Escrever.
Tudo vai sempre dar ao mesmo. Hamlet estava profundamente enganado, ou por outra: Shakespeare não sabia o que estava a dizer. A questão não tem nada a ver com ser ou não ser. Essa cena existencial é uma questiúncula de cacáracá. Qualquer criancinha precoce se depara com angústias dessas, coisitas que estão para a essência do sofrimento humano como a tesão do mijo para o sexo tântrico. Não. A única questão que realmente importa, a única que se põe é outra: Escrever ou não escrever. Isso sim, releva do mais profundo que há em nós, ou em mim, e desculpem-me os inúmeros e incontáveis, que eu sei bem que a esta hora já andam todos a cirandar por outras blogoparagens ou até mesmo quem sabe em webgaláxias distantes, desculpem-me, dizia eu, a presunção que a água benta acabou há que tempos e até mesmo a mineral está a rondar o fundo do garrafão, mas desculpem lá que nestas coisas sou muito autocentrada e se vocês não têm qualquer problema com a vossa escrita, ainda bem para vocês, pois já eu não posso dizer o mesmo, se é que me estão a acompanhar e se não estão paciência que eu agora também não tenho vagar para verificar se ainda estão aí ou se já clicaram para outra ligação mais amiga do utilizador.
Pois é. Admito que não seja fácil ser inúmero e incontável de uma calamitosa como eu. Aceito até que muitos de vós possais (há que respeitar a pessoa gramatical escolhida, ah pois é!) pensar a esta hora que eu já não voltava e até que tenhais (ah pois é, outra vez, isto tem que ir depressa senão não vai mas não quer dizer que me falhem as conjugações, que eu sou mecita muito bem ensinada e ainda me vai restando algo dos tempos do liceu graças a deus nosso senhor ou pelo menos à minha memória proverbial ) cagado de alto em mim, o que seria compreensível e até eu já teria feito o mesmo por muito menos e essa é que é essa.
Ah, ela voltou, dizem vocês, e talvez estejam certos (desculpem qualquer coisinha, mas aquilo da segunda pessoa do plural dá muito trabalho e eu que estou praqui há mais de não sei quantas semanas sem conseguir escrever uma linha que seja, quando me dá estes ataques tenho de aproveitar mesmo que para não dizer nada, quanto mais não seja para provar a mim própria que ainda sei dar porrada num teclado que nem bem um ano passou nas minhas mãozitas delicadas e já tem letras apagadas), sim talvez estejam certos (isto dos parêntesis dá um jeito do caraças, o Lobo Antunes é que a sabe toda e até os destaca noutros parágrafos que é pra a malta não se perder, que isto dos parágrafos dá um jeito do caraças e longe de indicar um mente hiperactiva ou mesmo algo dispersa é mas é de gajo arrumadinho, ou de gaja arrumadinha neste caso, que eu cá sou também assim muito arrumadinha por dentro, já por fora é que é o caos mas isso agora não interessa nada e isto dos parêntesis dá um jeito do caraças), se bem que eu já não sei bem se sou eu calamitosa que estou de volta e se é só um intervalo deste longo interregno - ou talvez antes um interregno deste longo intervalo, confesso que já estou a ficar algo confusa e bem sei que sou eu que me deixo levar por estes considerandos mas, que querem, é mais forte que eu e não sei se reparam mas agora optei pelos travessões em vez dos parêntesis, que é só para não enjoar - que me tem mantido afastada da blogosfera e não pensem que me esqueci que deixei uma posta pendurada. Não. Não me esqueci nem dessa nem de todas as outras que eu para além de ter um como grilo falante, também tenho memória de paquiderme, de modos que pesos-pesados é comigo mesmo, aliás a esta hora devo estar com 327 kilos, no mínimo.
Mas voltemos à vaca fria que neste caso é a "coisa", que não sei que nome lhe dê, a coisa que me acompanha desde há anos e que jurou dar cabo de mim mas eu é que vou dar cabo dela ou eu não me chame Calamity Jane o que, já que falo nisso, aproveito para esclarecer desde já aos que ainda pudessem andar por aqui ao engano é uma gigantesca fraude, uma falsidade, uma fantasia, vá, para não dizer uma espécie de eufemismo já que, e detesto desiludir os meus inúmeros e incontáveis ainda por cima quando ando há meses sem botar os dedos no teclado, mas a verdade é que eu não me chamo Calamity Jane (e prometo um dia desenvolver este tema, o que poderá acontecer amanhã ou daqui a cinco anos ou, quem sabe, algures entre as duas datas, mas uma coisa é certa, é que o irei desenvolver, e a posta não será decerto muito mais curta do que esta ou outras congéneres do género. Sim, eu reparei na redundância, mas se for propositada, pode ser que passe por um exercício de estilo. Ou não?)
