12/26/2008

E mais estes...

O Natal foi ontem, mas estes 'presentes' já estavam em marcha desde o início de Novembro, de modos que aqui estão os restantes premiados com o bendito dardo... Onde é que eu ia, mesmo?

Carlota, o teu bom gosto e sentido estético são um bálsamo para os olhos e não só. Cuidas do teu tasco com o carinho com que um jardineiro trata do seu jardim e foste capaz de o tornar num must. Sei que arranjarás um recanto jeitoso para colocar este dardo que te dou.

Sinapse, tenho saudades de te ler e de ver com mais frequência por aí (e por aqui!). És uma mulher cosmopolita e possuis alma de repórter. Tens sempre algo de interessante para dizer/contar e fotos lindas ou peculiares para partilhar. Segue um dardo direitinho para os States...

Allo, Cool, minha contemporânea. És a confirmação da qualidade desta safra (69). Admiro-te porque consegues ter três filhas, manter o nível de actividade, divertir-te qb e ainda estar sempre em cima do acontecimento. És uma mulher atenta, do teu tempo e tens sempre uma ligação html para dar a conhecer à malta. Contigo, a blogosfera é um livro aberto.

Flores, o teu Frald(i)ário é um dos registos mais honestos e lúcidos da chamada 'babyblogosfera'. 'Conheço-te' há relativamente pouco tempo mas gosto de ti. Mais, és das minhas, minha!

Aenima, minha menina. Sinto-te muito murchinha. Gostava de reencontrar a Aenima mordaz e acutilante de tempos não assim assim tão recuados. Volta, amiguinha.

Shark, a mais recente aquisição aqui do tasco. Contigo, nem houve tempo para estranhezas. Entranhei-te logo. És dos (muito poucos, mesmo) que visito incondicionalmente assim que posso carregar noutra ligação para além do email. As cabras do teu curral são também das minhas, mas já receberam o prémio, bem merecido, por sinal. Serve, ao que parece, o Dardos" para, entre outras coisas, ampliar os nossos horizontes na imensa blogosfera e sendo assim, reiterar o galardão não faz sentido. Além disso, tenho um fraquinho por tubarões meigos. ( E, aqui entre nós, estou desconfiada que fomos irmãos numa encarnação anterior...).

Havia mais gente que eu gostaria de contemplar com este prémio (e ainda três dardos a atribuir, segundo as regras do dito, ler nota de 'rodapé') mas não o farei. Uma das candidatas abandonou o blog há cerca de dois meses e nem sabe que sou cliente do tasco dela. Tenho pena de a ter descoberto tardiamente mas vou espreitando e se ela voltar dar-lhe ei um dos dardos que sobra. Outra é ainda demasiado recente e não me sinto em pé de igualdade com ela, uma vez que eu sei quem ela é mas ela ignora totalmente quem eu seja. Enquanto a 'igualdade' não for reposta parece-me desadequado premiá-la. Embora, lá está, também o mereça. Outra(o)s já 'desertaram a blogosfera há mais tempo. Mencionei-os na posta anterior e só me resta desejar que 2009 seja o ano do seu regresso pois fazem muita falta por aqui. Há uns tempos, li por aí que "esta é a verdadeira comunidade". Infelizmente já acreditei mais nisso que neste preciso instante, mas pode ser que volte a senti-lo...

"Until then, good night" (e bom ano, se não nos virmos antes)

Notinha de rodapé:

Regulamento do Prémio Dardos

"Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada bloguer emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloguers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
As regras para receber o prémio:
1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação;
3) Escolher 15 outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos;
4) E avisar todos, claro!"

(Bute lá então...)

12/19/2008

... And the nominees are...




Pois é, inúmeros e incontáveis! A vossa Calamity é como a justiça divina: tarda mas não falha. E como nesta altura do campeonato já devo ser a ú nic(ltim)a premiada da blogosfera a não ter ainda redistribuído os dardos, vou finalmente acabar com o suspense - já houve tempos em que a estratégia rendia, já... - e tratar de passar a batata quente. E digo batata quente porque teria sido muito mais fácil arranjar 15 premiados-15 no 'meu' tempo, ou seja, quando os inúmeros e incontáveis mantinham (regularmente) os seus tascos e era eu que andava desaparecida em combates inglórios pelo mundo real. Dias em que a Azulinha, a Horas Vagas, a Repolha, o Anjo, a Chiqui, andavam no activo. Em que o Melão e a Aenima postavam com frequência que se visse. Em que a CK era visitada e comentada com a afluência que merece. Mas enfim, as coisas são como são, e, como diz o poeta e eu li há umas semanas (quando escrevi esta posta) no tasco da Frenética "Outra maré cheia virá da maré vaza...", pelo menos a malta tem de acreditar que assim é, caso contrário andamos a bater com a cabeça nas paredes, o que não é bom para as ditas que já não se fazem como antigamente e hoje em dia desmoronam por tudo e por nada. Com coisinhas poucas como simples cabeçadas...
Vamos então a eles, aos prémios, que já se faz tarde e o tempo ruge, como dizia o outro, e além disso os meus 17 leitores, que é como diz, os inúmeros e incontáveis, querem seguir para a próxima paragem, que é como quem diz o próximo link html.

