10/25/2006

28 de Setembro de 2006

Este já está escrito há uns dias largos. Hesitei bastante entre postá-lo ou não postá-lo. Mas tendo em conta isto e agora também isto, desbloqueei. Hoje é então outro dia

Faz hoje dez anos que te foste, como uma sereia por entre as ondas. Sem fazer barulho e sem te despedir. Não sei se sabes, mas deixaste a conversa a meio. Já não me lembro do que falávamos, confesso. Nem sei mesmo se na altura me lembrei. Mas sei que durante muito, muito tempo, foi esta sensação bizarra que me ficou, a da conversa interrompida. Tipo: “onde é que nós íamos, mesmo?” Isso e um par de olhos esbugalhados, aquelas imagens presas na retina, como uma objectiva que tivesse ficado para sempre bloqueada no acto de fotografar... o horror.
Faz hoje dez anos que te foste, mas não penses que só hoje te escrevo à boa tradição portuguesa, de só recordar quem partiu nos dias dos aniversários. O Pessoa descrevia muito bem esse fenómeno naquele poema “Se te queres matar...”. Assim:

“Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.”

Não, não penses isso. Nestes dez anos não deve ter havido um único dos três mil seiscentos e cinquenta e tal dias em que não me tenha lembrado de ti.
E no entanto, a tua passagem pela minha vida foi pouco mais que meteórica. Durante muito tempo também, me interroguei sobre os motivos dessa passagem: porquê? Porque é que os deuses insistiam em colocar estas pessoas no meu caminho para logo depois as levarem? Qual o significado? Qual a razão? Depois veio aquele anúncio. Aquela menina não teria mais que quatro anos. Mas eu sei que eras tu.E logo a seguir, aquela música, que ainda hoje me custa ouvir. E que, eu sei, foi escrita para ti, pelo menos aquela parte:

Frio,
o mar
Por entre o corpo
Fraco de lutar.
Quente,
O chão
Onde te estendo
E te levo a razão.
Longa a noite
E só o sol
Quebra o silêncio,
Madrugada de cristal.
Leve, lento, nu, fiel
E este vento
Que te navega na pele.

Eu sei. Esta canção de amor, o Abrunhosa não deve ter pensado que a alguém pudesse ter soado como a banda sonora de um filme de terror. Mas soou.

E de repente, cinco anos passaram. E foi a vez dele*. Outro anjo efémero. Outra passagem súbita. Sem sentido. Cheguei a interrogar-me se teriam sido reais, vocês dois. Ou apenas figuras oníricas de um sonho tão intenso. Ambos existiram para mim durante apenas cinco semanas. Cinco semanas que foram toda uma vida. E que ainda doem. E eu sei que não vieram para magoar, mas então, vieram para quê???

Depois veio aquele dia: 26 de Dezembro de 2004. De repente, milhões de retinas ficavam também elas assim, esbugalhadas, incrédulas. E eu, que não estava lá, eu, que nunca viajara a leste de Estrasburgo, vi-me ali, em Phuket, em Phi Phi, em Samatra, em Meulaboh, em Jaffna, em Muttur, em Aceh, a reviver aquela tarde. O mesmo pesadelo elevado à potência n...
Tinhas vinte anos. Hoje terias trinta. Terias terminado o curso de psicologia ou talvez não. Terias aproveitado bem o tempo ou talvez não. Ter-te ias mantido bonita ou talvez não. Talvez estivesses mais bonita ainda ou talvez te tivesses estragado. Quem te conhecia desde sempre diria que terias ido de qualquer modo. Que não eras feita para este mundo. Que não lhe pertencias.

Não sei. Só sei que dez anos passaram. E que te foste com tanta pressa que deixaste uma conversa a meio. Não me lembro do que falávamos. Mas devia ser importante. Todas as nossas conversas eram importantes. Só podia ser algo inadiável. Se ainda te lembrares, diz-me. Eu ia gostar de retomar esse diálogo, tão fluido, como sempre o foi contigo. E logo nesse dia, estávamos TÃO felizes, lembras-te? Tudo parecia TÃO perfeito!
Se te lembrares, faz-me um sinal, dá-me uma pista. Talvez isso desate um pouquinho deste nó.
E... amiga?... Gostei de te conhecer!

*Mas com ele em breve falarei

10/21/2006

Intervalo 2 ou Está bem, pronto!!!

