4/30/2007
... E não se pode exterminá-las???
1 - PORTUGAL TELECOM - a vencedora incontestável. Grande prémio da incompetência, incapacidade, e recordista nacional do número de ataques de nervos por habitante/mês.
2 - BPI - neste momento, o grande alvo de toda a raiva, ódio e ressentimento que consegui acumular em 37 anos de vida.
3 - TVcabo - sim, sim, eu sei que eles e a PT fazem só um, mas merecem uma menção especial, porque ser tão incompetente é obra, mesmo em Portugal.
4 - Sapo - idem idem, aspas aspas, e ainda mais uma menção honrosa por conseguirem ter a conta de email mais imbecil, cretina e inimiga do utilizador desde o advento da internet em meados dos anos sessenta do século passado (ah, pois é!..)
5 - Banco Santander - por uma década de sucessivos roubos, desvios e furtos diversos nas minhas parcas economias, pelo prazo já decorrido de seis meses para darem resposta ao meu pedido de revisão de spread no meu crédito-habitação, pela amável gentileza de me oferecerem um magnífico crédito pessoal no valor de 15 mil euros, em relação ao qual se precipitaram a ligar para o meu telemóvel, continuando a ignorar o pedido atrás referido e ainda!!! (a ler em tom de Carlos Cruz nos saudosos tempos do 1,2,3 e sua histórica mascote, a não menos famosa Bota Botilde - coisas de cotas...) pelo generoso aumento de 80 euros (só cerca de 25% - o que é isso para a gente?!) na prestação do referido crédito, e sobretudo por se terem "esquecido" de me informar sobre o dito aumento, precisamente dois meses depois do meu pedido de revisão de spread. Eh lecas, esta foi comprida!
6 - Caixa Geral de Depósitos - por pretender que os potenciais clientes transfiram para si os seus créditos-habitação sem ser capaz de lhes fornecer uma simulação concreta, já que, pobrezinhos!, não dispõem de um "simulador para bonificados"!
7 - Allianz Seguros - já nem me lembro porquê, mas merecem de certeza o prémio...
8 - Pingo Doce - Por praticarem, no ramo das frutas e legumes, preços superiores a qualquer mercearia, oferecendo o décimo da qualidade e ainda pretenderem que os compremos em quantidades industriais(por que carga de água é que eu vou querer quatro tomates - quatro, a 2€98 o kg, quando a mercearia ao lado de casa os vende a menos de metade do preço? E três kgs de batatas - três, quando idem idem aspas aspas?!)
9 - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - por razões que, infelizmente, não poderei aqui divulgar.
10 - Segurança Social, repartições de finanças, CTT, conservatórias de registo predial, centros de saúde, hospitais públicos e alguns privados e todos os serviços públicos ou ao público deste país pelas horas e horas de trabalho, lazer e descanso que nos fazem perder, pelos ataques de nervos que nos proporcionam, pelo guito que nos comem, chupam, sorvem e extorquem e por todos os restantes motivos que os meus inúmeros e incontáveis estão fartos de conhecer de cor e salteado.
Contribuam, inúmeros e incontáveis, para este estudo científico da maior utilidade. Divulguem, vocês também, os nomes das vossas empresas-ódios de estimação. Todos juntos conseguiremos acabar com esta horda de inúteis que nos inferniza a vida dia após dia
Adenda: Olha, olha! estou quase a chegar a uma bela de uma capicua! Que se acuse o(a) responsável...
4/24/2007
Pensamento do dia
Cuidado com o que desejas, pois poderá ser-te concedido
ou ainda
Quando os deuses nos querem castigar, realizam os nossos desejos
4/17/2007
O sol lá fora brilha mas eu sinto-me assim
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz
Chico Buarque
4/03/2007
OK, não estou boa da cabeça
4/02/2007
Dão-se alvíssaras
3/28/2007
Olá minha querida Mãe
Tenho IMENSSAS (sic) saudades tuas.
muitos beijinhos

(a coisa era mais ou menos assim - foi o melhor que se pôde arranjar. E no sítio onde diz Clipartbláblá dizia: I LOVE YOU).
PS: BEIJOS PARA TODA A FAMÍLIA
* a viagem foi de comboio, mas o último troço - cerca de 3 horas - foi feito de autocarro... (n. da e.)
Desculpa, Príncipe, o abuso de publicar sem autorização tua e também se não está igualzinho ao que escreveste: estou a citar de memória. Não tenho aqui a(s) carta(s) que li trezentas vezes e que o carteiro deixou por cima das caixas do correio porque não me conhece e tu esqueceste-te de pôr o andar... mas acertaste na morada e, mesmo sem código postal, chegaram bem. Agora só faltas tu! Até amanhã. Tou morrendo di saudadi!
3/22/2007
O meu menino ou A grande aventura
O meu menino diz que sou a melhor mãe do mundo e faz-me sentir como a melhor mãe do mundo.
O meu menino é o homem da minha vida e costumo dizer que, se não fosse meu filho, casava com ele - isto se ele aceitasse casar com uma velha como eu, claro!
O meu menino é meigo e calmo e inteligente. E bonito, claro.
O meu menino tem mais juízo e discernimento que eu, o pai, ou a maior parte dos adultos que conheço.
O meu menino é generoso e justo.
O meu menino trata bem os outros meninos e também os adultos. Às vezes até melhor do que uns e outros mereceriam.
O meu menino é d'oiro, é d'oiro fino. E também de prata, diamante, esmeraldas e rubis.
O meu menino é o meu tesouro, a maior preciosidade que eu tenho na minha vida, tirando a minha menina, é claro.
O meu menino tem nove anos e acorda às oito da manhã, mesmo aos fins-de-semana; e quando a mana, de 15 meses, acorda, ele vai buscá-la ao quarto para que eu possa dormir mais um bocadinho. E chega a dar-lhe o bibas, para que eu possa dormir mais um bocadinho. Só não lhe muda a fralda, mas estamos a falar de um menino, não de um semideus!
O meu menino por vezes faz disparates, como qualquer menino e eu, como qualquer mãe, ralho com ele. Mas por vezes exagero e ele fica sentido, e com razão. Porque eu sou apenas humana e ele compreende - aliás, o meu menino compreende tudo - mas eu exijo demasiado dele. Afinal, ele é um menino. Mesmo assim, o meu menino continua a dizer que sou a melhor mãe do mundo e a fazer-me sentir como a melhor mãe do mundo.
O meu menino é óptimo aluno e muito exigente consigo próprio. Mas também gosta de brincar, , ler os livros do Harry Potter e jogar playstation e futebol; aliás, o meu menino é fanático por futebol e está constantemente aos chutos nas milhentas bolas que insiste em coleccionar. Este é um dos pontos de fricção entre o meu menino e eu e uma das razões pelas quais eu às vezes passo das marcas na minha irritação, mesmo que ele passe das marcas na sua excitação de menino.
Mas o meu menino é o melhor do mundo.
O meu menino foi ontem para a grande aventura dos seus nove anos ( e eu fiquei na grande aventura dos meus nove anos de mãe: sozinha com a Calamityzinha pecanina na casa nova). Foi com outras três turmas para os Pirinéus. E eu fui levá-lo à estação, com um gigantesco saco cheio de roupa para que ele possa enfrentar os 10 graus negativos que o esperam. E, na estação de Santa Apolónia, chorei. Sei que não fui a única e também que chorarei muitas mais vezes. Já estive noutras ocasiões longe do meu menino durante uns dias. Na primeira vez que passei uma semana longe do meu menino chorei todos os dias. Ele tinha apenas 2 anos, ou melhor, ainda não os tinha feito. Mas nessa ocasião fui eu que viajei e o meu menino ficou com o pai e avós. Desta vez o meu menino foi com a escola e nós, pais, não falaremos com eles até ao seu regresso. Apenas vamos ter notícias através do email (espero que) diário que receberemos da professora. E o meu coração de mãe não consegue deixar de estar apertadinho. Será que ele está bem? Será que não tem frio? Será que não lhe vão fazer falta as pantufas que ficaram esquecidas no chão da sala? Será que vai conseguir fazer caber tudo no gigantesco saco na hora do regresso? O que irá ele fazer se acordar de noite com um pesadelo? Quem lhe irá lembrar que tem de assoar o nariz e lavar as mãos e puxar o autoclismo quando suja a sanita? Quem lhe irá dar mil beijos de boa-noite e mil abraços de bom dia? QUEM VAI CUIDAR DO MEU MENINO?
Eu sei que os meninos crescem e que um dia a pele deliciosamente macia do meu menino irá transformar-se numa epiderme coberta de acne juvenil e depois pelinhos irão crescer e transfigurar o meu menino num homem de barba rija. Eu sei que estas experiências são maravilhosas e importantes e fundamentais para a vida e para o crescimento. Eu sei que devemos deixar voar os nossos meninos. Mas o meu menino é o meu menino. Já o era antes de nascer. Antes sequer de ser concebido. O meu menino. E assim será todos os dias da minha vida. Desde a origem dos tempos e até ao fim da eternidade. E para lá.
Amo-te desmesuradamente, meu menino. Amo-te daqui até ao infinito. E para lá. Meu menino.
PS: Este texto foi escrito ontem mas só hoje o consegui publicar
3/19/2007
Não sei que título dar a isto
Mas eu tenho a mania de querer saber o que está do outro lado. E, neste caso que ficou conhecido como sendo "da bebé de Penafiel", tenho-me fartado de pensar e o meu coração fica apertadinho a cada vez que me lembro desta miúda com poucas semanas menos que a minha canuca. Não está em causa a gravidade da acção que aquela senhora cometeu. Sempre me interroguei sobre que tipo de loucura poderá levar uma mulher a entrar numa maternidade e levar um bebé que não pariu. Que não carregou, que não sentiu crescer em si. Deixar uma outra mulher num desespero inigualável, inimaginável.
