9/12/2007
Hoje não é 11 de Setembro
É 12. Mesmo assim não consigo deixar de me espantar com a forma como os media funcionam e condicionam a nossa agenda, as conversas e, pelos vistos até a blogosfera. Bem sei que 5 é um nº mais redondo que 6 (será?). Pelo menos para a comunicação social, que gosta de assinalar os aniversários, sobretudo quando terminam em 0 e 5. Mas espantou-me o facto de ter passado quase em branco o 11 de Setembro quando no ano passado a semana inteira foi preenchida em todos os canais de televisão com filmes e documentários, debates e especiais. Quando a blogosfera, pelo menos os tascos amigos e vizinhos, tinha em peso um post reservado sobre o assunto, directa ou indirectamente ligado. Até a vossa Calamity, apesar da sua proverbial intermitência, não deixou de dar o seu lamiré. E este ano, nada. Ou quase nada. A memória é curta? Esperaremos agora por 2011, quando se soprarem dez velas sobre as torres desmoronadas? Será que os McCann (Mc Caine, como diria "aquele jornalista sem pescoço", citado pela minha querida Estrelinha), e já que da menina, quase toda a gente se esqueceu, conseguiram fazer desvanecer do nosso espírito as imagens que no ano passado ainda nos viciavam/atormentavam? Será que daqui a 5 anos, por alturas do início de Maio teremos "especiais" informativos sobre a Praia da Luz, com directos à igreja da dita, entrevistas aos cães pisteiros e ao boneco de peluche cor-de-rosa? Será que Gerry conseguirá ser eleito o primeiro Presidente - e Kate a primeira Primeira Dama - do velhinho reino de Inglaterra?
9/06/2007
126 dias depois
Os jornalistas da SIC (sim, eu sei que há excepções, mas são raras...) ainda não aprenderam a pronunciar o nome do pai da Madeleine. Ó meus grandes cretinos: Gerry não é Gary! Será que não andaram na escola primária? Um 'G' e um 'e' lê-se 'je', mesmo em inglês. Haja paciência!
9/05/2007
Bora lá
Bora lá fazer a puta da revolução
Dar a volta a esta merda de uma vez por todas
Eu não consigo pactuar com este estado de coisas
Tá na hora de pegarmos no assunto com as nossas mãos
in Da Weasel - 'Amor, Escárnio e Maldizer'
Tentei pôr aqui o video, mas estava a bloquear constantemente; além disso, parece que os meus inúmeros e incontáveis não apreciam lá muito a postagem de vídeos , pela reacção à posta anterior. Aproveito para explicar que a mesma consistia numa espécie de alegoria. Sempre me identifiquei brutalmente - na verdadeira acepção do termo brutalmente - com a personagem do Nova York Fora de Horas. Na vida real também é assim: quando elas se dão, são umas atrás das outras. A diferença é que no filme, a malta ri-se...
Mas ainda assim, quero continuar a acreditar que podemos pegar "no assunto com as nossas mão". Bora lá
Dar a volta a esta merda de uma vez por todas
Eu não consigo pactuar com este estado de coisas
Tá na hora de pegarmos no assunto com as nossas mãos
in Da Weasel - 'Amor, Escárnio e Maldizer'
Tentei pôr aqui o video, mas estava a bloquear constantemente; além disso, parece que os meus inúmeros e incontáveis não apreciam lá muito a postagem de vídeos , pela reacção à posta anterior. Aproveito para explicar que a mesma consistia numa espécie de alegoria. Sempre me identifiquei brutalmente - na verdadeira acepção do termo brutalmente - com a personagem do Nova York Fora de Horas. Na vida real também é assim: quando elas se dão, são umas atrás das outras. A diferença é que no filme, a malta ri-se...
Mas ainda assim, quero continuar a acreditar que podemos pegar "no assunto com as nossas mão". Bora lá
8/20/2007
8/10/2007
Adeus
Símbolo familiar da resistência, orgulho desmedido do meu pai. Tu, o homem que viveu a revolta de Beja. Tu, que aguentaste, sem trair os teus camaradas, a tortura pidesca que te levou um dos pulmões antes mesmo de os meus se abrirem para o mundo. Tu, cuja imagem me acompanha desde que me lembro de mim, naquela memorável foto comigo aos ombros. Eras tu que mal te continhas de felicidade por conhecer a filha do teu irmão? Ou eu, que não cabia em mim por desfilar aos ombros do meu glamoroso tio?
Sabes que era por ti, para disputar a tua aprovação que eles - os dois putos! - se digladiavam nas intermináveis consoadas, em que o H bebia demais e fazia questão de se mostrar reaccionário só para ser do contra, ele que nunca soube arcar com o vosso brilhantismo. Todos discutiam, o meu pai passava-se, o H passava das marcas e tu batias com os punhos em cima da mesa, dizendo que não estavas disposto a aturar aquilo na tua casa. Talvez por isso não tenhas recebido a malta prá consoada no ano passado. Porque não estavas para levar com os números infantis dos teus dois irmãos mais novos que, ironicamente, o faziam para merecer a tua atenção - por que outro motivo o fariam? - mesmo que isso acabasse por estragar a noite de todos.
Mas era nessas noites que a família - pouco dada a grandes reuniões - estava junta, se ria das desgraças passadas e "recuperava" um ano inteiro sem se pôr a vista em cima. Minto: também havia o aniversário da F, a fechar o verão, num restaurante de Sesimbra ou do Meco, toda a malta a alambazar-se a tarde inteira de camarões e outras iguarias oceânicas. Sempre gostaste de te tratar bem - e a nós. Nos natais, nunca faltou o belo ananás dos Açores, o queijo da Serra a esvair-se, o tinto de reserva, tudo do bom e do melhor. Tudo tuga, que sempre foste adepto de que "o que é nacional é bom". À excepção do bacalhau, claro, de primeiríssima, cada posta com meio palmo de altura.
Todos os que passaram por ti de ti gostaram, porque sempre foste gentil e generoso, convicto das tuas convicções. Deve ter sido por isso - por que outra razão seria? - que sempre tiveste a casa cheínha de presentes. Nos tais natais, os da família eram apenas uma pálida amostra no meio dos outros todos, que submergiam por completo a carpete, no espaço exíguo que ia do pinheirito à mesa de vidro, cujo tampo mal se via debaixo das caixas e caixinhas. Devia ser, só podia ser por seres um bom homem, que nunca ouvi quem quer que fosse apontar-te o mínimo defeito. Nunca tiveste papas na língua e sempre te ouvi dizer o que pensavas - doesse a quem doesse. Sem violência, mas também sem rodeios. És também, para mim, um exemplo de amor conjugal: quantas décadas durou o teu casamento? Quantas viagens fizeram vocês juntos, sempre juntos? Sempre queridos um com o outro, sempre com presentes e mimos um para o outro, sempre moreníssimos dos verões passados na praia. Que vai ela fazer agora sem ti, ela que desde sempre viveu por ti? Sempre tão bonita, tão arranjada. Como devias amá-la... Como ela te ama... Como tentou despertar-te desse teu sono profundo, agora eterno. Por mais que feche os olhos, dentro das pálpebras fechadas continuo a ver-te, trinta e tal anos atrás, naquela fotografia a preto e branco, com a tua pequena sobrinha aos ombros. O teu bigode de esquerda. A tua pele morena. O teu sorriso.
Até sempre meu querido, querido tio
Sabes que era por ti, para disputar a tua aprovação que eles - os dois putos! - se digladiavam nas intermináveis consoadas, em que o H bebia demais e fazia questão de se mostrar reaccionário só para ser do contra, ele que nunca soube arcar com o vosso brilhantismo. Todos discutiam, o meu pai passava-se, o H passava das marcas e tu batias com os punhos em cima da mesa, dizendo que não estavas disposto a aturar aquilo na tua casa. Talvez por isso não tenhas recebido a malta prá consoada no ano passado. Porque não estavas para levar com os números infantis dos teus dois irmãos mais novos que, ironicamente, o faziam para merecer a tua atenção - por que outro motivo o fariam? - mesmo que isso acabasse por estragar a noite de todos.
Mas era nessas noites que a família - pouco dada a grandes reuniões - estava junta, se ria das desgraças passadas e "recuperava" um ano inteiro sem se pôr a vista em cima. Minto: também havia o aniversário da F, a fechar o verão, num restaurante de Sesimbra ou do Meco, toda a malta a alambazar-se a tarde inteira de camarões e outras iguarias oceânicas. Sempre gostaste de te tratar bem - e a nós. Nos natais, nunca faltou o belo ananás dos Açores, o queijo da Serra a esvair-se, o tinto de reserva, tudo do bom e do melhor. Tudo tuga, que sempre foste adepto de que "o que é nacional é bom". À excepção do bacalhau, claro, de primeiríssima, cada posta com meio palmo de altura.
Todos os que passaram por ti de ti gostaram, porque sempre foste gentil e generoso, convicto das tuas convicções. Deve ter sido por isso - por que outra razão seria? - que sempre tiveste a casa cheínha de presentes. Nos tais natais, os da família eram apenas uma pálida amostra no meio dos outros todos, que submergiam por completo a carpete, no espaço exíguo que ia do pinheirito à mesa de vidro, cujo tampo mal se via debaixo das caixas e caixinhas. Devia ser, só podia ser por seres um bom homem, que nunca ouvi quem quer que fosse apontar-te o mínimo defeito. Nunca tiveste papas na língua e sempre te ouvi dizer o que pensavas - doesse a quem doesse. Sem violência, mas também sem rodeios. És também, para mim, um exemplo de amor conjugal: quantas décadas durou o teu casamento? Quantas viagens fizeram vocês juntos, sempre juntos? Sempre queridos um com o outro, sempre com presentes e mimos um para o outro, sempre moreníssimos dos verões passados na praia. Que vai ela fazer agora sem ti, ela que desde sempre viveu por ti? Sempre tão bonita, tão arranjada. Como devias amá-la... Como ela te ama... Como tentou despertar-te desse teu sono profundo, agora eterno. Por mais que feche os olhos, dentro das pálpebras fechadas continuo a ver-te, trinta e tal anos atrás, naquela fotografia a preto e branco, com a tua pequena sobrinha aos ombros. O teu bigode de esquerda. A tua pele morena. O teu sorriso.
Até sempre meu querido, querido tio
8/06/2007
Farta de mim
é o que é. Estou mesmo fartinha de me aturar e às minhas merdas. De ser assim como sou. De não haver meio de mudar naquilo que tenho de pior. De perder tempo com tangas que não interessam nem ao menino jesus. De não fazer o que tenho de fazer e fazer o que não tenho. De estar há horas a olhar para o mesmo texto e não o terminar por "bloqueios" que na verdade não passam de preguiça. De não ter feito os trabalhos para fechar a parte curricular do mestrado e estar em risco de ter deitado o dito-cujo fora, assim como ao dinheiro investido. De não tomar as decisões que se impõem por falta de frontalidade, cansaço ou lá o que é. De não ter vontade suficiente de mudar e de andar para a frente. De me preocupar constantemente com aquilo que escapa ao meu controlo mas de inventar desculpas para não mudar aquilo que posso. De atirar areia para os meus próprios olhos enquanto a vida vai passando
Foda-se, que hoje estou farta de mim
e nem a merda do post consigo publicar
nota: ontem escrevi esta posta; hoje já não me sinto taaaanto assim, mas só agora consegui publicar. E como é verdade e ainda não passou por completo, aqui fica. Se deixar por completo de me sentir assim, despublico - depois pode ser que não consiga. É bem feita!!!
Foda-se, que hoje estou farta de mim
e nem a merda do post consigo publicar
nota: ontem escrevi esta posta; hoje já não me sinto taaaanto assim, mas só agora consegui publicar. E como é verdade e ainda não passou por completo, aqui fica. Se deixar por completo de me sentir assim, despublico - depois pode ser que não consiga. É bem feita!!!
8/02/2007
... e eu não penso senão nele - no poema
Pronto, eu confesso: vejo a Vingança. Diariamente. E quando não posso ver gravo. Há anos que não via uma novela e nunca tinha estado agarrada a uma portuguesa. Antes da Vingança segui a Senhora do Destino, e antes da Senhora do Destino, o Clone. Como podem constatar os inúmeros e incontáveis que sabem do assunto, é uma média de uma de 3 em 3 anos. Mas quando me dá, dá-me a sério e a Vingança conquistou-me. Foi um dia por acaso, calhou ser um momento crucial, a cena era empolgante, estava muitíssimo bem filmada e editada, o som poderosos e até os actores eram convincentes. O episódio era dos primeiros, e prontos: fiquei a modos que viciada na coisa. Isto para dizer que há uns dias fui surpreendida por uma cena que me comoveu. Envolvia a leitura, por uma personagem feminina, deste poema, ao personagem masculino que está apaixonado por ela. E eu, que não me lembrava dele - do poema (até porque sempre fui muito mais Álvaro de Campos que Alberto Caeiro...) - dei por mim a pensar nele. Aliás, a não pensar senão nele - no poema. Tive de o procurar e hoje venho partilhá-lo convosco.
Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar. E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
Alberto Caeiro
(Meu príncipe: aos 9 anos, ainda é muito cedo para sofrer por amor...)
Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar. E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
Alberto Caeiro
(Meu príncipe: aos 9 anos, ainda é muito cedo para sofrer por amor...)
7/18/2007
Freudices
Na redacção. A I e eu conversamos sobre o facto de adorarmos ambas espremer borbulhas e pontos negros.
I: - Porque é que será? Freud deve explicar isso, não é?
A M. intervém: - Deve explicar, mas acho que não ias gostar da explicação...
I: - Bah, deve ter a ver ou com merda ou com sexo ou com os pais!
I: - Porque é que será? Freud deve explicar isso, não é?
A M. intervém: - Deve explicar, mas acho que não ias gostar da explicação...
I: - Bah, deve ter a ver ou com merda ou com sexo ou com os pais!
7/09/2007
Só mesmo tu, minha Estrelinha
... para me pôres a fazer estas figuras, mesmo que virtuais. Aqui está a quinta frase da página 161 do livro que se encontrava mais próximo de mim quando li o teu post: "Os pés de Marigold são só ligeiramente maiores que os pés da boneca Tiny Tears, pelo que ela usou os sapatos de palhaço de tamanho único para ir até ao parque de estacionamento". O livro é "Adrian Mole e as Armas de Destruição Maciça", de Sue Townsend. Alguém se lembra do "Diário de Adrian Mole ao 13 anos e três quartos"? Além da minha contemporânea Cool Mum? Pois bem, este é o 3º da trilogia. "Adrian Mole tem agora 34 anos e 3/4, está quase oficialmente na meia-idade(...)". se quiserem saber mais, o livro foi editado pela Difel. Os anteriores, julgo tê-los algures, datam da minha anterior encarnação.
A alternativa, não resisto, encontrava-se no livro colocado logo ao lado, na prateleira atrás de mim. A obra chama-se "Memórias de um Espermatozóide Esquecido". A página 161 - pasmem os inúmeros e incontáveis! - , abri-a à primeira. A 5ª frase completa reza assim: "Quisera meter-me na tua cabeça e descobrir que queres tu de ti próprio?". Convém esclarecer - desculpem os inúmeros e incontáveis a quebra do romantismo da coisa - que a autora, Maria Guinot, não se dirige a qualquer espermatozóide esquecido. Pelo menos directamente. Portugal é o interlocutor, o destinatário da pergunta. Interessante, o desafio.
Quanto ao outro - e partindo do princípio que eu era uma "das meninas lá de cima" (quando lemos o blog é "lá de baixo", sua grávida desmiolada! ;-)) - faço mais tarde, minha linda. Fiquei psicologicamente exausta.
Adenda: o rachtaparta do blogger hoje está a embirrar. Não consigo pôr título nesta posta. Bardatrampa
Adenda 2: já consigo pôr título. Pronto. Por isso, já sabem, a adenda anterior não é para ligar
A alternativa, não resisto, encontrava-se no livro colocado logo ao lado, na prateleira atrás de mim. A obra chama-se "Memórias de um Espermatozóide Esquecido". A página 161 - pasmem os inúmeros e incontáveis! - , abri-a à primeira. A 5ª frase completa reza assim: "Quisera meter-me na tua cabeça e descobrir que queres tu de ti próprio?". Convém esclarecer - desculpem os inúmeros e incontáveis a quebra do romantismo da coisa - que a autora, Maria Guinot, não se dirige a qualquer espermatozóide esquecido. Pelo menos directamente. Portugal é o interlocutor, o destinatário da pergunta. Interessante, o desafio.
Quanto ao outro - e partindo do princípio que eu era uma "das meninas lá de cima" (quando lemos o blog é "lá de baixo", sua grávida desmiolada! ;-)) - faço mais tarde, minha linda. Fiquei psicologicamente exausta.
Adenda: o rachtaparta do blogger hoje está a embirrar. Não consigo pôr título nesta posta. Bardatrampa
Adenda 2: já consigo pôr título. Pronto. Por isso, já sabem, a adenda anterior não é para ligar
7/03/2007
Ao senhor do Volvo azul claro metalizado
o meu mais sincero e humilde pedido de desculpas por ter saído de casa ensonada e ter demorado mais de dez segundos a atravessar a rua. Fi-lo perder cerca de oito segundos do seu precioso tempo, já que, em situação normal, e, não fosse ter-me distraído a olhar para o ontem - ou para o amanhã, confesso que não sei bem - , teria atravessado em dois segundos e ter-lhe ia poupado o imenso dissabor de se deter na passadeira por tão longo e insubstituível instante. Saiba que me penalizarei pelo seu imenso prejuízo todos os dias da minha existência ou pelo menos enquanto me lembrar do seu esgar de profundo enfado.
6/15/2007
Même (ou seja, palavras à mesma...)
Há uns tempos fiquei de publicar aqui uns mêmes. De modos que aqui vai o primeiro. Assim que puder outros seguirão. Aproveito para explicar que "um 'même' é um 'gen ou gene cultural' que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os mêmes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente é propagada pela Web, usualmente por meio de blogues. O neologismo 'mêmes' foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo 'genes'". E como não sou de furtar texto alheio sem dizer água vai, especifico que retirei esta explicação, palavra por palavra, do post da Amélia sobre o assunto, no qual a própria me encomendou o mesmo (même, está claro). Dito isto, convém também referir que a minha Estrelinha também me endereçou a mesma encomenda - ou, como diriam os franceses, même commande. Ah, pois é! E por falar em franceses, acrescento ainda que acrescentei (haha, um pleonasmo calha sempre bem, sobretudo quando é propositado, não acham, inúmeros e incontáveis?) um acentozito circunflexo à palavra même, que me tinha sido servida sem o mesmo (acento, pois), mas cuja nudez me causou desconforto. De modos que tive de meter pitada. É que eu sou da geração pré-sms e aprendi francês, além de piano. A vossa Calamity é uma mecita prendada, a bem dizer...
E pronto, sem mais demoras, aqui vai, pois, o primeiro dos meus mêmes

As Crianças
(...) Os vossos filhos não são vossos filhos...
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma
Vêm através de vós, mas não de vós
E embora vivam convosco, não vos pertencem
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não as vossas ideias
Pois eles possuem as suas próprias ideias
Podeis abrigar os seus corpos, mas não as suas almas
Pois as suas almas habitam nas moradas do amanhã
que nem nos vossos sonhos podeis visitar
Podeis esforçar-vos para vos tornardes como eles
mas não procureis torná-los como vós
Pois a vida não anda para trás nem no ontem se detém.
Vós sois os arcos dos quais, como flechas vivas, os vossos filhos serão lançados
O Arqueiro vê a presa no percurso do infinito e empresta-vos o seu poder para que as vossas flechas partam ligeiras e cheguem longe
Que a vossa inflexão pela mão do arqueiro se destine à alegria
Pois assim como ele ama a flecha que voa
Ama também o arco que se mantém estável.
Claro que este même não é meu. Usurpei-o. Foi escrito pelo fabulástico poeta Khalil Gibran, que no século XIX viveu no Líbano, se não estou em erro, e deu à luz, entre outros, um livro pleno de senso comum transformado em hino à vida chamado O Profeta, de onde este "As Crianças" foi retirado. Tomei a liberdade de alterar ligeiramente as traduções que encontrei na net que não correspondiam totalmente ao texto que conheço originalmente noutras línguas
E pronto, sem mais demoras, aqui vai, pois, o primeiro dos meus mêmes

As Crianças
(...) Os vossos filhos não são vossos filhos...
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma
Vêm através de vós, mas não de vós
E embora vivam convosco, não vos pertencem
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não as vossas ideias
Pois eles possuem as suas próprias ideias
Podeis abrigar os seus corpos, mas não as suas almas
Pois as suas almas habitam nas moradas do amanhã
que nem nos vossos sonhos podeis visitar
Podeis esforçar-vos para vos tornardes como eles
mas não procureis torná-los como vós
Pois a vida não anda para trás nem no ontem se detém.