Olhos? castanhos
Cabelos? castanhos
Altura? 1,62
Peso? deve andar nos 52
Ascendência? franco-portuguesa - mas acho que noutra encarnação fui índia das américas
Signo? Sagitário (ascendente Caranguejo, signo Lunar Touro e muita água no mapa) (é q acho q o signo sozinho não diz nada)
Sapatos que está a usar? chinelas de verão - apesar de estar a chover
Fraqueza? são tantas!
Medo? bué deles
Objectivo que gostaria de alcançar: para já, a tranquilidade material e mental que tinha há 10 anos, quando ganhava a vida a fazer o que gosto e conseguia de vez em quando ir passar o fim-de-semana fora e viajar de tempos a tempos~
Frase que mais uso no messenger: "faz-de-conta que não me viram"
Melhor parte do corpo: os abdomináveis ;-)
Pepsi ou Cola? coca-cola (pode ser guaraná?)
MacDonalds ou Bobs? bobs, embora não faça ideia do que se trata
Fuma? em quantidades homeopáticas
Palavrões? todas as palavras do dicionário e alguns neologismos
Perfume? por vezes e nem sempre o mesmo
Canta? e nem sempre meus males espanto
Toma banho todos os dias? em geral, sim
Gostava da escola? hoje mais do que ontem
Acredita em si mesmo? tem de ser
Tem fixação com a Saúde? tenho que admitir que tenho alguma, sim
Dá-se bem com os seus pais? melhor com a minha mãe embora "saia" mais ao pai. Talvez por sermos demasiado parecidos chocamos à brava
Gosta de tempestades? adoro

No último mês
Bebeu álcool? em quantidades homeopáticas
Fumou? em quantidades homeopáticas
Usou drogas? acho que já respondi. Mas se for preciso, vou ali buscar a definição da OMS
Fez compras? que remédio
Comeu um pacote inteiro de bolachas? e também de outras coisas
Comeu sushi? não
Chorou? rios de lágrimas
Fez biscoitos caseiros? não, mas comia-os de bom grado
Pintou o cabelo? não, mas que precisava, oh, se precisava!
Roubou? canetas e isqueiros onde os haja, 2 cigarros ao meu pai, um a um colega, e variadas frutas pequenas no supermercado/mercearia: tâmaras frescas, umas laranjas miscroscópicas, que já não me lembra o nome, uvas... Tenho que provar a fruta, certo?
Número de filhos? dois
Como gostaria de morrer? não gostaria de morrer e ainda tenho a ilusão da imortalidade
Piercings? vários furos nas orelhas (no lóbulo e não na cartilagem)
Tatuagens? n'a pas
Quantas vezes o seu nome apareceu nos jornais? no último mês? 3 ou 4. Em revistas mais umas quantas
Cicatrizes no corpo? tantas que lhes perdi a conta. Mas as piores não se vêem...
De que se arrepende de ter feito? tanta coisa...
Cor Favorita? todas
Disciplina favorita na Escola? dependia dos anos
Um lugar onde nunca esteve e gostaria de estar? Na Bahia, entre outros
Matutina ou nocturna? cada vez mais matutina
O que tem nos bolsos? um telemóvel de um lado e uma pen do outro
Daqui a dez anos imagina-se? é melhor não fazer projecções

Desafiadas: as que quiserem... Já não sei quem cá vem...

10/13/2006

Intervalo

... Como ainda me lembro daquela noite no verão de 1980 (pois é, sou meeesmo muuuito cota) em que rebentou um cano na Festa do Avante, ainda no tempo em que a Festa decorria no Alto da Ajuda, e milhares de pessoas atravessaram o imenso pantanal que se formou, até porque tinha chovido a cântaros... só para o ver e ouvir

... Como este senhor que eu simplesmente AMO vai finalmente visitar-nos, ao fim de quase 20 anos...

... Como há vários dias (e noites) que não consigo pensar noutra coisa... partilho convosco uma das canções que habita o meu ser desde que me lembro de ser quem sou - seja lá o que isso for

Rosa-dos-ventos

E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima
Pra socorrer

E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr

Mas, sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena
E chovesse o perdão

E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão

Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito dos rios fartou-se
E inundou de água-doce
A amargura do mar

Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde
O seu despertar

Chico Buarque 1969

PS: Tenho andado a "cozinhar" dois posts que ficaram em suspenso desde a semana passada. Eles não são propriamente para vocês, meus inúmeros e incontáveis mais "palpáveis", mas, como dizia no outro dia, para duas estrelas que já se encontram em constelações mais distantes...
Anyway, como ultimamente ando com os pés "demasiado" na terra, não me sinto no estado necessário para estas andanças mais... transcendentes, digamos. Isto, só para dizer que se um dia destes depararem com um post ostentando uma data totalmente absurda, não é engano: é um dos tais dois.