Mas neste caso, algumas variáveis entram em linha de conta, desde o primeiro instante em que se soube que uma recém-nascida tinha desaparecido do hospital. E eu lembro-me muito bem, até porque tinha uma nos braços, com escassas seis semanas. A estória mexeu comigo, como não podia deixar de ser. Só quem já foi mãe sabe como estas coisas mexem connosco quando temos as hormonas aos saltos, em total desassossego. Lembro-me de ter achado estranhíssimo que uma mulher acabadinha de dar à luz largasse o seu bebé no quarto para ir jantar ao refeitório. Claro que só posso falar por mim, mas, das duas vezes em que tive um bebé, não os largava sozinhos no quarto nem para ir à casa de banho. Ou, se fosse, deixava a porta aberta e mijava na beirinha da sanita, pronta a saltar que nem uma leoa sobre qualquer intruso que se atrevesse a aproximar da minha cria. Bem sei que não somos todos iguais e eu talvez não seja o melhor exemplo. Admito que sou algo paranóica. Não me apanham à espera do metro na beirinha do cais. Eu sei lá, há tanta gente louca! Mas voltando à bebé de Penafiel, desde o princípio achei os contornos da estória no mínimo bizarros. Uma mãe muito pouco desesperada. Dois filhos já retirados à família. O tal jantar no refeitório. E depois, bom, depois lá foi passando o tempo e nada. De vez em quando lembrava-me do assunto, mas confesso que na minha cabeça nunca mais encontrariam a miúda. Mas enganava-me. A miúda apareceu. Estava viva, de boa saúde e bem cuidada, ao que parece. Tinha duas irmãs e um irmão. Um pai e uma mãe. Sim, eu sei que aquela mulher a retirou do hospital e não poderia ficar com ela, até porque cometeu um crime terrível. Mas, e a miúda? Para já não falar daquele homem, que viveu durante pelo menos um ano com quatro filhos e de repente se vê só com um. Para não falar daquelas crianças que viveram todas juntas durante pelo menos uma ano. Mas, e a miúda? Tudo o que ela sempre conheceu estava ali, naquela família. Por mais que fosse um embuste. Olho para a minha menina e só me dá vontade de chorar. Como iria ela reagir se algum dia a tirassem bruscamente do ambiente que ela sempre teve como seu? Se a afastassem de uma vez só de todos os seres que formam o seu pequeno mundo? Toda a gente se lembrou de falar de vinculação em relação à Esmeralda, mas não ouvi ninguém pronunciar-se sobre a menina de Penafiel. É assim tão diferente? Porquê, alguém me explica? Ou aqui já não é o "superior interesse da criança que está em jogo"? Porque não se falou sequer em transição gradual? Porque não se permitiu à criança que fizesse um afastamento progressivo da restante família afectiva (uma expressão tão em voga), já que a mãe raptora (mas igualmente afectiva, para todos os efeitos, e choque isto quem chocar) teria obrigatoriamente de ser afastada na hora? E uma aproximação progressiva à família biológica? Que, diga-se de passagem, e desculpem-me a franqueza, não me parecia assim tão desesperada por reaver a sua criança. E, por falar nisso, o que é feito das outras duas, aquelas que lhes tinham sido retiradas? Demonstraram eles vontade de as ter com eles?
Estarei a delirar? Ou haveria outra maneira de fazer? Estará este caso a tantos anos-luz assim do de Torres Novas? Ou será a distância mais pequena ainda do que a quilométrica? Por que não ouço ninguém falar das consequências terríveis que o "regresso" (não é regresso nenhum, uma vez que ela nunca lá esteve, por assim dizer) à família biológica poderão acarretar para esta menina?
PS: À Aenima, CK, Rute e talvez mais uma ou duas das minhas queridas companheiras (mas agora não me lembro quais são) deste tasco que é a blogosfera que não consigo comentar, uma beijoca saudosa. Aenima, escreveste um post com o qual não poderia identificar-me mais. Acho que não preciso de te dizer qual foi...
CK, babe, como vai essa anca?
3/16/2007
Bom, agora fui eu!
Tenho vários assuntos para falar convosco, mas já volto. Quero ver primeiro como ficou esta coisa.
3/09/2007
Geração Rasca
Procuro jovens que tenham pertencido à chamada "Geração Rasca". O motivo é um trabalho sobre lutas estudantis. Se não forem desta geração mas tiverem participado em lutas estudantis, também servem. Se estiverem nesta situação ou conhecerem pessoas que me possam ajudar, por favor apitem. Também podem mandar um email para calamityjanerealmente@gmail.com. Preciso de testemunhos até meio da semana que vem.
Conto convosco, inúmeros e incontáveis.
Beijos e prometo em breve voltar ao vosso convívo com mais regularidade. Balé??
2/23/2007
Eu é que estou em obras...
Ó guentem-se!!! Eu cá continuo fiel ao velhinho alfa (será?) e mantenho os meus acentos e quejandos. Agora comentar-vos, carago, é que nem sempre é fácil, cum carácter e cum catano, ó camandro! Fico cansada. Eu até tenho boa memória, mas reescrever 3 e 4 vezes o mesmo comentário retira-lhe toda e qualquer espontaneidade, para além de que... haja pachorra!
Daí que vou daqui mandar os meus beijinhos, abraços e recadinhos pessoais em praça pública, sem links nem nada, qu'esta cena cada vez dá mais trabalho e com baixo nível de recompensa - já parece o retrato laboral do país que temos, mas isso é outro assunto e arrotarei essa post'a de pescada no momento oportuno, ou seja, quando tiver tempo e pachorra.
Dizia eu que vou daqui mandar uns recadinhos, por isso lá vai:
À linda mamã 125Azul, um beijo grande, e vou mailar-te muito em breve pra marcarmos o tal almocinho. Achei curioso falares da formiga no carreiro logo nesta data em que passam 20 anos sobre a passagem do poeta para outra dimensão do ser...
Ao Anjo que se diz Mau, também um beijo, e vou precisar de ajuda para a parte mais "física" das obras. Disseste que tinhas asas de aço, vamos lá testar isso. Depois dessa parte, os trabalhos continuam, mas em carácter residual...
À CK, que tem provado ser tão ou mais calamitosa que a própria: é claro que és!!! Mais Frenética que aquela que se diz frenética e transparece serenidade e tão neurótica quanto tu própria o anuncias. Deixa lá, filha, bem vinda ao clube! E muitos beijos pra ti também.
À Aenima: quando vens à Tugalândia? Podias combinar com a nossa CK! E marcávamos um repasto à séria, com prolongamento e muita, mas mesmo muita má língua. Que tal? Aí pelos States, deve fazer falta um pouco deste desporto nacional, não? Um beijoca pra ti.
Aos inúmeros e incontáveis que se julgam preteridos - quiçá, relegados para segundo plano: retirai essas tristes ideias dos vossos pensamentos. O que é vosso está guardado e não tardará. Sim. Isto é uma ameaça. Até jazzzzzzzzz
2/10/2007
Mais vale tarde que nunca
Arriscando-me a ser presa ;-) , e porque me foi totalmente impossível fazê-lo antes, venho publicar a minha opinião sobre O Assunto em pleno período de reflexão, pretendendo obviamente com isso influenciar o sentido do voto dos meus estimados inúmeros e incontáveis ;-)
Provavelmente quando muitos dos meus inúmeros e incontáveis chegar a ler esta piquena reflexão, já a decisão estará tomada, mas espero pelo menos influenciar dois de vós e assim mudar o curso da história de Portugal ;-)
Os inúmeros e incontáveis que me conhecem sabem muito bem o que penso acerca dO Assunto, mas, para que não fiquem dúvidas e não vá aparecer algum forasteiro (bem vindo sejas, oh tu que nunca antes houveras escancarado as portas deste humilde estaminé!...), começo por dizer alto e bom som que vou votar SIM no referendo de amanhã. Se esta intenção de voto ofender algum dos inúmeros e incontáveis, escusais de continuar a ler estas parcas linhas: podeis carregar no quadradinho do lado superior direito do ecrã e voltar noutro dia – ou, quiçá, não voltar, dependendo do tamanho da vossa ofensa. Digo isto apenas para evitar ter de apagar algum comentário pouco inteligente (ou até, eventualmente, responder-lhe, o que muito me incomodaria, dada a minha falta de tempo – e de pachorra!) ou que venha a chocar-me, a mim, Calamity, ou a algum dos meus inúmeros e incontáveis. Sou uma mecinha simples, porém sensível e certas atitudes deixam-me deveras ultrajada na minha forma de estar na vida.
Infelizmente deverei contar entre estas últimas alguns dos argumentos utilizados pelos defensores do ‘não’ que considero de tamanha má fé que seriam até capazes de me fazer mudar de ideias caso alguma vez tivesse estado indecisa ou porventura tivesse alvitrado votar de outra maneira que não aquela que já referi e que é uma decisão irrefutável, a não ser que alguma catástrofe natural ou qualquer evento altamente incapacitante me impedisse de prosseguir com o meu intento. Aliás devo dizer que entre a minha decisão de votar ‘sim’ amanhã e a de uma mulher que decida fazer um aborto existe uma semelhança incontestável: a impossibilidade de alguém nos fazer mudar de ideias, uma vez que esta decisão foi de tal forma pensada, reflectida, pesada e examinada em todos os seus aspectos que não existe qualquer forma de a alterar.
Mas vamos então ao que me traz aqui. Há oito anos atrás quando outro referendo semelhante levou uns quantos eleitores às urnas enquanto outros preferiam ir a banhos convencidos que a opinião deles não faria a diferença, num exercício de anticidadania e de irresponsabilidade inenarráveis, convenci-me de que tudo tinha sido dito e que a má-fé e a desonestidade intelectual tinham atingido os mais altos píncaros e logo seria impossível igualá-los. Enganei-me. Devo admitir que estas qualidades conseguem sempre superar-se e, como tal, nas últimas duas semanas consegui ouvir, ler e ver argumentos, discursos e formas de actuação que ultrapassam todos os limites do aceitável. Passo a enumerar alguns – e faço-o tão só para manifestar o meu espanto, desagrado e revolta e também porque penso que serviram apenas para reforçar as intenções dos que votam ‘sim’ e para esclarecer alguns indecisos, levando-os a decidir no mesmo sentido. Quero ainda dizer que escolhi só alguns dos mais incríveis por entre os que ouvi, até porque a maior parte dos outros foram de tal modo esgrimidos em programas de televisão, conversas de café, filas de supermercado, blogues e múltiplas outras publicações online e em papel que não há absolutamente necessidade alguma de continuar a chover no molhado.
1 – Dez semanas. Um feto de 10 semanas já chucha no dedo (!!!); um feto de 10 semanas já sente dor (!!!!!!!!!!); um feto de 10 semanas isto, um feto de 10 semanas aquilo; um feto de 10 semanas, pelo que sei, até já escreve à mãe. E de além-tumba. Ou caixote do lixo, ou lá o que é.