Vós sois os arcos dos quais, como flechas vivas, os vossos filhos serão lançados
O Arqueiro vê a presa no percurso do infinito e empresta-vos o seu poder para que as vossas flechas partam ligeiras e cheguem longe
Que a vossa inflexão pela mão do arqueiro se destine à alegria
Pois assim como ele ama a flecha que voa
Ama também o arco que se mantém estável.
Claro que este même não é meu. Usurpei-o. Foi escrito pelo fabulástico poeta Khalil Gibran, que no século XIX viveu no Líbano, se não estou em erro, e deu à luz, entre outros, um livro pleno de senso comum transformado em hino à vida chamado O Profeta, de onde este "As Crianças" foi retirado. Tomei a liberdade de alterar ligeiramente as traduções que encontrei na net que não correspondiam totalmente ao texto que conheço originalmente noutras línguas
Mais palavras
Palavra que gostava de escrever mais palavras.
Palavras que me aliviassem do peso com que as palavras armazenadas me esmagam.
Palavras que desatassem o nó com que as palavras engasgadas me sufocam.
Palavras que fluíssem como o rio de palavras no qual ora me banho, ora me afogo.
Palavras que suavizassem a aspereza das palavras que por vezes me assaltam.
Palavras que jorrassem como a torrente de palavras que nunca alcanço, que desmoronassem da cordilheira de palavras que se amontoaram, uma a uma, na interminável torre de babel que fui construindo em mim, palavras que lutam corpo a corpo, se enroscam, se estrangulam, se matam e se criam numa dança infinita que me consome os neurónios.
Como podem tantas palavras caber num espaço tão diminuto? Como posso eu vertê-las diariamente e elas teimarem em brotar a cada minuto que passa? Como posso eu dar-lhes uso, forma e sentido se elas têm vida própria? Se fizeram da minha mente um labirinto no qual procuro uma saída desde a origem dos tempos até ao fim da eternidade? Se me invadem o cérebro e se recusam a seguir o caminho que lhes aponto? Se surgem por geração espontânea como uma praga incontrolável? Se teimam em comportar-se como ervas daninhas e ainda por cima vestem pétalas e cores das mais sedutoras e mortíferas plantas carnívoras disfarçadas de flores?
Palavra que gostava de escrever mais palavras. Palavra...
Palavras que me aliviassem do peso com que as palavras armazenadas me esmagam.
Palavras que desatassem o nó com que as palavras engasgadas me sufocam.
Palavras que fluíssem como o rio de palavras no qual ora me banho, ora me afogo.
Palavras que suavizassem a aspereza das palavras que por vezes me assaltam.
Palavras que jorrassem como a torrente de palavras que nunca alcanço, que desmoronassem da cordilheira de palavras que se amontoaram, uma a uma, na interminável torre de babel que fui construindo em mim, palavras que lutam corpo a corpo, se enroscam, se estrangulam, se matam e se criam numa dança infinita que me consome os neurónios.
Como podem tantas palavras caber num espaço tão diminuto? Como posso eu vertê-las diariamente e elas teimarem em brotar a cada minuto que passa? Como posso eu dar-lhes uso, forma e sentido se elas têm vida própria? Se fizeram da minha mente um labirinto no qual procuro uma saída desde a origem dos tempos até ao fim da eternidade? Se me invadem o cérebro e se recusam a seguir o caminho que lhes aponto? Se surgem por geração espontânea como uma praga incontrolável? Se teimam em comportar-se como ervas daninhas e ainda por cima vestem pétalas e cores das mais sedutoras e mortíferas plantas carnívoras disfarçadas de flores?
Palavra que gostava de escrever mais palavras. Palavra...
6/05/2007
Palavras
Todos os dias escrevo. Todos os dias escrevo para viver, para sobreviver.
Escrevo por prazer, por dever, por necessidade.
Escrevo porque escrever é a minha profissão, o meu ofício, o meu vício, a minha perdição.
Escrevo depressa ou devagar, com gosto ou para despachar.
Escrevo porque é preciso e porque tem de ser.
Gosto das palavras e elas retribuem-me o gosto. E, no entanto, odeiam-me, matam-me, maltratam-me.
Torturam-me.
Chegam-me em catadupa e desertam-me subitamente. Amantes inconstantes.
Escrevo-as e elas escrevem-me. Descrevem-me.
Eu cubro-as e descubro-as.
Distribuo-as, espalho-as e espalho-me. E elas tapam-me e destapam-me.
Escondo-me por detrás delas e elas... elas despem-me e expõem-me. Escancaram-me.
Gosto de brincar com as palavras e elas conhecem os jogos todos. E deixam-me pensar que sou eu que jogo com elas, quando na verdade são elas que me têm na mão. Cativa.
Claro, elas é que brincam comigo. Às escondidas, à cabra-cega. E eu pingue pongue, matraquilhos: vai para ali, foge para aqui. Ah, estás aí?! Então não podes estar acolá. Anda, mexe-te. Salta, dá uma cambalhota, transforma-te, transfigura-te.
Advérbios, adjectivos. Verbos transitivos, intransitivos. Intransigentes. Proximidade proibitiva, rima inconveniente. Sinonimiza, pá, relativiza-te. Encontra alternativa. Descobre, procura, reflecte, dá a volta, muda o tom.
Descritivo? Interrogativo.
Discurso. Diz?
Directo, indirecto. Livre. Livre? Liberdade de expressão, ilusão. A palavra é uma prisão. Uma paixão.
Escrevo por gosto, por obrigação. Todos os dias, cada vez mais, por tudo por nada. Gasto as palavras e elas sobram-me. Paradoxo? Sacerdócio.
Por isso, arranjei este blog, para despejar mais palavras. As que não uso, que desperdiço. As que não sei onde pôr. Quando resolvi criá-lo, ao blog, foi porque me dei conta que precisava de arrumar as palavras espalhadas aos molhos na minha mente, no meu íntimo. As que repito, incessantemente para mim própria, à exaustão. As que me atravessam o espírito. As que surgem, fugidias. Esquivas. Ariscas.
Fazem de mim gato-sapato e eu a pensar que as ponho na ordem. Qual ordem?
E dou por mim a precisar de andar com o blog no bolso. Os melhores posts, escrevo-os dentro da cabeça. Na paragem de autocarro, na casa-de-banho. Ao pequeno-almoço, dentro da caneca de café com leite. Brainstorming inconsequente.
Passo os dias a escrever e o que quero escrever não escrevo. Todos os dias posto, mas vocês não lêem. São posts perdidos, desperdiçados, lost in space. Palavras que nunca escreverei. Será que não?
Para que me servem os caderninhos?
Sou preguiçosa, demasiado preguiçosa. Tempus fugit. Os romanos eram loucos, mas eles é que sabiam. Em latim, língua morta, exprimiram uma das grandes verdades da vida.
O que andas tu a fazer da tua, Calamity?
Escrevo por prazer, por dever, por necessidade.
Escrevo porque escrever é a minha profissão, o meu ofício, o meu vício, a minha perdição.
Escrevo depressa ou devagar, com gosto ou para despachar.
Escrevo porque é preciso e porque tem de ser.
Gosto das palavras e elas retribuem-me o gosto. E, no entanto, odeiam-me, matam-me, maltratam-me.
Torturam-me.
Chegam-me em catadupa e desertam-me subitamente. Amantes inconstantes.
Escrevo-as e elas escrevem-me. Descrevem-me.
Eu cubro-as e descubro-as.
Distribuo-as, espalho-as e espalho-me. E elas tapam-me e destapam-me.
Escondo-me por detrás delas e elas... elas despem-me e expõem-me. Escancaram-me.
Gosto de brincar com as palavras e elas conhecem os jogos todos. E deixam-me pensar que sou eu que jogo com elas, quando na verdade são elas que me têm na mão. Cativa.
Claro, elas é que brincam comigo. Às escondidas, à cabra-cega. E eu pingue pongue, matraquilhos: vai para ali, foge para aqui. Ah, estás aí?! Então não podes estar acolá. Anda, mexe-te. Salta, dá uma cambalhota, transforma-te, transfigura-te.
Advérbios, adjectivos. Verbos transitivos, intransitivos. Intransigentes. Proximidade proibitiva, rima inconveniente. Sinonimiza, pá, relativiza-te. Encontra alternativa. Descobre, procura, reflecte, dá a volta, muda o tom.
Descritivo? Interrogativo.
Discurso. Diz?
Directo, indirecto. Livre. Livre? Liberdade de expressão, ilusão. A palavra é uma prisão. Uma paixão.
Escrevo por gosto, por obrigação. Todos os dias, cada vez mais, por tudo por nada. Gasto as palavras e elas sobram-me. Paradoxo? Sacerdócio.
Por isso, arranjei este blog, para despejar mais palavras. As que não uso, que desperdiço. As que não sei onde pôr. Quando resolvi criá-lo, ao blog, foi porque me dei conta que precisava de arrumar as palavras espalhadas aos molhos na minha mente, no meu íntimo. As que repito, incessantemente para mim própria, à exaustão. As que me atravessam o espírito. As que surgem, fugidias. Esquivas. Ariscas.
Fazem de mim gato-sapato e eu a pensar que as ponho na ordem. Qual ordem?
E dou por mim a precisar de andar com o blog no bolso. Os melhores posts, escrevo-os dentro da cabeça. Na paragem de autocarro, na casa-de-banho. Ao pequeno-almoço, dentro da caneca de café com leite. Brainstorming inconsequente.
Passo os dias a escrever e o que quero escrever não escrevo. Todos os dias posto, mas vocês não lêem. São posts perdidos, desperdiçados, lost in space. Palavras que nunca escreverei. Será que não?
Para que me servem os caderninhos?
Sou preguiçosa, demasiado preguiçosa. Tempus fugit. Os romanos eram loucos, mas eles é que sabiam. Em latim, língua morta, exprimiram uma das grandes verdades da vida.
O que andas tu a fazer da tua, Calamity?
6/01/2007
O grande salto epistemológico provocado pela leitora de nome Ana Paula (Olá, Ana Paula!)
Que estranho é pensar que há pessoas que nos lêem e que a gente não conhece! Pronto! - pensam os meus inúmeros e incontáveis - passou-se! E não é da própria essência da blogosfera sermos lidos(as) por pessoas que não conhecemos? Que não nos conhecem? Aliás, coisa bizarra para se pensar quando se faz profissão da palavra escrita e se é inevitavelmente lida por numerosos (aqui sim, inúmeros e incontáveis) leitores- passe a redundância.
Mas o ser pensante é por vezes assaltado por ideias esquisitas e aqui a vossa Calamity não prima pela normalidade. E foi precisamente o que me aconteceu quando me apercebi que era lida por uma blogueira de tasco privativo, de seu nome Ana Paula, que para mais foi brindada por alvíssaras dado ter sido a leitora nº 5 mil deste estabelecimento. Dei por mim a pensar: "Olha, uma blogogaija que não conheço! E que não está aqui pela primeira vez, já que confessa gostar de me ler. Xa-me cá ver o estaminé dela...". Pois. "A ligação html que acaba de digitar pertence a um tasco cibernético de carácter privativo, pelo que só com internáutico convite poderá aceder aos seus mui particulares interstícios e meandros"...
E eis senão quando a vossa Calamity dá por si tendo este brilhante pensamento: "Olha, olha, a gaija lê-me, e eu não a conheço!"
Claro que logo a seguir um dos meus alteregos, um dos grilinhos que com frequência irregular me chama à razão vira-se para mim e diz-me: "Oublá oh minha grandecíssimima desmiolada! Atão tu não bês que a maior parte das pessoas que te lêem são de ti totalmente desconhecidas?! Para que queres tu os neuroniozitos? Não sabes tu que os respectivos têm por função estabelecer sinapses? Que parte das ligações cerebrais te terá, porventura, escapado?"
E de imediato a vossa Calamity contrapõe ao censurante mecanismo do seu superego argumentando: "Pois". Assim só: pois. Mas logo de seguida, e não contente com a pobreza intelectual de tal argumento, a brilhante pensadora que por vezes toma o lugar da vossa Calamity ultrapassou o momento de bloqueio epistemológico e rebateu: "Pois. Mas julgava eu que todos os meus inúmeros e incontáveis leitores desse lugar de troca que é a blogosfera deixavam, num momento ou noutro, o seu rasto sob a forma de um comentário, a não ser que não passassem de meros viantantes cibernéticos, daqueles que cá vêm parar por aleatória ligação e, não encontrando neste tasco qualquer motivo de permanência, se eclipsam para não mais voltar". Ou seja, ao deixarem inevitavelmente assinatura blogosférica, permitiriam sempre, mais tarde ou mais cedo, que eu os CONHECESSE (Sim, inúmeros e incontáveis, admito que este conceito de CONHECIMENTO seja discutível estou pronta para argumentá-lo convosco se assim o entenderem...) "Julgava eu que assim era", pensou a vossa humilde Calamity, num daqueles raros momentos de discernimento. E afinal, eles existem. Os inúmeros e incontáveis silenciosos, digo. Que por cá passaram mais de uma vez. Que até gostaram do que leram. Mas, por algum motivo, não se pronunciaram. Até que uma posta de delirante apelo à participação popular, tal referendo blogosférico os (a, neste caso) levou a deixar pegada.
Espanto. Afinal, eles existem. Haverá outros? Pensava que os leitores silenciosos se limitavam às páginas físicas dos jornais, revistas e livros. Que se moviam tão sómente pelos registos escritos próprios da antiquíssima galáxia de Guttenberg. E confesso que esta descoberta me deixou introspectiva. Reflexiva. Pronta para um salto paradigmático. E agora? Que revelações ainda me reservará este mundo fascinante da blogosfera? Hein????
Mas o ser pensante é por vezes assaltado por ideias esquisitas e aqui a vossa Calamity não prima pela normalidade. E foi precisamente o que me aconteceu quando me apercebi que era lida por uma blogueira de tasco privativo, de seu nome Ana Paula, que para mais foi brindada por alvíssaras dado ter sido a leitora nº 5 mil deste estabelecimento. Dei por mim a pensar: "Olha, uma blogogaija que não conheço! E que não está aqui pela primeira vez, já que confessa gostar de me ler. Xa-me cá ver o estaminé dela...". Pois. "A ligação html que acaba de digitar pertence a um tasco cibernético de carácter privativo, pelo que só com internáutico convite poderá aceder aos seus mui particulares interstícios e meandros"...
E eis senão quando a vossa Calamity dá por si tendo este brilhante pensamento: "Olha, olha, a gaija lê-me, e eu não a conheço!"
Claro que logo a seguir um dos meus alteregos, um dos grilinhos que com frequência irregular me chama à razão vira-se para mim e diz-me: "Oublá oh minha grandecíssimima desmiolada! Atão tu não bês que a maior parte das pessoas que te lêem são de ti totalmente desconhecidas?! Para que queres tu os neuroniozitos? Não sabes tu que os respectivos têm por função estabelecer sinapses? Que parte das ligações cerebrais te terá, porventura, escapado?"
E de imediato a vossa Calamity contrapõe ao censurante mecanismo do seu superego argumentando: "Pois". Assim só: pois. Mas logo de seguida, e não contente com a pobreza intelectual de tal argumento, a brilhante pensadora que por vezes toma o lugar da vossa Calamity ultrapassou o momento de bloqueio epistemológico e rebateu: "Pois. Mas julgava eu que todos os meus inúmeros e incontáveis leitores desse lugar de troca que é a blogosfera deixavam, num momento ou noutro, o seu rasto sob a forma de um comentário, a não ser que não passassem de meros viantantes cibernéticos, daqueles que cá vêm parar por aleatória ligação e, não encontrando neste tasco qualquer motivo de permanência, se eclipsam para não mais voltar". Ou seja, ao deixarem inevitavelmente assinatura blogosférica, permitiriam sempre, mais tarde ou mais cedo, que eu os CONHECESSE (Sim, inúmeros e incontáveis, admito que este conceito de CONHECIMENTO seja discutível estou pronta para argumentá-lo convosco se assim o entenderem...) "Julgava eu que assim era", pensou a vossa humilde Calamity, num daqueles raros momentos de discernimento. E afinal, eles existem. Os inúmeros e incontáveis silenciosos, digo. Que por cá passaram mais de uma vez. Que até gostaram do que leram. Mas, por algum motivo, não se pronunciaram. Até que uma posta de delirante apelo à participação popular, tal referendo blogosférico os (a, neste caso) levou a deixar pegada.
Espanto. Afinal, eles existem. Haverá outros? Pensava que os leitores silenciosos se limitavam às páginas físicas dos jornais, revistas e livros. Que se moviam tão sómente pelos registos escritos próprios da antiquíssima galáxia de Guttenberg. E confesso que esta descoberta me deixou introspectiva. Reflexiva. Pronta para um salto paradigmático. E agora? Que revelações ainda me reservará este mundo fascinante da blogosfera? Hein????
5/28/2007
A correr
Não, inúmeros e incontáveis, não adormeci sobre os louros. Estou à rasca de trabalho e há vários dias que não páro. Ana Paula, não pude ir dar-te um olá ao teu blog, já que é privado. As alvíssaras são tuas! Na próxima posta falarei sobre um assunto que me suscitaste. A todos, uma abraço e até jaaaaaazzzzzzz
5/24/2007
É desta, é desta!
Agora é que é. Estamos a chegar ao marco histórico das 5 mil visitas. Sim, (i)números e (in)contáveis, eu sei. O que é isso para vocêses, que afixam nos vossos egrégios contadores estatísticas que atingem as dezenas, quiçá, as centenas de milhar de visitas?! Ah, pois é!
Mas acontece, (i)números e (in)contáveis, que, para mim, se trata de um momento a assinalar, uma efeméride inenarrável, uma placa giratória que marca a entrada da vossa Calamity no elevador da glória, a chegada à longa escadaria que leva à fama e ao estrelato, o dealbar da imortalidade, enfim... O passo seguinte é a estrelita no passeio da fama. Mas estejam descansados, (i)números e (in)contáveis: a vossa Calamity é magnânima e leal. Ou seja, quando estiver à beira da minha piscina olímpica de água salgada em Beverly Hills, dignarei receber-vos desde que me sirvam caipirinhas com duas palhinhas e gelo picado - não esquecer este último pormenor. Ah, e o açúcar mascavado, claro. Prometo deixar-vos dar um mergulhinho para aferirem da temperatura da água...
Bom, delírios à parte, arroto esta humilde posta só para dizer que é desta: estamos a chegar ao marco histórico das 5000 visitas - cinco mil! - daí que, agora sim, dão-se alvíssaras ao portador do bilhetinho com o número certo. Portanto, (i)números e (in)contáveis, já sabem. É fazer filinha, ordeiramente, à porta deste estabelecimento, respeitando mulheres grávidas, idosos e acompanhantes de crianças de colo. Nada de empurrar quem chegou primeiro, que isto aqui é uma casa de boas tradições. E o último a entrar que feche a porta, sim?...
PS DO TAMANHO DAQUI ATÉ AO CÉU - E desculpa lá, Estrelinha do meu coração, não te dedicar uma posta, mas também ficas aqui bem, nesta posta que até já falava em ti sem saber da boa nova - Como dizia o meu adorado Chico na Grand Finale da maravilhosa Ópera do Malandro:
"Ai, meu deus do céu, me sinto tão fe-liz!!!!"
Mas acontece, (i)números e (in)contáveis, que, para mim, se trata de um momento a assinalar, uma efeméride inenarrável, uma placa giratória que marca a entrada da vossa Calamity no elevador da glória, a chegada à longa escadaria que leva à fama e ao estrelato, o dealbar da imortalidade, enfim... O passo seguinte é a estrelita no passeio da fama. Mas estejam descansados, (i)números e (in)contáveis: a vossa Calamity é magnânima e leal. Ou seja, quando estiver à beira da minha piscina olímpica de água salgada em Beverly Hills, dignarei receber-vos desde que me sirvam caipirinhas com duas palhinhas e gelo picado - não esquecer este último pormenor. Ah, e o açúcar mascavado, claro. Prometo deixar-vos dar um mergulhinho para aferirem da temperatura da água...
Bom, delírios à parte, arroto esta humilde posta só para dizer que é desta: estamos a chegar ao marco histórico das 5000 visitas - cinco mil! - daí que, agora sim, dão-se alvíssaras ao portador do bilhetinho com o número certo. Portanto, (i)números e (in)contáveis, já sabem. É fazer filinha, ordeiramente, à porta deste estabelecimento, respeitando mulheres grávidas, idosos e acompanhantes de crianças de colo. Nada de empurrar quem chegou primeiro, que isto aqui é uma casa de boas tradições. E o último a entrar que feche a porta, sim?...