Se há alguém por quem vale a pena continuar aqui - acho até que postaria só por ela, assim como deixaria a blogosfera no dia em que ela fosse embora, esse alguém é a Estrelinha. Sobre ela disse um dia: (...) "Uma das pontinhas fazia-se sentir à distância, mas a presença dela era tão, mas tão forte que sinto desde então que ela sempre esteve lá. Até hoje, n ão lhe senti a consistência do abraço, mas conheço-lhe a composição da matéria. Verdadeira poeira de estrela. Luz capaz de trespassar a distância e a escuridão." (...) O primeiro dardo é teu, minha querida.

Uma pessoa que me põe frequentemente a pensar e me suscita postas a torto e a direito é sem dúvida a Frenética (muito embora me sinta algo abandonada por ela nos últimos tempos, chuifff...). Aqui vai o teu dardo, Fren. És das pessoas mais sensatas da 'minha blogosfera', embora te autointitules frenética. Para mim és um modelo de estabilidade. És simples, sincera e sensível. Três esses na tua esssência, amiga. (E não te linco por que sei que não o desejas...)

Loira, não podias faltar às nomeações. Como eu, nem sempre és muito constante por aqui, mas há postas tuas que compensam as mais longas ausências. És frontal, directa, mas também emotiva, madura e divertida. És também uma verdadeira amiga em que se pode confiar e com quem se pode contar, o que hoje em dia é uma raridade, tanto na vida real como na virtual. E adoro-te.

CK, tens andado muito arredada aqui do antro da Calamitosa e que posso eu dizer-te?! Fazes-me falta, gaija. Os teus tomates bem no sítio, o teu comentário certeiro, o teu sentido de humor fazem parte da 'minha blogosfera' quase desde o início e sem dúvida que isto sem ti perde pelo menos 3/4 da piada. E acho-te um tanto murchinha... Será que o casamento te modificou? Ou é da crise? Gostaria de te ver/sentir mais feliz :-) Foste tu, aliás, que me rebaptizaste Calamitosa. E que adoptaste o meu 'rachtaparta' no teu linguajar... Toca a arrebitar, amiga!

E quem diz CK, diz Melão, já que foi através dela que conheci este fruto... Que posso dizer-te, rapaz, que não tenha já tre-dito na tua própria caixa? És a sensibilidade humana em forma de blog. Gosto mesmo de ti, de quem és. A tua essência transparece em cada palavra, em cada posta tua e transcende em muito a blogosfera. És daqueles que nos fazem sentir que vale a pena andar por aqui. Também tenho sentido a tua falta...

Pitucha, a tua escrita é sem dúvida uma das revelações que este mundinho me trouxe. 'Invejo' o teu poder de síntese e revejo-me (tanto!) na tua impaciência perante os condutores moles. Ora aí está algo que eu eliminaria de bom grado das ruas da cidade e das estradas públicas. Não lhes tirava a carta mas limitava a sua circulação aos caminhos particulares...

(to be continued)

12/11/2008

"A mãe deixou cair o jantar e depois chorou"

O mês de Dezembro é particularmente stressante. Além da confusão natalícia, à qual, diga-se de passagem, nem sequer me associo muito, há os aniversários dos dois calamitosos e o meu, para além dos dias muito curtos, frios e chuvosos que me deixam especialmente em baixo e/ou irritadiça. Depois, o maldito trânsito. Ir a Campo de Ourique (o que faço quase todos os dias) nesta altura do ano é um verdadeiro suplício para quem tenha de deslocar-se de automóvel (o que é o meu caso) e o queira fazer com relativa rapidez (sem dúvida eu, embora de todo impossível).
Os condutores natalícios são uma raça que devia ser exterminada. Conseguem ser vinte vezes mais exasperantes do que o pior dos condutores de domingo, incluindo aqueles de chapéu, os que passaram a manhã toda a polir a viatura que por sua vez dormiu a semana inteira escrupulosamente coberta por um oleado de corpo inteiro... Adiante. Odeio o bulício naftalino, detesto esta azáfama histérico-consumista, abomino as filas para estacionar, desestacionar, pagar uma merda de um pacote de manteiga num qualquer supermercado, a música de natal no Centro Comercial das Amoreiras, o povinho embasbacado frente às montras, acotovelando-se nas lojas chinesas para conseguir as pechinchas mais parecidas com artigos de griffe. Entro em descompensação quando ouço na TV aquelas cantilenas intermináveis em torno do mesmo hipnótico assunto: compre, compre, compre. Dois pelo preço de um, três pelo preço de quatro, meia-dúzia porque o prazo acaba já amanhã mas isso não interessa nada, o que é preciso é consumir, a malta tem é de gastar dinheiro, que é o que nos faz sentir vivos, ah pois é, mesmo que se chegue a casa duas horas depois do previsto e com tudo por fazer, cozinha num esterco, jantar por inventar, à beira de um ataque de nervos e com os putos numa excitação incontrolável.
Pois foi mesmo assim que a vossa Calamity alcançou o doce lar ontem à noite, quer dizer, pouco passava das 19h00 e não vinha das compras, vinha sim, de tentar passar incólume por todo o delírio à minha volta e até tinha conseguido contornar a necessidade de ir ao supermercado e enfrentar dez pessoas em cada caixa por duas simples postas de peixe, porque tinha trazido de casa dos meus pais uma bela posta de bacalhau já assada, posta essa que pretendia desfazer para cima de um refogado de cebola, azeite e alho, ao qual iria acrescentar uns espinafres e umas batatas que já estavam cozinhados no frigorífico. Uma magnífica meia-desfeita, pois então, que ia ficar pronta num instantinho, não obstante o verdadeiro pânico em que se encontrava a cozinha e o estado da minha filha que se assemelhava a um gremlin provindo de Marte (que, toda a gente sabe, é o planeta de onde vêm os homens e também o nome do deus da guerra na mitologia romana e mais não digo).
Pespego então com a catraia na sala em frente ao abençoado VHS dos Três Porquinhos que conservei religiosamente de uma cria para a outra, despacho a loiça suja e os balcões à velocidade da luz e começo a confeccionar o petisco cerca das 19h30, enquanto dizia de mim para comigo que, finalmente, this is the day, vou conseguir dar banho e de comer a esta criatura às horas que preconizo e antes das nove da noite estará no segundo sono ou eu não me chame Calamity Jane.

