10/30/2008

10/27/2008

O grande engodo


Tenho a mania, entre muitas outras, de querer comer coisas saudáveis, seja lá o que isso queira dizer. Faz-me impressão a quantidade de merdas que misturam naquilo que nos impingem e que nós alegremente compramos, consumimos e damos a consumir aos nossos filhos. Já há tempos, aliás, fiz aqui uma posta sobre o assunto. Falava sobretudo de 'E's, esses entes misteriosos sob os quais pode estar disfarçada a substância mais inócua do mercado ou o mais prejudicial veneno sem que, a maior das vezes, a maior parte dos fregueses se apercebam, já que imagino que, além da minha obsessiva pessoa, só deve haver outros dezassete consumidores em Portugal a percorrer paranoicamente as listas de ingredientes nos supermercados, acabando por deixar para trás 95% dos produtos novos que surgem e chamam de tempos a tempos a tempos a minha atenção.
Já o tinha dito e repito, pois não consigo, por mais que tente, compreender, como é que pessoas que dizem preocupar-se com o que ingerem, acabam por levar gato por lebre, nomeadamente quando acham que estão a comprar um magnífico pão integral, cheio de cereais e fibras, e enriquecido com sementes, mas se esquecem de constatar que o dito pão se acha igualmente enriquecido com meia-dúzia de aditivos químicos dos quais pelo menos dois são comprovadamente cancerígenos. Aliás, muito se poderia discorrer aqui só sobre o pão. Alguém já se apercebeu, por exemplo, que existe à venda uma broa de milho provinda de uma entidade que à partida nos mereceria total credibilidade chamada "Museu do Pão" (sede: Seia, Serra da Estrela) e que mesmo esta não é isenta de aditivos, vulgo merdas que misturam na farinha, no fermento e sei lá mais o quê para aquela porra durar mais tempo ou lá o que é, como se a broa não durasse naturalmente uma semana e até mais caso se guarde no frigoríco e/ou se torre em fatias finas??? E ninguém diz nada?

Sim, eu também "aderi" à "moda" dos produtos naturais, aliás, nisto como noutras coisas, já lá andava antes de a maior parte das pessoas se ter dado conta da sua existência, desculpem os inúmeros e incontáveis a falta de modéstia, mas as verdades são para serem ditas. Só que tentei fazer a coisa como deve ser e como sou imensamente paranóica e obsessiva - sim, eu sei, já o tinha dito anteriormente, mas o assegurar-nos constantemente de que deixámos as torneiras fechadas faz parte da nossa doença, não sei se os inúmeros e incontáveis conhecem - dizia eu pois que, como sou imensamente paranóica e obsessiva, passei nessa altura a ler tudo o que era rótulo e a assegurar-me da composição dos alimentos e até de outras coisas, mas isso não vem agora ao caso. O importante e trágico é que progressivamente fui eliminando produtos da despensa, frigorífico e sobretudo da alimentação diária. A coisa piorou um pouco quando o meu filho nasceu, e como já vai fazer onze anos, podem os inúmeros e incontáveis comprovar que o que digo é deveras verdade, ou seja, ainda nem bem se sonhava neste país que os ditos produtos naturais se tornariam uma coisa muito in e já eu frequentava os celeiros da vida e me tinha apercebido do quanto isto pode ser enganador e, além de enganador, paradoxal. Pois não andou o ser humano a "evoluir" durante tanto tempo a fim de conseguir produzir mais e mais barato, de conseguir fazer com que a riqueza chegasse a mais e mais gente e a um preço mais acessível, a inventar formas de conservar os alimentos para que durassem mais e com eles as suas qualidades nutritivas, a reproduzir artificialmente qualidades naturais para que chegássemos a esta espantosa realidade: se eu hoje quiser um alimento natural, tal qual era consumido no tempo dos meus avós, tenho de pagar bem mais caro por ele do que se o consumir cheínho de produtos químicos ou a saber a plástico, porque há uma lei qualquer para a qual eu não votei que diz que o mesmo tem de ser embalado numa porra de uma embalagem que lhe altera as características além de ser antiecológico, mas isso já são outros quinhentos e se vocês ainda tiverem pachorra outro dia faço uma posta sobre o assunto.

