11/11/2008

A Calamity bota discurso ou Esta cena da blogosfera

é mesmo estranha! Às vezes parece uma metáfora da própria vida... Há uns tempos atrás, atingi um pico da audiência. Nunca tinha ousado imaginar tantos inúmeros e incontáveis como os que chegaram a andar por aqui nessa altura. Apareciam, acotovelavam-se para ser os primeiros a entrar, a comentar. E eu, ufana, pois tá claro, sem tempo para cuidar do estaminé para mudar as toalhas às mesas, garantir que as bejecas estavam estupidamente frescas e essas coisas que um dono de tasco orgulhoso da sua clientela gosta de assegurar. Quase que só conseguia botar posta uma vez por semana, embora andasse constantemente a postar por dentro: no banho, no autocarro, na fila do supermercado. E sofria por não conseguir estar à altura do monstro que eu própria tinha criado. E em mim crescia uma ternura verdadeira, palpável, pelos inúmeros e incontáveis.

Entretanto consegui terminar com um dos grandes entraves. Algo que me estava a prender, a estrangular. Que me impedia de estar presente em casa, de acompanhar de forma adequada o crescimento da Mini-calamity, de me aperceber que o Calamitoso júnior estava prestes a entrar no armário. Que me excluía das trocas infindáveis de galhardetes nas caixas de comentários e até do meu próprio tasco.
Mas quando consegui 'regressar' (e as aspas devem-se ao facto de sentir que, na verdade, não regressei, pois regressar é voltar ao mesmo sítio e eu sinto que aterrei noutro lugar), as coisas tinham mudado. Muitos dos inúmeros e incontáveis tinham desertado os seus tascos. Outros estavam agora nos respectivos da mesma forma que eu tinha estado durante os tempos de presença ausente a que me referia inicialmente. Outros ainda tinham deixado de frequentar a casa. Não vou mentir e dizer que só faz falta quem cá está. Não faz o meu género. Tenho saudades de quem deixou de aparecer. De quem fechou as portas e de quem, não as tendo fechado, já não conto entre os inúmeros. Já por várias vezes pensei em abrir falência. E se não o fiz, foi por dois motivos. Primeiro porque ainda restam meia-dúzia de inúmeros e incontáveis de quem muito gosto e sou assim uma espécie de cão: incapaz de me afastar daqueles que me demonstram afeição e me alimentam. Depois porque não sei se saberia o que fazer sem isto. Onde escreveria eu? Seria eu capaz de voltar aos bloquinhos e caderninhos, condenados à perenidade das gavetas?

E eis se não quando a Madalena - que é das inúmeras e incontáveis recentes mais preciosas - me brinda com um dardo. Tantos prémios já vi serem distribuidos por essa blogosfera e nunca me tinha sido atribuída tal distinção. E, digo-o sem falsa modéstia, já houve tempos em que teria sido mais merecido. Quando releio certas postas de há dois anos e até um ano atrás, acho que estava tão mais lá! Receio por vezes não voltar a atingir o mesmo ponto. Porque levo esta merda a sério, embora possa não parecer. A escrita é uma das pessoas mais importantes da minha vida. Só os meus filhos lhe conseguem fazer sombra. Ela é como uma amante cruel e doce ao mesmo tempo. Como um gato que só vem sentar-se ao meu colo quando eu não a chamo. A paixão que sinto por ela nunca se esgota, mesmo quando me maltrata. Sofro por ela, mesmo quando se esquece de mim. E ela, manhosa como poucas, percebeu que estou agora mais disponível para ela e escapa-se-me entre os dedos, escorregadia como sabonete na banheira.

Dos prémios que regularmente são outorgados por essa tascofera, o dardos agrada-me especialmente. Como sagitariana que sou sempre me dediquei à actividade dos centauros: mirar, atirar e fazer por acertar (para além de galopar por montes e vales, é claro). Nem sempre consigo mas vou atirando sempre. Por vezes de forma dispersa, atabalhoada. Por tudo isto, sinto-me deveras honrada. E retribuo o prémio, porque a Madalena é uma mulher extraordinária. Sensível, dedicada a uma causa e persistente. É cá das minhas. Sei que quem aceita o prémio deve indicar uma lista de nomeados. Vou tratar disso e, breve breve... I'll be back!!!
Obrigada Madalena!