Pois bem, meus senhores. Eu já estive grávida de 10 semanas. E até fiz uma ecografia às 9 semanas e meia (que data sugestiva, não acham?!). E tenho a dizer o seguinte:
a) um feto (que nessa altura para muitos cientista e médicos é ainda tão só um embrião) de nove semanas e meia mede apenas cerca de 23 mm (o meu media, duvido que o das outras meça muito mais…). Ou seja, pouco mais que dois centímetros. Como podem então alguns senhores ( e senhoras!) andar a passear um boneco a que deram o nome de Zézinho (!!!!!) querendo fazer crer os transeuntes mais crédulos e incautos que se trata de uma réplica de um feto de 10 semanas?! Acaso o embrião/feto cresce desmesuradamente em apenas 3 dias e meio? E mesmo que digam que se trata de uma réplica absurdamente aumentada, vejam bem até que ponto lhe modificaram o aspeco em relação ao verdadeiro aspecto de um embrião/feto de 10 semanas. Acaso julgam que somos todos parvos?
b) Por que raio é que uma mulher que decida abortar depois de a lei ser aprovada decide fazê-lo no último dia do prazo legal? Acham realmente que se trata de um assunto para deixar para a última da hora tipo entrega da declaração do IRS? Estão a gozar comigo? Ou com quem? Dez semanas significa para a maioria das mulheres mais do que dois atrasos sucessivos. E querem fazer-nos crer que uma mulher que decide abortar não o faz assim que descobre estar grávida? Vai ficar à espera de quê? De curtir uns enjôozitos? De sentir os pontapés? Tipo: “ah, e tal, eu estou grávida e decidi fazer um aborto, mas já que posso fazê-lo até às 10 semanas e ainda estou de seis, vou ali de férias pró avançado da relote em S. João da Caparica e trato do assunto quando voltar e o mê Zé for trabalhar. Assim comássim ainda tenho quatro semanitas pela frente… fico a curtir uma dietazita, uns gregórios, e tal…”. Por favor! Não me lixem, está bem?
2 – A carta. Tipo: “Não falei contigo por medo que os montes e vales que me achas…” ai não, enganei-me, não era isto. Era: “Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita…”. Ai, enganei-me outra vez. A ver se acerto desta vez. “Querida mãe, querido pai, então que tal?...”. Eh pá, desculpem lá. A única forma que encontro de me referir a ESTE NOJO é a brincar. A sério não consigo. Não consigo, a sério. A coisa é de tal forma grave que penso sinceramente que os autores deste CRIME deviam ser presos preventivamente e posteriormente julgados e condenados por ofensas graves à integridade moral dos pais daquelas crianças e por maus-tratos aos miúdos. Eu retirava os meus filhos daquela escola. E processava-os. E sobre isto não quero falar mais – que até me tira o sentido de humor.
3 – A baixa natalidade em Portugal e na Europa. É o argumento mais baixo, pobre de espírito, ridículo, aviltante e desonesto que ouvi nos últimos anos. Só ultrapassado pela grandiosa calinada do genial Santana Lopes quando comparou o governo dele a um bebé na incubadora que levava estalos dos irmãos (lembram-se?).
Então aquelas benzocas horrorosas que tratam os filhos por você num exercício decadente de duvidoso amor materno querem povoar o envelhecido continente com os frutos forçados das gravidezes indesejadas das desgraçadas deste país? Querem mais recém-nascidos abandonados nas maternidades? Mais mortos em sacos de plástico metidos nos contentores do lixo? Mais putos menores a vaguear pelas ruas de saco de cola em riste ou encostados à estátua do Cutileiro à espera do cliente que lhe dará 5 ou 10 euros para comprar um panfleto de pó na Meia-Laranja? A encher os lares da Santa Casa e da Segurança Social quando todos sabemos que apenas 5 por cento deles virão um dia a ser adoptados (só isto vale vários posts que serão publicados oportunamente)? A boiar no Douro? Numa pocilga algarvia a servir de ração aos porcos? Numa ruína abandonada a espancar por divertimento um travesti sem-abrigo até à morte?
4 - Quem? Quem? Quem autorizou aquelas avantesmas a utilizar o poema da Florbela Espanca para a sua campanha? A quem pertencem os direitos de autor? Com que legitimidade colocam “Amar Perdidamente” num catrapázio gigantesco em plena Praça de Espanha? (E, quem sabe; noutros locais do país?) Não há ninguém que ponha ordem nisto???
5 – Eu sei que muitos dos defensores do ‘não’ de hoje são os mesmos que ontem se levantavam contra o planeamento familiar e a contracepção. E hoje vêm defendê-los com unhas e dentes. É bem, não digo que não. Só os estúpidos não mudam de ideias. Mas digam-me lá uma coisa. Se a vida começa na fecundação, então nenhuma delas usa D.I.U., presumo eu. Ou será que usam? E saberão elas como funciona o dito dispositivo? Ah, pois é!...
Last but not the least. Como dizia a Helena Roseta: eu não sou uma criminosa!
Vou votar SIM amanhã. Quem ainda achar algo para dizer que atire a primeira pedra.
2/08/2007
1/24/2007
... a excepção
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer, despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Triste é o virar de costas, o último adeus
Sabe Deus o que quero dizer
Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir,
se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
É o amor, que chega ao fim, um final assim,
assim é mais fácil de entender
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender!
... desculpem-me os fãs, mas não gosto dos Gift...
regresso às obras; até jazz
1/11/2007
12/22/2006
um post de Natal
Em primeiro lugar, quero agradecer aos meus inúmeros e incontáveis a gentileza com que se acotovelaram neste exíguo cantinho a fim de me darem os parabéns, assim como aos meus dois primorosos rebentos. Foi bom sentir o calor da blogosfera no meio deste frio polar e, apesar de se terem a modos que confundido com o aniversário do gaijito, a malta ficou contente. A todos, obrigada!
Às 04h17 desta madrugada fez um ano que a gaijita pecanininha se esgueirou cá para fora, toda enrodilhada em mais de noventa centímetros de cordão umbilical "anormalmente comprido e fino" nas palavras do meu querido médico que fortunadamente se encontrava de serviço naquela noite de solstício e fez a gentileza de aparecer à hora h no quarto onde eu fazia uma dilatação meteórica.
Quanto a mim, naquele momento, já perdera completamente a estribeiras e berrava que me dessem a epidural ou eu própria arrancaria "aquilo" (falo das duas cintas do CTG e seus respectivos rachtaparta de sensores). Ao que o meu querido doutor respondia com a sua fleuma quase britânica: "Oh minha querida, a estas horas vai ser difícil trazer um anestesista cá acima."
- Então dêem-me morfina!
- Mas isso está assim tão mal? Ainda agora foi observada e só tinha dois dedos...
- Doutor, eu já tive um filho antes. E digo-lhe que não tenho dois dedos. Talvez nem quatro...
- Deixe lá ver... Ah, pois é, isto já vai em sete, não, oito! Faça só um bocadinho de força…vai nascer! Sras enfermeiras, preparem já a maca e a sala de partos!
Poucos minutos depois, num ambiente tipo E.R., o médico perdia a sua proverbial fleuma para gritar que eu parasse imediatamente de fazer força enquanto berrava às três enfermeiras que lhe trouxessem sei lá o quê. O pânico era geral: a mini Calamity não tinha uma circular. Tinha três. E não era no pescoço: era no corpinho todo. Em boa hora o meu querido personal doctor resolvera passar lá pelo estaminé a ver se a Calamity estava a aguentar firme os supostos dois dedos de dilatação, entretanto promovidos a dilatação completa enquanto o diabo esfrega um olho, ocitocina oblige. Escusado será dizer que o bom do homem libertou a minha princesa em poucos segundos, ma colocou na barriga enquanto garantia que a mecinha era cá das rijas e logo a levaram, rachtaparta estes hospitais da treta que garantem ser amigos dos bebés e depois os deixam por três horas longe das mães ao mesmo tempo que garantem às ditas recém-paridas, doridas, expectantes e duvidosas - e traumatizadas na sequência de um susto do caraças! - que “está tudo bem, ela está só a aquecer um bocadinho”.
- Então por que não ma trazem, que ela aquece junto à mãe, que é onde deve estar?
- Descanse lá um bocadinho, que já a trazemos.
Pois. Sete da matina. Finalmente a princesa chega, toda encolhidita no seu body de hospital – que nem foram capazes de mandar pedir a roupa dela, enfim, adiante… - para a sua primeira mamada. Tudo corre bem. Vejo-a pela terceira vez, agora mais calmamente, eu própria mais consciente. E estranho-a, que estranho. Tanto quanto reconhecera o irmão, oito anos e nove dias antes, como se sempre o tivesse conhecido. Estranho-a a tal ponto que tenho medo de ter sido enganada e que algo se passe com ela. Algo de errado, de terrivelmente errado. Algo que me deixa tão angustiada que até tenho medo de o verbalizar. E quando o médico aparece para nos visitar, antes de sair de turno, pergunto-lhe, a medo:
- De certeza que está tudo bem com a minha filha, doutor?
- Claro que sim, é linda, a sua filha, mas porquê, o que é que a está a preocupar?
- Não sei, ela… tem cara de chinesa…
- Então e você, tem cara de quê?
Bom. Sendo assim… Claro que a miúda não tinha nada, eu é que tinha as hormonas aos tropeções, o cansaço e a emoção ao rubro e ela tinha nascido menos “acabada” que o mano. Mais amorratada, enxovalhada e vermelhusca. Ao passo que ele, o único recém-nascido que eu tivera anteriormente, lisinho, lindo, um bebé “feito”. Enfim, pancas de parturiente.
A Calamityzinha pecanininha está com um ano e lindona como o seu manãozão grandalhão bonitão que fez nove (oh, meu deus, como pode o filho ter nove anos?!!!!) há dias. Um dia destes contarei sobre o nascimento dele, se vier ao caso.
Tudo isto era só para dizer que ver crescer um filho é maravilhoso. Ver crescer dois é grandioso. E longe de querer transformar este estamine num babyblog, hoje apeteceu-me partilhar isto com os meus inúmeros e incontáveis. E agora vou ali e já venho.
Feliz Natal a todos! Oh oh oh!
12/14/2006
Serei retrógrada?
PS: Atenção, inúmeros e incontáveis modernaços que resolveram aderir ao beta blogger ou lá o que é: não consigo comentar-vos! É o que dá o rachtaparta das modernices. Impossível fazer loggin, mesmo depois de estar perfeitamente assinada e identificada nos resto dos blogs todos. Adorava retornar visitas e colocar algumas em dia, mas tornou-se perfeitamente impossível. A estes particularmente - já que aos outros posso ir dar uma beijoca "pessoalmente" - os meus votos de feliz natal e um próspero ano novo (é assim que se diz, não é?)
11/29/2006
Interrupção da interrupção
para anunciar aos estimados inúmeros e incontáveis que
É OFICIAL: A Calamityzinha pecanininha
JÁ ANDA!!!!!
já a mãe ainda cá anda, embora possa não parecer...