Agora a coisa sim, é real, e anda aqui desde que me lembro de ser gente pois antes mesmo de escrever já escrevia porque nisto de esccrever há algo que convém deixar bem claro: nunca se pára de escrever. Vocês é que não vêem. Pior ainda. Ninguém vê, nem eu. Porque na hora da verdade, não há registo que prove que estive a escrever ininterruptamente durante todo este tempo. Que escrevo incessantemente, não só desde manhã até à noite, não só desde que acordo até que adormeço mas também durante o sono e até, ouso dizê-lo, noutras dimensões, que visito numa para-existência de que só alguns se apercebem mas que não me darei aqui ao trabalho de provar. Só que, lá está não tenho alibi. E refiro-me à primeira afirmação, já que a segunda não tem qualquer interesse científico.
E por isso vos digo, inúmeros e incontáveis, e podeis se assim o quiserdes, ou porventura achardes adequado, iniciar as diligências necessárias ao meu internamento em unidade psiquiátrica, mas a coisa está, por assim dizer, em cima de mim a toda a hora. É algo que os entendidos não hesitariam em chamar encosto. Não me dá descanso, mas também não me dá forçosamente o que fazer, se é que me entendem. Simplesmente, pegou-se a mim, como uma lapa, como um cão, como uma carraça que nem sempre dá febre, mas que se alimenta de mim e que, por vezes, me dá umas borlas. Como agora. E eu vou lá e pimba. Dou-lhe. Com força, com alma, com parcimónia, com delicadeza, com garra, com medo, com hesitações, com censura, com as mãos, com o que for. Porque a coisa só se dá se calha a ser a hora certa, aquela em que me encontro à mão de ela me poder usar como instrumento da sua vontade, pois é apenas isso que eu sou. Um canal. Um joguete, um par de mãos, de dedos que podem ou não estar em medida de transpor para o teclado ou para o papel o que for para ser escrito.E dou por mim a penar, meses e meses a fio, em busca de uma frase, de uma palavra, de uma simples ideia, de um verso ou cor ou momento ou simples frémito que me apeteça partilhar, que faça sentido lançar para o universo. Mas entretanto a dita coisa vai ditando, dita sempre, sem parar, frases e frases e frases e frases, numa ditadura da palavra inesgotável, um rio tortuoso, tormentoso, de águas violentas, cataratas verbais sem fim. Uma velha chata que ninguém consegue calar. Ela mora dentro do meu cérebro e a toda hora dita dita dita dita dita. E eu que sim, que sim, que já lá vou. Que sim, que estou a ouvir e que já lá vou escrever, não claro que não me vou esquecer. Vou escrever tudo direitinho, igualzinho ao que ela disse, tudinho ali, preto no branco, ipsis verbis, pois está claro. Está claro que não vou escrever coisa nenhuma e tudo o vento leva ou se não é o vento outra coisa será, que importa agora saber o que foi, quem foi. Não tenho alibi, lá está.
Ah pois é. Escrever ou não escrever, eis a verdadeira, a única, a derradeira questão. Porque afinal, se eu não escrever, quem sou?
E se eu escrever? Quem serei? Serei outra? Serei a mesma? Voltarei a ser quem era? Transformar-me-ei noutra? Estarei à altura daquilo que escrevi? Conseguirei escrever o que escrevi?
E eis se não quando, pimba, dou por mim a escrever de novo. A escrever. Estarei eu mesmo a escrever? Ou será ela, a coisa, a escrever e eu a ver? De repente, há um enredo, ideias, coisas para dizer. Palavras, sempre as mesmas, nunca suficientes. Palavras, simples casamentos de vogais e consoantes, letrinhas apenas, finitas e incompetentes.
E eu, ingrata, que nunca lhes presto o tributo merecido. Pois que seria eu? Que seria de mim?