Pois bem, a verdade é que não me chamo Calamity Jane (e desde já, as minhas mais sentidas desculpas a todos os inúmeros e incontaveis que neste momento estão inconsoláveis com esta terrível revelação).
A cebola em meias-luas já dourava na frigideira, acompanhada do alho e eu debatia-me com o dilema de querer saltear ligeiramente as batatas antes de colocar as lascas de bacalhau, mas de, ao mesmo tempo, precisar de aproveitar a gordura do bacalhau para que o resto não pegasse e enquanto me ponho colocar umas e outras de forma estratégica para conseguir todos os meus intentos de forma concertada, eis se não quando deixo escapar uma ridícula partículo do precioso peixe para sobre o imaculado fogão

( e antes que me chamais a atenção para a aparente contradição entre o que estou a afirmar agora e o facto de ter alegado que a cozinha se encontrava em risco de ser chumbada pela ASAE, direi em minha defesa que, efectivamente, o fogão era a única superfície da divisão que parecia um espelho de tão limpo - agora já não é o caso, mas enfim, já ides perceber...)

e, obsessiva como sou e tenho mais é que admitir, resolvo - ó atrasada mental!!! - apanhar a referida migalha para a colocar de novo na dita-cuja frigideira que, na delicada manobra, escorrega e, tal pão de pobre já devidamente amanteigado, e confirmando definitiva e inequivocamente a famigerada Lei de Murphy, se estatela toda junta no meio do chão, óbvia e totalmente virada para o lado de baixo, arruinando sem dó nem piedade o almejado e já cheiroso jantar e com ele a minha alma em cacos.

Podeis rir, inúmeros e incontáveis, mas eu chorei. Sentei-me no chão (nojento) da cozinha e solucei como um bebé. E veio o meu menino consolar-me e oferecer-me a sua ajuda, que recusei. Amoroso, usando todos os ternos argumentos que coleccionou em quase onze anos de existência com as respectivas crises para me colocar de novo um sorriso nos lábios. E veio a minha menina e era nítida a sua aflição com a mãe chorosa. "O que tens mãe, o que foi? Porque estás a chorar?" E vieram ambos com rolos e rolos de papel higiénico nas mãos, querendo absorver com ele toda a tristeza do universo (e tê-lo-iam feito, não duvido, fá-lo-ão com toda a certeza). "Não faz mal, mãe, já passou"...

E claro que passou. Claro que se arranjou jantar. Claro que ficou óptimo e toda a gente se deliciou (pronto, a quantidade já não foi tão abundante, mas ninguém ficou com fome). Claro que se limpou o chão e as lágrimas. Claro que a MiniCalamity se deitou já depois das nove. Com mimos, história e duas chuchas, como todas as noites. E claro que hoje de manhã lhe custou a acordar embora não tanto como eu esperava.

E, enquanto tomávamos ambas o pequeno-almoço à mesa da cozinha, o filme da véspera veio à tona. Afinal, uma história simples de contar, nas palavras de uma menina, sem adjectivos nem floreados:

"A mãe deixou cair o jantar e depois chorou"...

Palavras para quê?

Votem, divulguem, participem. Não é nada convosco? Think again...

12/02/2008

Inocência minicalamitosa

Mini CJ (da cozinha) : - Ó mãe?!
Calamity (da casa-de-banho) : - Diz, filha.
Mini CJ: - Tás a fazê cócó?
Calamity: - Estou sim, filha.
Mini CJ: - Espera aí que eu vou limpar-te o rabinho...