11/26/2006
11/13/2006
Não tenho tempo
Até jaaaaaaazzzzzzzzzzzz
11/03/2006
Corantes, conservantes, aditivos alimentares, E's e afins
Durante muitos meses consumi uns iogurtes da marca dia, com pedaços de avelã. Achava-os fabulosos. Deliciosos. Até ao dia em que comprei outros, da mesma marca, mas que, à diferença destes, possuíam listagem de ingredientes em inglês. A leitura destes foi para mim uma dolorosa reveleção: os iogurtes continham, pasmem-se os inúmeros e incontáveis, gelatina de suíno! Fiquei tão enojada que fui logo esmiuçar os ingredientes dos outros. Não faziam menção do dito animal, mas referia-se a presença de gelatina. Iniciei então uma investigação inglória junto dos serviços ao cliente (??!!!) do referido supermercado: conteriam ou não os ditos-cujos iogurtes gelatina de porco? Inúmeras démarches pessoais e telefónicas não lograram revelar-me a tão almejada verdade. Pelo sim pelo não deixei de comprar e consumir os supra-citados iogurtes. Alguns meses mais tarde a lista dos ingredientes foi alterada e fiquei a saber que, afinal, tinha tido razão e os tais iogurtes sempre continham gelatina de proveniência suína. Só de pensar nisso ainda fico com sintomas semelhantes às primeiras semanas de gravidez...
Ainda no capítulo dos iogurtes, de que sou grande consumidora, os meus preferidos (dos que trazem pedaços de fruta) são os "Pomar" da Yoplait. Têm uma boa relação qualidade/preço, pedaços de fruta gigantescos e em quantidade apreciável. Gosto deles de cereja. E até há uns meses atrás, não continham vestígios dos famigerados "E's". Pois bem, os "E's" já constam. Só não deixei de consumir os ditos-cujos iogurtes porque são de facto muito bons e porque começo a interrogar-me sobre o que comer...
Alguém sabe onde se pode encontrar comida natural, sem porcarias? Ou não me digam que andamos a comer "E's" e afins desde sempre, mas só agora nos foi revelado. Descubro "E's" nos produtos mais insuspeitos, até nos tradicionais. Por exemplo: chouriço (4 a 6 "E's"), natas "frescas" (2 a 3 "E's"), pão (!!!!!!) (chega a ter 6 "E's"), etc, etc, etc.
Porque é que não nos dizem a verdade? O que são os "E's"? Que legitimidade têm os fabricantes de dar aos químicos e outros aditivos que colocam nos produtos alimentares nomes de código que não querem dizer absolutamente nada para o comum consumidor em vez de nos esclarecer sobre o que realmente estamos a ingerir???!!!
(continua)
10/25/2006
28 de Setembro de 2006
Faz hoje dez anos que te foste, como uma sereia por entre as ondas. Sem fazer barulho e sem te despedir. Não sei se sabes, mas deixaste a conversa a meio. Já não me lembro do que falávamos, confesso. Nem sei mesmo se na altura me lembrei. Mas sei que durante muito, muito tempo, foi esta sensação bizarra que me ficou, a da conversa interrompida. Tipo: “onde é que nós íamos, mesmo?” Isso e um par de olhos esbugalhados, aquelas imagens presas na retina, como uma objectiva que tivesse ficado para sempre bloqueada no acto de fotografar... o horror.
Faz hoje dez anos que te foste, mas não penses que só hoje te escrevo à boa tradição portuguesa, de só recordar quem partiu nos dias dos aniversários. O Pessoa descrevia muito bem esse fenómeno naquele poema “Se te queres matar...”. Assim:
“Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.”
Não, não penses isso. Nestes dez anos não deve ter havido um único dos três mil seiscentos e cinquenta e tal dias em que não me tenha lembrado de ti.
E no entanto, a tua passagem pela minha vida foi pouco mais que meteórica. Durante muito tempo também, me interroguei sobre os motivos dessa passagem: porquê? Porque é que os deuses insistiam em colocar estas pessoas no meu caminho para logo depois as levarem? Qual o significado? Qual a razão? Depois veio aquele anúncio. Aquela menina não teria mais que quatro anos. Mas eu sei que eras tu.E logo a seguir, aquela música, que ainda hoje me custa ouvir. E que, eu sei, foi escrita para ti, pelo menos aquela parte:
Frio,
o mar
Por entre o corpo
Fraco de lutar.
Quente,
O chão
Onde te estendo
E te levo a razão.
Longa a noite
E só o sol
Quebra o silêncio,
Madrugada de cristal.
Leve, lento, nu, fiel
E este vento
Que te navega na pele.
Eu sei. Esta canção de amor, o Abrunhosa não deve ter pensado que a alguém pudesse ter soado como a banda sonora de um filme de terror. Mas soou.
E de repente, cinco anos passaram. E foi a vez dele*. Outro anjo efémero. Outra passagem súbita. Sem sentido. Cheguei a interrogar-me se teriam sido reais, vocês dois. Ou apenas figuras oníricas de um sonho tão intenso. Ambos existiram para mim durante apenas cinco semanas. Cinco semanas que foram toda uma vida. E que ainda doem. E eu sei que não vieram para magoar, mas então, vieram para quê???
Depois veio aquele dia: 26 de Dezembro de 2004. De repente, milhões de retinas ficavam também elas assim, esbugalhadas, incrédulas. E eu, que não estava lá, eu, que nunca viajara a leste de Estrasburgo, vi-me ali, em Phuket, em Phi Phi, em Samatra, em Meulaboh, em Jaffna, em Muttur, em Aceh, a reviver aquela tarde. O mesmo pesadelo elevado à potência n...
Tinhas vinte anos. Hoje terias trinta. Terias terminado o curso de psicologia ou talvez não. Terias aproveitado bem o tempo ou talvez não. Ter-te ias mantido bonita ou talvez não. Talvez estivesses mais bonita ainda ou talvez te tivesses estragado. Quem te conhecia desde sempre diria que terias ido de qualquer modo. Que não eras feita para este mundo. Que não lhe pertencias.
Não sei. Só sei que dez anos passaram. E que te foste com tanta pressa que deixaste uma conversa a meio. Não me lembro do que falávamos. Mas devia ser importante. Todas as nossas conversas eram importantes. Só podia ser algo inadiável. Se ainda te lembrares, diz-me. Eu ia gostar de retomar esse diálogo, tão fluido, como sempre o foi contigo. E logo nesse dia, estávamos TÃO felizes, lembras-te? Tudo parecia TÃO perfeito!
Se te lembrares, faz-me um sinal, dá-me uma pista. Talvez isso desate um pouquinho deste nó.
E... amiga?... Gostei de te conhecer!
*Mas com ele em breve falarei
10/21/2006
Intervalo 2 ou Está bem, pronto!!!
Cabelos? castanhos
Altura? 1,62
Peso? deve andar nos 52
Ascendência? franco-portuguesa - mas acho que noutra encarnação fui índia das américas
Signo? Sagitário (ascendente Caranguejo, signo Lunar Touro e muita água no mapa) (é q acho q o signo sozinho não diz nada)
Sapatos que está a usar? chinelas de verão - apesar de estar a chover
Fraqueza? são tantas!
Medo? bué deles
Objectivo que gostaria de alcançar: para já, a tranquilidade material e mental que tinha há 10 anos, quando ganhava a vida a fazer o que gosto e conseguia de vez em quando ir passar o fim-de-semana fora e viajar de tempos a tempos~
Frase que mais uso no messenger: "faz-de-conta que não me viram"
Melhor parte do corpo: os abdomináveis ;-)
Pepsi ou Cola? coca-cola (pode ser guaraná?)
MacDonalds ou Bobs? bobs, embora não faça ideia do que se trata
Fuma? em quantidades homeopáticas
Palavrões? todas as palavras do dicionário e alguns neologismos
Perfume? por vezes e nem sempre o mesmo
Canta? e nem sempre meus males espanto
Toma banho todos os dias? em geral, sim
Gostava da escola? hoje mais do que ontem
Acredita em si mesmo? tem de ser
Tem fixação com a Saúde? tenho que admitir que tenho alguma, sim
Dá-se bem com os seus pais? melhor com a minha mãe embora "saia" mais ao pai. Talvez por sermos demasiado parecidos chocamos à brava
Gosta de tempestades? adoro
No último mês
Bebeu álcool? em quantidades homeopáticas
Fumou? em quantidades homeopáticas
Usou drogas? acho que já respondi. Mas se for preciso, vou ali buscar a definição da OMS
Fez compras? que remédio
Comeu um pacote inteiro de bolachas? e também de outras coisas
Comeu sushi? não
Chorou? rios de lágrimas
Fez biscoitos caseiros? não, mas comia-os de bom grado
Pintou o cabelo? não, mas que precisava, oh, se precisava!
Roubou? canetas e isqueiros onde os haja, 2 cigarros ao meu pai, um a um colega, e variadas frutas pequenas no supermercado/mercearia: tâmaras frescas, umas laranjas miscroscópicas, que já não me lembra o nome, uvas... Tenho que provar a fruta, certo?
Número de filhos? dois
Como gostaria de morrer? não gostaria de morrer e ainda tenho a ilusão da imortalidade
Piercings? vários furos nas orelhas (no lóbulo e não na cartilagem)
Tatuagens? n'a pas
Quantas vezes o seu nome apareceu nos jornais? no último mês? 3 ou 4. Em revistas mais umas quantas
Cicatrizes no corpo? tantas que lhes perdi a conta. Mas as piores não se vêem...
De que se arrepende de ter feito? tanta coisa...
Cor Favorita? todas
Disciplina favorita na Escola? dependia dos anos
Um lugar onde nunca esteve e gostaria de estar? Na Bahia, entre outros
Matutina ou nocturna? cada vez mais matutina
O que tem nos bolsos? um telemóvel de um lado e uma pen do outro
Daqui a dez anos imagina-se? é melhor não fazer projecções
Desafiadas: as que quiserem... Já não sei quem cá vem...
10/19/2006
10/13/2006
Intervalo
... Como ainda me lembro daquela noite no verão de 1980 (pois é, sou meeesmo muuuito cota) em que rebentou um cano na Festa do Avante, ainda no tempo em que a Festa decorria no Alto da Ajuda, e milhares de pessoas atravessaram o imenso pantanal que se formou, até porque tinha chovido a cântaros... só para o ver e ouvir... Como este senhor que eu simplesmente AMO vai finalmente visitar-nos, ao fim de quase 20 anos...
... Como há vários dias (e noites) que não consigo pensar noutra coisa... partilho convosco uma das canções que habita o meu ser desde que me lembro de ser quem sou - seja lá o que isso for
Rosa-dos-ventos
E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima
Pra socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
Mas, sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena
E chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito dos rios fartou-se
E inundou de água-doce
A amargura do mar
Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar
Chico Buarque 1969
PS: Tenho andado a "cozinhar" dois posts que ficaram em suspenso desde a semana passada. Eles não são propriamente para vocês, meus inúmeros e incontáveis mais "palpáveis", mas, como dizia no outro dia, para duas estrelas que já se encontram em constelações mais distantes...