15 comentários:

Monikyta disse...

(e eu já te lia nessa altura)

pois que o caderninho n é mau pensado até pq eu n trabalho c pc o dia todo e volta e meia aparecem-me os sentimentos que viram, invariavelmente, "isto podia dar uma (boa) posta" e vai daí, qd chega a altura do "criar mensagem" n sai nada...

já houve alturas em q me saiam palavras pelos poros da pele (era pré-blogosfera), tnh diários, e caderninhos e agendinhas q o comprovam.... agora trago os caracteres no peito, censuro-os e n saem...

É merecido o premio CJ,
pq pões os inúmeros e incontáveis a pensar e isto nos tempos q correm, é coisa q pode dar uma valente dor de cabeça - o q tb é bom, pq é sinal q (ainda) a temos! ;P

Bj meu

Pitucha disse...

Compreendo-te: também tenho a sensação que o meu "blogomundo" está a acabar: uns retiraram-se oficialmente, outros fizeram-no de facto e nós cá andamos, se coragem para parar, sem vontade para ir mais além (como me lembra o Mário de Sá-Carneiro...um pouco mais de azul...).
Estou na fase Quase.
Beijos

Cool Mum disse...

estou mesmo a ver-te de aventalinho posto a verificar que nada falte aos habitués

bejoca

Músico Guerreiro aka Melões disse...

Eu ando e cheiinho de preguica, nada mais, so preguica!
Mas espero estar ainda dentro dos inumeros e incontaveis.
Beijos

espumante disse...

Isso chama-se crise da meia idade. Do blog, bem entendido. Afinal, poderá haver muita gente que te lê e que nem te passa pela cabeça. E quanto a comentários, a tendência é sempre para baixarem. Sobretudo por aqueles que comentam, ou comentavam, todos os dias.
De resto, uma blogger turbilhão (já a Calamity era...) nunca deixa de ser lida. Mesmo que não comentada.
Bonne chance... e "isso" passa :)

AEnima disse...

Abencoada Madalena que te deu esse boost no ego e resolveste nao nos deixar tao cedo! Porque para nos, os inumeros e incontaveis que te leem... fazes-nos falta!

Loira disse...

Gaija, um beijo. Tu sabe que te adoro! (E gosta tanto, mas tanto, de te ler)

Luz de Estrelas disse...

Nunca ouses abandonar-me, é só o que te digo. Quanto ao prémio, fica-te bem, muito bem. Fosse eu de dar prémios e tb já te tinha dado um. OU MAIS! Quanto aos que vêm e vão, não sei. Tenho a certeza que te lêem em silêncio e se mostram qdo é necessário. Os esporádicos, paciência, aterraram noutra livraria.

Madalena disse...

O meu dia, ou a minha noite, que nisto da blogosfera o sol anda por aqui vinte e quatro horas e a lua faz-lhe companhia (ainda não conseguiram fazer as partilhas!!!), dizia que o meu dia ganhou sentido. Obrigada Cê Jane!
Eu também levo isto a sério. Gosto de vir até aqui. Livra-te de fechar o tasco. Nem que eu tenha que te "amandar" um dardo todos os dias! milllllllllllllllllll beijinhosssssssssssssssssss

Huckleberry Finn disse...

Dá-lhe moçoila que a tua escrita tá como o vinho do Porto e estes inúmeros e incontáveis adoram beber, respirar e nadar realmente no tasco.

ritmargaride disse...

:) leio o teu blog há muito tempo, comento há pouco...
Gosto bastante do que leio embora nem sempre me ocorre o que comentar...

Bjkas

ritmargaride disse...

Ah! parabéns pelo prémio é bem merecido:))

shark disse...

Olhe, desculpe: eu vinha à procura de alvoradas mas pelos vistos fui alvo de publicidade enganosa...
:-)

calamity jane disse...

Eh pá, tu desculpa-me, ó Tubarão, se te enganei, mas a intenção não era essa. Passei a manhã a escrever sobre alvoradas, sim, mas não para o tasco... Talvez um dia destes venhas a ler o dito-cujo texto...

shark disse...

Pois, pois...
Uma pouca vergonha, atraem multidões com promessas de pequeno almoço na esplanada e depois...
Pronto, fico aqui à espera de ocasos.