E eis se não quando, aqui estou eu, escrevendo, calamitosamente. Escrevendo e duvidando. Escrevendo e questionando. Escrevendo e achando que é sempre o mesmo. Se eu escrever um livro, estarei eu a escrever o meu livro? Serei eu a escrevê-lo? Não estarei eu a escrever o que já outros escreveram antes? Como posso saber? Não estarei eu a escrever sempre o mesmo livro? (E os outros, os que escrevem, alguns deles, os livros que eu escrevi, que eu escrevo? Estarão eles também sempre a escrever o mesmo livro? E, se sim, será o mesmo que o meu? Interrogar-se-ão eles sobre isto? Escreverão eles sobre isto?)
E é por isso que digo, ou melhor, escrevo: ser ou não ser não tem importância nenhuma. Escrever ou não escrever, essa é que é a questão.
10/15/2009
Verborreia
10/06/2009
Ao comércio em geral
Eu pensava que tinha sido bem explícita. Mas parece que não. Por isso talvez seja melhor repetir, mais alto e com todas as letras:
EU QUERO SOUTIENS
SEM ENCHUMAÇOS!!!
Será assim tão difícil de entender???
9/10/2009
Jogos da vida real
Ultimamente tenho dado comigo a pensar demasiadas vezes o que dirá a minha etiqueta. E a sensação não tem nada de hilariante.
9/07/2009
Da natureza, da memória e do entendimento das coisas
sonhos antigos, ecos remotos, longínquos, lendas de povos já desaparecidos...
Os sentidos sabem muito mais do que nós
Hoje a minha pele entendeu o que a mente quer dizer quando afirma que tudo se transforma.
E só quando o corpo compreende é que o ciclo se fecha.
8/31/2009
Como a Carolina já cansa
recordemos alguns dos melhores momentos do patrão quando era mai novito...
8/18/2009
Se não tivesse visto (e ouvido) não acreditava..
Esta criatura é mandatária do PS para a juventude. Só posso estar velha. Muuuuuuito velha!
8/08/2009
é isto
"(...) E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu."
7/24/2009
Como dizia o poeta
embora haja tanto desencontro pela vida"
Esta frase hoje não me larga. Desde que li uma certa estória que a sacana me tem estado a cutucar o espírito, insistentemente. E se ele o disse tão bem, tão melhor do que eu alguma vez o pensei, vais desculpar-me mas - mais uma vez - vou tomar emprestadas palavras que não alinhei na origem. É esta minha mania de tudo me fazer lembrar uma canção...
E, claro, se ontem por cansaço ou desânimo me passou pela cabeça (e partilhei) que talvez já não fizesse sentido continuar por aqui, hoje sei que não tenho alternativa. Esta coisa da blogosfera é mesmo um bicho que se mete na gente...
(to be continued)
7/23/2009
Muito francamente
7/06/2009
A Estrela era ela...
Como mútua foi a certeza do tanto que ficou por dizer.
E agora o coração dela bate no meu pulso e o som que produz em contacto com o teclado recorda-me a cada momento de quem sou e do que tenho para fazer. Ela guardou o meu junto ao seu peito. Ele piscou-me o olho antes mesmo de se revelar e eu estranhei-o, em jeito de déjà-vu. Depois, como tinha de ser, entranhei-o e deixei-o ir. Sei que ficará nas mãos certas. Oxalá saiba cuidar daquele que me foi entregue, assim como do compromisso que vinha com ele. E foi a segunda vez em poucos dias que me encontrei com esta palavra. Os deuses sabem muito bem o que querem.
E depois
7/02/2009
E como continuo
Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
6/30/2009
Ando
6/22/2009
O atum
(aviso à navegação: este texto foi escrito em Novembro de 2008, pelo que algumas passagens já se encontram desactualizadas)
Se há coisa com que a maior parte dos seres humanos tem dificuldade em lidar é com a rejeição. Não importa se a rejeição é real ou não, o que importa é que se sente rejeitado. E como se sente rejeitado, reaje, quer essa reacção seja enfiar-se para um canto remoendo todos os complexos da sua vida presente passada e futura, ou espernear alto e bom som mostrando o seu (res)sentimento e expondo assim um dos aspectos mais frágeis mas mais democráticos da condição que todos partilhamos.