Anyway, como ultimamente ando com os pés "demasiado" na terra, não me sinto no estado necessário para estas andanças mais... transcendentes, digamos. Isto, só para dizer que se um dia destes depararem com um post ostentando uma data totalmente absurda, não é engano: é um dos tais dois.
PS2: Sim, CK, tenho a intenção de vos usar como cobaias para o meu estudo. Meter-vos em tubos de ensaio. Misturar-vos com substâncias esquisitas e potencialmente explosivas. Agitar-vos sem piedade. Virar-vos do avesso. Despejar-vos na bancada. E devolver-vos à estratosfera não sem antes vos ter tornado irreconhecíveis. Mas está descansada que, quando eu fizer isso, arranjo umas autorizações forjadas que não te darei para assinares.
Até jazzzzz
10/05/2006
Um longo e entediante post a não ser que estejam para intermináveis considerações vagamente filosóficas
Gosto de dormir e de brincar, de passear e de cantar. Gosto de ir à praia, de ver um bom filme, de me arrepiar num concerto e de me alambazar com uma comezaina valente. E de também de parvejar horas perdidas frente à televisão a zappar na imensidão do nada, de, como dizia o outro, ter um livro para ler e não o fazer...
Mas também tenho um lado intelectual, um lado mais reflexivo, discursivo, logico-analítico. Um lado que aprecia o pensamento complexo, que admira e tenta seguir as mentes brilhantes dos cientistas e outros filósofos, que tenta compreender o mundo físico e também o que está para lá.
Sim, as questões metafísicas também me inquietam e desde pequenina que me lembro de me sentir 'diferente'. Algo em mim sempre vibrou que ia para além da normalidade aparente das pessoas - novas e velhas - que me rodeavam e a quem, aliás, eu tinha um enorme pudor em falar "dessas coisas". Hoje sei que não estou (nem estava) só; muitas e muitas "almas gémeas", ou pelo menos "irmãs" se revelaram ao longo dos anos, muitas estrelinhas (;-)) brilharam em uníssono, - umas vieram devagar (;-)) e outras caíram-me literalmente em cima - e por vezes consigo entrever no meio do muito lixo que nos rodeia resquícios de um desígnio grandioso.
Curiosamente, a descoberta da blogosfera, com todos os seus aspectos aparentemente muito terra-a-terra, inscreve-se completamente no âmbito maior desta revelação. É estranho como seres que cintilam à distância - uma distância que chega a atingir milhares (?) de kms - e que nunca vi, de quem nunca senti o cheiro nem ouvi a voz, de quem dificilmente avaliarei a limpidez do olhar ou a frontidão da postura, me conseguem por vezes atingir no que eu tenho de mais íntimo, de mais recôndito, de mais (m)eu.
Talvez por isso, o meu lado intelectual, que sempre teve tendência a misturar-se inextricavelmente com a minha dimensão... chamemos-lhe espiritual, levou-me a querer explorar mais a fundo a questão das "ligações cibernéticas" (sim, sim, horitas, é verdade!.. não gozes comigo, tá?!) e a sua faceta metafísica. "Será o ciberespaço uma experiência mística?" é o tema que irei desenvolver em breve (espero!) num trabalho para um dos seminários do mestrado que frequento (pouco) e que talvez venha a levar mais longe, na tese, a tal que já deveria há muito ter começado a esboçar.
Mas toda esta longa introdução (ai, que já estou a ver os meus inúmeros e incontáveis a colocar os ratos na coluna do lado direito, dirigindo o cursor para baixo à procura do fim, exclamando de si para si: "o quê???!!! Introdução???!!!! Esta gaija deve estar louca!!! Desvairada!!Transviada! Tenho mais que fazer. Ela que se meta num psi e deixe a malta sossegada. Anda uma pessoa a vir aqui todos os dias durante mais de uma semana a ver se a gaija diz algumas bujardas prá gente se rir um bocado e vem ela com esta lengalenga que nunca mais acaba e ainda por cima é tudo introdução??!! Tá-se a passar??!!!), toda esta introdução, dizia eu, para lançar alguma luz sobre certas "atitudes", digamos, que talvez possam parecer algo misteriosas a mais do que um dos meus inúmeros e incontáveis leitores.
Espero não parecer pomposa - ou melhor, na verdade estou-me nas tintas para o que possa parecer, e como estou a um passo de ser metida numa camisa de forças posso dizer o que quiser, que todos os que me conhecem já sabem do que a casa gasta e os outros passam a saber - dizia eu portanto que ... ainda estão aí? Ou melhor, ainda está aí alguém?
Pronto lá vai:
Se o ciberespaço, e logo a blogosfera, são esperiências místicas - e lamento desiludir os inúmeros e incontáveis mais cépticos (se é que ainda resta algum a esta hora), mas também aqui não estou só e já houve autores muito respeitados no meio universitário que o pensaram, disseram e desenvolveram em estudos publicados - , então as dimensões que podemos através dele, ciberespaço, e logo dela, blogosfera, atingir, são ou podem ser transcendentes. Pelo que, quem sabe, alguns dos meus inúmeros e incontáveis poderão até nem estar neste planeta (dimensão espaço) (by the way, acusem-se, por favor!) - pois é, malta, julgavam que eu estava brincar, quando no outro dia referi que esta a escrever aquele post straight from Jupiter e sob a forma de holograma?! - ou até "já não estar entre nós" , como se costuma dizer (dimensão tempo). Atrevo-me até a pensar na possibilidade de alguns deles ainda não terem nascido.
Todo este longo divagar (se vai ao longe) tinha por objectivo introduzir (ainda, pois é! Desculpem lá qualquer coisinha...) os meus inúmeros e incontáveis nos motivos profundos e superficiais que me levam, ou melhor, irão levar a usar este blog como meio - e o bold serve para sublinhar o aspecto etimológico da palavra utilizada - para chegar a alguns seres que já estão noutra dimensão da existência. Que apenas em sonhos me visitam e de quem tantas saudades sinto. Eu sei que não havia nexexidadejeje de me lançar nesta interminável explicação e que já outros(as) o fizeram antes de mim. Mas cada um é como cada qual e como há muito que não vinha aqui "ouvir-me pensar", foi para o que me deu. E se, por algum motivo também ele do domínio do transcendente, algum dos meus inúmeros e incontáveis chegou até aqui, vou desde já tranquilizá-lo(a). Para já vou ficar por aqui, até porque ambos (eu e e Vós, que a esta hora já mereceis uma segunda pessoa do plural à séria e com a respectiva maiúscula) precisamos de digerir, certo? Às duas pessoas a quem tencionava dirigir-me neste post, digo, embora elas, no tempo/lugar onde/quando se encontram o saibam certamente, I'll be back. Aos inúmeros e incontáveis que ainda me restam - se é que restam! - , digo o mesmo.
Vou ali e já venho.
PS: À senhora que resolveu criar "mais um blog da tanga" (estou a citar) para chatear os outros e porque nada mais tem para fazer, aviso desde já que excusa de se dar ao trabalho de me comentar com as suas "atuardas" (estou a citar de novo), que não estou com pachorra nenhuma para aturar gente parva, que ainda por cima deve ter interesses na CML (sempre me causou uma certa comichão a proximidade com o poder). Tive a educação de não apagar o seu desinteressante comentário mas passarei a fazer como outras e a colocar o lixo no respectivo contentor onde ele pertence.
PS2: às meninas que tive vontade de linkar nas passagens em que lhes pisquei o olho e que sabem quem são, quero que saibam que hesitei mas acabei por não o fazer para não excluir algumas outras que seria injusto não adicionar nessa linkagem. Todas as estrelas brilham mas algumas brilham com mais intensidade. E isso não retira de forma alguma o encanto aos (aparentemente) menos cintilantes corpos celestes.
Nem o seu carácter eminentemente especial.
PS3: QUEM FOI???
O visitante 2000 que não se acusou. Hein???
9/22/2006
Acham isto normal???
O melhor é recomeçar, que os meus inúmeros e incontáveis a esta hora, ainda por cima em dia sem carros - imagino-vos todos (todas!) a andar a pé, a encher os nossos autocarros, as carrugens do metropolitano... mas, enfim, adiante, de novo, que isto hoje está grave. A hemorragia mental escorre por todos os lados. Ou será verborreia? Bah! Deixem lá! Eu fico assim quando tenho um trabalho para fazer e ando a ver se me esquivo. A propósito, lembram-se daquele poema do Fernando Pessoa... Não, a sério, estava a brincar. Ou melhor, estava a brincar. Agora a sério. Do início.
Dizia eu portanto que, (eu sei que aqui não devia haver vírgula, mas é só para marcar aqui uma pequena pausa e centrar-vos de novo na minha linha de raciocínio. Pronto. Já está tudo a seguir-me? De certeza? Então lá vai:
Na Rua Ferreira Borges, principal artéria do Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa (há que contemplar os inúmeros e incontáveis dos arrabaldes, não é verdade? explicando-lhes onde fica Campo de Ourique, que os inúmeros e incontáveis, por exemplo, da ilha de Santa Maria dos Açores, não são obrigados a saber, certo?), podemos desde o dia 20 de setembro - vinte observar toda uma parafernália de camiões equipados com gruas, cada qual operado por dois trabalhores de uma empresa denominada "Os Castros" a instalar as iluminações de Natal. Sim, caros e caras inúmeros(as) e incontáveis, vocês leram bem e não, caras e caros (agora ao contrário) inúmeras(os) e incontáveis, a vossa Calamity não teve alucinações, não sonhou, não andou a fumar daquelas coisas que fazem (quando ingeridos por certos organismos mais sensíveis e quando de qualidade excepcional, é verdade) ver coisas que não correspondem exactamente àquilo que lá está. É verdade. Verdade, verdadinha, tão verdade como eu estar aqui neste momento sob a forma de holograma a escrever este post a partir do planeta Júpiter.
Podemos, pois, inúmeros e incontáveis (e vice-versa, pronto, vocês já sabem, esta minha cena dá prós dois lados, meninos e meninas, gaijos e gaijas, parramecas e pilinhas, coisa e tal e tal e coisa...) deduzir que o nosso bem-amado presidente da junta, perdão, da câmara terminou finalmente de pagar as pouquinhas (coisa pouca, mesmo, quase nada) dívidas da dita e pôde enfim direccionar as vastas somas da edilidade para fins mais nobres e bem mais urgentes? Ou passou-se algo que eu, do alto (deverei antes dizer do baixo?) de minha parca e limitada inteligência não atingi? Haverá lá coisa mais importante e imediata para a Câmara Municipal de Lisboa fazer do que mandar instalar as iluminações de Natal a três meses e cinco dias da efémeride que marca o nascimento de Jesus Cristo? Quem serão "Os Castros"? Já agora, alguma relação com a Inês de? Por favor, esclareçam-me.
