?
Sónia Matias: Não [risos] Não, acho que não.
Luís Rouxinol: O touro é... nasce com... com a finalidade em ser toureado.
João Moura: É um touro bravo que é criado só para ser toureado.
Hélder Queiroz: Os touros não sofrem naquela altura, podem sofrer mais tarde...
Jornalista: Por que é que diz isso?
HQ: Porque... essa... a raça desse touro foi lidada para isso, este touro foi criado para isso, não... não... ele foi, a genética dele não faz com que ele sofra dentro da praça...
JPPC: As pessoas que não gostam de corridas de touros deviam de se informar, informar acerca do que é uma corrida de touros.
SM: Nós somos livres de gostar do que gostamos, só vai à arena quem gosta.
MG: Deus criou o Homem e criou os animais, para que os animais servissem o homem, não é para que o homem sirva os animais.
JPPC: Não há ninguém que goste mais dos animais do que eu. "

O excerto completo aqui

2/15/2008

O S. Valentim é um canalha*

Perguntaste-me se lhe havias de enviar um sms pelo S. Valentim.
(Que sei eu do amor, meu amor?)
Respondi-te que sim, que o fizesses, se achasses que era o que devias fazer - versão irresponsável e cobarde do "faz o que o coração te mandar". Às seis da tarde ligaste-me. A chorar. "Ela disse que não". Soluçavas no teu pranto de menino. Na tua dor tão grande que era maior do que eu. Meu amor.
Se soubesses, se imaginasses o quanto foi minha a tua dor. A vontade que tive de sair a correr para te ir pegar ao colo, abraçar-te e chorar contigo. Ficar com o teu sofrimento, tirar-to todo, todinho. Dizer-te que não há no mundo mulher que mereça uma lágrima dos teus olhos de ouro. É tão cedo, meu filho. Tão cedo ainda.
Quis dizer-te que não ligasses, que não desses importância. Mas eu sei, meu filho: hoje nada é mais importante que o teu amor de menino. Meu menino.
Um dia vais sentir um amor tão maior ("Oh mãe, mas eu gosto mesmo dela. A sério. Quando estou com ela sinto uma dor na barriga. Porquê?").
Um dia o teu peito vai querer rebentar para que o teu amor se espalhe pelos campos, pelas ruas. ("Oh mãe, eu não quero gostar de outra pessoa. Eu quero gostar dela para sempre!"). Meu amor.

Sabes, filho, o S. Valentim é um cretino. Um malandro, um pulha, um canalha. Um santo do pau-oco, um aliado do capitalismo selvagem, o inimigo nº 1 do Robin dos Bosques: rouba aos pobres para dar aos ricos. Apenas existe para os encher ainda mais e esvaziar-nos a nós. E agora o biltre causou-te o primeiro desgosto de amor. Meu amor.

Deixa-me que te mande o meu postal de São Outra Coisa Qualquer (haverá lá santo que seja capaz de patrocinar o amor de uma mãe por um filho?) sob a forma de uma canção (como todas as canções de amor, ridícula)

Namoro

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita dizia ela tinha
um sorriso luminoso tão triste e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas na fímbria do mar

Sua pele macia era suma-uma
sua pele macia cheirando a rosas
seus seios laranja laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não

Mandei-lhe um cartão que o amigo maninho tipografou
'por ti sofre o meu coração'
num canto 'sim' noutro canto 'não'
e ela o canto do 'não' dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do sete
pedindo e rogando de joelhos no chão
pela Sra do Cabo, pela Sta Efigénia
me desse a ventura do seu namoro
e ela disse que não

Mandei à Vó Xica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço bem forte e seguro
e dele nascesse um amor como o meu
e o feitiço falhou

Andei barbado, sujo e descalço
como um monangamba procuraram por mim
não viu ai não viu não viu Benjamim
e perdido me deram no morro da Samba

Para me distrair levaram-me ao baile
do Sr. Januário, mas ela lá estava
num canto a rir, contando o meu caso
às moças mais lindas do bairro operário

Tocaram a rumba e dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu
e a malta gritou 'Aí Benjamim'

Olhei-a nos olhos sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lálá lá lá lá lá
E ela disse que sim
E ela disse que sim
E ela disse que sim
E ela disse que sim...

(letra Viriato Cruz, intérpretes vários)

*(havia um filme francês chamado 'Le père-Noël est une ordure'. Não sei como se traduz 'ordure', que era a palavra exacta que gostaria de usar aqui. 'Canalha' é o conceito mais aproximado que encontrei.)