E se se sente rejeitado, é porque somos todos protagonistas do nosso próprio filme. Por mais modestos e discretos que possamos ser, o mundo gira à nossa volta, porque somos o centro do nosso mundo. Nada mais óbvio. E quem disser o contrário é porque mente. Agora mesmo, entre os meus inúmeros e incontáveis, haverá certamente (mas é que de certezinha absoluta) quem esteja neste preciso instante a pensar: "Isto é comigo". Não importa o motivo. A verdade é que isto não é contigo. Não, não é. A verdade é que nem me lembrei de ti: outra questão melindrosa para a maior parte de nós. Para alguns será ainda pior. Não existir face ao outro. Os brasucas dizem, com alguma piada: "Falem mal, mas falem de mim!" Outra vez o protagonista a falar. Ser rejeitado implica que os outros combinaram todos qualquer coisa e que deliberadamente me deixaram de fora. Outra coisa é terem-se pura e simplesmente esquecido de mim. Mas não era da sensação de ser ignorado que queria falar aqui hoje. Vinha, sim, falar de rejeição. Algo próximo, sim. Por vezes coincidente até. Mas não igual. Porque na rejeição existe uma carga negativa, enquanto que a sensação de ser ignorado implica uma carga neutra. Digamos que no último caso seríamos um neutrão - o que não deixa de ser uma coisa com algum poder, uma vez que em tempos até fabricaram uma bomba com eles, a bomba de neutrões. Enquanto que no primeiro seríamos um electrão - e como toda a gente sabe não existe nada mais insignificante que um electrão*, deslocando-se aleatoriamente em torno de um núcleo, que invariavelmente é aquela gaja loira, alta e vistosa, que não tem um neurónio em contacto com outro dentro do cérebro e que afirma a pés juntos que a Rússia é visivel a olho nu a partir do Alasca ou wathever. Ela é que é a presidente da junta. Nós somos um simples electrão. Sermos rejeitados, ou acharmos que fomos, o que no nosso próprio filme, que vemos e revemos sentados sozinhos no sofá da sala enquanto toda a gente dorme - ou, pior ainda, enquanto toda a gente vê o outro filme, aquele dos óscares de que todos falam mas que ninguém nos convidou para ver - o que no nosso próprio filme vai dar no mesmo, é, provavelmente, das piores coisinhas que podem acontecer-nos, para além, claro, de sermos apanhados pelo vizinho de cima a pôr o lixo no contentor de pantufas e t-shirt rota. Aquela sensação de termos sido postos de parte. De não termos, para outra pessoa, a importância que esta tem para nós. De termos sido desvalorizados, tipo taxa euribor depois de uma injecção de capital. Existe em cada um de nós um adolescente borbulhento, de cabelo oleoso e óculos de fundo de garrafa. Um Adrian Mole, sentindo-se como "um atum nadando num mar de descontentamento", como tão bem exprimia este anti-herói daqueles de nós que tiveram 13 anos nos anos oitenta (sim, escusam de me lembrar que isso é uma espécie em vias de extinção, até porque 30% estão presos por tráfico e consumo de estupefacientes, um terço anda às voltas a tentar determinar a sua sexualidade, outro ainda não saíu de casa dos pais e os que sobram estão no governo sendo ainda que cerca de 10% reúnem todas as condições acima descritas mas, como diria a Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada menina, e aliás para falar verdade já não sei bem aquilo que interessa agora mas também verdade seja que não estou sozinha, sou eu, a bancada parlamentar do PS, o Nuno Santos, o José Manuel Fernandes, o ... ah, espera! Falávamos de rejeição e não de inconsequência, portanto os meninos terão de ficar para outra posta, ok? Sei que me perdoarão e não se sentirão puto rejeitados até porque nem se lembram que eu existo mas, não sei porquê, estou-me rigorosamente a cagar, o que não deixa de ser estranho porque tenho grandes dificuldade em lidar com a sensação de ser ignorada o que, como já expliquei anteriormente, é parecido, mas não igual a ser rejeitado, mas adiante, que o tempo ruge, como dizia o outro, e estes senhores têm de se ir embora, isto se a esta hora não foram já).
E se se sente rejeitado é provavelmente porque não presta. e aqui entra em jogo a outra variável da equação: a insegurança/culpa. Porque, afinal de contas vai tudo dar no mesmo. Ou sou rejeitado porque intrinsecamente não valho nada, ou sou rejeitado porque fiz algo de terrível, embora não me consiga agora assim de repente lembrar o que foi e mais tarde ou mais cedo toda a gente vai descobrir e nunca mais voltarei a sentir-me acolhido, acarinhado e aceite pelos meus pares que por esta hora, diga-se de passagem, já passaram a ímpares e estão todos algures a rir-se de mim nas minhas costas enquanto eu me mortifico sozinho, para todo o sempre isolado e desgraçado, enfrentando os meus fantasmas e e ruminando as minhas culpas com imensa pena de mim próprio.