PS DO TAMANHO DAQUI ATÉ AO CÉU - E desculpa lá, Estrelinha do meu coração, não te dedicar uma posta, mas também ficas aqui bem, nesta posta que até já falava em ti sem saber da boa nova - Como dizia o meu adorado Chico na Grand Finale da maravilhosa Ópera do Malandro:
"Ai, meu deus do céu, me sinto tão fe-liz!!!!"
5/21/2007
Diz que é uma espécie de babyblog
Quase quase a fazer 17 meses, a Calamityzinha pecanininha está uma xuxu (ou será chuchu?). Louca pelo pai e pelos homens da família, passa dias inteiros a perguntar: "Mamã? A papá?".
Só quer comer sozinha e faz fitas se a tentam ajudar com a sopa (imaginam os meus inúmeros e incontáveis a javardice que faz às refeições...). Não me deixa vesti-la, despi-la ou mudar-lhe a fralda. Adora o Noddy (dadi), a Rua do Zoo e o Ruca. Trata dos seus bebés (babá), ralha com eles e fala sem parar. Quando a contrariam fica meia-hora a mandar vir no seu dialecto incompreensível. Mas diz distinctamente "sai daí", "dá aí" e sobretudo "não", monossílabo do qual é capaz de pronunciar todas as letras e o respectivo til com tal pormenor que se diria que já sabe ler e escrever!
Anteontem a gaijinha tirou-me completamente do sério. O mano levantou-a da cama de manhãzinha e levou-a para a sala. Ouvi-a palrar e fui lá oferecer-lhe uma bolacha para ela se entreter. Toda ufana e sem mesmo tirar a chucha da boca, vira-se para mim e exclama silabicamente: "Huuuummmm! Bo-la-chi-nha!!!
Só quer comer sozinha e faz fitas se a tentam ajudar com a sopa (imaginam os meus inúmeros e incontáveis a javardice que faz às refeições...). Não me deixa vesti-la, despi-la ou mudar-lhe a fralda. Adora o Noddy (dadi), a Rua do Zoo e o Ruca. Trata dos seus bebés (babá), ralha com eles e fala sem parar. Quando a contrariam fica meia-hora a mandar vir no seu dialecto incompreensível. Mas diz distinctamente "sai daí", "dá aí" e sobretudo "não", monossílabo do qual é capaz de pronunciar todas as letras e o respectivo til com tal pormenor que se diria que já sabe ler e escrever!
Anteontem a gaijinha tirou-me completamente do sério. O mano levantou-a da cama de manhãzinha e levou-a para a sala. Ouvi-a palrar e fui lá oferecer-lhe uma bolacha para ela se entreter. Toda ufana e sem mesmo tirar a chucha da boca, vira-se para mim e exclama silabicamente: "Huuuummmm! Bo-la-chi-nha!!!
5/13/2007
A dor maior
Aquela que nenhuma mãe quer imaginar. Não me sai da cabeça. Não me sai da cabeça. Há quem diga que esta dor é pior que a morte. Não sei.
Mas 3 de Maio foi o dia em que desapareceu a Maddie. E esta menina não me sai da cabeça. Porque 3 de Maio foi também o dia em desapareceu a Laura. E ela também nunca me saiu da cabeça. Para a mãe da Laura, foi para sempre. Para a da Maddie é o desconhecido. Poderá ser amanhã, para o mês que vem, daqui a oito anos. Poderá ser nunca mais ou para sempre. Qual é a dor maior? Não sei. Mas não me sai da cabeça.
Mas 3 de Maio foi o dia em que desapareceu a Maddie. E esta menina não me sai da cabeça. Porque 3 de Maio foi também o dia em desapareceu a Laura. E ela também nunca me saiu da cabeça. Para a mãe da Laura, foi para sempre. Para a da Maddie é o desconhecido. Poderá ser amanhã, para o mês que vem, daqui a oito anos. Poderá ser nunca mais ou para sempre. Qual é a dor maior? Não sei. Mas não me sai da cabeça.
5/07/2007
Em resposta ao senhor anónimo (ou terá sido uma senhora?)
Caro(a) anónimo(a)
Ainda bem para ti que tens emprego certo, que, além de emprego tens trabalho e sobretudo que te pagam o ordenado certinho ao fim do mês. Ainda bem para ti que sentes que pertences a alguma coisa que funciona e que, para ti, este país parece menos apimbalhado, menos bimbo, menos arcaico graças a empresas como a PT, o BPI ou a TV Cabo. Ainda bem para ti que não precisas de (sobre)viver a recibos verdes. Fico sinceramente feliz por ti, mas devo dizer-te que não me identifico em nada com a tua opinião e acho que isso ficou manifesto no meu comentário.
Aliás, se as defendes com tanto afinco, deves conhecê-las bem e saber tão bem como eu que elas praticam o subemprego e o vínculo precário, para já não referir que só não nos vão ao bolso quando não podem/conseguem. Antes numa das que enumerei que “debaixo da pata de algum deles”. Pois nisso estamos totalmente de acordo, caro(a) anónimo(a). Se não os podes vencer junta-te a eles. Aceitam-se cunhas. E tachos. Nesta altura do campeonato e da maneira como estão as coisas, não teria vergonha nem qualquer pejo em aceitar. Mas daí a defendê-las iria sempre um grande passo. Talvez se elas me tornassem, não digo milionária, mas uma pessoa de posses, digamos, confortáveis, pensasse duas vezes. Talvez virasse a casaca. Mesmo assim não sei. Desconfio que continuaria a criticá-las naquilo que têm de pior. Que é muito.
Há mais na Caixa? Ainda bem! Algo para mim? Para os meus? Para os dos outros? Aqueles que nada têm daquelas todas que citei (nem de outras, diga-se de passagem)? Aqueles que estão a recibos verdes e têm de dar todos os meses 150 à Segurança Social – ganhem zero ou dez mil - mas não podem ficar doentes nem sem trabalho e estão quase certos de que nada restará quando chegarem à dita-cuja idade da reforma? Aqueles que gostariam de trabalhar de outra maneira mas que não têm outra hipótese?
Porque para eles não há “ordenado garantido ao fim do mês”, não há “investimento”, não há “formação”, não há “emprego”, quanto muito, há “trabalho” e é quando há, e, quanto a “responsabilidade social”, para eles é uma expressão cujo significado ignoram, porque a maior parte do tempo estão demasiado ocupados em conseguir segurar as pontas até ao fim do mês. E já agora, fica a saber também que fim do mês para eles (em que eu me incluo) é algo que nada significa, pois o dinheiro não tem dia nem hora para aparecer. É pago quando é pago, se é pago. E muitas vezes são as tais empresas que dizes terem "responsabiliadade social" que não têm dia nem hora para pagar o que devem aos seus fornecedores. Sim, "fornecedores" é como eles chamam a quem para eles trabalha mas sem direito a nada.
Desculpa lá, caro(a) anónimo(a), folgo muito em saber que trabalhas para uma delas mas não me caem bem os teus argumentos.
E aproveito para acrescentar à lista a nossa querida CML (Câmara Municipal de Lisboa). E a Carris. E a EMEL. E, já agora, abaixo o grande capital, que eu sou do precariado.
Caro(a) anónimo(a), não tenho 50, mas lá chegarei, se deus nosso senhor quiser, só que, pelo andar da carruagem, a recibos verdes será. Projecto de vida? Só se fosse a ganhar o triplo ou o quádruplo do que ganho (e estou a ser modesta). Que a vida te continue a correr bem, é o que te desejo. Sinceramente.
PS: Não deixa de ser curioso que este comentário tenha sido anónimo...
Ainda bem para ti que tens emprego certo, que, além de emprego tens trabalho e sobretudo que te pagam o ordenado certinho ao fim do mês. Ainda bem para ti que sentes que pertences a alguma coisa que funciona e que, para ti, este país parece menos apimbalhado, menos bimbo, menos arcaico graças a empresas como a PT, o BPI ou a TV Cabo. Ainda bem para ti que não precisas de (sobre)viver a recibos verdes. Fico sinceramente feliz por ti, mas devo dizer-te que não me identifico em nada com a tua opinião e acho que isso ficou manifesto no meu comentário.
Aliás, se as defendes com tanto afinco, deves conhecê-las bem e saber tão bem como eu que elas praticam o subemprego e o vínculo precário, para já não referir que só não nos vão ao bolso quando não podem/conseguem. Antes numa das que enumerei que “debaixo da pata de algum deles”. Pois nisso estamos totalmente de acordo, caro(a) anónimo(a). Se não os podes vencer junta-te a eles. Aceitam-se cunhas. E tachos. Nesta altura do campeonato e da maneira como estão as coisas, não teria vergonha nem qualquer pejo em aceitar. Mas daí a defendê-las iria sempre um grande passo. Talvez se elas me tornassem, não digo milionária, mas uma pessoa de posses, digamos, confortáveis, pensasse duas vezes. Talvez virasse a casaca. Mesmo assim não sei. Desconfio que continuaria a criticá-las naquilo que têm de pior. Que é muito.
Há mais na Caixa? Ainda bem! Algo para mim? Para os meus? Para os dos outros? Aqueles que nada têm daquelas todas que citei (nem de outras, diga-se de passagem)? Aqueles que estão a recibos verdes e têm de dar todos os meses 150 à Segurança Social – ganhem zero ou dez mil - mas não podem ficar doentes nem sem trabalho e estão quase certos de que nada restará quando chegarem à dita-cuja idade da reforma? Aqueles que gostariam de trabalhar de outra maneira mas que não têm outra hipótese?
Porque para eles não há “ordenado garantido ao fim do mês”, não há “investimento”, não há “formação”, não há “emprego”, quanto muito, há “trabalho” e é quando há, e, quanto a “responsabilidade social”, para eles é uma expressão cujo significado ignoram, porque a maior parte do tempo estão demasiado ocupados em conseguir segurar as pontas até ao fim do mês. E já agora, fica a saber também que fim do mês para eles (em que eu me incluo) é algo que nada significa, pois o dinheiro não tem dia nem hora para aparecer. É pago quando é pago, se é pago. E muitas vezes são as tais empresas que dizes terem "responsabiliadade social" que não têm dia nem hora para pagar o que devem aos seus fornecedores. Sim, "fornecedores" é como eles chamam a quem para eles trabalha mas sem direito a nada.
Desculpa lá, caro(a) anónimo(a), folgo muito em saber que trabalhas para uma delas mas não me caem bem os teus argumentos.
E aproveito para acrescentar à lista a nossa querida CML (Câmara Municipal de Lisboa). E a Carris. E a EMEL. E, já agora, abaixo o grande capital, que eu sou do precariado.
Caro(a) anónimo(a), não tenho 50, mas lá chegarei, se deus nosso senhor quiser, só que, pelo andar da carruagem, a recibos verdes será. Projecto de vida? Só se fosse a ganhar o triplo ou o quádruplo do que ganho (e estou a ser modesta). Que a vida te continue a correr bem, é o que te desejo. Sinceramente.
PS: Não deixa de ser curioso que este comentário tenha sido anónimo...
4/30/2007
... E não se pode exterminá-las???
Top das 10 empresas que mais dão comigo em doida (por ordem de "preferência")
1 - PORTUGAL TELECOM - a vencedora incontestável. Grande prémio da incompetência, incapacidade, e recordista nacional do número de ataques de nervos por habitante/mês.
2 - BPI - neste momento, o grande alvo de toda a raiva, ódio e ressentimento que consegui acumular em 37 anos de vida.
3 - TVcabo - sim, sim, eu sei que eles e a PT fazem só um, mas merecem uma menção especial, porque ser tão incompetente é obra, mesmo em Portugal.
4 - Sapo - idem idem, aspas aspas, e ainda mais uma menção honrosa por conseguirem ter a conta de email mais imbecil, cretina e inimiga do utilizador desde o advento da internet em meados dos anos sessenta do século passado (ah, pois é!..)
5 - Banco Santander - por uma década de sucessivos roubos, desvios e furtos diversos nas minhas parcas economias, pelo prazo já decorrido de seis meses para darem resposta ao meu pedido de revisão de spread no meu crédito-habitação, pela amável gentileza de me oferecerem um magnífico crédito pessoal no valor de 15 mil euros, em relação ao qual se precipitaram a ligar para o meu telemóvel, continuando a ignorar o pedido atrás referido e ainda!!! (a ler em tom de Carlos Cruz nos saudosos tempos do 1,2,3 e sua histórica mascote, a não menos famosa Bota Botilde - coisas de cotas...) pelo generoso aumento de 80 euros (só cerca de 25% - o que é isso para a gente?!) na prestação do referido crédito, e sobretudo por se terem "esquecido" de me informar sobre o dito aumento, precisamente dois meses depois do meu pedido de revisão de spread. Eh lecas, esta foi comprida!
6 - Caixa Geral de Depósitos - por pretender que os potenciais clientes transfiram para si os seus créditos-habitação sem ser capaz de lhes fornecer uma simulação concreta, já que, pobrezinhos!, não dispõem de um "simulador para bonificados"!
7 - Allianz Seguros - já nem me lembro porquê, mas merecem de certeza o prémio...
8 - Pingo Doce - Por praticarem, no ramo das frutas e legumes, preços superiores a qualquer mercearia, oferecendo o décimo da qualidade e ainda pretenderem que os compremos em quantidades industriais(por que carga de água é que eu vou querer quatro tomates - quatro, a 2€98 o kg, quando a mercearia ao lado de casa os vende a menos de metade do preço? E três kgs de batatas - três, quando idem idem aspas aspas?!)
9 - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - por razões que, infelizmente, não poderei aqui divulgar.
10 - Segurança Social, repartições de finanças, CTT, conservatórias de registo predial, centros de saúde, hospitais públicos e alguns privados e todos os serviços públicos ou ao público deste país pelas horas e horas de trabalho, lazer e descanso que nos fazem perder, pelos ataques de nervos que nos proporcionam, pelo guito que nos comem, chupam, sorvem e extorquem e por todos os restantes motivos que os meus inúmeros e incontáveis estão fartos de conhecer de cor e salteado.
Contribuam, inúmeros e incontáveis, para este estudo científico da maior utilidade. Divulguem, vocês também, os nomes das vossas empresas-ódios de estimação. Todos juntos conseguiremos acabar com esta horda de inúteis que nos inferniza a vida dia após dia
Adenda: Olha, olha! estou quase a chegar a uma bela de uma capicua! Que se acuse o(a) responsável...
1 - PORTUGAL TELECOM - a vencedora incontestável. Grande prémio da incompetência, incapacidade, e recordista nacional do número de ataques de nervos por habitante/mês.
2 - BPI - neste momento, o grande alvo de toda a raiva, ódio e ressentimento que consegui acumular em 37 anos de vida.
3 - TVcabo - sim, sim, eu sei que eles e a PT fazem só um, mas merecem uma menção especial, porque ser tão incompetente é obra, mesmo em Portugal.
4 - Sapo - idem idem, aspas aspas, e ainda mais uma menção honrosa por conseguirem ter a conta de email mais imbecil, cretina e inimiga do utilizador desde o advento da internet em meados dos anos sessenta do século passado (ah, pois é!..)
5 - Banco Santander - por uma década de sucessivos roubos, desvios e furtos diversos nas minhas parcas economias, pelo prazo já decorrido de seis meses para darem resposta ao meu pedido de revisão de spread no meu crédito-habitação, pela amável gentileza de me oferecerem um magnífico crédito pessoal no valor de 15 mil euros, em relação ao qual se precipitaram a ligar para o meu telemóvel, continuando a ignorar o pedido atrás referido e ainda!!! (a ler em tom de Carlos Cruz nos saudosos tempos do 1,2,3 e sua histórica mascote, a não menos famosa Bota Botilde - coisas de cotas...) pelo generoso aumento de 80 euros (só cerca de 25% - o que é isso para a gente?!) na prestação do referido crédito, e sobretudo por se terem "esquecido" de me informar sobre o dito aumento, precisamente dois meses depois do meu pedido de revisão de spread. Eh lecas, esta foi comprida!
6 - Caixa Geral de Depósitos - por pretender que os potenciais clientes transfiram para si os seus créditos-habitação sem ser capaz de lhes fornecer uma simulação concreta, já que, pobrezinhos!, não dispõem de um "simulador para bonificados"!
7 - Allianz Seguros - já nem me lembro porquê, mas merecem de certeza o prémio...
8 - Pingo Doce - Por praticarem, no ramo das frutas e legumes, preços superiores a qualquer mercearia, oferecendo o décimo da qualidade e ainda pretenderem que os compremos em quantidades industriais(por que carga de água é que eu vou querer quatro tomates - quatro, a 2€98 o kg, quando a mercearia ao lado de casa os vende a menos de metade do preço? E três kgs de batatas - três, quando idem idem aspas aspas?!)
9 - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - por razões que, infelizmente, não poderei aqui divulgar.
10 - Segurança Social, repartições de finanças, CTT, conservatórias de registo predial, centros de saúde, hospitais públicos e alguns privados e todos os serviços públicos ou ao público deste país pelas horas e horas de trabalho, lazer e descanso que nos fazem perder, pelos ataques de nervos que nos proporcionam, pelo guito que nos comem, chupam, sorvem e extorquem e por todos os restantes motivos que os meus inúmeros e incontáveis estão fartos de conhecer de cor e salteado.
Contribuam, inúmeros e incontáveis, para este estudo científico da maior utilidade. Divulguem, vocês também, os nomes das vossas empresas-ódios de estimação. Todos juntos conseguiremos acabar com esta horda de inúteis que nos inferniza a vida dia após dia
Adenda: Olha, olha! estou quase a chegar a uma bela de uma capicua! Que se acuse o(a) responsável...
4/24/2007
Pensamento do dia
... ou melhor, do ano:
Cuidado com o que desejas, pois poderá ser-te concedido
ou ainda
Quando os deuses nos querem castigar, realizam os nossos desejos
Cuidado com o que desejas, pois poderá ser-te concedido
ou ainda
Quando os deuses nos querem castigar, realizam os nossos desejos
4/17/2007
O sol lá fora brilha mas eu sinto-me assim
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz
Chico Buarque
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz
Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais
Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais
Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz
Chico Buarque
4/03/2007
OK, não estou boa da cabeça
Ia jurar que o contador marcava 4998 quando fiz aquela posta. Pronto, vá, internem-me. Até me dava jeito ficar uns tempos de molho.
4/02/2007
Dão-se alvíssaras
(seja lá o que isso for) ao visitante nº 5000 deste blog.
3/28/2007
Olá minha querida Mãe
Cá estou eu nos Pirinéus. A viagem foi "uma treta": estava pouco confortável no autocarro*. Está a nevar "a potes"! Ontem fomos andar de raquetes, 12 kms, ou seja 3 horas. O gelo é gigante. Apanhei um bocado praí com um metro! Fiz um boneco de neve.
Tenho IMENSSAS (sic) saudades tuas.
muitos beijinhos
Tenho IMENSSAS (sic) saudades tuas.
muitos beijinhos

(a coisa era mais ou menos assim - foi o melhor que se pôde arranjar. E no sítio onde diz Clipartbláblá dizia: I LOVE YOU).
PS: BEIJOS PARA TODA A FAMÍLIA
* a viagem foi de comboio, mas o último troço - cerca de 3 horas - foi feito de autocarro... (n. da e.)
Desculpa, Príncipe, o abuso de publicar sem autorização tua e também se não está igualzinho ao que escreveste: estou a citar de memória. Não tenho aqui a(s) carta(s) que li trezentas vezes e que o carteiro deixou por cima das caixas do correio porque não me conhece e tu esqueceste-te de pôr o andar... mas acertaste na morada e, mesmo sem código postal, chegaram bem. Agora só faltas tu! Até amanhã. Tou morrendo di saudadi!
3/22/2007
O meu menino ou A grande aventura
O meu menino é o mais lindo e também o melhor filho do mundo.
O meu menino diz que sou a melhor mãe do mundo e faz-me sentir como a melhor mãe do mundo.
O meu menino é o homem da minha vida e costumo dizer que, se não fosse meu filho, casava com ele - isto se ele aceitasse casar com uma velha como eu, claro!
O meu menino é meigo e calmo e inteligente. E bonito, claro.
O meu menino tem mais juízo e discernimento que eu, o pai, ou a maior parte dos adultos que conheço.
O meu menino é generoso e justo.
O meu menino trata bem os outros meninos e também os adultos. Às vezes até melhor do que uns e outros mereceriam.
O meu menino é d'oiro, é d'oiro fino. E também de prata, diamante, esmeraldas e rubis.