Ah. Feliz Natal.
9/11/2006
Há cinco anos...

Há cinco anos todos nós vimos na televisão. Não conseguíamos despregar os olhos daquelas imagens. Vimo-las dez, vinte, cem, mil vezes. Como se estivéssemos viciados nelas. De vista esbugalhada. De coração esbugalhado. No dia seguinte acordámos e ligámos a televisão de novo. Para ver se era mesmo verdade. Se não teríamos sonhado.
Ontem à noite (e antes disso, na 2) passaram vários documentários, entre outros aquele sobre o Homem em Plena Queda (The Falling Man). A famosa foto de Richard Drew que chocou tanta gente, que originou uma pesquisa, a qual deu resultados espantosos. Não interessa concluir sobre a identidade deste homem, cuja posição extraordinária ainda hoje me deixa perplexa: além de levar a cabeça para baixo, tem a perna direita flectida, como quem estivesse encostado a uma parede, a ver o tempo passar. Quando na verdade, é ele que passa pelo tempo à velocidade estonteante de uma morte, a morte mais mediática do onze de setembro. A morte que todos viram mas que ninguém viu, pois acredito que ele ainda estava vivo neste momento da queda.
Não interessa se era o tal do Jonathan Briley, cuja irmã deu um depoimento que deveria ser ouvido por todos, uma lição de vida e de serenidade. Ou se era o outro "suspeito", cuja família, de tão crente, se teria desmoronado se viesse a confirmar-se ser de facto ele o "suicida". Porque para eles (para elas) era a heresia suprema. Que o pai e marido pudesse ter decidido acabar depressa com tudo aquilo. Que tivesse dado aquele vôo. Estaria para elas condenado para sempre às chamas do inferno (e o que seria aquilo lá em cima? Uma sauna? Um solário?) se acaso tivesse cometido aquele crime aos olhos de deus.
Pois se houver deus, se houver Deus que mereça maiúscula, este e os outros "jumpers" do onze de setembro foram direitinhos para o paraíso. Straight to heaven. Pois aquilo, sim, foi um acto de suprema coragem. Tanta quanta a dos bombeiros que subiram quando todos os outros desciam.
E também um acto de suprema fé. Pois algures dentro do desespero inimaginável existiu um lampejo de esperança num milagre que os salvasse. "Talvez, talvez eu possa voar. Talvez, talvez haja um deus que me salve, que me ampare nesta queda, que a transforme em vôo".
E se Deus houve, Deus o(s) salvou. E ele voou para a eternidade.
9/07/2006
Raio de luz

Procurei um raio de luz para vos "devolver" o carinho. Encontrei um elfo e roubei-o à fada que o colocou na blogosfera. Espero que nem ele nem ela se importem. Estou certa que não.
Ainda não me sinto assim, mas hei de sentir. Oh se hei.
9/05/2006
8/31/2006
A todos os condutores de BMW's (e são muitos),
- por me atrever a circular com o meu Renault Clio com nove anos de idade
- por ter a veleidade de, por alguns segundos, cometer o crime inominável de ultrapassar os raríssimos veículos mais lentos do que o meu, ocupando assim a exclusivíssima faixa da esquerda e obrigando-os desse modo a reduzir por vezes abaixo dos cento e quarenta, causando-lhes assim atrasos irrecuperáveis pelos quais juro penitenciar-me para sempre
8/22/2006
Arre!!! Que não há pachorra
Conclusão: ainda agora voltei e já estou deserta pra me pirar daqui pra fora. Decididamente, esta cidade é demasiado pequena para mim e tantas melgas. Prefiro ir ser picada para a Costa Alentejana.
7/20/2006
E agora...
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor
E parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor
(Sérgio Godinho in Campolide)
PS: Vou só ali e já volto. Mas finalmente fecho um capítulo da minha vida que me estava a atrofiar. Como diz uma querida amiga blogosférica, "dispo o casaco". I'll be back. Mi aguardem!
7/18/2006
Alguém sabe onde se compram bilhetes para Vanuatu?
não sei se ouviram falar disto... mais pormenores no Público de Domingo e nos jornais gratuitos de 6ª feira passada. A foto, que não consigo picar, está aqui.
À falta de imagens de Vanuatu, acho que esta praiazita também me enchia as medidas...
7/13/2006
Ganda lata!
O que é que vocês acham disto?
7/07/2006
Bib'á inteligência!
É preciso dizer mais alguma coisa? O neurónio da Bibá é xy! Mas a rapariga, coitada, ao quinto filho, ainda não descobriu a diferença entre uma amniocentese e uma ecografia. E, pelos vistos, a jornalista também não sabe - ou será que não quis desmentir/desiludir a coitada?
7/03/2006
Enquanto fui e vim...
Mais coisas... não, não tenho o mestrado feito, nem sequer muito lançado, para dizer a verdade. Está difícil, isto. Passei a semana toda vai não vai, a braços com uma maldita amigdalite que acabou por me derrubar, embora temporariamente. Lá me fui abaixo - e de que maneira!
Sábado, ainda um pouco rouca, consegui o ânimo necessário para transmitir umas quantas good vibrations que, via eter, ou cabo, ou lá o que foi, atingiram em cheio o nosso Ricardo para que se interpusesse entre a gana dos ingleses e a respectiva concretização. E lá estamos nas meias-finais, contra a França, como me tinha sussurado discretamente o meu bom velho e sábio dedo mindinho...
Hoje lá voltei ao bules-não bules, e a bem dizer, estou como uma amiga nossa daqui do burgo (blogosfera) - quase a despir o casaco. Francamente, não fui feita para prateleiras disfarçadas de tachos - ou será versa-vice??? Já sabem, preciso de trabalho, a partir de 15 de Agosto estou disponível. Antes não, que preciso de ir de férias com a família, só um bocadinho, sim? Escrevo, reescrevo, transcrevo, traduzo, leio, releio, revejo, corrijo, redijo e, bem conversadinha, até tiro umas bicas e umas imperiais. Publique-se e divulgue-se...
Muitas mais coisas tenho para discutir, desabafar, cascar e disparatar convosco, mas, a bem dizer, agora apetece-me pôr as visitinhas em dia e vou aproveitar antes que a pimpolha acorde e exija toda a minha atenção. A propósito, mamãs da blogosfera: o que se faz a uma criança de seis meses e uma semana que dorme menos de doze horas por dia, tudo somado, acorda quase todas as noites para mamar, diz "mamã" e gatinha? Creche!!! Pra que te quero???
6/21/2006
Neuróticos somos todos
Tudo isto, dentro do rol das nossas pequenas neuroses, é “normal”. Todos temos um pouco de obsessivo-compulsivo, todos temos variações de humor - sobretudo nós, meninas, graças às nossas bem conhecidas hormonas – sem que isso faça de nós maníaco-depressivos. Sim, é verdade que a fronteira entre a “normalidade” e a “loucura” ou o “desvio” é uma linha tão ténue que por vezes não sabemos bem como situar certos comportamentos, pensamentos ou sentimentos. Por mim falo, obviamente, mas sei que não sou a única a questionar-se sobre estes assuntos. Talvez por isso sempre fui “atraída” pelas questões da doença mental. O que é? Como podemos determinar o que é “normal” e o que é “patológico”? Se eu “perder a razão”, será que me vou aperceber?
Entre o que é considerado um indivíduo mentalmente “são”, ou seja, saudavelmente neurótico, e as desordens graves do foro mental, como as psicoses, esquizofrenias, etc, há as chamadas personalidades borderline. Poder-se-ia dizer que são pessoas que vivem sempre “no fio da navalha”. Elas e os que vivem em torno delas. Os borderline fazem parte de uma “categoria” de perturbações que a psiquiatria não consegue “arrumar” na “prateleira” das neuroses, porque são francamente mais “destrambelhados” que a maior parte dos “neuróticos normais”, mas que também não chegam a apresentar um perfil verdadeiramente psicótico. O transtorno de personalidade borderline faz parte de um conjunto que vai do histrionismo à perturbação ansiosa, da personalide paronóide à perturbação esquizóide. Muitos destes distúrbios implicam uma enorme dose de agressividade/hostilidade para com os outros, o que afecta particularmente os mais próximos, com grande incidência nas famílias. Muitas vezes, as “crises” são cíclicas e todos os que vivem com aquela pessoa confrontam-se diariamente com a recordação da mais recente e com a expectiva da próxima. À espera de quando ele (ou ela) se vai passar novamente. A recear esse momento. Porque frequentemente estas pessoas não reconhecem o problema que têm – ou só o reconhecem nos períodos de acalmia - e, obviamente, recusam o tratamento –ou interrompem-no ao menor sinal de melhoria, piorando logo em seguida -, é extenuante viver com elas. Em muitos casos, existem consumos de drogas e sobretudo de álcool – essa droga dura legal e sempre minimizada por grande parte da sociedade que tantos estragos faz (mas sobre esse assunto falarei noutro dia, que dá posta das grandes) – , o que ainda torna a situação mais difícil. E porque essas pessoas têm, quase sempre, dupla personalidade, quem (con)vive com elas tem relutância em desistir delas. Porque o “outro lado” é por vezes muito diferente. Sedutor. Bom.
Mas quem está próximo também acaba por ficar afectado. Doente. Porque a doença mental é tão contagiosa como qualquer virose, acabando por minar toda a família. As pessoas em volta nunca sabem. Nunca sabem se podem dizer o que vão dizer. Se podem fazer o que vão fazer. Se a acção mais inocente, mais inconsciente não se vai virar contra elas. Tudo tem de ser medido, cuidado. A espontaneidade, a impulsividade não podem sobreviver. Nem a frescura, a inocência, ou a sanidade. Pois são autênticos vampiros emocionais. Especialistas na manipulação, na projecção ("eu não estou doente, tu é que estás"), na chantagem emocional.
Na minha vida já me cruzei com vários “casos” destes. Pessoas que conheci, com quem me dei, com quem vivi, convivi, de quem gostei, que amei, que deixei, pessoas que se foram, que voltaram, que ficaram, que já lá vão. Às vezes interrogo-me por que motivo me confronto tão insistentemente com este lado da vida, com este aspecto da pessoa humana. E, como sou profundamente neurótica (ou quem sabe talvez para lá disso), sofro. Por mim, por elas, pelo que são, pelo que foram, pelo que fizeram, deixaram de fazer, poderiam ter feito. Pela marca profunda que deixam em todos quantos cruzam o seu caminho. Mesmo quando dizemos BASTA.