11/27/2008

De pequenino... ou neoneocalamitices

Calamity (da sala para a cozinha): - Mini CJ?! O que estás a fazer?
Mini CJ: - ....
Calamity: - Mini CJ?...
Mini CJ: - ....
Calamity: - Mini CJ, o que estás a fazer, estás a comer?
Mini CJ: - Não...
Calamity: - Então, Mini CJ, o que estás a fazer?
Mini CJ: - Tou a fazê asneiras...

11/26/2008

Ainda não são as nomeações mas paciência que elas vêm a caminho

Lembra-me o blogger-tubarão que ontem foi Dia Internacional pela Eliminação da violência contra as Mulheres e, embora pense que este é um assunto do qual deveríamos falar todos os dias, assim como da violência contra todos os seres - pelo menos enquanto esta não for totalmente erradicada -, fico com vontade de partilhar com os inúmeros e incontáveis uma posta ou melhor, meia-posta, que 'roubei' a um tasco que partilho com outras comensais. Quer dizer, trata-se de um roubo tipo Margarida Rebelo Pinto. Mas não é um autoplágio, já que me autocito e deixo as referências. Ao menos na blogosfera posso fazer o que quiser com as minhas postas, à diferença do que sucede em certos meios onde determinados meninos e meninas - não sei que outro nome lhes pôr - se acham no direito de dispor dos meus textos como bem entendem, retendo-os indefinidamente nas suas gavetas, impedindo-os de ver a luz que toda a palavra escrita merece e a mim de receber do meu trabalho o respectivo fruto mas isso são outros quinhentos sobre os quais noutra altura e quiçá noutro local se falará. E a vocês, inúmeros e incontáveis em geral, não caberá a carapuça, digo eu de que porque a bem dizer nunca se sabe quem anda por aí. Se porventura o recadinho tocar alguma campaínha, pois que a Calamity é boa mecinha e está (ainda) aberta ao diálogo até ao dia em que resolver de facto dar aos respectivos textos o caminho que lhes pertence e que definitivamente não é a escuridão nem o esquecimento. Pois já estou crescidinha para castigos sobretudo por parte de quem nem sabe o que significa ser pai ou mãe e muito menos depender do número de páginas publicadas para obter ou não obter o sustento da família, i.e, viver sujeito à arbitrariedade dos humores alheios. Enfim, tudo isto para dizer que como sou dona dos meus textos, publico-os onde bem entender. E sem mais demoras aqui fica a meia-posta que há tempos deixei ao molho no tasco das comadres. E desculpem-me os inúmeros e incontáveis que porventura já tivessem tropeçado na dita posta no supracitado tasco.

(...) apeteceu-me falar-vos da minha amiga Maria. Maria é nome fictício, não que alguém a fosse reconhecer se eu pussesse aqui o nome dela mas enfim, será talvez deformação profissional.

A Maria talvez ficasse espantada se passasse por aqui e percebesse que eu não engoli a história que ela me contou quando eu -ingénua! - lhe perguntei o motivo pelo qual tinha uma nódoa negra no osso da bochecha e outra no bíceps do lado oposto (fora as outras, as que não vi e as que não mencionei). Que o meu coração se apertou e ficou pequenininho à medida que acenava e fingia estar a visualizá-la descalça a escorregar no chão molhado da cozinha e a cair NAQUELA posição. Contra todas as leis da física. E o quanto me doeu perceber que ela insistia na versão coxa dos acontecimentos, acrescentando pormenores que a tornavam de todo inconcebível - é que, apesar de pouco provável é possível dar de trombas numa porta semi-aberta, assim como é possível cair-nos uma prateira de livros em cima ou levarmos com o espelho do retrovisor lateral esquerdo de um automóvel em cheio na sobrancelha direita como me aconteceu há uns anos. Mas, e desculpa-me, Maria, não entra na cabeça de ninguém que tenhas caído para a frente nas circunstâncias que referiste. Porém, tenho sobretudo é de pedir-te desculpa pela MINHA falta de frontalidade pois fui incapaz de te confrontar. Eu sei que o momento não era adequado, porque havia mais gente à volta, mas devia, eu sei, ter-te chamado à razão, devia, eu sei, ter trazido o assunto de novo à baila assim que me apanhasse sozinha contigo, dar-te a ocasião de falar, de desabafar, embora esteja cá desconfiada que não o irias fazer.
Logo tu, a mulher independente, liberta e forte que és. Logo tu, que nunca precisaste de um homem para nada. Logo tu, que estás a anos-luz dele em termos intelectuais, culturais, espirituais e até mesmo financeiros. Logo tu, que és dona da casa onde ELE mora. Que és mãe da filha em quem ele se acha no direito de mandar. Que ele se acha no direito de castrar, obrigando-a comer, forçando-a a fazê-lo em silêncio, tal como certamente o fizeram com ele quando era miúdo, tornando-o no tipo retrógrado, limitado e agressivo que é hoje.
Não irias dizer-me a verdade porque isso seria dar-me razão. Porque sabes o que penso, não que to tenha dito. Porque me dirias o mesmo e por muito menos. Sem nunca admitir. Dizendo que ele é sim senhora um gajo por vezes bruto mas nunca levantaria um dedo para te magoar a ti ou a ela, pois se ele até é tão porreiro que até tem o jantar pronto quando chegas a casa mais tarde.
Quero que saibas, gostaria que soubesses que podes fraquejar ao pé de mim. Que podes chorar, berrar. Que escusas de afixar essa felicidade falsa. Que não precisas de falar sem parar para que não sobre espaço nem tempo para o que dói, para o que realmente interessa, para o que verdadeiramente importa. Que não te irei condenar nem achar menos de ti. Embora continue a achar que não precisas disso. E tu sabe-lo tão bem. Difícil é só dar o primeiro passo. E tu sabe-lo tão bem...