PS2: Sim, CK, tenho a intenção de vos usar como cobaias para o meu estudo. Meter-vos em tubos de ensaio. Misturar-vos com substâncias esquisitas e potencialmente explosivas. Agitar-vos sem piedade. Virar-vos do avesso. Despejar-vos na bancada. E devolver-vos à estratosfera não sem antes vos ter tornado irreconhecíveis. Mas está descansada que, quando eu fizer isso, arranjo umas autorizações forjadas que não te darei para assinares.
Até jazzzzz

10/05/2006

Um longo e entediante post a não ser que estejam para intermináveis considerações vagamente filosóficas

Sou uma mecinha simples, a bem dizer.
Gosto de dormir e de brincar, de passear e de cantar. Gosto de ir à praia, de ver um bom filme, de me arrepiar num concerto e de me alambazar com uma comezaina valente. E de também de parvejar horas perdidas frente à televisão a zappar na imensidão do nada, de, como dizia o outro, ter um livro para ler e não o fazer...
Mas também tenho um lado intelectual, um lado mais reflexivo, discursivo, logico-analítico. Um lado que aprecia o pensamento complexo, que admira e tenta seguir as mentes brilhantes dos cientistas e outros filósofos, que tenta compreender o mundo físico e também o que está para lá.
Sim, as questões metafísicas também me inquietam e desde pequenina que me lembro de me sentir 'diferente'. Algo em mim sempre vibrou que ia para além da normalidade aparente das pessoas - novas e velhas - que me rodeavam e a quem, aliás, eu tinha um enorme pudor em falar "dessas coisas". Hoje sei que não estou (nem estava) só; muitas e muitas "almas gémeas", ou pelo menos "irmãs" se revelaram ao longo dos anos, muitas estrelinhas (;-)) brilharam em uníssono, - umas vieram devagar (;-)) e outras caíram-me literalmente em cima - e por vezes consigo entrever no meio do muito lixo que nos rodeia resquícios de um desígnio grandioso.
Curiosamente, a descoberta da blogosfera, com todos os seus aspectos aparentemente muito terra-a-terra, inscreve-se completamente no âmbito maior desta revelação. É estranho como seres que cintilam à distância - uma distância que chega a atingir milhares (?) de kms - e que nunca vi, de quem nunca senti o cheiro nem ouvi a voz, de quem dificilmente avaliarei a limpidez do olhar ou a frontidão da postura, me conseguem por vezes atingir no que eu tenho de mais íntimo, de mais recôndito, de mais (m)eu.
Talvez por isso, o meu lado intelectual, que sempre teve tendência a misturar-se inextricavelmente com a minha dimensão... chamemos-lhe espiritual, levou-me a querer explorar mais a fundo a questão das "ligações cibernéticas" (sim, sim, horitas, é verdade!.. não gozes comigo, tá?!) e a sua faceta metafísica. "Será o ciberespaço uma experiência mística?" é o tema que irei desenvolver em breve (espero!) num trabalho para um dos seminários do mestrado que frequento (pouco) e que talvez venha a levar mais longe, na tese, a tal que já deveria há muito ter começado a esboçar.
Mas toda esta longa introdução (ai, que já estou a ver os meus inúmeros e incontáveis a colocar os ratos na coluna do lado direito, dirigindo o cursor para baixo à procura do fim, exclamando de si para si: "o quê???!!! Introdução???!!!! Esta gaija deve estar louca!!! Desvairada!!Transviada! Tenho mais que fazer. Ela que se meta num psi e deixe a malta sossegada. Anda uma pessoa a vir aqui todos os dias durante mais de uma semana a ver se a gaija diz algumas bujardas prá gente se rir um bocado e vem ela com esta lengalenga que nunca mais acaba e ainda por cima é tudo introdução??!! Tá-se a passar??!!!), toda esta introdução, dizia eu, para lançar alguma luz sobre certas "atitudes", digamos, que talvez possam parecer algo misteriosas a mais do que um dos meus inúmeros e incontáveis leitores.
Espero não parecer pomposa - ou melhor, na verdade estou-me nas tintas para o que possa parecer, e como estou a um passo de ser metida numa camisa de forças posso dizer o que quiser, que todos os que me conhecem já sabem do que a casa gasta e os outros passam a saber - dizia eu portanto que ... ainda estão aí? Ou melhor, ainda está aí alguém?
Pronto lá vai:
Se o ciberespaço, e logo a blogosfera, são esperiências místicas - e lamento desiludir os inúmeros e incontáveis mais cépticos (se é que ainda resta algum a esta hora), mas também aqui não estou só e já houve autores muito respeitados no meio universitário que o pensaram, disseram e desenvolveram em estudos publicados - , então as dimensões que podemos através dele, ciberespaço, e logo dela, blogosfera, atingir, são ou podem ser transcendentes. Pelo que, quem sabe, alguns dos meus inúmeros e incontáveis poderão até nem estar neste planeta (dimensão espaço) (by the way, acusem-se, por favor!) - pois é, malta, julgavam que eu estava brincar, quando no outro dia referi que esta a escrever aquele post straight from Jupiter e sob a forma de holograma?! - ou até "já não estar entre nós" , como se costuma dizer (dimensão tempo). Atrevo-me até a pensar na possibilidade de alguns deles ainda não terem nascido.
Todo este longo divagar (se vai ao longe) tinha por objectivo introduzir (ainda, pois é! Desculpem lá qualquer coisinha...) os meus inúmeros e incontáveis nos motivos profundos e superficiais que me levam, ou melhor, irão levar a usar este blog como meio - e o bold serve para sublinhar o aspecto etimológico da palavra utilizada - para chegar a alguns seres que já estão noutra dimensão da existência. Que apenas em sonhos me visitam e de quem tantas saudades sinto. Eu sei que não havia nexexidadejeje de me lançar nesta interminável explicação e que já outros(as) o fizeram antes de mim. Mas cada um é como cada qual e como há muito que não vinha aqui "ouvir-me pensar", foi para o que me deu. E se, por algum motivo também ele do domínio do transcendente, algum dos meus inúmeros e incontáveis chegou até aqui, vou desde já tranquilizá-lo(a). Para já vou ficar por aqui, até porque ambos (eu e e Vós, que a esta hora já mereceis uma segunda pessoa do plural à séria e com a respectiva maiúscula) precisamos de digerir, certo? Às duas pessoas a quem tencionava dirigir-me neste post, digo, embora elas, no tempo/lugar onde/quando se encontram o saibam certamente, I'll be back. Aos inúmeros e incontáveis que ainda me restam - se é que restam! - , digo o mesmo.
Vou ali e já venho.