2/12/2008

Basta

Hoje digo basta.
(Da minha doença cuido eu. Quem quiser cuide da sua.
Só me lembro de ter parido dois filhos...)

2/04/2008

As duas calamitosas e o Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata



Ontem de manhã, a miniCalamity não achou melhor maneira de descer do sofá para o chão do que mergulhando directamente de cabeça. Vai daí, chorou um bocadinho, fui lá peguei-lhe ao colo, dei-lhe uns miminhos, uns beijinhos e uns abracinhos, parou de chorar e eu voltei aos meus afazeres. Mas uns minutos mais tarde, ao entrar de novo na sala, apercebi-me que estava a sangrar do nariz. Fora a hemorragia (pouco abundante e já quase estanque), parecia em plena forma, até porque brincava e se divertia como se nada fosse, mas com estas coisas é melhor não facilitar, de modos que resolvi levá-la ao hospital. (A propósito, alguém me explica por que motivo, sempre que temos de ir para o hospital é domingo de manhã?)


Enviadas para o Raio X, lá fomos, corredor fora, a miniCalamity e eu, de mãos dadas, pato Chicco a arrastar ("vamos lá tirar uma fotografia ao pato a ver se tem dói-dói na cabeça") pelo chão, tentando encontrar o nosso caminho por entre setas e setinhas, portas, janelas, átrios e elevadores, pelo labirinto que nos levaria à sala das radiografias.

Recebidas por um rapaz assaz simpático, este último e a minha pessoa tentámos em seguida com a piolha a via do diálogo, mas a miniCalamity não foi na conversa. Se é para radiografar o pato, é para radiografar o pato, então para quê encostar o nariz a esta coisa onde me dizem que há de estar o Noddy? Eu cá sei muito bem com o que é que se parece uma televisão com o Noddy lá dentro e para começar, a televisão é preta e esta coisa é branca. Para além disso, a minha mãe está sempre a chatear-me para me chegar para trás e agora está aqui com este caramelo a mandar-me chegar para a frente. Mas por que carga de água é que vou encostar o nariz a esta coisa? Já bem basta o saco de gelo que a minha mãe me quis impingir durante o trajecto todo até aqui. Nem pensem. Acabou. Vou já para o chão que esta sala é gira que s'a farta e tem montes de coisas interessantíssimas para explorar...

Bom, vai tentativa vem tentativa, vai negociação vem negociação, e eis senão quando entra na sala de raio x outro técnico. Não percebi bem se vinha porque vinha ou se vinha para nos auxiliar. Mas também, inúmeros(as) e incontáveis, isso agora não interessa nada! Nossa, que homem bonito! Alto, na casa dos seus quarenta, cabelo longo cor de prata, de tal forma que eu digo: "Ó miniCalamity, olha para este senhor (e nisto o pouco bom senso que me resta dita-me que não acrescente as palavras que se preparam para brotar boca fora: "que tem um cabelo tão bonito!" e então substituo-as por um disparate do género: "mostra-lhe como és crescida e já te portas bem" - ou "como já sabes contar até 10", ou "que mias como um gato", ou "que sabes cantar o raiosparta-ónoddy" ou lá o que lhe disse, que isso agora também não interessa nada).

Claro que a MiniCalamity não cooperou muito mais do que estava a cooperar com o outro rapaz e comigo antes da entrada do Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata, mas a partir daí, bem que a missão podia demorar o resto da tarde... Infelizmente duas chapas depois a coisa estava resolvida. Aguardámos o resultado na "salinha de espera" e cinco minutos mais tarde regressávamos às urgências pediátricas não sem antes nos termos perdido duas vezes pelo caminho.

À porta da sala do Raio X, o técnico nº 1 despediu-se de nós e a miniCalamity lá foi, de envelope na mão, contendo as chapas que o rapaz lhe entregara. Simpática, como de costume, lançou um sonoro "Até amanhã", ao que o rapaz respondeu com uma gargalhada e pusemos os pés a caminho, a sua vozinha monologante ecoando pelo corredor vazio. Mas vinte passos à frente, não me contive: dei uma olhadela para trás ainda a tempo de ver de relance o Técnico-de-raio-X-do-cabelo-cor-de-prata entrando de novo na sua salinha. Heheheh. Ficara a ver as duas calamitosas afastar-se corredor fora.


E agora, meninas, a questão é a seguinte: dói-me aqui. E aqui e também neste sítio... exactamente aí. Ai aiai aiaiaiai. Preciso urgentemente de uma radiografia... de corpo inteiro.

PS: a miniCalamity está óptima e recomenda-se, como é evidente...