11/18/2008

Aviso à navegação que é como quem diz: os prémios hão de sair quando o sol fizer a sua parte

Ando para aqui a escrever postas e postas e mais postas. Vão de um mail para o outro, olho para elas e deixo-as estar. Postas sem tempêro é melhor mantê-las onde pertencem: no congelador. Apetece-me mas não me apetece. Tédio. Pudesse o ser humano hibernar...
Desde que na semana passada apaguei sem querer o texto em que reenviava os dardos para a blogosfera fiquei sem ânimo para o reescrever. Aliás, a irritação foi tanta que ainda postei a insultar o universo. Depois retirei. A língua portuguesa é parca em palavrões e desfiá-los todos não alivia coisa nenhuma. Claro que por morrer uma posta antes de dar à costa não se afunda o navio - que rica alegoria, hã? Com direito a rima rasca e tudo! -, porém estou como o tempo: sem chuva, mas o sol não chega para aquecer.

11/11/2008

A Calamity bota discurso ou Esta cena da blogosfera

é mesmo estranha! Às vezes parece uma metáfora da própria vida... Há uns tempos atrás, atingi um pico da audiência. Nunca tinha ousado imaginar tantos inúmeros e incontáveis como os que chegaram a andar por aqui nessa altura. Apareciam, acotovelavam-se para ser os primeiros a entrar, a comentar. E eu, ufana, pois tá claro, sem tempo para cuidar do estaminé para mudar as toalhas às mesas, garantir que as bejecas estavam estupidamente frescas e essas coisas que um dono de tasco orgulhoso da sua clientela gosta de assegurar. Quase que só conseguia botar posta uma vez por semana, embora andasse constantemente a postar por dentro: no banho, no autocarro, na fila do supermercado. E sofria por não conseguir estar à altura do monstro que eu própria tinha criado. E em mim crescia uma ternura verdadeira, palpável, pelos inúmeros e incontáveis.

Entretanto consegui terminar com um dos grandes entraves. Algo que me estava a prender, a estrangular. Que me impedia de estar presente em casa, de acompanhar de forma adequada o crescimento da Mini-calamity, de me aperceber que o Calamitoso júnior estava prestes a entrar no armário. Que me excluía das trocas infindáveis de galhardetes nas caixas de comentários e até do meu próprio tasco.
Mas quando consegui 'regressar' (e as aspas devem-se ao facto de sentir que, na verdade, não regressei, pois regressar é voltar ao mesmo sítio e eu sinto que aterrei noutro lugar), as coisas tinham mudado. Muitos dos inúmeros e incontáveis tinham desertado os seus tascos. Outros estavam agora nos respectivos da mesma forma que eu tinha estado durante os tempos de presença ausente a que me referia inicialmente. Outros ainda tinham deixado de frequentar a casa. Não vou mentir e dizer que só faz falta quem cá está. Não faz o meu género. Tenho saudades de quem deixou de aparecer. De quem fechou as portas e de quem, não as tendo fechado, já não conto entre os inúmeros. Já por várias vezes pensei em abrir falência. E se não o fiz, foi por dois motivos. Primeiro porque ainda restam meia-dúzia de inúmeros e incontáveis de quem muito gosto e sou assim uma espécie de cão: incapaz de me afastar daqueles que me demonstram afeição e me alimentam. Depois porque não sei se saberia o que fazer sem isto. Onde escreveria eu? Seria eu capaz de voltar aos bloquinhos e caderninhos, condenados à perenidade das gavetas?

E eis se não quando a Madalena - que é das inúmeras e incontáveis recentes mais preciosas - me brinda com um dardo. Tantos prémios já vi serem distribuidos por essa blogosfera e nunca me tinha sido atribuída tal distinção. E, digo-o sem falsa modéstia, já houve tempos em que teria sido mais merecido. Quando releio certas postas de há dois anos e até um ano atrás, acho que estava tão mais lá! Receio por vezes não voltar a atingir o mesmo ponto. Porque levo esta merda a sério, embora possa não parecer. A escrita é uma das pessoas mais importantes da minha vida. Só os meus filhos lhe conseguem fazer sombra. Ela é como uma amante cruel e doce ao mesmo tempo. Como um gato que só vem sentar-se ao meu colo quando eu não a chamo. A paixão que sinto por ela nunca se esgota, mesmo quando me maltrata. Sofro por ela, mesmo quando se esquece de mim. E ela, manhosa como poucas, percebeu que estou agora mais disponível para ela e escapa-se-me entre os dedos, escorregadia como sabonete na banheira.