PS: À senhora que resolveu criar "mais um blog da tanga" (estou a citar) para chatear os outros e porque nada mais tem para fazer, aviso desde já que excusa de se dar ao trabalho de me comentar com as suas "atuardas" (estou a citar de novo), que não estou com pachorra nenhuma para aturar gente parva, que ainda por cima deve ter interesses na CML (sempre me causou uma certa comichão a proximidade com o poder). Tive a educação de não apagar o seu desinteressante comentário mas passarei a fazer como outras e a colocar o lixo no respectivo contentor onde ele pertence.

PS2: às meninas que tive vontade de linkar nas passagens em que lhes pisquei o olho e que sabem quem são, quero que saibam que hesitei mas acabei por não o fazer para não excluir algumas outras que seria injusto não adicionar nessa linkagem. Todas as estrelas brilham mas algumas brilham com mais intensidade. E isso não retira de forma alguma o encanto aos (aparentemente) menos cintilantes corpos celestes.
Nem o seu carácter eminentemente especial.

PS3: QUEM FOI???
O visitante 2000 que não se acusou. Hein???

9/22/2006

Acham isto normal???

Na Rua Ferreira Borges, principal artéria (gostaram da "artéria"? lindo, não é? é como o "esférico", vocábulos que me enchem a alma de satisfação e o umbigo de orgulho, por tão profícuo - eu ultimamente ando particularmente amiga do "profícuo" - e egrégio uso do nosso vasto idioma - do "idioma", então, nem sei se vos diga, se vos conte! - mas adiante!)
O melhor é recomeçar, que os meus inúmeros e incontáveis a esta hora, ainda por cima em dia sem carros - imagino-vos todos (todas!) a andar a pé, a encher os nossos autocarros, as carrugens do metropolitano... mas, enfim, adiante, de novo, que isto hoje está grave. A hemorragia mental escorre por todos os lados. Ou será verborreia? Bah! Deixem lá! Eu fico assim quando tenho um trabalho para fazer e ando a ver se me esquivo. A propósito, lembram-se daquele poema do Fernando Pessoa... Não, a sério, estava a brincar. Ou melhor, estava a brincar. Agora a sério. Do início.