Dei por mim a pensar nisto e em muitas outras coisas enquanto percorria os corredores de um recém-inaugurado espaço comercial especializado em agricultura biológica. Tudo muito bom, mesmo muito. Leite propriamente dito, mugido da vaca que pastou erva pura, sem pesticidas. Só por isso tenho de pagar duas vezes e meia o preço da coisa geneticamente modificada e artificialmente manipulada. Pão sem quatrocentos e e trinta e cinco 'E's. (Sim, inúmeros e incontáveis, ide comprar o vosso pão ao Pingo Doce e lede a etiqueta. E depois, se quiserdes, continuai a comê-lo e a dá-lo de comer aos vossos filhos. Eu cá sou maluquinha mas prefiro comprá-lo na padaria ou na tal loja e imaginar que ele vem um pouquinho que seja mais limpo...). Mais 50% de aéreos. Fruta e legumes que cheiram ao mesmo que aqueles que colho nos pomares alentejanos onde por vezes tenho o privilégio de poder fazê-lo (Arrotar mais 30 a 150% dos aéreos em relação aos mesmos frutos e legumes inodoros, congelados quando ainda não estavam maduros e que vão apodrecer sem nunca terem passado pela fase do comestivel). Não garanto a pureza a cem por cento, mas como fazê-lo? Não estão os lençóis freáticos, as águas, os caudais contaminados? Mas quando os produtos são preparados, como o pão de que falava mais acima , pelo menos não lhes foram acrescentadas substâncias que dão por nomes enigmáticos como 'intensificador de sabor' ou 'regulador de acidez'. Lá em casa, a hortelã, o coentro e o sumo de limão acrescentados na hora ainda conseguem intensificar o sabor e regular a acidez de qualquer alimento...

Mas francamente, que chateia à brava, chateia. Comprar a minha manteiga sem sal ( e branquinha..., como veio ao mundo) e ter de pagar mais dez a vinte cêntimos do que se levasse a sua congénere salgada. Ou chegar à farmácia querendo comprar um produto contra os piolhos - pois é verdade, inúmeros e incontáveis, eles andem aí, mais fortes, mais invasores do que nunca!!!, preparando-se para um ano escolar em grande e para contribuir para a riqueza da indústria farmacêutica em peso (aliás, pergunto a mim própria se não serão estes que "fabricam" estas pragas todos os outonos...) - e dar com uma loção nova que apregoa o seguinte: "SEM NEUROTÓXICOS". E logo ao lado, não se fosse dar o caso de eu não ter percebido: "NO NEUROTOXICS". Sim senhor. É assim que ao fim de cinco anos a lutar desenfreadamente contra esta bicharada fico a saber o que andei a colocar repetidamente na cabeça do meu filho! FODA-SE! ESTES GAJOS ESTÃO A GOZAR COM QUEM??? Portanto eu pago vinte euros por um frasco de uma tanga qualquer cujo efeito vai durar 15 dias, que vai pôr o puto aos berros e a chorar, e ao fim de quinze dias vou lá buscar mais porque entretanto ele foi re-infestado e estou a pespegar-lhe com uma droga que lhe está a causar danos cerebrais e nem sequer sou informada???
Mais, para quem ainda não saiba: gelatina é bom, não? Pois é. Faz crescer as unhas e o cabelo, não é? Pois é. Mas não é aquela que vos vendem. Essa é feita à base de farinha DE CARNE DE PORCO. Procurem nos ingredientes. Só a gelatina vegetal é saudável e essa só é vendida em determinados sítios.
Mais. Cornetto de Morango e Perna de Pau. É bom, não é? Pesquisem lá que 'E's são aqueles. Dois deles são cancerígenos. Porque é que ainda estão no mercado? Vocês sabem? Eu não.

Exijam da porra do governo e da rachtaparta da ASAE, já agora, que foi para isso que os puseram lá, se é que alguém ainda se lembra, que nos esclareçam sobre as merdas que andamos a comprar e a dar aos nossos filhos. Que venenos são estes que são permitidos/tolerados pelas autoridades?


E já agora, se tiverem estômago, dediquem lá 20 minutos das vossas vidas a ver isto. Mas vejam mesmo. Aprende-se mais do que em três anos de blogosfera. Se precisarem, existe uma versão traduzida e legendada em Português que está bastante fiel ao original. Divulguem. Mostrem aos nossos filhos. É que, apesar de tudo, pode ser que ainda haja saída. Afinal, andamos aqui para alguma coisa ou só para alimentar este gigantesco engodo?




Ah, é verdade: com 1/2 copo de vinagre dá-se cabo da piolhada... Ah, pois é!!! É vê-los, senhoria, a tombar na banheira, que nem tordos, clamando por misericórdia!... O preço? Uma agradável surpresa!...

