1/15/2009

Porque postar sobre frivolidades (ao que parece) é sempre garantia de sucesso

A vossa Calamity também tem um lado fútil, quanto mais não seja porque todos temos de andar vestidos e calçados - pelo menos com este tempo de m - e já que é assim, ao menos que seja com uns trapitos engraçados e apetrechos a condizer. Nunca fui muito de modas, quer dizer, se tivesse dinheiro, mas dinheiro a sério, talvez fosse mecita para comprar umas peças de roupa daquelas que se vêem nas Vogues e Marie Claires da vida, que são sempre de um corte, textura e cor irrepreensíveis e que custam cada uma o mesmo que eu levo dois ou três meses a ganhar. Mas como, claro está, apesar de eu frequentemente repetir que nasci para ser rica, os deuses parece que, além de loucos, andam distraídos, faço como (quase) toda a gente e reduzo-me à minha insignificância, o que, trocado por miúdos, equivale a dizer que vou ao chinês durante o ano todo e aos saldos quando manda a lei que eu cá sou uma cidadã respeitadora dos bons costumes. Mas ia dizendo que não vou muito em ondas e, além disso, em certas coisas serei eternamente freak. Gosto de saias compridas e esvoaçantes desde que me conheço, assim como, por mais que me esforce (tipo de 5 em 5 anos), nunca consegui usar saltos altos durante mais de quatro horas seguidas. E não é que não saiba andar com eles, que graças a deus nosso senhor fui prendada com a graça e a elegância natural de uma Ingrid Bergman (no mínimo). É pura e simplesmente porque não tenho pachorra! Gosto de sentir os pés no chão ou então de levitar declaradamente. Agora o cansaço que provoca uma incursão à rua, mesmo que não tenha de deambular por entre a nossa bela calçada portuguesa, com tudo o que ultrapasse os 3/4 centímetros de altura não vale o meu conforto, o qual, aproveito para referir, é condição sine qua non para usar seja qual for a peça de roupa. Daí que, seja qual for a moda vigente, a vossa Calamity nunca (mais) usará tops em cai cai, calça de cintura a meio dos pêlos púbicos (estas duas nunca usei que não sou masoquista e além disso tenho espelhos em casa), roupa demasiado apertada, cueca de fio dental (um dia escreverei uma posta sobre este item, mi aguardem), nem botas de matar as baratas aos cantos das salas.
Mas, claro está, e as inúmeras e incontáveis (porque os poucos dito-cujos do sexo masculino a esta hora já fugiram a sete pés deste vosso humilde tasco) habituées estão fartinhas de ter percebido, todo este longo preâmbulo não tem (quase) nada a ver com o que eu queria dizer de modos que as meninas desculpem qualquer coisinha e eu vou fazer os possíveis por ir directa aos finalmente que, para preliminares, a malta prefere aqueles... enfim, pronto, as meninas sabem, os meninos deviam saber e deixo este assunto para outra posta também...
Portanto a vossa Calamity de vez em quando lembra-se de ir aos saldos. Há dias fui ao Centro Comercial das Amoreiras e saí de lá muito satisfeita com calças para toda a família, um camisolão para mim, um vestidinho/túnica idem idem aspas aspas outro para a mini mas nada daquilo que eu realmente preciso e ia à procura e eu já sei que é mesmo assim, a malta precisa de uma coisa e vai à procura e vem sempre com montes de coisas menos aquilo que procurava. O chato nisto é que o que eu preciso é mesmo aquilo que na imprensa da moda se chama básicos e que desde sempre foi para mim o mais difícil de achar a não ser que esteja disposta a pagar a pele do cu ou o equivalente a dois ou três salários. Básicos do mais básico que há: umas calças pretas, um casaco preto, umas botas pretas. Dito assim até parece que voltei aos tempos góticos e que ando de olhos fechados, pois básicos destes abundam por aí, mas a verdade é que, como já dizia há tempos numa proverbial posta que muitas mentes abanou e cujo link já vou ali buscar que não que vos falte nada, existem poucas missões mais difíceis, nesta complexa arte de ir aos saldos (e até me atrevo a dizer: "de ir às compras tout court") do que achar peças básicas normais, cortes a direito, sem arrebiques nem mariquices. Quero umas botas pretas de pele macia, bem justinhas no cano, com salto baixinho ou até sem ele, confortáveis e que não sejam quadradas nem bicudas nem redondas. Bem posso ir procurá-las em Marte!
Aproveitando a hora de almoço na zona de Picoas, lembrei-me que há coisa de quatro anos, comprei umas bem a meu gosto e que ainda hoje usaria se não tivessem sido atacadas pela traça da pele (bicho que eu ignorava que existia mas que é a única explicação plausível que encontro para o facto de me ter deparado com as mesmas todas esburacadas no início do inverno passado) num espaço comercial denominado Atrium Saldanha ao lado do qual existe mais um com um nome parecido e em frente outro ainda, de modos que pensei com os meus atacadores (hoje não trago botões): "Vou ali que já lá comprei umas botas pretas muita giras a um bom preço e se não encontrar ali tenho mais dois centro comerciais onde, bolas, tenho de encontrar o que procuro". Diga-se de passagem que já corri Campo de Ourique inteiro mais o referido Shopping das Amoreiras sem achar as benditas botas. Mas fui, apesar de chover baba e ranho e de eu não ter guarda-chuva já que hoje de manhã por mais que procurasse por toda a casa não achei se não um da Minnie e da Margarida, que teria trazido comigo caso 1) me cobrisse mais do que a auréola que trago sempre comigo, já que tenho também mala, casaco largo e botas (não comecem que estas são castanhas!!!); 2), tivesse um cabo com mais de vinte centímetros de comprimento de forma a poder afastar o objecto do meu crânio e 3) (o mais importante) condissesse (ah pois, é assim mesmo que se diz, tenham lá santa paciência...) com a roupa que trago hoje que eu não sou fútil mas tenho noção do ridículo. Minnie e Margarida, sim, mas a fazer pandã (esta não sei mesmo como se escreve).
(continua assim que chegar a casa que se passo mais um dia sem fraldas para colocar à Mini-Calamity de noite e tenho de novo de acordar às quatro da matina para trocar pijamas e lençóis e lavar pernocas enxarcadas em xixi vou ter uma crise de nervos)

6 comentários:

flores disse...

Eh pá, eu, rainha das frivolidades, fiquei com água na boca.

Monikyta disse...

loooooool

voltaste em grande!! :P


bj meu

Pitucha disse...

Então e as botas?
Beijos

Carlota disse...

Estás um verdadeiro Saramago no que respeita ao tamanho dos parágrafos.
Fico a aguardar a continuação, mas tenho esperança de que tenhas encontrado as botas na Hellius do Átrio Saldanha, mesmo ao lado da Benetton, lá em cima. Foi lá que comprei os meus dosi últimos pares de botas, entre meados de Novembro e fins de Dezembro.

Cool Mum disse...

:D
tenho um pacote enooorme de fraldas para a troca!
Embora sejam até 22kg o besnico não cabe lá dentro...

Tita disse...

Do melhor!!
Ler-te!

Vou só ali adormecer a piquenena e já volto para te ler, antes de me enfiar-me nas panelas, natas, leites condensados, gelatinas, etc,etc.!
:D