Dos prémios que regularmente são outorgados por essa tascofera, o dardos agrada-me especialmente. Como sagitariana que sou sempre me dediquei à actividade dos centauros: mirar, atirar e fazer por acertar (para além de galopar por montes e vales, é claro). Nem sempre consigo mas vou atirando sempre. Por vezes de forma dispersa, atabalhoada. Por tudo isto, sinto-me deveras honrada. E retribuo o prémio, porque a Madalena é uma mulher extraordinária. Sensível, dedicada a uma causa e persistente. É cá das minhas. Sei que quem aceita o prémio deve indicar uma lista de nomeados. Vou tratar disso e, breve breve... I'll be back!!!
Obrigada Madalena!

11/10/2008

É que é isso mesmo!

Leio o Shark há pouco tempo e ainda há menos tempo que ele sabe que o leio. Mas vejo-o assim como um tubarão com alma da golfinho. Duvido que seja capaz de morder quem quer que seja. Contudo, pelo pouco que sei, entendo que não é peixe que alinhe em cardumes e não confunde sardinhas com carapaus (muito menos se estes forem de corrida). Serve este pequena introdução para contextualizar a posta que li lá no charco e com a qual me identifiquei a 200%. Fala sobre uma série de atitudes que tenho observado na blogosfera e sobre as quais tenho pensado com alguma frequência, embora ainda não me tivesse dado para bota postadura sobre elas.

A primeira diz respeito à chamada moderação de comentários, seja lá a forma escolhida pelo 'dono do tasco'.
"A moderação de comentários é a forma híbrida de assumir uma caixa. Sim senhores, podem botar faladura mas como há quem se estique e porque manda quem pode só é publicado o que se quer, após aprovação dos donos da casa.
É assim que a coisa me soa e tresanda a lápis azul, qualquer que seja o malabarismo encontrado para o pintar de outra forma."

Pois bem, eu entendo que por vezes somos confrontados com autênticas manifestações de ódio nas ditas-cujas caixas, mas em casos extremos o 'dono do tasco' pode sempre eliminar o comentário. Sempre me pareceu que quem proteje demasiado o seu espaço dá ao ladrão a sugestão de que ali dentro deve haver coisas muito valiosas. Nunca me assaltaram em dias em que me esqueci de trancar as portas... Assim, excesso de segurança como a seca do reconhecimento de caracteres irrita-me sobremaneira (By the way, ó Manel, não tenho comentado lá no tasco por causa disso! Vê lá se tiras essa coisa! ;-).

Outra abordagem cada vez mais em voga é a eliminação pura e simples das caixas, algo que igualmente contraria a minha versão pessoal mas transmissível do que um blogue representa, mas que pelo menos é frontal na intenção de quem a adopta. Estou aqui para me oferecer ao mundo mas dispenso a sua retribuição, obrigado.

Pois eu também acho pena quando é assim. Por mais qualidade que tenha o que estou a ler - e muitas vezes é o caso - um blog unilateral dá-me a sensação incómoda de que os hipotéticos leitores não são considerados dignos de dar o seu feedback. A mim esta atitude parece-me desvirtuar a essência do blog que é a possibilidade de estabelecer um diálogo, seja qual for a temática abordada.

Outro aspecto frisado pelo Shark diz respeito às pessoas que, sendo comentadas, não respondem.
Sinto esta postura exactamente assim, arrogante e malcriada.

Os inúmeros e incontáveis sabem que raramente respondo directamente ao comentário na própria caixa. Mas sabem também que tento sempre retribuir a visita, sobretudo se se tratar de visitante novo, já que quem é da casa está à vontade para ir à cozinha e servir-se mas quem não merece que lhe façam as honras da dita. Isto da blogosfera é como na vida: se eu vou à tua casa também gosto que vás à minha. Se sou sempre eu a deslocar-me e tu não te dás ao trabalho de sair do teu reino, acabarei por cansar-me e deixarei de te visitar. Mesmo que me recebas bem. Por isso, acrescento à posta do Shark: quanto a mim não basta que o 'dono do tasco' me responda lá no espaço dele. Em última instância se me derem à escolha prefiro ser visitada. Daí ter optado aqui no tasco por esta fórmula em detrimento da resposta directa, já que a minha vida não é só isto - e a das outras pessoas também não, embora me aperceba de que há pessoas que parecem não fazer outra coisa... Mas isso são outros quinhentos...