PS: Só para terminar, e depois prometo que não vos empato mais, não percam esta brilhante crónica do RAP. Eu própria não o teria dito melhor (heheheh)...

Tal qual outra droga qualquer

Ao princípio é a loucura. Vive-se a coisa intensamente. Respira-se por ela. Quer-se a toda a hora. E ela paga-nos da mesma moeda. Compensa-nos. Preenche-nos. Dá sentido à vida. Faz-nos esquecer toda a merda em volta. Faz-nos achar que vale a pena.

Depois... depois vem o choque da realidade. Afinal vai tudo dar ao mesmo. Tudo a mesma tanga. O grande vôo deu em grande estatelanço. Demos com os cornos no chão e nem sabemos bem quando é que deixou de ser o que era. De que falo? Da coca? Do sexo desenfreado? Do grupinho dos "amigos"? Da blogosfera?

E será que importa verdadeiramente? Só mudam as moscas, mesmo...

(Lembro-me repetidamente dos versos do Sérgio Godinho: "Depois do primeiro assombro logo o corpo fica farto"...)

10/23/2008

Triste mundo este em que vivemos

Goste-se dele ou não.
Tenha o homem plagiado o 'Equador' ou não tenha.
Irrite-nos ou não quando se sai com aqueles disparates sobre criancinhas em restaurantes ou querer continuar a fumar-nos para cima no café da esquina e ainda achar que tem razão.
Tenha-se ou não paciência para o seu humor cliclotímico...

... só pessoas muito maldosas e que não fazem a mínima ideia do que é escrever podem congratular-se com o que aconteceu ao MST.

Quanto à "eminência intelectual" que se saiu com aquela pérola do pensamento contemporâneo, que bem faria em ir ler livros, dos que correspondam à sua definição, e deixar a blogosfera, já tão sobrepovoada, em paz e sossego...

Experimentei os fones

... mas não resultou!!! Ela não descansou enquanto não conseguiu que eu os tirasse! Gesticulou até conseguir a minha atenção. Retirei-os fingindo-me surpeendida e voltei a colocá-los. Passado um bocado torna a fazer-me muitos sinais. Que estava a tamborilar com os dedos na mesa. Se eu tivesse dito alguma coisa quando anteontem ela largou 147 vezes um abre-papéis de metal compacto em cima da mesa de madeira maciça...
Há dias, depois de me interromper consecutivamente durante duas horas e meia, teve o desplante de me "mandar calar" porque se queria concentrar numa determinada tarefa. Continuo a rir-me para ela mas não sei até quando.



estou realmente mudada

10/17/2008

Da amizade e do amor

A amizade é uma forma de amor.
O amor precisa de ser regado diariamente com uma boa dose de amizade.

... E se tantas vezes esquecemos a primeira da segunda então raramente nos lembramos...

10/15/2008

Metafísica para todos

MiniCalamity, 2 anos e 10 meses:

- Mãe, quem está ássuiiar?
- Quem está o quê, filha?
- Á- ssu - iár!
- Quem está a assobiar?
- Sim!
- São os passarinhos, filha
- Os passarinhos?! Estão a cantar?
- Sim, estão a cantar.
- É música!!! (expressão de quem acabou de ter a revelação divina)


Calamitoso Júnior, 10 anos e 10 meses:

- Mãe, sabes qual é o sentido da vida?
- (glup) euh... eu não, filho, e tu, sabes?
- Eu não, mãe, mas o D e o N sabem.
- Sabem, então qual é?
- Eles não souberam explicar.

10/14/2008

Luas

Eh pá não me chateiem que eu hoje mordo!

PS: Estou a falar com o resto do mundo. Inúmeros e incontáveis são sempre bem vindos ao tasco...

10/10/2008

Nem de propósito

Chegamos à escola ligeiramente atrasadas. A turma já se prepara para ir dar uma voltinha pelo pátio e fazer um pouco de "ginástica" ao ar livre. Mantenho-lhe o casaco vestido. O S. vem logo ter comigo e pede-me ajuda para vestir o dele. Não sei porquê é assim desde o início. Devo ter cara de mãe de todos. Já quando o Calamitoso Júnior andava na infantil, os coleguinhas andavam sempre de minha volta. Enfim. Visto o casaco ao S. e a MiniCalamity já vai pela mão dele de um lado e o D do outro. Logo atrás deles outros dois meninos manifestam a sua alegria de viver pespegando um enorme chocho na boca um do outro. E riem-se, deliciados. Ninguém viu, a não ser eu. Ninguém (ainda) para lhes meter minhocas nas cabecinhas frescas e saudáveis. E dou por mim a pensar: o homem nasce livre e com capacidade de amar ilimitada e incondicional. E o preconceito? De onde virá???