O meu menino é o meu tesouro, a maior preciosidade que eu tenho na minha vida, tirando a minha menina, é claro.
O meu menino tem nove anos e acorda às oito da manhã, mesmo aos fins-de-semana; e quando a mana, de 15 meses, acorda, ele vai buscá-la ao quarto para que eu possa dormir mais um bocadinho. E chega a dar-lhe o bibas, para que eu possa dormir mais um bocadinho. Só não lhe muda a fralda, mas estamos a falar de um menino, não de um semideus!
O meu menino por vezes faz disparates, como qualquer menino e eu, como qualquer mãe, ralho com ele. Mas por vezes exagero e ele fica sentido, e com razão. Porque eu sou apenas humana e ele compreende - aliás, o meu menino compreende tudo - mas eu exijo demasiado dele. Afinal, ele é um menino. Mesmo assim, o meu menino continua a dizer que sou a melhor mãe do mundo e a fazer-me sentir como a melhor mãe do mundo.
O meu menino é óptimo aluno e muito exigente consigo próprio. Mas também gosta de brincar, , ler os livros do Harry Potter e jogar playstation e futebol; aliás, o meu menino é fanático por futebol e está constantemente aos chutos nas milhentas bolas que insiste em coleccionar. Este é um dos pontos de fricção entre o meu menino e eu e uma das razões pelas quais eu às vezes passo das marcas na minha irritação, mesmo que ele passe das marcas na sua excitação de menino.
Mas o meu menino é o melhor do mundo.
O meu menino foi ontem para a grande aventura dos seus nove anos ( e eu fiquei na grande aventura dos meus nove anos de mãe: sozinha com a Calamityzinha pecanina na casa nova). Foi com outras três turmas para os Pirinéus. E eu fui levá-lo à estação, com um gigantesco saco cheio de roupa para que ele possa enfrentar os 10 graus negativos que o esperam. E, na estação de Santa Apolónia, chorei. Sei que não fui a única e também que chorarei muitas mais vezes. Já estive noutras ocasiões longe do meu menino durante uns dias. Na primeira vez que passei uma semana longe do meu menino chorei todos os dias. Ele tinha apenas 2 anos, ou melhor, ainda não os tinha feito. Mas nessa ocasião fui eu que viajei e o meu menino ficou com o pai e avós. Desta vez o meu menino foi com a escola e nós, pais, não falaremos com eles até ao seu regresso. Apenas vamos ter notícias através do email (espero que) diário que receberemos da professora. E o meu coração de mãe não consegue deixar de estar apertadinho. Será que ele está bem? Será que não tem frio? Será que não lhe vão fazer falta as pantufas que ficaram esquecidas no chão da sala? Será que vai conseguir fazer caber tudo no gigantesco saco na hora do regresso? O que irá ele fazer se acordar de noite com um pesadelo? Quem lhe irá lembrar que tem de assoar o nariz e lavar as mãos e puxar o autoclismo quando suja a sanita? Quem lhe irá dar mil beijos de boa-noite e mil abraços de bom dia? QUEM VAI CUIDAR DO MEU MENINO?
Eu sei que os meninos crescem e que um dia a pele deliciosamente macia do meu menino irá transformar-se numa epiderme coberta de acne juvenil e depois pelinhos irão crescer e transfigurar o meu menino num homem de barba rija. Eu sei que estas experiências são maravilhosas e importantes e fundamentais para a vida e para o crescimento. Eu sei que devemos deixar voar os nossos meninos. Mas o meu menino é o meu menino. Já o era antes de nascer. Antes sequer de ser concebido. O meu menino. E assim será todos os dias da minha vida. Desde a origem dos tempos e até ao fim da eternidade. E para lá.
Amo-te desmesuradamente, meu menino. Amo-te daqui até ao infinito. E para lá. Meu menino.
PS: Este texto foi escrito ontem mas só hoje o consegui publicar
O meu menino diz que sou a melhor mãe do mundo e faz-me sentir como a melhor mãe do mundo.
O meu menino é o homem da minha vida e costumo dizer que, se não fosse meu filho, casava com ele - isto se ele aceitasse casar com uma velha como eu, claro!
O meu menino é meigo e calmo e inteligente. E bonito, claro.
O meu menino tem mais juízo e discernimento que eu, o pai, ou a maior parte dos adultos que conheço.
O meu menino é generoso e justo.
O meu menino trata bem os outros meninos e também os adultos. Às vezes até melhor do que uns e outros mereceriam.
O meu menino é d'oiro, é d'oiro fino. E também de prata, diamante, esmeraldas e rubis.
O meu menino é o meu tesouro, a maior preciosidade que eu tenho na minha vida, tirando a minha menina, é claro.
O meu menino tem nove anos e acorda às oito da manhã, mesmo aos fins-de-semana; e quando a mana, de 15 meses, acorda, ele vai buscá-la ao quarto para que eu possa dormir mais um bocadinho. E chega a dar-lhe o bibas, para que eu possa dormir mais um bocadinho. Só não lhe muda a fralda, mas estamos a falar de um menino, não de um semideus!
O meu menino por vezes faz disparates, como qualquer menino e eu, como qualquer mãe, ralho com ele. Mas por vezes exagero e ele fica sentido, e com razão. Porque eu sou apenas humana e ele compreende - aliás, o meu menino compreende tudo - mas eu exijo demasiado dele. Afinal, ele é um menino. Mesmo assim, o meu menino continua a dizer que sou a melhor mãe do mundo e a fazer-me sentir como a melhor mãe do mundo.
O meu menino é óptimo aluno e muito exigente consigo próprio. Mas também gosta de brincar, , ler os livros do Harry Potter e jogar playstation e futebol; aliás, o meu menino é fanático por futebol e está constantemente aos chutos nas milhentas bolas que insiste em coleccionar. Este é um dos pontos de fricção entre o meu menino e eu e uma das razões pelas quais eu às vezes passo das marcas na minha irritação, mesmo que ele passe das marcas na sua excitação de menino.
Mas o meu menino é o melhor do mundo.
O meu menino foi ontem para a grande aventura dos seus nove anos ( e eu fiquei na grande aventura dos meus nove anos de mãe: sozinha com a Calamityzinha pecanina na casa nova). Foi com outras três turmas para os Pirinéus. E eu fui levá-lo à estação, com um gigantesco saco cheio de roupa para que ele possa enfrentar os 10 graus negativos que o esperam. E, na estação de Santa Apolónia, chorei. Sei que não fui a única e também que chorarei muitas mais vezes. Já estive noutras ocasiões longe do meu menino durante uns dias. Na primeira vez que passei uma semana longe do meu menino chorei todos os dias. Ele tinha apenas 2 anos, ou melhor, ainda não os tinha feito. Mas nessa ocasião fui eu que viajei e o meu menino ficou com o pai e avós. Desta vez o meu menino foi com a escola e nós, pais, não falaremos com eles até ao seu regresso. Apenas vamos ter notícias através do email (espero que) diário que receberemos da professora. E o meu coração de mãe não consegue deixar de estar apertadinho. Será que ele está bem? Será que não tem frio? Será que não lhe vão fazer falta as pantufas que ficaram esquecidas no chão da sala? Será que vai conseguir fazer caber tudo no gigantesco saco na hora do regresso? O que irá ele fazer se acordar de noite com um pesadelo? Quem lhe irá lembrar que tem de assoar o nariz e lavar as mãos e puxar o autoclismo quando suja a sanita? Quem lhe irá dar mil beijos de boa-noite e mil abraços de bom dia? QUEM VAI CUIDAR DO MEU MENINO?
Eu sei que os meninos crescem e que um dia a pele deliciosamente macia do meu menino irá transformar-se numa epiderme coberta de acne juvenil e depois pelinhos irão crescer e transfigurar o meu menino num homem de barba rija. Eu sei que estas experiências são maravilhosas e importantes e fundamentais para a vida e para o crescimento. Eu sei que devemos deixar voar os nossos meninos. Mas o meu menino é o meu menino. Já o era antes de nascer. Antes sequer de ser concebido. O meu menino. E assim será todos os dias da minha vida. Desde a origem dos tempos e até ao fim da eternidade. E para lá.
Amo-te desmesuradamente, meu menino. Amo-te daqui até ao infinito. E para lá. Meu menino.
PS: Este texto foi escrito ontem mas só hoje o consegui publicar
3/19/2007
Não sei que título dar a isto
Tenho a mania de olhar para o outro lado. De querer saber o que está para lá. Na imagem refllectida pelo espelho, tudo está invertido. A esquerda passa a ser direita e esta vira canhota. Cortar o próprio cabelo é de loucos: a tesoura teima em ir na direcção contrária à pretendida e, se tentarmos aparar a franja, por pouco não furamos o olho. Falo por mim, claro.
Mas eu tenho a mania de querer saber o que está do outro lado. E, neste caso que ficou conhecido como sendo "da bebé de Penafiel", tenho-me fartado de pensar e o meu coração fica apertadinho a cada vez que me lembro desta miúda com poucas semanas menos que a minha canuca. Não está em causa a gravidade da acção que aquela senhora cometeu. Sempre me interroguei sobre que tipo de loucura poderá levar uma mulher a entrar numa maternidade e levar um bebé que não pariu. Que não carregou, que não sentiu crescer em si. Deixar uma outra mulher num desespero inigualável, inimaginável.
Mas neste caso, algumas variáveis entram em linha de conta, desde o primeiro instante em que se soube que uma recém-nascida tinha desaparecido do hospital. E eu lembro-me muito bem, até porque tinha uma nos braços, com escassas seis semanas. A estória mexeu comigo, como não podia deixar de ser. Só quem já foi mãe sabe como estas coisas mexem connosco quando temos as hormonas aos saltos, em total desassossego. Lembro-me de ter achado estranhíssimo que uma mulher acabadinha de dar à luz largasse o seu bebé no quarto para ir jantar ao refeitório. Claro que só posso falar por mim, mas, das duas vezes em que tive um bebé, não os largava sozinhos no quarto nem para ir à casa de banho. Ou, se fosse, deixava a porta aberta e mijava na beirinha da sanita, pronta a saltar que nem uma leoa sobre qualquer intruso que se atrevesse a aproximar da minha cria. Bem sei que não somos todos iguais e eu talvez não seja o melhor exemplo. Admito que sou algo paranóica. Não me apanham à espera do metro na beirinha do cais. Eu sei lá, há tanta gente louca! Mas voltando à bebé de Penafiel, desde o princípio achei os contornos da estória no mínimo bizarros. Uma mãe muito pouco desesperada. Dois filhos já retirados à família. O tal jantar no refeitório. E depois, bom, depois lá foi passando o tempo e nada. De vez em quando lembrava-me do assunto, mas confesso que na minha cabeça nunca mais encontrariam a miúda. Mas enganava-me. A miúda apareceu. Estava viva, de boa saúde e bem cuidada, ao que parece. Tinha duas irmãs e um irmão. Um pai e uma mãe. Sim, eu sei que aquela mulher a retirou do hospital e não poderia ficar com ela, até porque cometeu um crime terrível. Mas, e a miúda? Para já não falar daquele homem, que viveu durante pelo menos um ano com quatro filhos e de repente se vê só com um. Para não falar daquelas crianças que viveram todas juntas durante pelo menos uma ano. Mas, e a miúda? Tudo o que ela sempre conheceu estava ali, naquela família. Por mais que fosse um embuste. Olho para a minha menina e só me dá vontade de chorar. Como iria ela reagir se algum dia a tirassem bruscamente do ambiente que ela sempre teve como seu? Se a afastassem de uma vez só de todos os seres que formam o seu pequeno mundo? Toda a gente se lembrou de falar de vinculação em relação à Esmeralda, mas não ouvi ninguém pronunciar-se sobre a menina de Penafiel. É assim tão diferente? Porquê, alguém me explica? Ou aqui já não é o "superior interesse da criança que está em jogo"? Porque não se falou sequer em transição gradual? Porque não se permitiu à criança que fizesse um afastamento progressivo da restante família afectiva (uma expressão tão em voga), já que a mãe raptora (mas igualmente afectiva, para todos os efeitos, e choque isto quem chocar) teria obrigatoriamente de ser afastada na hora? E uma aproximação progressiva à família biológica? Que, diga-se de passagem, e desculpem-me a franqueza, não me parecia assim tão desesperada por reaver a sua criança. E, por falar nisso, o que é feito das outras duas, aquelas que lhes tinham sido retiradas? Demonstraram eles vontade de as ter com eles?
Estarei a delirar? Ou haveria outra maneira de fazer? Estará este caso a tantos anos-luz assim do de Torres Novas? Ou será a distância mais pequena ainda do que a quilométrica? Por que não ouço ninguém falar das consequências terríveis que o "regresso" (não é regresso nenhum, uma vez que ela nunca lá esteve, por assim dizer) à família biológica poderão acarretar para esta menina?
PS: À Aenima, CK, Rute e talvez mais uma ou duas das minhas queridas companheiras (mas agora não me lembro quais são) deste tasco que é a blogosfera que não consigo comentar, uma beijoca saudosa. Aenima, escreveste um post com o qual não poderia identificar-me mais. Acho que não preciso de te dizer qual foi...
CK, babe, como vai essa anca?
Mas eu tenho a mania de querer saber o que está do outro lado. E, neste caso que ficou conhecido como sendo "da bebé de Penafiel", tenho-me fartado de pensar e o meu coração fica apertadinho a cada vez que me lembro desta miúda com poucas semanas menos que a minha canuca. Não está em causa a gravidade da acção que aquela senhora cometeu. Sempre me interroguei sobre que tipo de loucura poderá levar uma mulher a entrar numa maternidade e levar um bebé que não pariu. Que não carregou, que não sentiu crescer em si. Deixar uma outra mulher num desespero inigualável, inimaginável.
Mas neste caso, algumas variáveis entram em linha de conta, desde o primeiro instante em que se soube que uma recém-nascida tinha desaparecido do hospital. E eu lembro-me muito bem, até porque tinha uma nos braços, com escassas seis semanas. A estória mexeu comigo, como não podia deixar de ser. Só quem já foi mãe sabe como estas coisas mexem connosco quando temos as hormonas aos saltos, em total desassossego. Lembro-me de ter achado estranhíssimo que uma mulher acabadinha de dar à luz largasse o seu bebé no quarto para ir jantar ao refeitório. Claro que só posso falar por mim, mas, das duas vezes em que tive um bebé, não os largava sozinhos no quarto nem para ir à casa de banho. Ou, se fosse, deixava a porta aberta e mijava na beirinha da sanita, pronta a saltar que nem uma leoa sobre qualquer intruso que se atrevesse a aproximar da minha cria. Bem sei que não somos todos iguais e eu talvez não seja o melhor exemplo. Admito que sou algo paranóica. Não me apanham à espera do metro na beirinha do cais. Eu sei lá, há tanta gente louca! Mas voltando à bebé de Penafiel, desde o princípio achei os contornos da estória no mínimo bizarros. Uma mãe muito pouco desesperada. Dois filhos já retirados à família. O tal jantar no refeitório. E depois, bom, depois lá foi passando o tempo e nada. De vez em quando lembrava-me do assunto, mas confesso que na minha cabeça nunca mais encontrariam a miúda. Mas enganava-me. A miúda apareceu. Estava viva, de boa saúde e bem cuidada, ao que parece. Tinha duas irmãs e um irmão. Um pai e uma mãe. Sim, eu sei que aquela mulher a retirou do hospital e não poderia ficar com ela, até porque cometeu um crime terrível. Mas, e a miúda? Para já não falar daquele homem, que viveu durante pelo menos um ano com quatro filhos e de repente se vê só com um. Para não falar daquelas crianças que viveram todas juntas durante pelo menos uma ano. Mas, e a miúda? Tudo o que ela sempre conheceu estava ali, naquela família. Por mais que fosse um embuste. Olho para a minha menina e só me dá vontade de chorar. Como iria ela reagir se algum dia a tirassem bruscamente do ambiente que ela sempre teve como seu? Se a afastassem de uma vez só de todos os seres que formam o seu pequeno mundo? Toda a gente se lembrou de falar de vinculação em relação à Esmeralda, mas não ouvi ninguém pronunciar-se sobre a menina de Penafiel. É assim tão diferente? Porquê, alguém me explica? Ou aqui já não é o "superior interesse da criança que está em jogo"? Porque não se falou sequer em transição gradual? Porque não se permitiu à criança que fizesse um afastamento progressivo da restante família afectiva (uma expressão tão em voga), já que a mãe raptora (mas igualmente afectiva, para todos os efeitos, e choque isto quem chocar) teria obrigatoriamente de ser afastada na hora? E uma aproximação progressiva à família biológica? Que, diga-se de passagem, e desculpem-me a franqueza, não me parecia assim tão desesperada por reaver a sua criança. E, por falar nisso, o que é feito das outras duas, aquelas que lhes tinham sido retiradas? Demonstraram eles vontade de as ter com eles?
Estarei a delirar? Ou haveria outra maneira de fazer? Estará este caso a tantos anos-luz assim do de Torres Novas? Ou será a distância mais pequena ainda do que a quilométrica? Por que não ouço ninguém falar das consequências terríveis que o "regresso" (não é regresso nenhum, uma vez que ela nunca lá esteve, por assim dizer) à família biológica poderão acarretar para esta menina?
PS: À Aenima, CK, Rute e talvez mais uma ou duas das minhas queridas companheiras (mas agora não me lembro quais são) deste tasco que é a blogosfera que não consigo comentar, uma beijoca saudosa. Aenima, escreveste um post com o qual não poderia identificar-me mais. Acho que não preciso de te dizer qual foi...
CK, babe, como vai essa anca?
3/16/2007
Bom, agora fui eu!
Andava eu a gozar com os meus inúmeros e incontáveis e eis senão quando sou, também eu, obrigada a migrar para o rachtaparta do beta. Vamos lá ver o resultado... Aparentemente está tudo na mesma, pelo menos aqui no dashboard, olá ukié.
Tenho vários assuntos para falar convosco, mas já volto. Quero ver primeiro como ficou esta coisa.
Tenho vários assuntos para falar convosco, mas já volto. Quero ver primeiro como ficou esta coisa.
3/09/2007
Geração Rasca
É a primeira vez que estou a fazer isto, mas "nécessité oblige" e eu sei que os meus inúmeros e incontáveis (cada vez em menor número, por minha causa, eu sei, que a falta de comparência paga-se caro) vão compreender.
Procuro jovens que tenham pertencido à chamada "Geração Rasca". O motivo é um trabalho sobre lutas estudantis. Se não forem desta geração mas tiverem participado em lutas estudantis, também servem. Se estiverem nesta situação ou conhecerem pessoas que me possam ajudar, por favor apitem. Também podem mandar um email para calamityjanerealmente@gmail.com. Preciso de testemunhos até meio da semana que vem.
Conto convosco, inúmeros e incontáveis.
Beijos e prometo em breve voltar ao vosso convívo com mais regularidade. Balé??
Procuro jovens que tenham pertencido à chamada "Geração Rasca". O motivo é um trabalho sobre lutas estudantis. Se não forem desta geração mas tiverem participado em lutas estudantis, também servem. Se estiverem nesta situação ou conhecerem pessoas que me possam ajudar, por favor apitem. Também podem mandar um email para calamityjanerealmente@gmail.com. Preciso de testemunhos até meio da semana que vem.
Conto convosco, inúmeros e incontáveis.
Beijos e prometo em breve voltar ao vosso convívo com mais regularidade. Balé??
2/23/2007
Eu é que estou em obras...
... mas vocês é que são forçados a mudar pró rachtaparta do beta!
Ó guentem-se!!! Eu cá continuo fiel ao velhinho alfa (será?) e mantenho os meus acentos e quejandos. Agora comentar-vos, carago, é que nem sempre é fácil, cum carácter e cum catano, ó camandro! Fico cansada. Eu até tenho boa memória, mas reescrever 3 e 4 vezes o mesmo comentário retira-lhe toda e qualquer espontaneidade, para além de que... haja pachorra!
Daí que vou daqui mandar os meus beijinhos, abraços e recadinhos pessoais em praça pública, sem links nem nada, qu'esta cena cada vez dá mais trabalho e com baixo nível de recompensa - já parece o retrato laboral do país que temos, mas isso é outro assunto e arrotarei essa post'a de pescada no momento oportuno, ou seja, quando tiver tempo e pachorra.
Dizia eu que vou daqui mandar uns recadinhos, por isso lá vai:
À linda mamã 125Azul, um beijo grande, e vou mailar-te muito em breve pra marcarmos o tal almocinho. Achei curioso falares da formiga no carreiro logo nesta data em que passam 20 anos sobre a passagem do poeta para outra dimensão do ser...