Dizia eu portanto que, (eu sei que aqui não devia haver vírgula, mas é só para marcar aqui uma pequena pausa e centrar-vos de novo na minha linha de raciocínio. Pronto. Já está tudo a seguir-me? De certeza? Então lá vai:

Na Rua Ferreira Borges, principal artéria do Bairro de Campo de Ourique, em Lisboa (há que contemplar os inúmeros e incontáveis dos arrabaldes, não é verdade? explicando-lhes onde fica Campo de Ourique, que os inúmeros e incontáveis, por exemplo, da ilha de Santa Maria dos Açores, não são obrigados a saber, certo?), podemos desde o dia 20 de setembro - vinte observar toda uma parafernália de camiões equipados com gruas, cada qual operado por dois trabalhores de uma empresa denominada "Os Castros" a instalar as iluminações de Natal. Sim, caros e caras inúmeros(as) e incontáveis, vocês leram bem e não, caras e caros (agora ao contrário) inúmeras(os) e incontáveis, a vossa Calamity não teve alucinações, não sonhou, não andou a fumar daquelas coisas que fazem (quando ingeridos por certos organismos mais sensíveis e quando de qualidade excepcional, é verdade) ver coisas que não correspondem exactamente àquilo que lá está. É verdade. Verdade, verdadinha, tão verdade como eu estar aqui neste momento sob a forma de holograma a escrever este post a partir do planeta Júpiter.
Podemos, pois, inúmeros e incontáveis (e vice-versa, pronto, vocês já sabem, esta minha cena dá prós dois lados, meninos e meninas, gaijos e gaijas, parramecas e pilinhas, coisa e tal e tal e coisa...) deduzir que o nosso bem-amado presidente da junta, perdão, da câmara terminou finalmente de pagar as pouquinhas (coisa pouca, mesmo, quase nada) dívidas da dita e pôde enfim direccionar as vastas somas da edilidade para fins mais nobres e bem mais urgentes? Ou passou-se algo que eu, do alto (deverei antes dizer do baixo?) de minha parca e limitada inteligência não atingi? Haverá lá coisa mais importante e imediata para a Câmara Municipal de Lisboa fazer do que mandar instalar as iluminações de Natal a três meses e cinco dias da efémeride que marca o nascimento de Jesus Cristo? Quem serão "Os Castros"? Já agora, alguma relação com a Inês de? Por favor, esclareçam-me.

Ah. Feliz Natal.

9/11/2006

Há cinco anos...


Há cinco anos todos nós vimos na televisão. Não conseguíamos despregar os olhos daquelas imagens. Vimo-las dez, vinte, cem, mil vezes. Como se estivéssemos viciados nelas. De vista esbugalhada. De coração esbugalhado. No dia seguinte acordámos e ligámos a televisão de novo. Para ver se era mesmo verdade. Se não teríamos sonhado.

Ontem à noite (e antes disso, na 2) passaram vários documentários, entre outros aquele sobre o Homem em Plena Queda (The Falling Man). A famosa foto de Richard Drew que chocou tanta gente, que originou uma pesquisa, a qual deu resultados espantosos. Não interessa concluir sobre a identidade deste homem, cuja posição extraordinária ainda hoje me deixa perplexa: além de levar a cabeça para baixo, tem a perna direita flectida, como quem estivesse encostado a uma parede, a ver o tempo passar. Quando na verdade, é ele que passa pelo tempo à velocidade estonteante de uma morte, a morte mais mediática do onze de setembro. A morte que todos viram mas que ninguém viu, pois acredito que ele ainda estava vivo neste momento da queda.
Não interessa se era o tal do Jonathan Briley, cuja irmã deu um depoimento que deveria ser ouvido por todos, uma lição de vida e de serenidade. Ou se era o outro "suspeito", cuja família, de tão crente, se teria desmoronado se viesse a confirmar-se ser de facto ele o "suicida". Porque para eles (para elas) era a heresia suprema. Que o pai e marido pudesse ter decidido acabar depressa com tudo aquilo. Que tivesse dado aquele vôo. Estaria para elas condenado para sempre às chamas do inferno (e o que seria aquilo lá em cima? Uma sauna? Um solário?) se acaso tivesse cometido aquele crime aos olhos de deus.
Pois se houver deus, se houver Deus que mereça maiúscula, este e os outros "jumpers" do onze de setembro foram direitinhos para o paraíso. Straight to heaven. Pois aquilo, sim, foi um acto de suprema coragem. Tanta quanta a dos bombeiros que subiram quando todos os outros desciam.
E também um acto de suprema fé. Pois algures dentro do desespero inimaginável existiu um lampejo de esperança num milagre que os salvasse. "Talvez, talvez eu possa voar. Talvez, talvez haja um deus que me salve, que me ampare nesta queda, que a transforme em vôo".
E se Deus houve, Deus o(s) salvou. E ele voou para a eternidade.