6/20/2006
Era capaz de apostar
6/17/2006
Às amigas do Nada Como Realmente
Este post, escrito a correr, é só pra dizer-vos que vocês estão no meu coração e no meu pensamento. Só que sem net em casa e com censura no local de trabalho, é difícil manter isto. E daqui para a frente, ainda vai ser pior. Nos próximos tempos vão ver-me raramente por aqui: trabalho, mestrado e família "obligent". Hoje passei nalguns dos vossos cantinhos e amanhã tentarei terminar a ronda. Espero que ninguém fique melindrado(a)! Só consigo ir a uma de cada vez. Mas, como já disse a algumas hoje, "I'll be back", até porque isto já me está na "massa do sangue", se é que é assim que se diz... Mi aguardem!
Então, se me dão licença, vou ali e já venho. Untill then, good night
6/07/2006
Neste momento, mais do que nunca, quero reafirmar quem sou, e aquilo em que acredito

Porque quero viver num mundo às cores
Porque quero que os meus filhos cresçam e tenham os seus filhos num mundo às cores
Porque acredito (ainda) na paz, no amor, na tolerância
Porque quero acreditar que há futuro
Porque quero acreditar que quem vai para a televisão vangloriar-se de ter armas mortíferas em casa, de estar disposto a usá-las e apelar ao seu uso em nome das suas aberrantes ideias de ódio será metido num dos guettos cuja existência defende onde, espero, apodrecerá juntamente com os seus aberrantes "correligionários" (é assim que se diz? qualquer epíteto de que me lembre é ofensivo para as pessoas normais)
6/03/2006
E como já não há cu pra tanta mama...*

Agora vou falar de Rock. In Rio. Tejo, que o outro, o de Janeiro, tá lá longe, e ficará para outra altura. Breve, espero eu. Mas agora vou falar de Rock. Eh pá, a vossa Calamity é já uma trintona bem enxuta, e tem gostos de quarentinha. Talvez vocês não se revejam, inúmeros e incontáveis, mas eu tenho que partilhar: ontem tirei a minha barriguinha - e sobretudo as pernocas - de misérias:
Carlos Santana e Roger Waters na mesma noite é muito, mesmo para uma Calamity que já leva uma boas centenas (quiçá milhares) de concertos - e bons! - no currículo. Ambos já constavam do dito (currículo) e até tinha sido no mesmo ano (2003? 2004? - confesso que não tenho bem a certeza), mas, caros inúmeros e incontáveis, a coisa ontem à noite foi mesmo em grande!
Santana: grande senhor, grande mago da guitarra! Dançar, dançar até mais não! A Calamity a pensar com os seus botões: eu realmente devia ter nascido num país da América Latina. É que fui feita para o sol, os climas tropicais, a música quente, os corpos dançantes. Nada a fazer, não tenho cura - e também não quero ter!
Só tenho pena que o gajo não saiba, nem goste de dançar. Se não, metia-me mais a sério na coisa. Ai metia, metia. Que saudades que eu tenho de uma das melhores salas desta cidade, o agradavelmente decrépito Ritz Club! Que fechou há mais de 5 anos para umas obras milionárias que nunca mais acabam! (e será que chegaram a começar?)
Kadhaffi! Toca a abrir a casa, que tenho saudades, ouviste?!
À meia noite e qualquer coisa, subia ao palco, magnificamente acompanhado por uma banda de virtuosos (não desfazendo em nada no seu antecessor!) esse grande senhor que dá pelo nome de Roger Waters. O David Gilmour e companhia que me desculpem - ou talvez não, tou-me nas tintas, não cortassem relações com o homem!** - mas já há muito que deviam ter desistido de usar o grande nome de Pink Floyd em vão. É que o Roger Waters não precisa de vocês para nada. O homem, aos 61 anos, faz os Pink Floyd sozinho. Pronto, está bem, com uma ajudinha da grande banda que soube reunir. Mas em grande estilo, como, aliás, já tinha demonstrado no concerto memorável do Pavilhão Atlântico, em que brindou os presentes com uma actuação brilhante incluindo a passagem do julgamento do The Wall e momentos de Wish You Were Here a The Final Cut, como eu nunca julguei ser possível, mais de vinte anos após me apaixonar por esta banda. Levando-me às lágrimas por mais de uma vez.
Pois ontem o senhor tornou a encher a medidas. Mais de duas horas e meia de concerto, com direito a Dark Side of the Moon praticamente do princípio ao fim. Aquela mulher que canta nos coros é ABSOLUTAMENTE DIVINAL e contemplou os mais de 60 mil que lá estavam com um "The Great Gig in the Sky" em nada inferior ao original. Inúmeros e incontáveis. Se não sabem do que estou a falar (e se sabem também, toca a ir remexer na colecção de vinis dos papás ou dos tios. De certeza que vão lá encontrar este tesouro:

Vá. Vão lá pôr a tocar. Depois venham falar-me de trance psicadélico.
* às mamas e assuntos "pendentes" (Salvo seja, claro! Ricas mamas! - as minhas e as das minhas queridas inúmeras e incontáveis), voltaremos quando o assunto estiver menos na berra, que a mim cansam-me as "modas". Para algum de entre os meus inúmeros e incontáveis leitores que porventura não tivesse conhecimento do ultrabadalado assunto em questão aqui, trata-se disto, disto, e de tudo aquilo que se lhe seguiu, não necessariamente por esta ordem - e, como diria o meu caro Sérgio Godinho, "perdoem-me aqueles que ficaram esquecidos"...
** eu sei e eu vi que os ditos-cujos Pink Floyd se "reconciliaram" temporariamente, ao fim de 23 anos de briga feia, para um momento memorável, há poucos meses atrás. Para quem não saiba, foi no Live 8, em julho de 2005. Foi bonita a festa, pá...
5/30/2006
O Nada Como Realmente foi à praia
Já foi no Sábado, mas gostaria de partilhar com os meus inúmeros e incontáveis alguns momentos de espanto, beleza e não só.
Por exemplo, já ouviram falar daquele filme, a Costa do Mosquito? Ou, like american say, The Mosquito Coast? Pois bem, pasmem se quiserem:

Pois é, inúmeros e incontáveis, aquilo que podeis ver, mais escuro na areia, não são algas, não são grãozinhos de areia mais escura, não. Aquilo são mosquitos. Dezenas de centenas de milhares de mosquitos. Mosquitos que, nadando como realmente, foram parar à costa, onde morreram estatelados na areia. Não é como o gajo aqui de cima que continuou a nadar na areia, como realmente. Os mosquititos, esses, ou nadaram como realmente e mararam realmente exaustos, ou voaram, voaram e deram à costa vivinhos da silva. E chatos comó caraças. Já não se pode falar de orla costeira, mas sim de orla mosquiteira. Pois é.
Mas há mais, inúmeros e incontáveis. Os mosquitos sentem uma atracção irresistível pelas cores claras. Quereis ver? Aqui vai:

Pois é. É verdade. Se os meus caros inúmeros e incontáveis não acreditam, ora cliquem lá na imagem, de forma a aumentá-la. Vêem? (Eu espero que funcione... caso contrário tenho de pedir ajuda ao dito-cujo webdesigner). Sim, eu sei que aquele bicho preto maiorzito é uma carocha. O que é que querem, o homem achou piada ao beatle. Mas os outros, mais pequeninos que, espero, podeis ver em cima do pano... pois é. Mosquitinhos. Aqueles, os amosquitinhos dos afilamentos das alâmpadas, lembram-se? Deixem lá. Se calhar não se lembram. Isto é coisa do passado. Do século passado...
Mas se os mosquitos gostam de amarelo... que fará do branco??? Pois é. What you're about to see is SIMPLY UNBELIEVEBLE!!! Será da cor? Será do facto de se tratar de uma peça de roupa interior de senhora? Será do preço exorbitante que a mesma custou na loja da Chicco de Campo de Ourique? Será do cheiro a leite?? Aceitam-se explicações...

Conseguis ver, inúmeros e incontáveis? Ora aumentai lá a dita-cuja imagem. Espero que consigais (Eu cá só consigo no original. Mas depois pespegá-la aqui aumentada é do caneco... Oh gaijo! Volta, tás perdoado!!!) Garanto-vos que aqui não há qualquer photoshop. Mas o melhor... ainda está por vir. Preparai-vos agora para momentos de pura beleza. Ora deêm-me lá um bocadito para ir lanchar, que isto de estar a arrastar imagens pelo post abaixo cansa e dá uma fome do caraças... Se alguém souber como se metem as fotos nesta bosta directamente lá onde a gente as quer meter, é favor acusar-se... CK? Queres ajudar a CJ? Eu prometo que te ensino a colocar acentos, tis e cedilhas nos Cs (mas que raio de teclado terá ela???).
Vou ali e já venho...
O Nada Como Realmente foi à praia, parte 2
E agora, terminado o mê lanchinho, e constatando como constato que enquanto fui e vim, mais de vinte pessoas - vinte passaram por aqui sem nada dizer, prossigo com as maravilhas da profíqua ida à praia da vossa humilde Calamity. Quereis ver a vossa Calamity a segurar o céu com as suas próprias mãos? Sim? Mais uma vez, quer acreditem quer não, what you're about to see não tem PITADINHA de photoshop. Ora espreitem lá:

E com esta, se não me levam a mal, despeço-me por agora, com estima e amizade, que tenho ali uma gaijinha aos gritos, a dizer que se não a agarro já, escolhe uma mãe a sério, daquelas com blog na internet e tudo...
PS: prometo partilhar convosco mais algumas destas pérolas da fotografia praiística portuguesa
5/26/2006
Só passei pra dizer
que sei que vocês passaram
que sei que tive novas visitantes e não retribui as visitas
que compreendo se nunca mais "olharem prá minha cara" ;-)
que sei que sou "pobre" e mal agradecida
que eu e o meu gajo ficámos realmente felizes por vocês, inúmeros e incontáveis (sobretudo os gajos) terem gostado da remodelação
que estou com imensas saudades da blogosfera, mas sem acesso no local de trabalho por censura (há que dizê-lo com frontalidade) nem em casa por falta de crédito na empresa-das-telecomunicações-que-nos-esmifra-a-guita- até-ao-tutano, que-não-respeita-a-lei-da-concorrência e que-até-cria-empresas-fantasmas-pra-fazer-falsa-concorrência-a-si-própria (qual é ela, qual é ela?), sem acesso dizia eu, portanto, nem de dia nem de noite, é difícil aparecer por aqui. Mas que tenho saudades, tenho. E quero dizer também às meninas recém-aparecidas que não me tomem por malcriada, tá bem? Eu apareço nos vossos cantinhos. Assim que conseguir um tempinho com o respectivo carcanhol pró respectivo acesso.