Ao Anjo que se diz Mau, também um beijo, e vou precisar de ajuda para a parte mais "física" das obras. Disseste que tinhas asas de aço, vamos lá testar isso. Depois dessa parte, os trabalhos continuam, mas em carácter residual...
À CK, que tem provado ser tão ou mais calamitosa que a própria: é claro que és!!! Mais Frenética que aquela que se diz frenética e transparece serenidade e tão neurótica quanto tu própria o anuncias. Deixa lá, filha, bem vinda ao clube! E muitos beijos pra ti também.
À Aenima: quando vens à Tugalândia? Podias combinar com a nossa CK! E marcávamos um repasto à séria, com prolongamento e muita, mas mesmo muita má língua. Que tal? Aí pelos States, deve fazer falta um pouco deste desporto nacional, não? Um beijoca pra ti.
Aos inúmeros e incontáveis que se julgam preteridos - quiçá, relegados para segundo plano: retirai essas tristes ideias dos vossos pensamentos. O que é vosso está guardado e não tardará. Sim. Isto é uma ameaça. Até jazzzzzzzzz
Ó guentem-se!!! Eu cá continuo fiel ao velhinho alfa (será?) e mantenho os meus acentos e quejandos. Agora comentar-vos, carago, é que nem sempre é fácil, cum carácter e cum catano, ó camandro! Fico cansada. Eu até tenho boa memória, mas reescrever 3 e 4 vezes o mesmo comentário retira-lhe toda e qualquer espontaneidade, para além de que... haja pachorra!
Daí que vou daqui mandar os meus beijinhos, abraços e recadinhos pessoais em praça pública, sem links nem nada, qu'esta cena cada vez dá mais trabalho e com baixo nível de recompensa - já parece o retrato laboral do país que temos, mas isso é outro assunto e arrotarei essa post'a de pescada no momento oportuno, ou seja, quando tiver tempo e pachorra.
Dizia eu que vou daqui mandar uns recadinhos, por isso lá vai:
À linda mamã 125Azul, um beijo grande, e vou mailar-te muito em breve pra marcarmos o tal almocinho. Achei curioso falares da formiga no carreiro logo nesta data em que passam 20 anos sobre a passagem do poeta para outra dimensão do ser...
Ao Anjo que se diz Mau, também um beijo, e vou precisar de ajuda para a parte mais "física" das obras. Disseste que tinhas asas de aço, vamos lá testar isso. Depois dessa parte, os trabalhos continuam, mas em carácter residual...
À CK, que tem provado ser tão ou mais calamitosa que a própria: é claro que és!!! Mais Frenética que aquela que se diz frenética e transparece serenidade e tão neurótica quanto tu própria o anuncias. Deixa lá, filha, bem vinda ao clube! E muitos beijos pra ti também.
À Aenima: quando vens à Tugalândia? Podias combinar com a nossa CK! E marcávamos um repasto à séria, com prolongamento e muita, mas mesmo muita má língua. Que tal? Aí pelos States, deve fazer falta um pouco deste desporto nacional, não? Um beijoca pra ti.
Aos inúmeros e incontáveis que se julgam preteridos - quiçá, relegados para segundo plano: retirai essas tristes ideias dos vossos pensamentos. O que é vosso está guardado e não tardará. Sim. Isto é uma ameaça. Até jazzzzzzzzz
2/10/2007
Mais vale tarde que nunca
Interrompo hoje as minhas obras de Santa Engrácia.
Arriscando-me a ser presa ;-) , e porque me foi totalmente impossível fazê-lo antes, venho publicar a minha opinião sobre O Assunto em pleno período de reflexão, pretendendo obviamente com isso influenciar o sentido do voto dos meus estimados inúmeros e incontáveis ;-)
Provavelmente quando muitos dos meus inúmeros e incontáveis chegar a ler esta piquena reflexão, já a decisão estará tomada, mas espero pelo menos influenciar dois de vós e assim mudar o curso da história de Portugal ;-)
Os inúmeros e incontáveis que me conhecem sabem muito bem o que penso acerca dO Assunto, mas, para que não fiquem dúvidas e não vá aparecer algum forasteiro (bem vindo sejas, oh tu que nunca antes houveras escancarado as portas deste humilde estaminé!...), começo por dizer alto e bom som que vou votar SIM no referendo de amanhã. Se esta intenção de voto ofender algum dos inúmeros e incontáveis, escusais de continuar a ler estas parcas linhas: podeis carregar no quadradinho do lado superior direito do ecrã e voltar noutro dia – ou, quiçá, não voltar, dependendo do tamanho da vossa ofensa. Digo isto apenas para evitar ter de apagar algum comentário pouco inteligente (ou até, eventualmente, responder-lhe, o que muito me incomodaria, dada a minha falta de tempo – e de pachorra!) ou que venha a chocar-me, a mim, Calamity, ou a algum dos meus inúmeros e incontáveis. Sou uma mecinha simples, porém sensível e certas atitudes deixam-me deveras ultrajada na minha forma de estar na vida.
Infelizmente deverei contar entre estas últimas alguns dos argumentos utilizados pelos defensores do ‘não’ que considero de tamanha má fé que seriam até capazes de me fazer mudar de ideias caso alguma vez tivesse estado indecisa ou porventura tivesse alvitrado votar de outra maneira que não aquela que já referi e que é uma decisão irrefutável, a não ser que alguma catástrofe natural ou qualquer evento altamente incapacitante me impedisse de prosseguir com o meu intento. Aliás devo dizer que entre a minha decisão de votar ‘sim’ amanhã e a de uma mulher que decida fazer um aborto existe uma semelhança incontestável: a impossibilidade de alguém nos fazer mudar de ideias, uma vez que esta decisão foi de tal forma pensada, reflectida, pesada e examinada em todos os seus aspectos que não existe qualquer forma de a alterar.
Mas vamos então ao que me traz aqui. Há oito anos atrás quando outro referendo semelhante levou uns quantos eleitores às urnas enquanto outros preferiam ir a banhos convencidos que a opinião deles não faria a diferença, num exercício de anticidadania e de irresponsabilidade inenarráveis, convenci-me de que tudo tinha sido dito e que a má-fé e a desonestidade intelectual tinham atingido os mais altos píncaros e logo seria impossível igualá-los. Enganei-me. Devo admitir que estas qualidades conseguem sempre superar-se e, como tal, nas últimas duas semanas consegui ouvir, ler e ver argumentos, discursos e formas de actuação que ultrapassam todos os limites do aceitável. Passo a enumerar alguns – e faço-o tão só para manifestar o meu espanto, desagrado e revolta e também porque penso que serviram apenas para reforçar as intenções dos que votam ‘sim’ e para esclarecer alguns indecisos, levando-os a decidir no mesmo sentido. Quero ainda dizer que escolhi só alguns dos mais incríveis por entre os que ouvi, até porque a maior parte dos outros foram de tal modo esgrimidos em programas de televisão, conversas de café, filas de supermercado, blogues e múltiplas outras publicações online e em papel que não há absolutamente necessidade alguma de continuar a chover no molhado.
1 – Dez semanas. Um feto de 10 semanas já chucha no dedo (!!!); um feto de 10 semanas já sente dor (!!!!!!!!!!); um feto de 10 semanas isto, um feto de 10 semanas aquilo; um feto de 10 semanas, pelo que sei, até já escreve à mãe. E de além-tumba. Ou caixote do lixo, ou lá o que é.
Pois bem, meus senhores. Eu já estive grávida de 10 semanas. E até fiz uma ecografia às 9 semanas e meia (que data sugestiva, não acham?!). E tenho a dizer o seguinte:
a) um feto (que nessa altura para muitos cientista e médicos é ainda tão só um embrião) de nove semanas e meia mede apenas cerca de 23 mm (o meu media, duvido que o das outras meça muito mais…). Ou seja, pouco mais que dois centímetros. Como podem então alguns senhores ( e senhoras!) andar a passear um boneco a que deram o nome de Zézinho (!!!!!) querendo fazer crer os transeuntes mais crédulos e incautos que se trata de uma réplica de um feto de 10 semanas?! Acaso o embrião/feto cresce desmesuradamente em apenas 3 dias e meio? E mesmo que digam que se trata de uma réplica absurdamente aumentada, vejam bem até que ponto lhe modificaram o aspeco em relação ao verdadeiro aspecto de um embrião/feto de 10 semanas. Acaso julgam que somos todos parvos?
b) Por que raio é que uma mulher que decida abortar depois de a lei ser aprovada decide fazê-lo no último dia do prazo legal? Acham realmente que se trata de um assunto para deixar para a última da hora tipo entrega da declaração do IRS? Estão a gozar comigo? Ou com quem? Dez semanas significa para a maioria das mulheres mais do que dois atrasos sucessivos. E querem fazer-nos crer que uma mulher que decide abortar não o faz assim que descobre estar grávida? Vai ficar à espera de quê? De curtir uns enjôozitos? De sentir os pontapés? Tipo: “ah, e tal, eu estou grávida e decidi fazer um aborto, mas já que posso fazê-lo até às 10 semanas e ainda estou de seis, vou ali de férias pró avançado da relote em S. João da Caparica e trato do assunto quando voltar e o mê Zé for trabalhar. Assim comássim ainda tenho quatro semanitas pela frente… fico a curtir uma dietazita, uns gregórios, e tal…”. Por favor! Não me lixem, está bem?
2 – A carta. Tipo: “Não falei contigo por medo que os montes e vales que me achas…” ai não, enganei-me, não era isto. Era: “Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita…”. Ai, enganei-me outra vez. A ver se acerto desta vez. “Querida mãe, querido pai, então que tal?...”. Eh pá, desculpem lá. A única forma que encontro de me referir a ESTE NOJO é a brincar. A sério não consigo. Não consigo, a sério. A coisa é de tal forma grave que penso sinceramente que os autores deste CRIME deviam ser presos preventivamente e posteriormente julgados e condenados por ofensas graves à integridade moral dos pais daquelas crianças e por maus-tratos aos miúdos. Eu retirava os meus filhos daquela escola. E processava-os. E sobre isto não quero falar mais – que até me tira o sentido de humor.
3 – A baixa natalidade em Portugal e na Europa. É o argumento mais baixo, pobre de espírito, ridículo, aviltante e desonesto que ouvi nos últimos anos. Só ultrapassado pela grandiosa calinada do genial Santana Lopes quando comparou o governo dele a um bebé na incubadora que levava estalos dos irmãos (lembram-se?).
Então aquelas benzocas horrorosas que tratam os filhos por você num exercício decadente de duvidoso amor materno querem povoar o envelhecido continente com os frutos forçados das gravidezes indesejadas das desgraçadas deste país? Querem mais recém-nascidos abandonados nas maternidades? Mais mortos em sacos de plástico metidos nos contentores do lixo? Mais putos menores a vaguear pelas ruas de saco de cola em riste ou encostados à estátua do Cutileiro à espera do cliente que lhe dará 5 ou 10 euros para comprar um panfleto de pó na Meia-Laranja? A encher os lares da Santa Casa e da Segurança Social quando todos sabemos que apenas 5 por cento deles virão um dia a ser adoptados (só isto vale vários posts que serão publicados oportunamente)? A boiar no Douro? Numa pocilga algarvia a servir de ração aos porcos? Numa ruína abandonada a espancar por divertimento um travesti sem-abrigo até à morte?
4 - Quem? Quem? Quem autorizou aquelas avantesmas a utilizar o poema da Florbela Espanca para a sua campanha? A quem pertencem os direitos de autor? Com que legitimidade colocam “Amar Perdidamente” num catrapázio gigantesco em plena Praça de Espanha? (E, quem sabe; noutros locais do país?) Não há ninguém que ponha ordem nisto???
5 – Eu sei que muitos dos defensores do ‘não’ de hoje são os mesmos que ontem se levantavam contra o planeamento familiar e a contracepção. E hoje vêm defendê-los com unhas e dentes. É bem, não digo que não. Só os estúpidos não mudam de ideias. Mas digam-me lá uma coisa. Se a vida começa na fecundação, então nenhuma delas usa D.I.U., presumo eu. Ou será que usam? E saberão elas como funciona o dito dispositivo? Ah, pois é!...
Last but not the least. Como dizia a Helena Roseta: eu não sou uma criminosa!
Vou votar SIM amanhã. Quem ainda achar algo para dizer que atire a primeira pedra.
Arriscando-me a ser presa ;-) , e porque me foi totalmente impossível fazê-lo antes, venho publicar a minha opinião sobre O Assunto em pleno período de reflexão, pretendendo obviamente com isso influenciar o sentido do voto dos meus estimados inúmeros e incontáveis ;-)
Provavelmente quando muitos dos meus inúmeros e incontáveis chegar a ler esta piquena reflexão, já a decisão estará tomada, mas espero pelo menos influenciar dois de vós e assim mudar o curso da história de Portugal ;-)
Os inúmeros e incontáveis que me conhecem sabem muito bem o que penso acerca dO Assunto, mas, para que não fiquem dúvidas e não vá aparecer algum forasteiro (bem vindo sejas, oh tu que nunca antes houveras escancarado as portas deste humilde estaminé!...), começo por dizer alto e bom som que vou votar SIM no referendo de amanhã. Se esta intenção de voto ofender algum dos inúmeros e incontáveis, escusais de continuar a ler estas parcas linhas: podeis carregar no quadradinho do lado superior direito do ecrã e voltar noutro dia – ou, quiçá, não voltar, dependendo do tamanho da vossa ofensa. Digo isto apenas para evitar ter de apagar algum comentário pouco inteligente (ou até, eventualmente, responder-lhe, o que muito me incomodaria, dada a minha falta de tempo – e de pachorra!) ou que venha a chocar-me, a mim, Calamity, ou a algum dos meus inúmeros e incontáveis. Sou uma mecinha simples, porém sensível e certas atitudes deixam-me deveras ultrajada na minha forma de estar na vida.
Infelizmente deverei contar entre estas últimas alguns dos argumentos utilizados pelos defensores do ‘não’ que considero de tamanha má fé que seriam até capazes de me fazer mudar de ideias caso alguma vez tivesse estado indecisa ou porventura tivesse alvitrado votar de outra maneira que não aquela que já referi e que é uma decisão irrefutável, a não ser que alguma catástrofe natural ou qualquer evento altamente incapacitante me impedisse de prosseguir com o meu intento. Aliás devo dizer que entre a minha decisão de votar ‘sim’ amanhã e a de uma mulher que decida fazer um aborto existe uma semelhança incontestável: a impossibilidade de alguém nos fazer mudar de ideias, uma vez que esta decisão foi de tal forma pensada, reflectida, pesada e examinada em todos os seus aspectos que não existe qualquer forma de a alterar.
Mas vamos então ao que me traz aqui. Há oito anos atrás quando outro referendo semelhante levou uns quantos eleitores às urnas enquanto outros preferiam ir a banhos convencidos que a opinião deles não faria a diferença, num exercício de anticidadania e de irresponsabilidade inenarráveis, convenci-me de que tudo tinha sido dito e que a má-fé e a desonestidade intelectual tinham atingido os mais altos píncaros e logo seria impossível igualá-los. Enganei-me. Devo admitir que estas qualidades conseguem sempre superar-se e, como tal, nas últimas duas semanas consegui ouvir, ler e ver argumentos, discursos e formas de actuação que ultrapassam todos os limites do aceitável. Passo a enumerar alguns – e faço-o tão só para manifestar o meu espanto, desagrado e revolta e também porque penso que serviram apenas para reforçar as intenções dos que votam ‘sim’ e para esclarecer alguns indecisos, levando-os a decidir no mesmo sentido. Quero ainda dizer que escolhi só alguns dos mais incríveis por entre os que ouvi, até porque a maior parte dos outros foram de tal modo esgrimidos em programas de televisão, conversas de café, filas de supermercado, blogues e múltiplas outras publicações online e em papel que não há absolutamente necessidade alguma de continuar a chover no molhado.
1 – Dez semanas. Um feto de 10 semanas já chucha no dedo (!!!); um feto de 10 semanas já sente dor (!!!!!!!!!!); um feto de 10 semanas isto, um feto de 10 semanas aquilo; um feto de 10 semanas, pelo que sei, até já escreve à mãe. E de além-tumba. Ou caixote do lixo, ou lá o que é.
Pois bem, meus senhores. Eu já estive grávida de 10 semanas. E até fiz uma ecografia às 9 semanas e meia (que data sugestiva, não acham?!). E tenho a dizer o seguinte:
a) um feto (que nessa altura para muitos cientista e médicos é ainda tão só um embrião) de nove semanas e meia mede apenas cerca de 23 mm (o meu media, duvido que o das outras meça muito mais…). Ou seja, pouco mais que dois centímetros. Como podem então alguns senhores ( e senhoras!) andar a passear um boneco a que deram o nome de Zézinho (!!!!!) querendo fazer crer os transeuntes mais crédulos e incautos que se trata de uma réplica de um feto de 10 semanas?! Acaso o embrião/feto cresce desmesuradamente em apenas 3 dias e meio? E mesmo que digam que se trata de uma réplica absurdamente aumentada, vejam bem até que ponto lhe modificaram o aspeco em relação ao verdadeiro aspecto de um embrião/feto de 10 semanas. Acaso julgam que somos todos parvos?
b) Por que raio é que uma mulher que decida abortar depois de a lei ser aprovada decide fazê-lo no último dia do prazo legal? Acham realmente que se trata de um assunto para deixar para a última da hora tipo entrega da declaração do IRS? Estão a gozar comigo? Ou com quem? Dez semanas significa para a maioria das mulheres mais do que dois atrasos sucessivos. E querem fazer-nos crer que uma mulher que decide abortar não o faz assim que descobre estar grávida? Vai ficar à espera de quê? De curtir uns enjôozitos? De sentir os pontapés? Tipo: “ah, e tal, eu estou grávida e decidi fazer um aborto, mas já que posso fazê-lo até às 10 semanas e ainda estou de seis, vou ali de férias pró avançado da relote em S. João da Caparica e trato do assunto quando voltar e o mê Zé for trabalhar. Assim comássim ainda tenho quatro semanitas pela frente… fico a curtir uma dietazita, uns gregórios, e tal…”. Por favor! Não me lixem, está bem?
2 – A carta. Tipo: “Não falei contigo por medo que os montes e vales que me achas…” ai não, enganei-me, não era isto. Era: “Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita…”. Ai, enganei-me outra vez. A ver se acerto desta vez. “Querida mãe, querido pai, então que tal?...”. Eh pá, desculpem lá. A única forma que encontro de me referir a ESTE NOJO é a brincar. A sério não consigo. Não consigo, a sério. A coisa é de tal forma grave que penso sinceramente que os autores deste CRIME deviam ser presos preventivamente e posteriormente julgados e condenados por ofensas graves à integridade moral dos pais daquelas crianças e por maus-tratos aos miúdos. Eu retirava os meus filhos daquela escola. E processava-os. E sobre isto não quero falar mais – que até me tira o sentido de humor.
3 – A baixa natalidade em Portugal e na Europa. É o argumento mais baixo, pobre de espírito, ridículo, aviltante e desonesto que ouvi nos últimos anos. Só ultrapassado pela grandiosa calinada do genial Santana Lopes quando comparou o governo dele a um bebé na incubadora que levava estalos dos irmãos (lembram-se?).
Então aquelas benzocas horrorosas que tratam os filhos por você num exercício decadente de duvidoso amor materno querem povoar o envelhecido continente com os frutos forçados das gravidezes indesejadas das desgraçadas deste país? Querem mais recém-nascidos abandonados nas maternidades? Mais mortos em sacos de plástico metidos nos contentores do lixo? Mais putos menores a vaguear pelas ruas de saco de cola em riste ou encostados à estátua do Cutileiro à espera do cliente que lhe dará 5 ou 10 euros para comprar um panfleto de pó na Meia-Laranja? A encher os lares da Santa Casa e da Segurança Social quando todos sabemos que apenas 5 por cento deles virão um dia a ser adoptados (só isto vale vários posts que serão publicados oportunamente)? A boiar no Douro? Numa pocilga algarvia a servir de ração aos porcos? Numa ruína abandonada a espancar por divertimento um travesti sem-abrigo até à morte?
4 - Quem? Quem? Quem autorizou aquelas avantesmas a utilizar o poema da Florbela Espanca para a sua campanha? A quem pertencem os direitos de autor? Com que legitimidade colocam “Amar Perdidamente” num catrapázio gigantesco em plena Praça de Espanha? (E, quem sabe; noutros locais do país?) Não há ninguém que ponha ordem nisto???