11/07/2008

O Manuel e a Besta

O Manuel é jornalista. A Besta (que em tempos já foi bestial) também. Sonharam um dia mudar o mundo. Fazendo a sua parte. Dando o seu contributo, de palavras feito. Palavras que servissem para denunciar as injustiças. Para aproximar os povos. Para ajudar a erradicar a pobreza e a ignorância. Para estimular os sonhadores a levarem os sonhos a bom porto. Palavras que, no fundo, seriam uma declinação daqueles valores que tinham herdado dos seus pais, que, por sua vez os haviam sorvido das Luzes. Coisas que hoje parecem estranhamente destituídas de sentido: Liberdade, Igualdade, Fraternidade... Palavras que rimam mas talvez já não sejam verdade. O Manuel e a Besta ingressaram um dia na profissão. A pouco e pouco foram-se apercebendo que estavam cada vez mais isolados. Não que tenham deixado de sonhar. Mas muitas vezes sentem-se a falar sozinhos. A remar contra a maré. Como é duro ser um tarefeiro da palavra escrita, escrevendo a metro quando se tem a alma cheia de palavras outras, destituídas de valor-moeda!
O Manuel quer continuar a sonhar. Por isso abriu o Manuel do Jornalismo. A Besta (que em tempos já foi bestial) juntou-se-lhe. No tasco deles todos podem mandar o seu bitaite. No tasco deles não há lápis azul. E há sempre uma posta em branco por escrever. Para quem ainda sonha com um mundo diferente, em que o jornalismo seja, de facto uma profissão contra a indiferença e não, como nos andam a querer fazer acreditar, uma profissão amorfa e sentada.

11/04/2008

Pergunta de retórica

Quem é que está a financiar a campanha de euh...(como é que se chamará aquilo? Só uma palavra me ocorre... digo? Não digo? Pronto, lá vai e seja o que deus nosso senhor quiser...) masturbação do governo (vulgo 'autoregozijo' pelo dito sucesso do pugrama Novas Oportunidades) que enche metade dos mupis de Lisboa?

11/03/2008

O lápis azul ataca de novo


Julgavam os inúmeros e incontáveis viver em democracia?
Imaginavam que o facto de andarmos todos para aqui a mandar bitaites mais ou menos quando e como queremos e nos apetece significava liberdade de expressão?
Que o lápis azul era coisa dos tempos da outra senhora? Ou que esta e aquele, se calhar, como até já se ouviu dizer por aí, à semelhança do holocausto, nunca existiram e foram apenas uma invenção de desordeiros mal-intencionados, desses que em vez de trabalhar para a coesão nacional preferem semear a discórdia e a má língua?
Pois bem, receio ter de os contrariar, senhores. O lápis azul está de volta, bem afiado e em grande estilo. Já há uns tempos que não ouvíamos falar nele - bom, mas isso não é de admirar. Não é essa precisamente uma das características do dito? Morde pela calada, por assim dizer. Embora de vez em quando cheguem até nós ecos da sua sobrevivência, firme e hirto, como dizia o outro - Desde que, há um ano e tal, aquela directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho foi exonerada do cargo por não ter mandado retirar o tal cartaz que dizia mal do tal ministro que entretanto foi destituído mas não foi nada porque o país inteiro estava contra ele, foi porque o senhor tinha umas questões pessoais para resolver e até tinha já pedido ao nosso primeiro... enfim, isso agora não interessa nada! Um mês antes tinha sido o professor da anedota. (Cuidado, inúmeros e incontáveis. Cuidado. Não leiam em voz alta uma piadinha que anda aí a circular na net sobre nosso primeiro e o computador que tem nome de circum-navegador. Se a receberem não a repassem! Depois não digam que não vos avisei!) Agora é a enfermeira da linha 24. Atreveu-se a escrever uma carta à ministra que por acaso até tutela lá o sítio onde ela trabalha. Um local onde, diga-se de passagem, "quase todos" os 360 funcionários (ao serviço do Ministério da Saúde, recorde-se) estão a recibos verdes, mas claro está, trata-se tão-somente de uma insignificante coincidência. Dizia eu que a tal da enfermeira teve o desplante, vejam lá, de tornar públicas as suas (e as de mais oito supervisoras, as maganas!) preocupações com aquilo que elas tiveram o distinto descaramento de classificar como um "caos organizativo"! Como se qualquer organismo tutelado pelo Estado pudesse aproximar-se sequer de uma ligeira desarrumação passageira. Claro que vai ser despedida! Obviamente demitida! Onde é que já se viu?
Inúmeros e incontáveis, quem vos avisa, vossa amiga é: mantenham-se bem caladinhos. Aliás, devo dizer que até estou surpreendida que estas notícias tenham vindo a lume. O comportamento da maioria dos meus colegas, outrora camaradas - para quem possa ignorá-lo, ainda há muito poucos anos, quando entrávamos pelas primeiras vezes numa redacção, éramos de imediato advertidos que não deveríamos tratar os companheiros de profissão por colegas; "colegas são as putas", rezava a velha máxima que iniciara escribas ao longo dos anos da ditadura - cada vez menos difere do das avestruzes. Não é preciso fazer um desenho, pois não?
Aliás, a política na redacções - e na maior parte dos outros locais de trabalho - é cada vez mais uma espécie de lápis azul incluso. Não mexer na merda, porque cheira mal. Porque suja as mãos. Porque temos emprego. Porque não temos - mais uma razão, pois então! - Trabalhamos a recibos verdes e receamos pelo nosso futuro e pelo dos nossos filhos. Os tais que ainda não nasceram, nem sabemos se os iremos trazer a este mundo estragado. Mas foram os outros que estragaram, por isso nós não vamos mexer. Vamos ficar aqui bem caladinhos. A fazer o que nos mandam, pois pagam-nos para isto. É um favor que nos fazem, como toda a gente sabe: pagarem-nos para trabalharmos, pois há quem pague para poder fazê-lo. Temos sorte, não? E então? Ainda vamos provocar? Não senhor. Vamos mas é ficar sossegadinhos no nosso canto, que isto não é nada connosco. Tá tudo tão bem, tão calminho.
Hoje não precisamos de lápis azul. Temos recibos verdes. O lápis azul já vem programado nos nossos cérebros. Escrevemos o que nos mandam e não vamos mais além. O lápis azul são as teclas que nunca digitaremos. Pois se ninguém nos pediu nada. Por que diabo o faríamos? Fiquemos quietos e caladinhos. E tenhamos cuidado com o que lemos, dizemos e ouvimos. Façamo-lo em surdina. Acautelemo-nos também com os blogues, esses antros de pouca-vergonha, asseguremo-nos do seu total e absoluto anonimato e congratulemo-nos por a administração ainda ser (relativamente) anafanética (aproveitemos pois este espacinho e prevariquemos o mais javardamente possível, à boa maneira de um recluso em dia de precária, que a ilusão de liberdade dura pouco mas dá uma tesão do caraças!), pois breve breve, estaremos a responder no DIAP pelas nossas postas mais atrevidas. E quiçá pelas outras também...