9/07/2006

Raio de luz


Procurei um raio de luz para vos "devolver" o carinho. Encontrei um elfo e roubei-o à fada que o colocou na blogosfera. Espero que nem ele nem ela se importem. Estou certa que não.

Ainda não me sinto assim, mas hei de sentir. Oh se hei.

8/31/2006

A todos os condutores de BMW's (e são muitos),

de Mercedes, de Volvos, de Audis e Chryslers e das dezenas de outros carros de luxo que povoam as estradas e autoestradas de Portugal, fica aqui o meu sincero, sentido e humilde pedido de desculpas
- por me atrever a circular com o meu Renault Clio com nove anos de idade
- por ter a veleidade de, por alguns segundos, cometer o crime inominável de ultrapassar os raríssimos veículos mais lentos do que o meu, ocupando assim a exclusivíssima faixa da esquerda e obrigando-os desse modo a reduzir por vezes abaixo dos cento e quarenta, causando-lhes assim atrasos irrecuperáveis pelos quais juro penitenciar-me para sempre

8/22/2006

Arre!!! Que não há pachorra

... para quem pensa que o R/C dos prédios equivale a uma plaqueta a dizer "Porteira"! Já não bastava o carteiro (toca sempre duas vezes), o homem do gás (idem, idem), o tipo da electricidade (aspas, aspas), o bacano da água (rebéubéu), o gajo dos telefones (pardais ao ninho), é desde de manhã até à noite, o rachtaparta da campaínha a tocar, e é o "Dica da Semana", é o "Jornal da Região", o folheto do Continente, do Carrefour, do Jumbo, do Minipreço, é o trolha das obras do primeiro, o serralheiro para arranjar a fechadura do segundo, a senhora das caixinhas da tupperware para a vizinha do lado - que, diga-se, coitada, também passa o mesmo, pois no R/C mora - , quando não é simplesmente, e com uma lata do caraças: "publicidade!!!". Qual autocolante, qual quê?!! Aqui há uns tempos, tinha um na bendita caixa do correio e foi arrancado!
Conclusão: ainda agora voltei e já estou deserta pra me pirar daqui pra fora. Decididamente, esta cidade é demasiado pequena para mim e tantas melgas. Prefiro ir ser picada para a Costa Alentejana.

7/20/2006

E agora...

E agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor
E parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor

(Sérgio Godinho in Campolide)

PS: Vou só ali e já volto. Mas finalmente fecho um capítulo da minha vida que me estava a atrofiar. Como diz uma querida amiga blogosférica, "dispo o casaco". I'll be back. Mi aguardem!

7/18/2006

Alguém sabe onde se compram bilhetes para Vanuatu?

... e quanto custam? (pode ser só de ida...)

não sei se ouviram falar disto... mais pormenores no Público de Domingo e nos jornais gratuitos de 6ª feira passada. A foto, que não consigo picar, está aqui.

À falta de imagens de Vanuatu, acho que esta praiazita também me enchia as medidas...

7/13/2006

Ganda lata!

Na verdade, trata-se de uma pequena lata. Ou melhor, de uma lata mais pequena. Eu explico: então não é que a Milupa, em vez de assumir que ia aumentar o preço do Aptamil - aumentar substancialmente, diga-se! - preferiu agir de forma dissimulada e reles, passando a lata a conter 900 gr. em vez do kg. que continha anteriormente!
O que é que vocês acham disto?

7/07/2006

Bib'á inteligência!

"Na amniocentese que fez no fim-de-semana passado a médica parece ter visto um menino. No entanto, Bibá Pitta não se quer precipitar e diz que só contará "ao mundo" o sexo do seu bebé quando tiver a certeza absoluta. " (in Correio da Manhã - Vidas do passado fim-de-semana)

É preciso dizer mais alguma coisa? O neurónio da Bibá é xy! Mas a rapariga, coitada, ao quinto filho, ainda não descobriu a diferença entre uma amniocentese e uma ecografia. E, pelos vistos, a jornalista também não sabe - ou será que não quis desmentir/desiludir a coitada?

7/03/2006

Enquanto fui e vim...