5 – Eu sei que muitos dos defensores do ‘não’ de hoje são os mesmos que ontem se levantavam contra o planeamento familiar e a contracepção. E hoje vêm defendê-los com unhas e dentes. É bem, não digo que não. Só os estúpidos não mudam de ideias. Mas digam-me lá uma coisa. Se a vida começa na fecundação, então nenhuma delas usa D.I.U., presumo eu. Ou será que usam? E saberão elas como funciona o dito dispositivo? Ah, pois é!...
Last but not the least. Como dizia a Helena Roseta: eu não sou uma criminosa!
Vou votar SIM amanhã. Quem ainda achar algo para dizer que atire a primeira pedra.
2/08/2007
1/24/2007
... a excepção
Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer, despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Triste é o virar de costas, o último adeus
Sabe Deus o que quero dizer
Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir,
se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
É o amor, que chega ao fim, um final assim,
assim é mais fácil de entender
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender!
... desculpem-me os fãs, mas não gosto dos Gift...
regresso às obras; até jazz
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer, despedir-me de ti
Adeus um dia voltarei a ser feliz
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei, o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Triste é o virar de costas, o último adeus
Sabe Deus o que quero dizer
Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir,
se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender
É o amor, que chega ao fim, um final assim,
assim é mais fácil de entender
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor,
não sei o que é sentir, se por falar falei
Pensei que se falasse era fácil de entender!
... desculpem-me os fãs, mas não gosto dos Gift...
regresso às obras; até jazz
1/11/2007
12/22/2006
um post de Natal
3001! Abri este humilde bloguinho e o contador marcava 3001! Portanto a pessoa que cá veio imediatamente antes foi a 3000. Acuse-se, inúmero e incontável (neste caso, contável, pois!), para que possa entregar-lhe o prémio respectivo. Eh eh eh!
Em primeiro lugar, quero agradecer aos meus inúmeros e incontáveis a gentileza com que se acotovelaram neste exíguo cantinho a fim de me darem os parabéns, assim como aos meus dois primorosos rebentos. Foi bom sentir o calor da blogosfera no meio deste frio polar e, apesar de se terem a modos que confundido com o aniversário do gaijito, a malta ficou contente. A todos, obrigada!
Às 04h17 desta madrugada fez um ano que a gaijita pecanininha se esgueirou cá para fora, toda enrodilhada em mais de noventa centímetros de cordão umbilical "anormalmente comprido e fino" nas palavras do meu querido médico que fortunadamente se encontrava de serviço naquela noite de solstício e fez a gentileza de aparecer à hora h no quarto onde eu fazia uma dilatação meteórica.
Quanto a mim, naquele momento, já perdera completamente a estribeiras e berrava que me dessem a epidural ou eu própria arrancaria "aquilo" (falo das duas cintas do CTG e seus respectivos rachtaparta de sensores). Ao que o meu querido doutor respondia com a sua fleuma quase britânica: "Oh minha querida, a estas horas vai ser difícil trazer um anestesista cá acima."
- Então dêem-me morfina!
- Mas isso está assim tão mal? Ainda agora foi observada e só tinha dois dedos...
- Doutor, eu já tive um filho antes. E digo-lhe que não tenho dois dedos. Talvez nem quatro...
- Deixe lá ver... Ah, pois é, isto já vai em sete, não, oito! Faça só um bocadinho de força…vai nascer! Sras enfermeiras, preparem já a maca e a sala de partos!
Poucos minutos depois, num ambiente tipo E.R., o médico perdia a sua proverbial fleuma para gritar que eu parasse imediatamente de fazer força enquanto berrava às três enfermeiras que lhe trouxessem sei lá o quê. O pânico era geral: a mini Calamity não tinha uma circular. Tinha três. E não era no pescoço: era no corpinho todo. Em boa hora o meu querido personal doctor resolvera passar lá pelo estaminé a ver se a Calamity estava a aguentar firme os supostos dois dedos de dilatação, entretanto promovidos a dilatação completa enquanto o diabo esfrega um olho, ocitocina oblige. Escusado será dizer que o bom do homem libertou a minha princesa em poucos segundos, ma colocou na barriga enquanto garantia que a mecinha era cá das rijas e logo a levaram, rachtaparta estes hospitais da treta que garantem ser amigos dos bebés e depois os deixam por três horas longe das mães ao mesmo tempo que garantem às ditas recém-paridas, doridas, expectantes e duvidosas - e traumatizadas na sequência de um susto do caraças! - que “está tudo bem, ela está só a aquecer um bocadinho”.
- Então por que não ma trazem, que ela aquece junto à mãe, que é onde deve estar?
- Descanse lá um bocadinho, que já a trazemos.
Pois. Sete da matina. Finalmente a princesa chega, toda encolhidita no seu body de hospital – que nem foram capazes de mandar pedir a roupa dela, enfim, adiante… - para a sua primeira mamada. Tudo corre bem. Vejo-a pela terceira vez, agora mais calmamente, eu própria mais consciente. E estranho-a, que estranho. Tanto quanto reconhecera o irmão, oito anos e nove dias antes, como se sempre o tivesse conhecido. Estranho-a a tal ponto que tenho medo de ter sido enganada e que algo se passe com ela. Algo de errado, de terrivelmente errado. Algo que me deixa tão angustiada que até tenho medo de o verbalizar. E quando o médico aparece para nos visitar, antes de sair de turno, pergunto-lhe, a medo:
- De certeza que está tudo bem com a minha filha, doutor?
- Claro que sim, é linda, a sua filha, mas porquê, o que é que a está a preocupar?
- Não sei, ela… tem cara de chinesa…
- Então e você, tem cara de quê?
Bom. Sendo assim… Claro que a miúda não tinha nada, eu é que tinha as hormonas aos tropeções, o cansaço e a emoção ao rubro e ela tinha nascido menos “acabada” que o mano. Mais amorratada, enxovalhada e vermelhusca. Ao passo que ele, o único recém-nascido que eu tivera anteriormente, lisinho, lindo, um bebé “feito”. Enfim, pancas de parturiente.
A Calamityzinha pecanininha está com um ano e lindona como o seu manãozão grandalhão bonitão que fez nove (oh, meu deus, como pode o filho ter nove anos?!!!!) há dias. Um dia destes contarei sobre o nascimento dele, se vier ao caso.
Tudo isto era só para dizer que ver crescer um filho é maravilhoso. Ver crescer dois é grandioso. E longe de querer transformar este estamine num babyblog, hoje apeteceu-me partilhar isto com os meus inúmeros e incontáveis. E agora vou ali e já venho.
Feliz Natal a todos! Oh oh oh!
Em primeiro lugar, quero agradecer aos meus inúmeros e incontáveis a gentileza com que se acotovelaram neste exíguo cantinho a fim de me darem os parabéns, assim como aos meus dois primorosos rebentos. Foi bom sentir o calor da blogosfera no meio deste frio polar e, apesar de se terem a modos que confundido com o aniversário do gaijito, a malta ficou contente. A todos, obrigada!
Às 04h17 desta madrugada fez um ano que a gaijita pecanininha se esgueirou cá para fora, toda enrodilhada em mais de noventa centímetros de cordão umbilical "anormalmente comprido e fino" nas palavras do meu querido médico que fortunadamente se encontrava de serviço naquela noite de solstício e fez a gentileza de aparecer à hora h no quarto onde eu fazia uma dilatação meteórica.
Quanto a mim, naquele momento, já perdera completamente a estribeiras e berrava que me dessem a epidural ou eu própria arrancaria "aquilo" (falo das duas cintas do CTG e seus respectivos rachtaparta de sensores). Ao que o meu querido doutor respondia com a sua fleuma quase britânica: "Oh minha querida, a estas horas vai ser difícil trazer um anestesista cá acima."
- Então dêem-me morfina!
- Mas isso está assim tão mal? Ainda agora foi observada e só tinha dois dedos...
- Doutor, eu já tive um filho antes. E digo-lhe que não tenho dois dedos. Talvez nem quatro...
- Deixe lá ver... Ah, pois é, isto já vai em sete, não, oito! Faça só um bocadinho de força…vai nascer! Sras enfermeiras, preparem já a maca e a sala de partos!
Poucos minutos depois, num ambiente tipo E.R., o médico perdia a sua proverbial fleuma para gritar que eu parasse imediatamente de fazer força enquanto berrava às três enfermeiras que lhe trouxessem sei lá o quê. O pânico era geral: a mini Calamity não tinha uma circular. Tinha três. E não era no pescoço: era no corpinho todo. Em boa hora o meu querido personal doctor resolvera passar lá pelo estaminé a ver se a Calamity estava a aguentar firme os supostos dois dedos de dilatação, entretanto promovidos a dilatação completa enquanto o diabo esfrega um olho, ocitocina oblige. Escusado será dizer que o bom do homem libertou a minha princesa em poucos segundos, ma colocou na barriga enquanto garantia que a mecinha era cá das rijas e logo a levaram, rachtaparta estes hospitais da treta que garantem ser amigos dos bebés e depois os deixam por três horas longe das mães ao mesmo tempo que garantem às ditas recém-paridas, doridas, expectantes e duvidosas - e traumatizadas na sequência de um susto do caraças! - que “está tudo bem, ela está só a aquecer um bocadinho”.
- Então por que não ma trazem, que ela aquece junto à mãe, que é onde deve estar?
- Descanse lá um bocadinho, que já a trazemos.
Pois. Sete da matina. Finalmente a princesa chega, toda encolhidita no seu body de hospital – que nem foram capazes de mandar pedir a roupa dela, enfim, adiante… - para a sua primeira mamada. Tudo corre bem. Vejo-a pela terceira vez, agora mais calmamente, eu própria mais consciente. E estranho-a, que estranho. Tanto quanto reconhecera o irmão, oito anos e nove dias antes, como se sempre o tivesse conhecido. Estranho-a a tal ponto que tenho medo de ter sido enganada e que algo se passe com ela. Algo de errado, de terrivelmente errado. Algo que me deixa tão angustiada que até tenho medo de o verbalizar. E quando o médico aparece para nos visitar, antes de sair de turno, pergunto-lhe, a medo:
- De certeza que está tudo bem com a minha filha, doutor?
- Claro que sim, é linda, a sua filha, mas porquê, o que é que a está a preocupar?
- Não sei, ela… tem cara de chinesa…
- Então e você, tem cara de quê?
Bom. Sendo assim… Claro que a miúda não tinha nada, eu é que tinha as hormonas aos tropeções, o cansaço e a emoção ao rubro e ela tinha nascido menos “acabada” que o mano. Mais amorratada, enxovalhada e vermelhusca. Ao passo que ele, o único recém-nascido que eu tivera anteriormente, lisinho, lindo, um bebé “feito”. Enfim, pancas de parturiente.
A Calamityzinha pecanininha está com um ano e lindona como o seu manãozão grandalhão bonitão que fez nove (oh, meu deus, como pode o filho ter nove anos?!!!!) há dias. Um dia destes contarei sobre o nascimento dele, se vier ao caso.
Tudo isto era só para dizer que ver crescer um filho é maravilhoso. Ver crescer dois é grandioso. E longe de querer transformar este estamine num babyblog, hoje apeteceu-me partilhar isto com os meus inúmeros e incontáveis. E agora vou ali e já venho.
Feliz Natal a todos! Oh oh oh!
12/14/2006
Serei retrógrada?
Este é mais prás meninas que prós meninos - desculpem lá, mas esta questão simplesmente não se pode colocar a um homem (a não ser, talvez, a um Zé Castelo Branco, but then, again...). Quando vou comprar um soutien (eh pá, não consigo escrever com aquela ortografia sutiã, chamem-me snob se quiserem, mas é mesmo assim), se espreitar para dentro da loja de lingerie e me aperceber que corro o risco de ser atendida por um homem, nem sequer entro. Se for um velho, então, é certinho que aquela loja fica riscada do mapa. Mas mesmo que fosse um gajo giro - coisa que, por acaso ou talvez não, nunca aconteceu até hoje - , não sei se me sentiria muito à vontade para lhe comprar roupa interior. E quem me conhece sabe que estou longe de ser aquilo que se chama um mecinha pudica. Agora, francamente, não me estou a ver a pedir um 34 copa C a um gajo ou a explicar-lhe que não pode ser aquele modelo em vez do outro porque não suporto armações nas minhas ricas costelas. Ou outros pormenores íntimos do género. Afinal, sempre há profissões que assentam melhor a um género do que a outro, contrariamente ao que eu própria, do alto da minha suposta atitude equalitária, sempre pensei e apregoei. E eu tenho para mim (yes! há anos que queria usar esta expressão - "tenho para mim" - e nunca tinha conseguido!) que uma loja de lingerie com empregados do género masculino está destinada a ter lucros inferiores a uma que só empregasse mulheres. Mas, daí, talvez seja retrógrada e esteja enganada. Meninas! Este é um apelo muito sério: debatam o assunto com serenidade, mas com verdade, por favor. Os meninos também se podem pronunciar, mas, atenção! Tudo dentro do maior respeito...
PS: Atenção, inúmeros e incontáveis modernaços que resolveram aderir ao beta blogger ou lá o que é: não consigo comentar-vos! É o que dá o rachtaparta das modernices. Impossível fazer loggin, mesmo depois de estar perfeitamente assinada e identificada nos resto dos blogs todos. Adorava retornar visitas e colocar algumas em dia, mas tornou-se perfeitamente impossível. A estes particularmente - já que aos outros posso ir dar uma beijoca "pessoalmente" - os meus votos de feliz natal e um próspero ano novo (é assim que se diz, não é?)
PS: Atenção, inúmeros e incontáveis modernaços que resolveram aderir ao beta blogger ou lá o que é: não consigo comentar-vos! É o que dá o rachtaparta das modernices. Impossível fazer loggin, mesmo depois de estar perfeitamente assinada e identificada nos resto dos blogs todos. Adorava retornar visitas e colocar algumas em dia, mas tornou-se perfeitamente impossível. A estes particularmente - já que aos outros posso ir dar uma beijoca "pessoalmente" - os meus votos de feliz natal e um próspero ano novo (é assim que se diz, não é?)
11/29/2006
Interrupção da interrupção
O Nada Como Realmente tem o prazer de interromper esta interrupção
para anunciar aos estimados inúmeros e incontáveis que
É OFICIAL: A Calamityzinha pecanininha
JÁ ANDA!!!!!
já a mãe ainda cá anda, embora possa não parecer...
para anunciar aos estimados inúmeros e incontáveis que
É OFICIAL: A Calamityzinha pecanininha
JÁ ANDA!!!!!
já a mãe ainda cá anda, embora possa não parecer...
11/26/2006
11/13/2006
Não tenho tempo
Desculpem qualquer coisinha! Voltarei ao vosso convívio logo que possível. Tenho saudades vossas. Assim que puder aparecer passo pelos vossos bloguinhos a avisar, ok?
Até jaaaaaaazzzzzzzzzzzz
Até jaaaaaaazzzzzzzzzzzz
11/03/2006
Corantes, conservantes, aditivos alimentares, E's e afins
Há uns tempos atrás descobri o puré de batata congelado. Muito mais saboroso que o de pacote, aproxima-se do caseiro e permite fazer cozinhados mais elaborados. Tinha ainda a vantagem de conter apenas ingredientes naturais: batata, manteiga, noz-moscada. E digo "tinha" porque há uns dias fui ao Pingo Doce buscar um pacote e, como é meu hábito (vício? mania?), percorri a lista de ingredientes. Voltei a arrumar o pacote de puré congelado no respectivo compartimento frigorífico. De repente passou a conter seis "E's"...
Durante muitos meses consumi uns iogurtes da marca dia, com pedaços de avelã. Achava-os fabulosos. Deliciosos. Até ao dia em que comprei outros, da mesma marca, mas que, à diferença destes, possuíam listagem de ingredientes em inglês. A leitura destes foi para mim uma dolorosa reveleção: os iogurtes continham, pasmem-se os inúmeros e incontáveis, gelatina de suíno! Fiquei tão enojada que fui logo esmiuçar os ingredientes dos outros. Não faziam menção do dito animal, mas referia-se a presença de gelatina. Iniciei então uma investigação inglória junto dos serviços ao cliente (??!!!) do referido supermercado: conteriam ou não os ditos-cujos iogurtes gelatina de porco? Inúmeras démarches pessoais e telefónicas não lograram revelar-me a tão almejada verdade. Pelo sim pelo não deixei de comprar e consumir os supra-citados iogurtes. Alguns meses mais tarde a lista dos ingredientes foi alterada e fiquei a saber que, afinal, tinha tido razão e os tais iogurtes sempre continham gelatina de proveniência suína. Só de pensar nisso ainda fico com sintomas semelhantes às primeiras semanas de gravidez...
Ainda no capítulo dos iogurtes, de que sou grande consumidora, os meus preferidos (dos que trazem pedaços de fruta) são os "Pomar" da Yoplait. Têm uma boa relação qualidade/preço, pedaços de fruta gigantescos e em quantidade apreciável. Gosto deles de cereja. E até há uns meses atrás, não continham vestígios dos famigerados "E's". Pois bem, os "E's" já constam. Só não deixei de consumir os ditos-cujos iogurtes porque são de facto muito bons e porque começo a interrogar-me sobre o que comer...
Alguém sabe onde se pode encontrar comida natural, sem porcarias? Ou não me digam que andamos a comer "E's" e afins desde sempre, mas só agora nos foi revelado. Descubro "E's" nos produtos mais insuspeitos, até nos tradicionais. Por exemplo: chouriço (4 a 6 "E's"), natas "frescas" (2 a 3 "E's"), pão (!!!!!!) (chega a ter 6 "E's"), etc, etc, etc.
Porque é que não nos dizem a verdade? O que são os "E's"? Que legitimidade têm os fabricantes de dar aos químicos e outros aditivos que colocam nos produtos alimentares nomes de código que não querem dizer absolutamente nada para o comum consumidor em vez de nos esclarecer sobre o que realmente estamos a ingerir???!!!
(continua)
Durante muitos meses consumi uns iogurtes da marca dia, com pedaços de avelã. Achava-os fabulosos. Deliciosos. Até ao dia em que comprei outros, da mesma marca, mas que, à diferença destes, possuíam listagem de ingredientes em inglês. A leitura destes foi para mim uma dolorosa reveleção: os iogurtes continham, pasmem-se os inúmeros e incontáveis, gelatina de suíno! Fiquei tão enojada que fui logo esmiuçar os ingredientes dos outros. Não faziam menção do dito animal, mas referia-se a presença de gelatina. Iniciei então uma investigação inglória junto dos serviços ao cliente (??!!!) do referido supermercado: conteriam ou não os ditos-cujos iogurtes gelatina de porco? Inúmeras démarches pessoais e telefónicas não lograram revelar-me a tão almejada verdade. Pelo sim pelo não deixei de comprar e consumir os supra-citados iogurtes. Alguns meses mais tarde a lista dos ingredientes foi alterada e fiquei a saber que, afinal, tinha tido razão e os tais iogurtes sempre continham gelatina de proveniência suína. Só de pensar nisso ainda fico com sintomas semelhantes às primeiras semanas de gravidez...
Ainda no capítulo dos iogurtes, de que sou grande consumidora, os meus preferidos (dos que trazem pedaços de fruta) são os "Pomar" da Yoplait. Têm uma boa relação qualidade/preço, pedaços de fruta gigantescos e em quantidade apreciável. Gosto deles de cereja. E até há uns meses atrás, não continham vestígios dos famigerados "E's". Pois bem, os "E's" já constam. Só não deixei de consumir os ditos-cujos iogurtes porque são de facto muito bons e porque começo a interrogar-me sobre o que comer...
Alguém sabe onde se pode encontrar comida natural, sem porcarias? Ou não me digam que andamos a comer "E's" e afins desde sempre, mas só agora nos foi revelado. Descubro "E's" nos produtos mais insuspeitos, até nos tradicionais. Por exemplo: chouriço (4 a 6 "E's"), natas "frescas" (2 a 3 "E's"), pão (!!!!!!) (chega a ter 6 "E's"), etc, etc, etc.
Porque é que não nos dizem a verdade? O que são os "E's"? Que legitimidade têm os fabricantes de dar aos químicos e outros aditivos que colocam nos produtos alimentares nomes de código que não querem dizer absolutamente nada para o comum consumidor em vez de nos esclarecer sobre o que realmente estamos a ingerir???!!!
(continua)
10/25/2006
28 de Setembro de 2006
Este já está escrito há uns dias largos. Hesitei bastante entre postá-lo ou não postá-lo. Mas tendo em conta isto e agora também isto, desbloqueei. Hoje é então outro dia
Faz hoje dez anos que te foste, como uma sereia por entre as ondas. Sem fazer barulho e sem te despedir. Não sei se sabes, mas deixaste a conversa a meio. Já não me lembro do que falávamos, confesso. Nem sei mesmo se na altura me lembrei. Mas sei que durante muito, muito tempo, foi esta sensação bizarra que me ficou, a da conversa interrompida. Tipo: “onde é que nós íamos, mesmo?” Isso e um par de olhos esbugalhados, aquelas imagens presas na retina, como uma objectiva que tivesse ficado para sempre bloqueada no acto de fotografar... o horror.