Imaginemos aquela clássica situação em que gostamos de alguém mas não sabemos se somos correspondidos. Até podemos ter todos os motivos e mais um, reais e palpáveis, para acreditar que o somos. Mas se por algum motivo, a outra pessoa faz alguma coisa que não seja declarar-se a nós de forma inequívoca pedindo-nos em casamento de joelhos no chão e aliança de brilhantes em riste, se porventura a pessoa, por timidez ou desconforto, por obrigação profissional ou qualquer outra contingência da vida, não está LÁ NO MOMENTO ESPERADO, não olha para nós quando imaginávamos que o poderia fazer, não telefona ou não responde imediatamente ao nosso espirituoso sms, ou nos dá um qualquer feedback que para nós soa a inadequado e pimba! Lá está a puta da insegurança a atacar e o nosso atum a vir ao de cima. Vês! Vês! eu bem te dizia! Quem nasceu para atum nunca chegará a tubarão. Ele/ela odeia-te. Não se está mesmo a ver???
A questão é simples: somos atuns, remetidos para uma reles lata de conserva que poderá ficar eternamente esquecida numa prateleira do minipreço até que o repositor se lembre e se aperceba de que a validade foi ultrapassada há meses e nos coloque no sítio onde afinal pertencemos, i.e. o contentor do lixo pois, afinal, se todos os outros peixes do oceano estão numa festa para a qual não fomos convidados é evidentemente porque merecemos a nossa condição de peixe fora do cardume. A metáfora da festa, aliás, é da maior utilidade para ajudar a compreender a diferença entre ser ignorado e ser rejeitado: ignorado é o peixe convidado para a festa mas que passa a festa toda sem se divertir porque não se aproxima de ninguém e, como simplesmente não existe, ninguém dá pela sua presença. Rejeitado, é o atum que deliberadamente não foi convidado para a festa, que sabe que a festa está a decorrer e que fica toda a noite a carpir as suas mágoas, quiçá a encher-se de drogas ou de pornografia, o que na verdade vai dar no mesmo, mas afinal, a vida não passa de uma eterna pescadinha de rabo na boca, o que mesmo assim é melhor do que ser atum, pois a esse falta-lhe a elasticidade necessária e em última análise, até ser sardinha teria vantagens já que essas, ao menos, sempre são ricas em ómega 3, o que lhes vai permitindo mais não seja por agora ser consideradas um dos peixes mais in que há. Terão também elas, tal como o atum, tempo para regressarem à prateleira de espécie chinfrim, para não dizer altamente parola, mas isso ficará para outras postas, passe a redundância da figura de estilo, por esta altura já promovida a alegoria.
Regressando ao peixe frio (já que a vaca ficaria aqui, espero que concordem, inúmeros e incontáveis, totalmente inadequada) - a questão da insegurança e da culpabilidade - , a conclusão resume-se com alguma brevidade - sim, eu sei que vocês não acreditam, inúmeros e incontáveis que porventura possam ter chegado até aqui, o que, admito, é tão provável como eu agora receber um telefonema a dizer que herdei um milhão de euros. A conclusão, dizia eu, é a seguinte:Um. Fui rejeitado. É inegável. Aliás, foi uma atitude concertada, consciente e propositada.Dois. Se o fui, é porque o mereço.Três. Mereço-o porquea) não presto por natureza: sou feio, burro, velho de mais, novo de mais, loiro de mais, loiro de menos, não tenho dinheiro, não tenho um moleskine, não fui ver a Madonna, não sabia que a Madonna se tinha divorciado, não vi o Portugal-Suécia nem o Portugal-Albânia, não tenho Ipod, nunca fui a Nova Iorque, não sei falar alemão, não tenho cão, não caço com gato, não sei fazer tricot, não sei bordar o nome dos meus filhos nas fraldas de pano, não aspiro o carro desde março de 2006.b) não presto porque fiz qualquer coisa de muito, muito grave mas não consigo absolutamente lembrar-me do que foi. Mas de certeza que fiz, mesmo que tenha sido inconscientemente. Na verdade eu até consigo imaginar uma série de coisas que possam estar por detrás disto mas não posso de maneira alguma arriscar perguntar se foi isto ou aquilo porque, e estas são cumulativas: primeiro nunca ninguém irá admitir ter-me rejeitado in the first place, mas mesmo que tal pudesse acontecer eu não iria correr o risco de fornecer a quem me está a rejeitar mais um motivo para o fazer, uma vez que existe sempre a possibilidade de o motivo ser outro que não aquele que eu estou a pensar. E agora estou condenado à perene rejeição. Afinal, é como dizem os árabes (ou serão os chineses?):
"Bate-lhes, bate-lhes, porque mesmo que não saibas porque lhes estás a bater, eles (elas) sabem sempre porque estão a levar"...