Vocês foram passando por cá. E eis senão quando, ao fim de tantos dias sem cá vir, me dou conta de que, na minha ausência, passou por cá sem deixar rasto o visitante nº1000! E nada disse! Será que não se apercebeu? Será demasiado modesto(a) para se acusar?

Mais coisas... não, não tenho o mestrado feito, nem sequer muito lançado, para dizer a verdade. Está difícil, isto. Passei a semana toda vai não vai, a braços com uma maldita amigdalite que acabou por me derrubar, embora temporariamente. Lá me fui abaixo - e de que maneira!

Sábado, ainda um pouco rouca, consegui o ânimo necessário para transmitir umas quantas good vibrations que, via eter, ou cabo, ou lá o que foi, atingiram em cheio o nosso Ricardo para que se interpusesse entre a gana dos ingleses e a respectiva concretização. E lá estamos nas meias-finais, contra a França, como me tinha sussurado discretamente o meu bom velho e sábio dedo mindinho...

Hoje lá voltei ao bules-não bules, e a bem dizer, estou como uma amiga nossa daqui do burgo (blogosfera) - quase a despir o casaco. Francamente, não fui feita para prateleiras disfarçadas de tachos - ou será versa-vice??? Já sabem, preciso de trabalho, a partir de 15 de Agosto estou disponível. Antes não, que preciso de ir de férias com a família, só um bocadinho, sim? Escrevo, reescrevo, transcrevo, traduzo, leio, releio, revejo, corrijo, redijo e, bem conversadinha, até tiro umas bicas e umas imperiais. Publique-se e divulgue-se...

Muitas mais coisas tenho para discutir, desabafar, cascar e disparatar convosco, mas, a bem dizer, agora apetece-me pôr as visitinhas em dia e vou aproveitar antes que a pimpolha acorde e exija toda a minha atenção. A propósito, mamãs da blogosfera: o que se faz a uma criança de seis meses e uma semana que dorme menos de doze horas por dia, tudo somado, acorda quase todas as noites para mamar, diz "mamã" e gatinha? Creche!!! Pra que te quero???