Eu vou ali e já venho
5/21/2006
Tcharam!!!
- Aí é pra pôr a azul.
- A azul? eh pá, mas isso agora é muito complicado. Porque é que não deixas como está, a laranja?
- Eh pá, porque não. Aí tem que ficar azul.
- Olha lá pus-te esta cena aqui.
- Eh pá, aí?! Hum, não sei se não ficava melhor ali daquele lado.
Etc, etc, etc. Mas, finalmente, cá está. Aceitam-se críticas (construtivas, claro, que esta cena deu muito trabalhinho ao gajo!), sugestões e elogios.
Fico à espera. Digam coisas.
5/16/2006
Aos meus inúmeros e incontáveis
Eu sei que têm passado por aqui à procura das novidades prometidas ou até mesmo de outras quaisquer. Acontece que a semana passada foi particularmente difícil e esta vai pelo mesmo caminho. Para ajudar estou de novo sem internet em casa. Estou mesmo. O assunto é para resolver em breve, muito em breve. Simplesmente as 24 horas dos dias têm-se revelado insuficientes para poder responder às várias solicitações. Estou a pensar seriamente em inscrever-me num curso de gestão do tempo. É trabalho, é mestrado, são as crianças, é a casa. E o pior é que praticamente não consigo dar conta de nenhuma das variáveis desta equação em condições.
Trabalho: Duas actividades (por enquanto) e nenhuma corresponde aos meus desejos, necessidades e formação. No tal emprego que tive de aceitar por ser uma "excelente oportunidade" é esperado que eu desenvolva uma actividade que não me agrada e para a qual não tenho formação nem preparação. Em compensação quando quero dar o meu contributo em áreas para as quais me encontro bem mais vocacionada, e nas quais existem reais necessidades, é só entraves. Embora já lá esteja há quase dois meses ainda não tenho computador nem material para poder trabalhar. Para cúmulo reina nesta instituição uma censura inacreditável.
A outra actividade deixa-me cada vez mais insatisfeita. A entidade patronal não tem qualquer respeito pelos seus colaboradores e enche desavergonhadamente os bolsos à pala dos atrasos nos ordenados e subsídios - começaram ontem a pagar os subsídios de Natal do ano passado, dá para acreditar??!! - exigindo cada vez mais a troco de cada vez menos.
A minha verdadeira profissão/vocação, aquela que eu realmente quero desenvolver, na qual eu desejo investir o meu tempo, a minha energia, a minha criatividade... está, mais uma vez entre parêntesis. Até quando?
Mestrado: Até agora entreguei um trabalho. Daqui a uma semana faz três meses que devia ter entregue o segundo. Seguem mais três que sinceramente não sei quando nem como os farei... e bem que gostava de ter mais tempo para dedicar a este aspecto da minha vida. Gosto de ir à faculdade, ler, pesquisar. Gosto de ser estudante. Mas ser estudante-mãe-trabalhadora é dose!
Crianças: Maravilhosas. Adoráveis. Absorventes. Cansativas. Divertidas. Chatas. Deliciosas. Egoístas. Precisam de mim, da minha disponibilidade, da minha dedicação. Do meu amor, claro, mas esse está sempre presente, mesmo que eu não esteja.
Ele gostaria que o pai e eu fóssemos com ele para todo o lado. Ir ao jardim, ir à praia, ir acampar, jogar à bola, jogar playstation, jogar xadrez, correr, sair, viajar, rebolar, convidar os amigos, fazer piqueniques. Ajudá-lo a fazer os trabalhos, ouvir os seus relatos de futebol, as suas histórias de futebol, as suas teorias sobre futebol, responder às suas questões físicas, metafísicas, científicas e existenciais. Gerir os ciúmes da irmã.
Ela gostaria que eu e o pai estivéssemos 24 horas por dia acoplados a ela. De viver ao nosso colo e dormir na nossa cama. Mamar e brincar. Descobrir o mundo. Aprender a falar, a gatinhar, a andar. Tomar banhocas, fazer cavalinho, barquinho, aviãozinho, ginástica. Comer papinha, sopinha e leitinho da maminha. Chuchar na chucha, na fralda, na roupa e na mão. Palrar, guinchar e gargalhar.
Ambos gostariam que não fízessemos mais nada na vida a não ser estar com eles. E por vezes nós também.
A casa. Ai a casa. Ai as obras que eram para ser feitas há oito anos atrás. Ai o chão do quarto a abater e tecto da casa-de-banho a desfazer-se. Ai as portas empenadas e as ombreiras descascadas. Ai a janela velha e podre e a janela nova e estragada. E a outra por duas vezes mal instalada. E a marquise imposta pelo condomínio cuja qualidade fica a anos-luz da que estava anteriormente. E os esgotos do prédio inteiro que cheiram mal dentro da minha casa-de-banho. E o quintal confundido com um sanitário público por todos os gatos da vizinhança. E a cozinha que precisava de um lava-loiças novo, de um fogão novo e de gavetas novas e inteiras. E já agora de armários novos e de uma máquina de lavar a loiça. E de uma chaminé nova e limpa até ao cimo do prédio. A cozinha que precisava de uma cozinha nova. A casa que precisava de obras há anos. A casa que precisava de uma casa nova.
E a roupa. E o jantar. E as compras. E a loiça. E os papéis. E os livros. E os alunos. E a escola. E a creche. E as inscrições. E as burocracias. E os impostos. E a Segurança Social. E as vacinas. E os médicos. E a natação. E o judo. E o yoga. E eu. E EU? E EU??
E EU???
PS: As novidades prometidas.
Acho que não está com nada deixar-vos nesta expectativa e ainda por cima não rende. As novidades não são nada de especial, e vão sair assim que a Internet for restabelecida lá em casa. E antes não porque é impossível. O nada como realmente tem andado (nos bastidores, claro) a ser sujeito a uma operação de cosmética que espero partilhar convosco muito brevemente. É só uma questão de look. Como sabem, faz bem a toda a gente ir ao cabeleireiro, comprar uma roupita nova e assim. Pois é o que vai acontecer a este vosso humilde bloguinho. Mainada. Coisa pouca, como vedes. Ou ireis ver. Talvez ainda hoje. Até jazzzz
5/10/2006
Elegia para uma Gaivota

Morreu no Mar a gaivota mais esbelta,
a que morava mais alto
e trespassava de claridade
as nuvens mais escuras com os olhos.
Flutuam quietas, sobre as águas, suas asas.
Água salgada, benta de tantas mortes angustiosas, aspergiu-a.
E três pás de ar pesado para sempre as viagens lhe vedaram.
Eis que deixou de ser sonho apenas sonhado
É finalmente sonho puro,
sonho que sonha finalmente, asas que dorme voos.
Canto dos pescadores, embalai-a! Versos dos poetas, embalai-a!
Brisas, peixes, marés, rumor das velas, embalai-a!
Há na manhã um gosto vago e doce de elegia,
tão misteriosamente, tão insistentemente,
sua presença morta em tudo se anuncia.
Ela via, sereninha e muito branca.
E a sua morte simples e suavíssima
é a ordem-do-dia na praia e no mar alto.
Sebastião da Gama
5/07/2006
O nada como realmente pede desculpa por esta interrupção...
Não, não tenciono atirar-vos mais areia prós olhos. Nem sequer cozinhar em lume brando. E também sei que isto dos 'teasers' tem um 'timing' (e que bem que fica dizê-lo em estrangêro, não acham, inúmeros e incontáveis?) para além do qual não é legítimo esticar-nos, sob pena de estes respeitáveis senhores e sobretudo senhoras se irem embora. Mas é que estou sem internet em casa. De modos que até a coisa ser restabelecida não vou poder dar seguimento às minhas mui nobres intenções.
Pelo facto, pedimos as vossas desculpas e esperamos contar com a vossa compreensão. Envidaremos todos os esforços para repor a normalidade dentro da maior brevidade. Até lá, estejam certos, inúmeros e incontáveis, de que continuaremos a nutrir por vossências grande respeito e amizade, quiçá carinho.
Por falar em carinho, aproveito para desejar a todas as mamãs que por aqui passarem um marabilhoso dia da mãe, na companhia dos bossos e de quem mais bos aprouber. Que me desculpem os visitantes do norte, mas acho que isto fica mais bonito assim, com chotaque lá de chima. Carago.
Até jazz.
Como diriam os gatos fedorento, voltem, que isto prá próxima é que vai ser giro
5/05/2006
... Foi sem querer!
Eh pá, e ficou tão giro que não me apeteceu tirar. Mesmo assim, as minhas (e sobretudo os meus) inúmeras (os) e incontáveis (leitoras, pois claro) merecem-me um respeito infindo, por isso me dei ao trabalho de explicar tudo bem explicadinho.
Não sei se perceberam que estou para aqui a encher chouriços, a bem dizer, à maneira dos nossos gubernantes (assim mesmo, que eu cá gosto de dizer gubernantes), do género: "quando a malta não cumpre as promessas, atira-lhes areia prós olhos, pode ser que pegue".
A ideia não é não cumprir, a sério. O problema é que não tenho bem a certeza de conseguir cumprir ainda hoje e tenho de vos entreter com alguma coisa, não é verdade?!
Afinal vocês, inúmeros e incontáveis (sobretudo os gaijos - são tantos que até fazem fila na blogosfera, só para aceder a esta humilde moradinha) são o motivo e a razão pela qual blogo e tenho de vos manter minimamente satisfeitos. Ou melhor satisfeitas.
Homens! Se andam por aí, manifestem-se, pliiiize! Eu gosto de vocês! A sério. Gosto de vos contar entre os meus inúmeros e incontáveis.
E dizem vocês: pronto, foi desta que a Calamity se passou de vez. Não é isso. Quer dizer, não é só isso. A malta de vez em quando também precisa de um devaneio, não? Ainda por cima à sexta-feira. À tarde. E não há meio deste raio-desta-semana acabar, cum catano!
Bom. Tudo isto para vos dizer que as novidades prometidas virão. Logo que possível. Em breve. Muito em breve. Vou ali e já venho.
PS: é verdade, o "relógio" deste blog está no horário dos Açores. Ou seja, uma hora menos que Portugal continental (a ler com voz de hospedeira da Tap - ou melhor, assistente de bordo, que eu cá não gosto de ferir susceptibilidades). Não é para enganar ninguém. Foi a única maneira que encontrei para publicar o post de 25 de abril ainda dentro do dia certo. Andei a manipular o sistema, não sei se estão a ver... Será que posso ir presa por isso? Bom, mas é só para não chegarem atrasadas a lado nenhum baseadas neste horário... daaaaah!