(Notícias das 14h00: O parlamento acaba de chumbar os casamentos de homosexuais. Triste país este. Triste partido este que dá pelo nome de socialista. O mesmo que levou este assunto a campanha como se se tratasse de algo crucial para a nação e que agora impõe esta palhaçada de disciplina de voto aos seus lacaios. Curiosamente tinha esta posta guardada desde ontem. Sendo assim, nem de propósito, inúmeros e incontáveis, já que não há, definitivamente, nada como realmente...)

(lembro-me com alguma frequência daquele genial primeiro álbum de Gabriel o Pensador: "O preconceito é uma coisa sem sentido/Tire a burrice do peito e me dê ouvidos...")

(tentei linkar notícias mas o blogger não deixou. Será que tb é homofóbico?)

É bom mudar de vez em quando mas há 39 dias que levo com isto!!!

Ela fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala. Ininterruptamente, como um rio já próximo da foz que nunca mais acaba de se atirar para o oceano. Fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala naquela voz portentosa que se impõe acima de todos os outros sons e não permite a mais ninguém prosseguir (muito menos iniciar!) quaisquer conversas, quer sejam presenciais ou telefónicas. Aliás, não acredito que não se aperceba de que estas - as conversas - pré-existiam às suas quase sempre inconvenientes e constantes interrupções, já que ainda por cima se trata habitualmente de temas adjacentes (sendo que o termo 'adjacente' é pouco mais do que um eufemismo) sobrepondo-se a assuntos de trabalho. Para mais é algo venenosa embora não me pareça má pessoa. Mas julga-se no direito de se meter onde não é chamada, nomeadamente nos afazeres dos outros sendo que, se porventura consegue levar os dela avante, será certamente um milagre. E fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala. Fala tanto que em meia-hora da sua ausência consigo produzir mais que numa manhã inteira debaixo do bombardeamento cerrado do seu linguajar incessante.

10/03/2008

Enquanto fazia o meu reiki

todos os pássaros da cidade se juntaram lá fora para darem um concerto e transformaram o quintal num jardim...

10/01/2008

Neo Calamitices (2 anos e 10 meses)

A minha filha é uma deslumbrada. De manhã quando saímos para a escola leva dez minutos a extasiar-se perante todos os cães, gatos, bebés, "sehois" e "senhoias", pedras da calçada, carros ("os carros fazem muito dói-dói!"), motas, contentores do lixo ou quaisquer outros objectos ou seres vivos que possamos encontrar pelo caminho. A palavra de ordem é "Olha mãe, um ..... (preencher com a palavra adequada)tão liiiindo!!!". Se se tratar de um cão ou gato (por algum motivo eu os coloquei ali acima à frente de todos os outros), de imediato a pergunta dispara: "Posso fazer festinhas, posso?". Se for bebé nem pergunta. Quase que trepa pelo carrinho adentro.
O fascínio pelas coisas simples da vida é tão grande que, no outro dia, depois de ter presenteado o bacio com um imponente cagalhão, chamou-me triunfante:
"Olha, mãe, que cocó tão liiiiindo!!!"

As conversas mais interessantes decorrem no carro onde se entretém a declinar o seu recém-descoberto manancial de questões existenciais. Monólogos nos quais demonstra um raciocínio lógico a toda a prova.

"Ó mãe, é de dia, agora, é de dia, não é de noite"

"Mãe, esta escola é muito gira, posso lá ir? (A escola nova dela)

Finalmente os nossos impagáveis diálogos

- Mãe, ê qué i pa casa da Paula...
- Porquê, filha, o que é que há em casa da Paula?
- Tá lá a Paula!


Eu (ainda) furiosa ao volante do carro depois de um trajecto de 5 minutos a descarregar as minhas contrariedades para cima das criaturas (períodos curtos mas durante os quais o Calamitoso Júnior já aprendeu à sua custa que o melhor é permanecer calado até o balão esvaziar) :
- Sou uma palhaça, eu,é o que é!
Ergue-se uma vozinha lá de trás:
- Ó mãe eu sou uma palhaça!..