Faz hoje dez anos que te foste, mas não penses que só hoje te escrevo à boa tradição portuguesa, de só recordar quem partiu nos dias dos aniversários. O Pessoa descrevia muito bem esse fenómeno naquele poema “Se te queres matar...”. Assim:
“Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.”
Não, não penses isso. Nestes dez anos não deve ter havido um único dos três mil seiscentos e cinquenta e tal dias em que não me tenha lembrado de ti.
E no entanto, a tua passagem pela minha vida foi pouco mais que meteórica. Durante muito tempo também, me interroguei sobre os motivos dessa passagem: porquê? Porque é que os deuses insistiam em colocar estas pessoas no meu caminho para logo depois as levarem? Qual o significado? Qual a razão? Depois veio aquele anúncio. Aquela menina não teria mais que quatro anos. Mas eu sei que eras tu.E logo a seguir, aquela música, que ainda hoje me custa ouvir. E que, eu sei, foi escrita para ti, pelo menos aquela parte:
Frio,
o mar
Por entre o corpo
Fraco de lutar.
Quente,
O chão
Onde te estendo
E te levo a razão.
Longa a noite
E só o sol
Quebra o silêncio,
Madrugada de cristal.
Leve, lento, nu, fiel
E este vento
Que te navega na pele.
Eu sei. Esta canção de amor, o Abrunhosa não deve ter pensado que a alguém pudesse ter soado como a banda sonora de um filme de terror. Mas soou.
E de repente, cinco anos passaram. E foi a vez dele*. Outro anjo efémero. Outra passagem súbita. Sem sentido. Cheguei a interrogar-me se teriam sido reais, vocês dois. Ou apenas figuras oníricas de um sonho tão intenso. Ambos existiram para mim durante apenas cinco semanas. Cinco semanas que foram toda uma vida. E que ainda doem. E eu sei que não vieram para magoar, mas então, vieram para quê???
Depois veio aquele dia: 26 de Dezembro de 2004. De repente, milhões de retinas ficavam também elas assim, esbugalhadas, incrédulas. E eu, que não estava lá, eu, que nunca viajara a leste de Estrasburgo, vi-me ali, em Phuket, em Phi Phi, em Samatra, em Meulaboh, em Jaffna, em Muttur, em Aceh, a reviver aquela tarde. O mesmo pesadelo elevado à potência n...
Tinhas vinte anos. Hoje terias trinta. Terias terminado o curso de psicologia ou talvez não. Terias aproveitado bem o tempo ou talvez não. Ter-te ias mantido bonita ou talvez não. Talvez estivesses mais bonita ainda ou talvez te tivesses estragado. Quem te conhecia desde sempre diria que terias ido de qualquer modo. Que não eras feita para este mundo. Que não lhe pertencias.
Não sei. Só sei que dez anos passaram. E que te foste com tanta pressa que deixaste uma conversa a meio. Não me lembro do que falávamos. Mas devia ser importante. Todas as nossas conversas eram importantes. Só podia ser algo inadiável. Se ainda te lembrares, diz-me. Eu ia gostar de retomar esse diálogo, tão fluido, como sempre o foi contigo. E logo nesse dia, estávamos TÃO felizes, lembras-te? Tudo parecia TÃO perfeito!
Se te lembrares, faz-me um sinal, dá-me uma pista. Talvez isso desate um pouquinho deste nó.
E... amiga?... Gostei de te conhecer!
*Mas com ele em breve falarei
Faz hoje dez anos que te foste, como uma sereia por entre as ondas. Sem fazer barulho e sem te despedir. Não sei se sabes, mas deixaste a conversa a meio. Já não me lembro do que falávamos, confesso. Nem sei mesmo se na altura me lembrei. Mas sei que durante muito, muito tempo, foi esta sensação bizarra que me ficou, a da conversa interrompida. Tipo: “onde é que nós íamos, mesmo?” Isso e um par de olhos esbugalhados, aquelas imagens presas na retina, como uma objectiva que tivesse ficado para sempre bloqueada no acto de fotografar... o horror.
Faz hoje dez anos que te foste, mas não penses que só hoje te escrevo à boa tradição portuguesa, de só recordar quem partiu nos dias dos aniversários. O Pessoa descrevia muito bem esse fenómeno naquele poema “Se te queres matar...”. Assim:
“Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.”
Não, não penses isso. Nestes dez anos não deve ter havido um único dos três mil seiscentos e cinquenta e tal dias em que não me tenha lembrado de ti.
E no entanto, a tua passagem pela minha vida foi pouco mais que meteórica. Durante muito tempo também, me interroguei sobre os motivos dessa passagem: porquê? Porque é que os deuses insistiam em colocar estas pessoas no meu caminho para logo depois as levarem? Qual o significado? Qual a razão? Depois veio aquele anúncio. Aquela menina não teria mais que quatro anos. Mas eu sei que eras tu.E logo a seguir, aquela música, que ainda hoje me custa ouvir. E que, eu sei, foi escrita para ti, pelo menos aquela parte:
Frio,
o mar
Por entre o corpo
Fraco de lutar.
Quente,
O chão
Onde te estendo
E te levo a razão.
Longa a noite
E só o sol
Quebra o silêncio,
Madrugada de cristal.
Leve, lento, nu, fiel
E este vento
Que te navega na pele.
Eu sei. Esta canção de amor, o Abrunhosa não deve ter pensado que a alguém pudesse ter soado como a banda sonora de um filme de terror. Mas soou.
E de repente, cinco anos passaram. E foi a vez dele*. Outro anjo efémero. Outra passagem súbita. Sem sentido. Cheguei a interrogar-me se teriam sido reais, vocês dois. Ou apenas figuras oníricas de um sonho tão intenso. Ambos existiram para mim durante apenas cinco semanas. Cinco semanas que foram toda uma vida. E que ainda doem. E eu sei que não vieram para magoar, mas então, vieram para quê???
Depois veio aquele dia: 26 de Dezembro de 2004. De repente, milhões de retinas ficavam também elas assim, esbugalhadas, incrédulas. E eu, que não estava lá, eu, que nunca viajara a leste de Estrasburgo, vi-me ali, em Phuket, em Phi Phi, em Samatra, em Meulaboh, em Jaffna, em Muttur, em Aceh, a reviver aquela tarde. O mesmo pesadelo elevado à potência n...
Tinhas vinte anos. Hoje terias trinta. Terias terminado o curso de psicologia ou talvez não. Terias aproveitado bem o tempo ou talvez não. Ter-te ias mantido bonita ou talvez não. Talvez estivesses mais bonita ainda ou talvez te tivesses estragado. Quem te conhecia desde sempre diria que terias ido de qualquer modo. Que não eras feita para este mundo. Que não lhe pertencias.
Não sei. Só sei que dez anos passaram. E que te foste com tanta pressa que deixaste uma conversa a meio. Não me lembro do que falávamos. Mas devia ser importante. Todas as nossas conversas eram importantes. Só podia ser algo inadiável. Se ainda te lembrares, diz-me. Eu ia gostar de retomar esse diálogo, tão fluido, como sempre o foi contigo. E logo nesse dia, estávamos TÃO felizes, lembras-te? Tudo parecia TÃO perfeito!
Se te lembrares, faz-me um sinal, dá-me uma pista. Talvez isso desate um pouquinho deste nó.
E... amiga?... Gostei de te conhecer!
*Mas com ele em breve falarei
10/21/2006
Intervalo 2 ou Está bem, pronto!!!
Olhos? castanhos
Cabelos? castanhos
Altura? 1,62
Peso? deve andar nos 52
Ascendência? franco-portuguesa - mas acho que noutra encarnação fui índia das américas
Signo? Sagitário (ascendente Caranguejo, signo Lunar Touro e muita água no mapa) (é q acho q o signo sozinho não diz nada)
Sapatos que está a usar? chinelas de verão - apesar de estar a chover
Fraqueza? são tantas!
Medo? bué deles
Objectivo que gostaria de alcançar: para já, a tranquilidade material e mental que tinha há 10 anos, quando ganhava a vida a fazer o que gosto e conseguia de vez em quando ir passar o fim-de-semana fora e viajar de tempos a tempos~
Frase que mais uso no messenger: "faz-de-conta que não me viram"
Melhor parte do corpo: os abdomináveis ;-)
Pepsi ou Cola? coca-cola (pode ser guaraná?)
MacDonalds ou Bobs? bobs, embora não faça ideia do que se trata
Fuma? em quantidades homeopáticas
Palavrões? todas as palavras do dicionário e alguns neologismos
Perfume? por vezes e nem sempre o mesmo
Canta? e nem sempre meus males espanto
Toma banho todos os dias? em geral, sim
Gostava da escola? hoje mais do que ontem
Acredita em si mesmo? tem de ser
Tem fixação com a Saúde? tenho que admitir que tenho alguma, sim
Dá-se bem com os seus pais? melhor com a minha mãe embora "saia" mais ao pai. Talvez por sermos demasiado parecidos chocamos à brava
Gosta de tempestades? adoro
No último mês
Bebeu álcool? em quantidades homeopáticas
Fumou? em quantidades homeopáticas
Usou drogas? acho que já respondi. Mas se for preciso, vou ali buscar a definição da OMS
Fez compras? que remédio
Comeu um pacote inteiro de bolachas? e também de outras coisas
Comeu sushi? não
Chorou? rios de lágrimas
Fez biscoitos caseiros? não, mas comia-os de bom grado
Pintou o cabelo? não, mas que precisava, oh, se precisava!
Roubou? canetas e isqueiros onde os haja, 2 cigarros ao meu pai, um a um colega, e variadas frutas pequenas no supermercado/mercearia: tâmaras frescas, umas laranjas miscroscópicas, que já não me lembra o nome, uvas... Tenho que provar a fruta, certo?
Número de filhos? dois
Como gostaria de morrer? não gostaria de morrer e ainda tenho a ilusão da imortalidade
Piercings? vários furos nas orelhas (no lóbulo e não na cartilagem)
Tatuagens? n'a pas
Quantas vezes o seu nome apareceu nos jornais? no último mês? 3 ou 4. Em revistas mais umas quantas
Cicatrizes no corpo? tantas que lhes perdi a conta. Mas as piores não se vêem...
De que se arrepende de ter feito? tanta coisa...
Cor Favorita? todas
Disciplina favorita na Escola? dependia dos anos
Um lugar onde nunca esteve e gostaria de estar? Na Bahia, entre outros
Matutina ou nocturna? cada vez mais matutina
O que tem nos bolsos? um telemóvel de um lado e uma pen do outro
Daqui a dez anos imagina-se? é melhor não fazer projecções
Desafiadas: as que quiserem... Já não sei quem cá vem...
Cabelos? castanhos
Altura? 1,62
Peso? deve andar nos 52
Ascendência? franco-portuguesa - mas acho que noutra encarnação fui índia das américas
Signo? Sagitário (ascendente Caranguejo, signo Lunar Touro e muita água no mapa) (é q acho q o signo sozinho não diz nada)
Sapatos que está a usar? chinelas de verão - apesar de estar a chover
Fraqueza? são tantas!
Medo? bué deles
Objectivo que gostaria de alcançar: para já, a tranquilidade material e mental que tinha há 10 anos, quando ganhava a vida a fazer o que gosto e conseguia de vez em quando ir passar o fim-de-semana fora e viajar de tempos a tempos~
Frase que mais uso no messenger: "faz-de-conta que não me viram"
Melhor parte do corpo: os abdomináveis ;-)
Pepsi ou Cola? coca-cola (pode ser guaraná?)
MacDonalds ou Bobs? bobs, embora não faça ideia do que se trata
Fuma? em quantidades homeopáticas
Palavrões? todas as palavras do dicionário e alguns neologismos
Perfume? por vezes e nem sempre o mesmo
Canta? e nem sempre meus males espanto
Toma banho todos os dias? em geral, sim
Gostava da escola? hoje mais do que ontem
Acredita em si mesmo? tem de ser
Tem fixação com a Saúde? tenho que admitir que tenho alguma, sim
Dá-se bem com os seus pais? melhor com a minha mãe embora "saia" mais ao pai. Talvez por sermos demasiado parecidos chocamos à brava
Gosta de tempestades? adoro
No último mês
Bebeu álcool? em quantidades homeopáticas
Fumou? em quantidades homeopáticas
Usou drogas? acho que já respondi. Mas se for preciso, vou ali buscar a definição da OMS
Fez compras? que remédio
Comeu um pacote inteiro de bolachas? e também de outras coisas
Comeu sushi? não
Chorou? rios de lágrimas
Fez biscoitos caseiros? não, mas comia-os de bom grado
Pintou o cabelo? não, mas que precisava, oh, se precisava!
Roubou? canetas e isqueiros onde os haja, 2 cigarros ao meu pai, um a um colega, e variadas frutas pequenas no supermercado/mercearia: tâmaras frescas, umas laranjas miscroscópicas, que já não me lembra o nome, uvas... Tenho que provar a fruta, certo?
Número de filhos? dois
Como gostaria de morrer? não gostaria de morrer e ainda tenho a ilusão da imortalidade
Piercings? vários furos nas orelhas (no lóbulo e não na cartilagem)
Tatuagens? n'a pas
Quantas vezes o seu nome apareceu nos jornais? no último mês? 3 ou 4. Em revistas mais umas quantas
Cicatrizes no corpo? tantas que lhes perdi a conta. Mas as piores não se vêem...
De que se arrepende de ter feito? tanta coisa...
Cor Favorita? todas
Disciplina favorita na Escola? dependia dos anos
Um lugar onde nunca esteve e gostaria de estar? Na Bahia, entre outros
Matutina ou nocturna? cada vez mais matutina
O que tem nos bolsos? um telemóvel de um lado e uma pen do outro
Daqui a dez anos imagina-se? é melhor não fazer projecções
Desafiadas: as que quiserem... Já não sei quem cá vem...
10/19/2006
10/13/2006
Intervalo
... Como ainda me lembro daquela noite no verão de 1980 (pois é, sou meeesmo muuuito cota) em que rebentou um cano na Festa do Avante, ainda no tempo em que a Festa decorria no Alto da Ajuda, e milhares de pessoas atravessaram o imenso pantanal que se formou, até porque tinha chovido a cântaros... só para o ver e ouvir... Como este senhor que eu simplesmente AMO vai finalmente visitar-nos, ao fim de quase 20 anos...
... Como há vários dias (e noites) que não consigo pensar noutra coisa... partilho convosco uma das canções que habita o meu ser desde que me lembro de ser quem sou - seja lá o que isso for
Rosa-dos-ventos
E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima
Pra socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
Mas, sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena
E chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito dos rios fartou-se
E inundou de água-doce
A amargura do mar
Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar
Chico Buarque 1969
PS: Tenho andado a "cozinhar" dois posts que ficaram em suspenso desde a semana passada. Eles não são propriamente para vocês, meus inúmeros e incontáveis mais "palpáveis", mas, como dizia no outro dia, para duas estrelas que já se encontram em constelações mais distantes...
Anyway, como ultimamente ando com os pés "demasiado" na terra, não me sinto no estado necessário para estas andanças mais... transcendentes, digamos. Isto, só para dizer que se um dia destes depararem com um post ostentando uma data totalmente absurda, não é engano: é um dos tais dois.
PS2: Sim, CK, tenho a intenção de vos usar como cobaias para o meu estudo. Meter-vos em tubos de ensaio. Misturar-vos com substâncias esquisitas e potencialmente explosivas. Agitar-vos sem piedade. Virar-vos do avesso. Despejar-vos na bancada. E devolver-vos à estratosfera não sem antes vos ter tornado irreconhecíveis. Mas está descansada que, quando eu fizer isso, arranjo umas autorizações forjadas que não te darei para assinares.
Até jazzzzz
10/05/2006
Um longo e entediante post a não ser que estejam para intermináveis considerações vagamente filosóficas
Sou uma mecinha simples, a bem dizer.
Gosto de dormir e de brincar, de passear e de cantar. Gosto de ir à praia, de ver um bom filme, de me arrepiar num concerto e de me alambazar com uma comezaina valente. E de também de parvejar horas perdidas frente à televisão a zappar na imensidão do nada, de, como dizia o outro, ter um livro para ler e não o fazer...
Mas também tenho um lado intelectual, um lado mais reflexivo, discursivo, logico-analítico. Um lado que aprecia o pensamento complexo, que admira e tenta seguir as mentes brilhantes dos cientistas e outros filósofos, que tenta compreender o mundo físico e também o que está para lá.
Sim, as questões metafísicas também me inquietam e desde pequenina que me lembro de me sentir 'diferente'. Algo em mim sempre vibrou que ia para além da normalidade aparente das pessoas - novas e velhas - que me rodeavam e a quem, aliás, eu tinha um enorme pudor em falar "dessas coisas". Hoje sei que não estou (nem estava) só; muitas e muitas "almas gémeas", ou pelo menos "irmãs" se revelaram ao longo dos anos, muitas estrelinhas (;-)) brilharam em uníssono, - umas vieram devagar (;-)) e outras caíram-me literalmente em cima - e por vezes consigo entrever no meio do muito lixo que nos rodeia resquícios de um desígnio grandioso.
Curiosamente, a descoberta da blogosfera, com todos os seus aspectos aparentemente muito terra-a-terra, inscreve-se completamente no âmbito maior desta revelação. É estranho como seres que cintilam à distância - uma distância que chega a atingir milhares (?) de kms - e que nunca vi, de quem nunca senti o cheiro nem ouvi a voz, de quem dificilmente avaliarei a limpidez do olhar ou a frontidão da postura, me conseguem por vezes atingir no que eu tenho de mais íntimo, de mais recôndito, de mais (m)eu.
Talvez por isso, o meu lado intelectual, que sempre teve tendência a misturar-se inextricavelmente com a minha dimensão... chamemos-lhe espiritual, levou-me a querer explorar mais a fundo a questão das "ligações cibernéticas" (sim, sim, horitas, é verdade!.. não gozes comigo, tá?!) e a sua faceta metafísica. "Será o ciberespaço uma experiência mística?" é o tema que irei desenvolver em breve (espero!) num trabalho para um dos seminários do mestrado que frequento (pouco) e que talvez venha a levar mais longe, na tese, a tal que já deveria há muito ter começado a esboçar.
Mas toda esta longa introdução (ai, que já estou a ver os meus inúmeros e incontáveis a colocar os ratos na coluna do lado direito, dirigindo o cursor para baixo à procura do fim, exclamando de si para si: "o quê???!!! Introdução???!!!! Esta gaija deve estar louca!!! Desvairada!!Transviada! Tenho mais que fazer. Ela que se meta num psi e deixe a malta sossegada. Anda uma pessoa a vir aqui todos os dias durante mais de uma semana a ver se a gaija diz algumas bujardas prá gente se rir um bocado e vem ela com esta lengalenga que nunca mais acaba e ainda por cima é tudo introdução??!! Tá-se a passar??!!!), toda esta introdução, dizia eu, para lançar alguma luz sobre certas "atitudes", digamos, que talvez possam parecer algo misteriosas a mais do que um dos meus inúmeros e incontáveis leitores.
Espero não parecer pomposa - ou melhor, na verdade estou-me nas tintas para o que possa parecer, e como estou a um passo de ser metida numa camisa de forças posso dizer o que quiser, que todos os que me conhecem já sabem do que a casa gasta e os outros passam a saber - dizia eu portanto que ... ainda estão aí? Ou melhor, ainda está aí alguém?
Pronto lá vai:
Se o ciberespaço, e logo a blogosfera, são esperiências místicas - e lamento desiludir os inúmeros e incontáveis mais cépticos (se é que ainda resta algum a esta hora), mas também aqui não estou só e já houve autores muito respeitados no meio universitário que o pensaram, disseram e desenvolveram em estudos publicados - , então as dimensões que podemos através dele, ciberespaço, e logo dela, blogosfera, atingir, são ou podem ser transcendentes. Pelo que, quem sabe, alguns dos meus inúmeros e incontáveis poderão até nem estar neste planeta (dimensão espaço) (by the way, acusem-se, por favor!) - pois é, malta, julgavam que eu estava brincar, quando no outro dia referi que esta a escrever aquele post straight from Jupiter e sob a forma de holograma?! - ou até "já não estar entre nós" , como se costuma dizer (dimensão tempo). Atrevo-me até a pensar na possibilidade de alguns deles ainda não terem nascido.