6/21/2006

Neuróticos somos todos

Uns mais, outros menos; ou talvez uns dêem mais largas às suas neuroses do que outros, mas a verdade é que a cada um a sua panca e felizmente que assim é porque no fundo são também estas “pequenas coisas” que nos tornam únicos e ao mesmo tempo normais. Não deixamos de sentir um certo alívio ao reconhecermos que os outros também as têm, semelhantes às nossas e ao mesmo tempo tão específicas. Uns morrem de medo de andar de avião e outros não se metem no metropolitano por nada deste mundo. Uns não conseguiriam dormir se tivessem deixado os bibelôs desalinhados na prateleira, outros não conseguem manter nada em ordem, mesmo que se esforcem muito para isso. Há quem não consiga sair de casa sem verificar n vezes se o gás ficou fechado ou volte repetidamente atrás para ver se deu realmente quatro voltas à chave na fechadura. Há quem tenha de comprar dúzias de coisas absolutamente inúteis a cada vez que entra numa loja chinesa e quem faça o mesmo em estabelecimentos bem mais caros.
Tudo isto, dentro do rol das nossas pequenas neuroses, é “normal”. Todos temos um pouco de obsessivo-compulsivo, todos temos variações de humor - sobretudo nós, meninas, graças às nossas bem conhecidas hormonas – sem que isso faça de nós maníaco-depressivos. Sim, é verdade que a fronteira entre a “normalidade” e a “loucura” ou o “desvio” é uma linha tão ténue que por vezes não sabemos bem como situar certos comportamentos, pensamentos ou sentimentos. Por mim falo, obviamente, mas sei que não sou a única a questionar-se sobre estes assuntos. Talvez por isso sempre fui “atraída” pelas questões da doença mental. O que é? Como podemos determinar o que é “normal” e o que é “patológico”? Se eu “perder a razão”, será que me vou aperceber?
Entre o que é considerado um indivíduo mentalmente “são”, ou seja, saudavelmente neurótico, e as desordens graves do foro mental, como as psicoses, esquizofrenias, etc, há as chamadas personalidades borderline. Poder-se-ia dizer que são pessoas que vivem sempre “no fio da navalha”. Elas e os que vivem em torno delas. Os borderline fazem parte de uma “categoria” de perturbações que a psiquiatria não consegue “arrumar” na “prateleira” das neuroses, porque são francamente mais “destrambelhados” que a maior parte dos “neuróticos normais”, mas que também não chegam a apresentar um perfil verdadeiramente psicótico. O transtorno de personalidade borderline faz parte de um conjunto que vai do histrionismo à perturbação ansiosa, da personalide paronóide à perturbação esquizóide. Muitos destes distúrbios implicam uma enorme dose de agressividade/hostilidade para com os outros, o que afecta particularmente os mais próximos, com grande incidência nas famílias. Muitas vezes, as “crises” são cíclicas e todos os que vivem com aquela pessoa confrontam-se diariamente com a recordação da mais recente e com a expectiva da próxima. À espera de quando ele (ou ela) se vai passar novamente. A recear esse momento. Porque frequentemente estas pessoas não reconhecem o problema que têm – ou só o reconhecem nos períodos de acalmia - e, obviamente, recusam o tratamento –ou interrompem-no ao menor sinal de melhoria, piorando logo em seguida -, é extenuante viver com elas. Em muitos casos, existem consumos de drogas e sobretudo de álcool – essa droga dura legal e sempre minimizada por grande parte da sociedade que tantos estragos faz (mas sobre esse assunto falarei noutro dia, que dá posta das grandes) – , o que ainda torna a situação mais difícil. E porque essas pessoas têm, quase sempre, dupla personalidade, quem (con)vive com elas tem relutância em desistir delas. Porque o “outro lado” é por vezes muito diferente. Sedutor. Bom.
Mas quem está próximo também acaba por ficar afectado. Doente. Porque a doença mental é tão contagiosa como qualquer virose, acabando por minar toda a família. As pessoas em volta nunca sabem. Nunca sabem se podem dizer o que vão dizer. Se podem fazer o que vão fazer. Se a acção mais inocente, mais inconsciente não se vai virar contra elas. Tudo tem de ser medido, cuidado. A espontaneidade, a impulsividade não podem sobreviver. Nem a frescura, a inocência, ou a sanidade. Pois são autênticos vampiros emocionais. Especialistas na manipulação, na projecção ("eu não estou doente, tu é que estás"), na chantagem emocional.
Na minha vida já me cruzei com vários “casos” destes. Pessoas que conheci, com quem me dei, com quem vivi, convivi, de quem gostei, que amei, que deixei, pessoas que se foram, que voltaram, que ficaram, que já lá vão. Às vezes interrogo-me por que motivo me confronto tão insistentemente com este lado da vida, com este aspecto da pessoa humana. E, como sou profundamente neurótica (ou quem sabe talvez para lá disso), sofro. Por mim, por elas, pelo que são, pelo que foram, pelo que fizeram, deixaram de fazer, poderiam ter feito. Pela marca profunda que deixam em todos quantos cruzam o seu caminho. Mesmo quando dizemos BASTA.

6/20/2006

Era capaz de apostar

... que Lisboa é a única cidade do mundo onde se não estacionarmos o carro antes de o ocupante anterior do lugar ter saído somos trucidados, linchados e queimados em praça pública.

6/17/2006

Às amigas do Nada Como Realmente

... porque os amigos, se os há, nunca dizem nada!
Este post, escrito a correr, é só pra dizer-vos que vocês estão no meu coração e no meu pensamento. Só que sem net em casa e com censura no local de trabalho, é difícil manter isto. E daqui para a frente, ainda vai ser pior. Nos próximos tempos vão ver-me raramente por aqui: trabalho, mestrado e família "obligent". Hoje passei nalguns dos vossos cantinhos e amanhã tentarei terminar a ronda. Espero que ninguém fique melindrado(a)! Só consigo ir a uma de cada vez. Mas, como já disse a algumas hoje, "I'll be back", até porque isto já me está na "massa do sangue", se é que é assim que se diz... Mi aguardem!
Então, se me dão licença, vou ali e já venho. Untill then, good night

6/07/2006

Neste momento, mais do que nunca, quero reafirmar quem sou, e aquilo em que acredito


Porque quero viver num mundo às cores
Porque quero que os meus filhos cresçam e tenham os seus filhos num mundo às cores
Porque acredito (ainda) na paz, no amor, na tolerância
Porque quero acreditar que há futuro
Porque quero acreditar que quem vai para a televisão vangloriar-se de ter armas mortíferas em casa, de estar disposto a usá-las e apelar ao seu uso em nome das suas aberrantes ideias de ódio será metido num dos guettos cuja existência defende onde, espero, apodrecerá juntamente com os seus aberrantes "correligionários" (é assim que se diz? qualquer epíteto de que me lembre é ofensivo para as pessoas normais)