* este raciocínio é uma total contradição em termos mas mais importante do que fazer sentido é exprimir-nos num determinado momento, e fazê-lo com convicção, mesmo que estejamos a dizer o maior disparate do mundo. Afinal de contas, se ela pode, porque não hei-de eu poder? E se isso lhe dá audiências, quanto mais não seja no youtube talvez mas dê na vida. A vida, afinal, não passa de uma eterna pescadinha de rabo na boca. Quais atum?!
6/18/2009
Sonho de uma tarde de Verão
Ali estava ele a olhar para mim e a sorrir, como se já me estivesse a observar há algum tempo. Senti-me apanhada, frágil, despida. Perguntou-me como estava. Menti que estava tudo bem. Não foi na conversa. E tornou a perguntar, mergulhando o olhar no meu, cutucando as lágrimas que imediatamente saltaram, lestas, obedientes. Admiti o que já sabias. Disse-te a verdade, mas só em parte. Para quê alongar-me sobre o resto? O que não se diz é o que importa, claro. Mas talvez não o queiras saber. Às vezes penso que o sabes tão bem como eu e que tudo o que eu penso, os nós internos dos meus neurónios às turras com as hormonas e os sinais que leio no mundo e me vão dizendo coisas que quero interpretar a meu favor (?) corresponde ao que se passa aí desse lado, nessa cabeça de homem tão crescida dentro de um coração de menino. Adivinho-te transparente, tão igual a mim que optas por evitar o prolongar do instante, por receio do dia em que o silêncio nos embaraçar os sentidos. Logo a seguir admoesto os meus devaneios insensatos e repito a mim própria que devia dar mais uso ao comando que zappa as minhas fantasias. Puff! E sai uma comédia romântica com final feliz.
Pelo sim pelo não, absorvi-te o abraço. Meti-o no carro e levei-o comigo. Mergulhei-o nas ondas cálidas, alimentei-o de luz, de areia fresca e de búzios. Daqueles raros, espirais compridas e rosadas. Intermináveis e belíssimas, como a tarde. Um dia assim só pode ser uma dádiva dos deuses. Agradeci à vida. Abençoei o Sol. Beijei o oceano. Fundi-me com os elementos. Colhi as suas carícias. Entreguei-me. Renasci.
À saída da praia, o António Sérgio presenteou-me com Lloyd Cole, Jimmy Hendrix, Prince, GNR, Clash. Um duo português que não conhecia sagrou o blues como hino universal dos ocasos de verão. No meu coração Billie Holliday arrastava o Tejo, languidamente: "Summer time, and living is easy, fishs are jumping, and the cotton is high...".
Mas agora que acordei, é Sérgio Godinho que me canta baixinho ao ouvido: "Às vezes o amor..."
6/16/2009
Será que algum dia
6/04/2009
Já começa a cheirar mal
Isto a propósito de alguns comentários no artigo do Público que hoje destaca a reportagem publicada no francês Le Monde na qual os recibos do nosso descontentamento foram designados como "gangrena". Como disse mais acima já não há pachorra para este paleio do "é dificil despedir". Difícil de despedir é esta corja de empresários e o governo que lhes dá cobertura. Difícil de despedir é esta mentalidade tacanha, mesquinha e redutora. Dificil de despedir é esta gente que acha que há pessoas de primeira e outras de segunda. Porque defender a precariedade é defender a desigualdade.
Quanto a mim, despeçam-nos a todos já!
6/01/2009
Vem aí mais uma capicua histórica
5/29/2009
Quem diria?..
MÃE DEDICADA, AMOROSA E COMPANHEIRA
A mãe com o signo lunar em Touro é uma supermãe! Cuida daquilo que ama com uma dedicação total, procurando demonstrar seu amor com gestos práticos. Tem uma personalidade doadora e nutridora. É uma mãe muito apegada aos seus filhos e sempre utiliza a razão para tentar resolver questões emocionais. Alguém com quem você pode sempre contar. Na alegria e na tristeza, lá está ela, cuidando de seus filhos da melhor forma possível.