Todo este longo divagar (se vai ao longe) tinha por objectivo introduzir (ainda, pois é! Desculpem lá qualquer coisinha...) os meus inúmeros e incontáveis nos motivos profundos e superficiais que me levam, ou melhor, irão levar a usar este blog como meio - e o bold serve para sublinhar o aspecto etimológico da palavra utilizada - para chegar a alguns seres que já estão noutra dimensão da existência. Que apenas em sonhos me visitam e de quem tantas saudades sinto. Eu sei que não havia nexexidadejeje de me lançar nesta interminável explicação e que já outros(as) o fizeram antes de mim. Mas cada um é como cada qual e como há muito que não vinha aqui "ouvir-me pensar", foi para o que me deu. E se, por algum motivo também ele do domínio do transcendente, algum dos meus inúmeros e incontáveis chegou até aqui, vou desde já tranquilizá-lo(a). Para já vou ficar por aqui, até porque ambos (eu e e Vós, que a esta hora já mereceis uma segunda pessoa do plural à séria e com a respectiva maiúscula) precisamos de digerir, certo? Às duas pessoas a quem tencionava dirigir-me neste post, digo, embora elas, no tempo/lugar onde/quando se encontram o saibam certamente, I'll be back. Aos inúmeros e incontáveis que ainda me restam - se é que restam! - , digo o mesmo.
Vou ali e já venho.
PS: À senhora que resolveu criar "mais um blog da tanga" (estou a citar) para chatear os outros e porque nada mais tem para fazer, aviso desde já que excusa de se dar ao trabalho de me comentar com as suas "atuardas" (estou a citar de novo), que não estou com pachorra nenhuma para aturar gente parva, que ainda por cima deve ter interesses na CML (sempre me causou uma certa comichão a proximidade com o poder). Tive a educação de não apagar o seu desinteressante comentário mas passarei a fazer como outras e a colocar o lixo no respectivo contentor onde ele pertence.
PS2: às meninas que tive vontade de linkar nas passagens em que lhes pisquei o olho e que sabem quem são, quero que saibam que hesitei mas acabei por não o fazer para não excluir algumas outras que seria injusto não adicionar nessa linkagem. Todas as estrelas brilham mas algumas brilham com mais intensidade. E isso não retira de forma alguma o encanto aos (aparentemente) menos cintilantes corpos celestes.
Nem o seu carácter eminentemente especial.
PS3: QUEM FOI???
O visitante 2000 que não se acusou. Hein???
Gosto de dormir e de brincar, de passear e de cantar. Gosto de ir à praia, de ver um bom filme, de me arrepiar num concerto e de me alambazar com uma comezaina valente. E de também de parvejar horas perdidas frente à televisão a zappar na imensidão do nada, de, como dizia o outro, ter um livro para ler e não o fazer...
Mas também tenho um lado intelectual, um lado mais reflexivo, discursivo, logico-analítico. Um lado que aprecia o pensamento complexo, que admira e tenta seguir as mentes brilhantes dos cientistas e outros filósofos, que tenta compreender o mundo físico e também o que está para lá.
Sim, as questões metafísicas também me inquietam e desde pequenina que me lembro de me sentir 'diferente'. Algo em mim sempre vibrou que ia para além da normalidade aparente das pessoas - novas e velhas - que me rodeavam e a quem, aliás, eu tinha um enorme pudor em falar "dessas coisas". Hoje sei que não estou (nem estava) só; muitas e muitas "almas gémeas", ou pelo menos "irmãs" se revelaram ao longo dos anos, muitas estrelinhas (;-)) brilharam em uníssono, - umas vieram devagar (;-)) e outras caíram-me literalmente em cima - e por vezes consigo entrever no meio do muito lixo que nos rodeia resquícios de um desígnio grandioso.
Curiosamente, a descoberta da blogosfera, com todos os seus aspectos aparentemente muito terra-a-terra, inscreve-se completamente no âmbito maior desta revelação. É estranho como seres que cintilam à distância - uma distância que chega a atingir milhares (?) de kms - e que nunca vi, de quem nunca senti o cheiro nem ouvi a voz, de quem dificilmente avaliarei a limpidez do olhar ou a frontidão da postura, me conseguem por vezes atingir no que eu tenho de mais íntimo, de mais recôndito, de mais (m)eu.
Talvez por isso, o meu lado intelectual, que sempre teve tendência a misturar-se inextricavelmente com a minha dimensão... chamemos-lhe espiritual, levou-me a querer explorar mais a fundo a questão das "ligações cibernéticas" (sim, sim, horitas, é verdade!.. não gozes comigo, tá?!) e a sua faceta metafísica. "Será o ciberespaço uma experiência mística?" é o tema que irei desenvolver em breve (espero!) num trabalho para um dos seminários do mestrado que frequento (pouco) e que talvez venha a levar mais longe, na tese, a tal que já deveria há muito ter começado a esboçar.
Mas toda esta longa introdução (ai, que já estou a ver os meus inúmeros e incontáveis a colocar os ratos na coluna do lado direito, dirigindo o cursor para baixo à procura do fim, exclamando de si para si: "o quê???!!! Introdução???!!!! Esta gaija deve estar louca!!! Desvairada!!Transviada! Tenho mais que fazer. Ela que se meta num psi e deixe a malta sossegada. Anda uma pessoa a vir aqui todos os dias durante mais de uma semana a ver se a gaija diz algumas bujardas prá gente se rir um bocado e vem ela com esta lengalenga que nunca mais acaba e ainda por cima é tudo introdução??!! Tá-se a passar??!!!), toda esta introdução, dizia eu, para lançar alguma luz sobre certas "atitudes", digamos, que talvez possam parecer algo misteriosas a mais do que um dos meus inúmeros e incontáveis leitores.
Espero não parecer pomposa - ou melhor, na verdade estou-me nas tintas para o que possa parecer, e como estou a um passo de ser metida numa camisa de forças posso dizer o que quiser, que todos os que me conhecem já sabem do que a casa gasta e os outros passam a saber - dizia eu portanto que ... ainda estão aí? Ou melhor, ainda está aí alguém?
Pronto lá vai:
Se o ciberespaço, e logo a blogosfera, são esperiências místicas - e lamento desiludir os inúmeros e incontáveis mais cépticos (se é que ainda resta algum a esta hora), mas também aqui não estou só e já houve autores muito respeitados no meio universitário que o pensaram, disseram e desenvolveram em estudos publicados - , então as dimensões que podemos através dele, ciberespaço, e logo dela, blogosfera, atingir, são ou podem ser transcendentes. Pelo que, quem sabe, alguns dos meus inúmeros e incontáveis poderão até nem estar neste planeta (dimensão espaço) (by the way, acusem-se, por favor!) - pois é, malta, julgavam que eu estava brincar, quando no outro dia referi que esta a escrever aquele post straight from Jupiter e sob a forma de holograma?! - ou até "já não estar entre nós" , como se costuma dizer (dimensão tempo). Atrevo-me até a pensar na possibilidade de alguns deles ainda não terem nascido.
Todo este longo divagar (se vai ao longe) tinha por objectivo introduzir (ainda, pois é! Desculpem lá qualquer coisinha...) os meus inúmeros e incontáveis nos motivos profundos e superficiais que me levam, ou melhor, irão levar a usar este blog como meio - e o bold serve para sublinhar o aspecto etimológico da palavra utilizada - para chegar a alguns seres que já estão noutra dimensão da existência. Que apenas em sonhos me visitam e de quem tantas saudades sinto. Eu sei que não havia nexexidadejeje de me lançar nesta interminável explicação e que já outros(as) o fizeram antes de mim. Mas cada um é como cada qual e como há muito que não vinha aqui "ouvir-me pensar", foi para o que me deu. E se, por algum motivo também ele do domínio do transcendente, algum dos meus inúmeros e incontáveis chegou até aqui, vou desde já tranquilizá-lo(a). Para já vou ficar por aqui, até porque ambos (eu e e Vós, que a esta hora já mereceis uma segunda pessoa do plural à séria e com a respectiva maiúscula) precisamos de digerir, certo? Às duas pessoas a quem tencionava dirigir-me neste post, digo, embora elas, no tempo/lugar onde/quando se encontram o saibam certamente, I'll be back. Aos inúmeros e incontáveis que ainda me restam - se é que restam! - , digo o mesmo.
Vou ali e já venho.
PS: À senhora que resolveu criar "mais um blog da tanga" (estou a citar) para chatear os outros e porque nada mais tem para fazer, aviso desde já que excusa de se dar ao trabalho de me comentar com as suas "atuardas" (estou a citar de novo), que não estou com pachorra nenhuma para aturar gente parva, que ainda por cima deve ter interesses na CML (sempre me causou uma certa comichão a proximidade com o poder). Tive a educação de não apagar o seu desinteressante comentário mas passarei a fazer como outras e a colocar o lixo no respectivo contentor onde ele pertence.
PS2: às meninas que tive vontade de linkar nas passagens em que lhes pisquei o olho e que sabem quem são, quero que saibam que hesitei mas acabei por não o fazer para não excluir algumas outras que seria injusto não adicionar nessa linkagem. Todas as estrelas brilham mas algumas brilham com mais intensidade. E isso não retira de forma alguma o encanto aos (aparentemente) menos cintilantes corpos celestes.
Nem o seu carácter eminentemente especial.
PS3: QUEM FOI???
O visitante 2000 que não se acusou. Hein???
9/22/2006
Acham isto normal???
Na Rua Ferreira Borges, principal artéria (gostaram da "artéria"? lindo, não é? é como o "esférico", vocábulos que me enchem a alma de satisfação e o umbigo de orgulho, por tão profícuo - eu ultimamente ando particularmente amiga do "profícuo" - e egrégio uso do nosso vasto idioma - do "idioma", então, nem sei se vos diga, se vos conte! - mas adiante!)
O melhor é recomeçar, que os meus inúmeros e incontáveis a esta hora, ainda por cima em dia sem carros - imagino-vos todos (todas!) a andar a pé, a encher os nossos autocarros, as carrugens do metropolitano... mas, enfim, adiante, de novo, que isto hoje está grave. A hemorragia mental escorre por todos os lados. Ou será verborreia? Bah! Deixem lá! Eu fico assim quando tenho um trabalho para fazer e ando a ver se me esquivo. A propósito, lembram-se daquele poema do Fernando Pessoa... Não, a sério, estava a brincar. Ou melhor, estava a brincar. Agora a sério. Do início.
Dizia eu portanto que, (eu sei que aqui não devia haver vírgula, mas é só para marcar aqui uma pequena pausa e centrar-vos de novo na minha linha de raciocínio. Pronto. Já está tudo a seguir-me? De certeza? Então lá vai:
Na Rua Ferreira Borges, principal artéria do Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa (há que contemplar os inúmeros e incontáveis dos arrabaldes, não é verdade? explicando-lhes onde fica Campo de Ourique, que os inúmeros e incontáveis, por exemplo, da ilha de Santa Maria dos Açores, não são obrigados a saber, certo?), podemos desde o dia 20 de setembro - vinte observar toda uma parafernália de camiões equipados com gruas, cada qual operado por dois trabalhores de uma empresa denominada "Os Castros" a instalar as iluminações de Natal. Sim, caros e caras inúmeros(as) e incontáveis, vocês leram bem e não, caras e caros (agora ao contrário) inúmeras(os) e incontáveis, a vossa Calamity não teve alucinações, não sonhou, não andou a fumar daquelas coisas que fazem (quando ingeridos por certos organismos mais sensíveis e quando de qualidade excepcional, é verdade) ver coisas que não correspondem exactamente àquilo que lá está. É verdade. Verdade, verdadinha, tão verdade como eu estar aqui neste momento sob a forma de holograma a escrever este post a partir do planeta Júpiter.
Podemos, pois, inúmeros e incontáveis (e vice-versa, pronto, vocês já sabem, esta minha cena dá prós dois lados, meninos e meninas, gaijos e gaijas, parramecas e pilinhas, coisa e tal e tal e coisa...) deduzir que o nosso bem-amado presidente da junta, perdão, da câmara terminou finalmente de pagar as pouquinhas (coisa pouca, mesmo, quase nada) dívidas da dita e pôde enfim direccionar as vastas somas da edilidade para fins mais nobres e bem mais urgentes? Ou passou-se algo que eu, do alto (deverei antes dizer do baixo?) de minha parca e limitada inteligência não atingi? Haverá lá coisa mais importante e imediata para a Câmara Municipal de Lisboa fazer do que mandar instalar as iluminações de Natal a três meses e cinco dias da efémeride que marca o nascimento de Jesus Cristo? Quem serão "Os Castros"? Já agora, alguma relação com a Inês de? Por favor, esclareçam-me.
Ah. Feliz Natal.
O melhor é recomeçar, que os meus inúmeros e incontáveis a esta hora, ainda por cima em dia sem carros - imagino-vos todos (todas!) a andar a pé, a encher os nossos autocarros, as carrugens do metropolitano... mas, enfim, adiante, de novo, que isto hoje está grave. A hemorragia mental escorre por todos os lados. Ou será verborreia? Bah! Deixem lá! Eu fico assim quando tenho um trabalho para fazer e ando a ver se me esquivo. A propósito, lembram-se daquele poema do Fernando Pessoa... Não, a sério, estava a brincar. Ou melhor, estava a brincar. Agora a sério. Do início.
Dizia eu portanto que, (eu sei que aqui não devia haver vírgula, mas é só para marcar aqui uma pequena pausa e centrar-vos de novo na minha linha de raciocínio. Pronto. Já está tudo a seguir-me? De certeza? Então lá vai:
Na Rua Ferreira Borges, principal artéria do Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa (há que contemplar os inúmeros e incontáveis dos arrabaldes, não é verdade? explicando-lhes onde fica Campo de Ourique, que os inúmeros e incontáveis, por exemplo, da ilha de Santa Maria dos Açores, não são obrigados a saber, certo?), podemos desde o dia 20 de setembro - vinte observar toda uma parafernália de camiões equipados com gruas, cada qual operado por dois trabalhores de uma empresa denominada "Os Castros" a instalar as iluminações de Natal. Sim, caros e caras inúmeros(as) e incontáveis, vocês leram bem e não, caras e caros (agora ao contrário) inúmeras(os) e incontáveis, a vossa Calamity não teve alucinações, não sonhou, não andou a fumar daquelas coisas que fazem (quando ingeridos por certos organismos mais sensíveis e quando de qualidade excepcional, é verdade) ver coisas que não correspondem exactamente àquilo que lá está. É verdade. Verdade, verdadinha, tão verdade como eu estar aqui neste momento sob a forma de holograma a escrever este post a partir do planeta Júpiter.
Podemos, pois, inúmeros e incontáveis (e vice-versa, pronto, vocês já sabem, esta minha cena dá prós dois lados, meninos e meninas, gaijos e gaijas, parramecas e pilinhas, coisa e tal e tal e coisa...) deduzir que o nosso bem-amado presidente da junta, perdão, da câmara terminou finalmente de pagar as pouquinhas (coisa pouca, mesmo, quase nada) dívidas da dita e pôde enfim direccionar as vastas somas da edilidade para fins mais nobres e bem mais urgentes? Ou passou-se algo que eu, do alto (deverei antes dizer do baixo?) de minha parca e limitada inteligência não atingi? Haverá lá coisa mais importante e imediata para a Câmara Municipal de Lisboa fazer do que mandar instalar as iluminações de Natal a três meses e cinco dias da efémeride que marca o nascimento de Jesus Cristo? Quem serão "Os Castros"? Já agora, alguma relação com a Inês de? Por favor, esclareçam-me.
Ah. Feliz Natal.
9/11/2006
Há cinco anos...

Há cinco anos todos nós vimos na televisão. Não conseguíamos despregar os olhos daquelas imagens. Vimo-las dez, vinte, cem, mil vezes. Como se estivéssemos viciados nelas. De vista esbugalhada. De coração esbugalhado. No dia seguinte acordámos e ligámos a televisão de novo. Para ver se era mesmo verdade. Se não teríamos sonhado.
Ontem à noite (e antes disso, na 2) passaram vários documentários, entre outros aquele sobre o Homem em Plena Queda (The Falling Man). A famosa foto de Richard Drew que chocou tanta gente, que originou uma pesquisa, a qual deu resultados espantosos. Não interessa concluir sobre a identidade deste homem, cuja posição extraordinária ainda hoje me deixa perplexa: além de levar a cabeça para baixo, tem a perna direita flectida, como quem estivesse encostado a uma parede, a ver o tempo passar. Quando na verdade, é ele que passa pelo tempo à velocidade estonteante de uma morte, a morte mais mediática do onze de setembro. A morte que todos viram mas que ninguém viu, pois acredito que ele ainda estava vivo neste momento da queda.
Não interessa se era o tal do Jonathan Briley, cuja irmã deu um depoimento que deveria ser ouvido por todos, uma lição de vida e de serenidade. Ou se era o outro "suspeito", cuja família, de tão crente, se teria desmoronado se viesse a confirmar-se ser de facto ele o "suicida". Porque para eles (para elas) era a heresia suprema. Que o pai e marido pudesse ter decidido acabar depressa com tudo aquilo. Que tivesse dado aquele vôo. Estaria para elas condenado para sempre às chamas do inferno (e o que seria aquilo lá em cima? Uma sauna? Um solário?) se acaso tivesse cometido aquele crime aos olhos de deus.
Pois se houver deus, se houver Deus que mereça maiúscula, este e os outros "jumpers" do onze de setembro foram direitinhos para o paraíso. Straight to heaven. Pois aquilo, sim, foi um acto de suprema coragem. Tanta quanta a dos bombeiros que subiram quando todos os outros desciam.
E também um acto de suprema fé. Pois algures dentro do desespero inimaginável existiu um lampejo de esperança num milagre que os salvasse. "Talvez, talvez eu possa voar. Talvez, talvez haja um deus que me salve, que me ampare nesta queda, que a transforme em vôo".
E se Deus houve, Deus o(s) salvou. E ele voou para a eternidade.
9/07/2006
Raio de luz

Procurei um raio de luz para vos "devolver" o carinho. Encontrei um elfo e roubei-o à fada que o colocou na blogosfera. Espero que nem ele nem ela se importem. Estou certa que não.
Ainda não me sinto assim, mas hei de sentir. Oh se hei.
9/05/2006
8/31/2006
A todos os condutores de BMW's (e são muitos),
de Mercedes, de Volvos, de Audis e Chryslers e das dezenas de outros carros de luxo que povoam as estradas e autoestradas de Portugal, fica aqui o meu sincero, sentido e humilde pedido de desculpas
- por me atrever a circular com o meu Renault Clio com nove anos de idade
- por ter a veleidade de, por alguns segundos, cometer o crime inominável de ultrapassar os raríssimos veículos mais lentos do que o meu, ocupando assim a exclusivíssima faixa da esquerda e obrigando-os desse modo a reduzir por vezes abaixo dos cento e quarenta, causando-lhes assim atrasos irrecuperáveis pelos quais juro penitenciar-me para sempre
- por me atrever a circular com o meu Renault Clio com nove anos de idade
- por ter a veleidade de, por alguns segundos, cometer o crime inominável de ultrapassar os raríssimos veículos mais lentos do que o meu, ocupando assim a exclusivíssima faixa da esquerda e obrigando-os desse modo a reduzir por vezes abaixo dos cento e quarenta, causando-lhes assim atrasos irrecuperáveis pelos quais juro penitenciar-me para sempre
8/22/2006
Arre!!! Que não há pachorra
... para quem pensa que o R/C dos prédios equivale a uma plaqueta a dizer "Porteira"! Já não bastava o carteiro (toca sempre duas vezes), o homem do gás (idem, idem), o tipo da electricidade (aspas, aspas), o bacano da água (rebéubéu), o gajo dos telefones (pardais ao ninho), é desde de manhã até à noite, o rachtaparta da campaínha a tocar, e é o "Dica da Semana", é o "Jornal da Região", o folheto do Continente, do Carrefour, do Jumbo, do Minipreço, é o trolha das obras do primeiro, o serralheiro para arranjar a fechadura do segundo, a senhora das caixinhas da tupperware para a vizinha do lado - que, diga-se, coitada, também passa o mesmo, pois no R/C mora - , quando não é simplesmente, e com uma lata do caraças: "publicidade!!!". Qual autocolante, qual quê?!! Aqui há uns tempos, tinha um na bendita caixa do correio e foi arrancado!
Conclusão: ainda agora voltei e já estou deserta pra me pirar daqui pra fora. Decididamente, esta cidade é demasiado pequena para mim e tantas melgas. Prefiro ir ser picada para a Costa Alentejana.
Conclusão: ainda agora voltei e já estou deserta pra me pirar daqui pra fora. Decididamente, esta cidade é demasiado pequena para mim e tantas melgas. Prefiro ir ser picada para a Costa Alentejana.
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