3/31/2005

...mas as crianças, senhor

O Destak de hoje informa que apenas 800 das 10800 crianças institucionalizadas em Portugal poderão ser um dia adoptadas. Isto porque "impedimentos legais vários" impedem que as restantes 10000 possam um dia vir a ter uma família que as queira e possa ter. Entretanto, pessoas sós, casais homossexuais, etc, continuam a não poder adoptar. Só casais "estáveis", com uma situação financeira privilegiada se podem "dar ao luxo" de pensar em adoptar e, mesmo assim, após uma longa espera, ao longo da qual terão de passar vários "testes",sobretudo o da paciência. Um casal meu conhecido só conseguiu adoptar ao fim de 3 anos porque eram os únicos no concelho que desejavam uma criança africana (isso mesmo, os portugueses não são racistas, mas não querem filhos negros!). Entretanto, crianças institucionalizadas são devolvidas às famílias para viverem vidas desgraçadas ou... enfim, nem vale a pena falar daquilo que todos sabemos. Ou valerá? Não é censura, mas há coisas que não quero recordar...
O mais irónico é que os técnicos que trabalham nas referidas instituições são os primeiros a considerar que é melhor uma família com falhas (atenção, não estou a falar de famílias criminosas!) do que uma instituição. Mas continua tudo na mesma. Ou quase. Alguém sabe qual a evolução no número de adopções desde que a lei mudou? Se souberem digam, que eu, entretanto, prometo investigar. O que eu sei é que famílias biológicas monoparentais, crianças entregues aos avós, aos tios, há aí aos pontapés. Para não falar de famílias biológicas tão pobres que enviam as suas crianças para as ruas pedir ou trabalhar nas fábricas ou... E, pelo que sei, continua-se a pensar que umas e outras estão melhor com as famílias biológicas que numa instituição. Então, porque continuar a dificultar a adopção por parte de pessoas que, por muitas limitações que tenham, pelo menos dão a garantia de ter muito amor para dar??? Estamos a falar de 10 mil crianças!
Nada como realmente

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