6/04/2009

Já começa a cheirar mal

a conversa do "é difícil despedir em Portugal" com que nos vêm invariavelmente buzinar aos ouvidos a cada que se fala na praga dos recibos verdes e na precariedade laboral neste triste paraíso à beira-mar plantado. Estes senhores que insistem em justificar o injustificável poderiam ao menos dar-se ao trabalho de rever a matéria e servir-nos outro aperitivo para tentar fazer-nos engolir a maçã envenenada que ainda por cima há tanto perdeu o brilho que até já toda a gente consegue ver que está para lá de podre.
Isto a propósito de alguns comentários no artigo do Público que hoje destaca a reportagem publicada no francês Le Monde na qual os recibos do nosso descontentamento foram designados como "gangrena". Como disse mais acima já não há pachorra para este paleio do "é dificil despedir". Difícil de despedir é esta corja de empresários e o governo que lhes dá cobertura. Difícil de despedir é esta mentalidade tacanha, mesquinha e redutora. Dificil de despedir é esta gente que acha que há pessoas de primeira e outras de segunda. Porque defender a precariedade é defender a desigualdade.
Quanto a mim, despeçam-nos a todos já!

15 comentários:

AnaT disse...

Nem mais! Todos no olho da rua... a receberem menos do ordenado mínimo, que é pra verem o que é bom prá tosse!...

ritmargaride disse...

Tipo deixar de andar de baixa pela caixa e passar andar de caixa pela baixa lol

bjkas

Mente Quase Perigosa disse...

Mai nada!

Tita disse...

Já cheira mal á muito tempo minha linda!!

Bejos

Martini Man disse...

Há toda um geração adiada por causa dos recibos verdes.

escarlate.due disse...

esqueceste-te de referir as pessoas de terceira que aliás estão em maioria neste país!!

Cristina disse...

E que não entram para as estatísticas do desemprego!

Cristina

Luz de Estrelas disse...

Este assunto revolve-me o estômago e apetece-me aperar o pescoço a alguém. Gangrena é dizer pouco. Amputem os activos e verão o que resta de País.

AEnima disse...

Cj, eu sou contra os recibos verdes em mil aspectos, mas a verdade e' que portugal precisa de flexibilizar o meu mercado de trabalho. Despedir e contratar com mais fluidez, sem tanto impecilho burocratico, para que as empresas sejam mais flexiveis a dar resposta ao mercado e a mao-de-obra mais disponivel para mudar de emprego qdo encontra melhores oportunidades noutro local... e nao estar preso a uma instituicao por preguica social.

Nao sou a favor dos recibos verdes, sou a favor de contratos "simplex" (mas uma simplificacao de medidas feita em condicoes)... porque de facto e' custoso despedir em portugal... e por isso se usam as mais crueis formas de o fazer, sem respeito pela equidade, igualdade e direitos do trabalhador.

calamity jane disse...

Aenima, não tenho (agora) tempo para argumentar aqui contigo, mas sempre te vou dizendo que não compreendo muito bem esse espírito do estar à partida a pensar em despedir as pessoas. Quando se contrata para funções permanentes o interesse é mútuo. Um quer trabalhar, o outro precisa de alguém para realizar determinadas funções. Porquê então já estar a pensar como é que eu me vou ver livre deste gajo? Isso é uma perversão total do que deveria ser o mundo do trabalho. Não me parece que seja assim nas democracias ocidentais avançadas. As pessoas não são meros instrumentos. E a produtividade também não aumenta em progressão contrária à sensação de segurança mínima das pessoas. Nem da demissão total do Estado em relação àquilo que é a sua função (caso contrário não serve para nada): a protecção dos cidadãos e o assegurar das suas necessidades em matéria daquilo que está consagrado na Constituição (um documento tantas vezes esquecido mas que é suposto constituir a Lei Fundamental do País) como direitos fundamentais: A paz, o pão, habitação, saúde, educação, (como na canção).
E mesmo que assim fosse (mesmo que de facto fosse legítimo pensar que as pessoas são, ou devem ser facilmente descartáveis), a forma perversa e cruel (como tu própria o dizes) como se precarizou a vida de mais de um terço da população activa em Portugal - e sem direito sequer, muitos deles, a 'prestarem provas', numa perspectiva de meritocracia - merece a reprovação de todos os que acham que sem igualdade não há democracia. Não te esqueças que somos um dos países (senão o país) com maior fosso entre os mais ricos e os mais pobres. E isso é próprio das sociedades subdesenvolvidas. E não me venha(m)s dizer que é por ser "difícil despedir" (by the way, se fosse assim tão difícil não havia tanta gente a sê-lo). Como dizia alguém: "A flexibilidade é para nós. Mas a segurança é deles!"

(acabei por esticar-mem, heheheh)

Rita Costa disse...

Nem mais!!!

Beijo

AEnima disse...

Oh querida, eu nao estou a dizer que discordo do que tu dizes. E tens toda a razao quanto aos recibos verdes! Eu tambem nao concordo com eles exactamente pela questao das regalias sociais a que nao tens direito. Eu so estou a dizer que hoje em dia ja o espirito no mercado de trabalho e' um pouco diferente. Nao se procura que o primeiro emprego seja o unico emprego que tens para toda a vida. E' natural que ao fim de 2, 3 anos de trabalho, tu queiras progredir... dai que procures outras instituicoes que te oferecam cargos superiores. Esta nas maos da instituicao corrente promover-te ou deixar-te sair sem retaliacoes. Para isso ela tambem precisa de conseguir contratar pessoas para te subsituir na funcao corrente rapidamente.
Nao sei se me estou a explicar decentemente. O que pretendo dizer e' que e' preciso flexibilizar a saida mas tambem a entrada de pessoas numa instituicao, simplificar processos, rever as contribuicoes para SS e impostos, etc.
Vivemos o ciclo vicioso de quanto mais dificil se torna despedir pessoal, maior a relutancia das empresas em contratar pessoal novo... e e' esta mobilidade da forca de trabalho que precisamos estimular, para fazer frente 'a concorrencia internacional com empresas que se adaptam muito mais facilmente as condicoes de mercado. Precisamos, acima de tudo, de modernizar as mentalidades de como fazer negocio. Quando isso acontecer, as leis tambem seguirao a vontade popular. Estamos e' no impasse da mudanca, com termos antigos e questoes modernas e lentidao no ajustamento de processos.

anamoris disse...

Não posso estra mais de acordo com a tua exposição revoltada. Quem trabalha não tem medo de ser despedido. O que ainda revolta mais é que há empresários que despedem não pela falta de profissionalismo, mas pela falta de servilismo. Isso sim é triste.
Beijos

Smas disse...

Eu não estou aí, só sei o que me chega pela TV e é pouco que é só a RTPi e nem sempre as horas são compatíveis.
Bjs

Monikyta disse...

e n há ambientador q disfarce...

bj meu