PS (Salvo seja!!): Em breve, novidades...

10/30/2008

Lido algures na imensa blogosfera

"A história recente de Portugal é um filme italiano"


comentário de anónimo in Atlântico

10/27/2008

O grande engodo


Tenho a mania, entre muitas outras, de querer comer coisas saudáveis, seja lá o que isso queira dizer. Faz-me impressão a quantidade de merdas que misturam naquilo que nos impingem e que nós alegremente compramos, consumimos e damos a consumir aos nossos filhos. Já há tempos, aliás, fiz aqui uma posta sobre o assunto. Falava sobretudo de 'E's, esses entes misteriosos sob os quais pode estar disfarçada a substância mais inócua do mercado ou o mais prejudicial veneno sem que, a maior das vezes, a maior parte dos fregueses se apercebam, já que imagino que, além da minha obsessiva pessoa, só deve haver outros dezassete consumidores em Portugal a percorrer paranoicamente as listas de ingredientes nos supermercados, acabando por deixar para trás 95% dos produtos novos que surgem e chamam de tempos a tempos a tempos a minha atenção.
Já o tinha dito e repito, pois não consigo, por mais que tente, compreender, como é que pessoas que dizem preocupar-se com o que ingerem, acabam por levar gato por lebre, nomeadamente quando acham que estão a comprar um magnífico pão integral, cheio de cereais e fibras, e enriquecido com sementes, mas se esquecem de constatar que o dito pão se acha igualmente enriquecido com meia-dúzia de aditivos químicos dos quais pelo menos dois são comprovadamente cancerígenos. Aliás, muito se poderia discorrer aqui só sobre o pão. Alguém já se apercebeu, por exemplo, que existe à venda uma broa de milho provinda de uma entidade que à partida nos mereceria total credibilidade chamada "Museu do Pão" (sede: Seia, Serra da Estrela) e que mesmo esta não é isenta de aditivos, vulgo merdas que misturam na farinha, no fermento e sei lá mais o quê para aquela porra durar mais tempo ou lá o que é, como se a broa não durasse naturalmente uma semana e até mais caso se guarde no frigoríco e/ou se torre em fatias finas??? E ninguém diz nada?

Sim, eu também "aderi" à "moda" dos produtos naturais, aliás, nisto como noutras coisas, já lá andava antes de a maior parte das pessoas se ter dado conta da sua existência, desculpem os inúmeros e incontáveis a falta de modéstia, mas as verdades são para serem ditas. Só que tentei fazer a coisa como deve ser e como sou imensamente paranóica e obsessiva - sim, eu sei, já o tinha dito anteriormente, mas o assegurar-nos constantemente de que deixámos as torneiras fechadas faz parte da nossa doença, não sei se os inúmeros e incontáveis conhecem - dizia eu pois que, como sou imensamente paranóica e obsessiva, passei nessa altura a ler tudo o que era rótulo e a assegurar-me da composição dos alimentos e até de outras coisas, mas isso não vem agora ao caso. O importante e trágico é que progressivamente fui eliminando produtos da despensa, frigorífico e sobretudo da alimentação diária. A coisa piorou um pouco quando o meu filho nasceu, e como já vai fazer onze anos, podem os inúmeros e incontáveis comprovar que o que digo é deveras verdade, ou seja, ainda nem bem se sonhava neste país que os ditos produtos naturais se tornariam uma coisa muito in e já eu frequentava os celeiros da vida e me tinha apercebido do quanto isto pode ser enganador e, além de enganador, paradoxal. Pois não andou o ser humano a "evoluir" durante tanto tempo a fim de conseguir produzir mais e mais barato, de conseguir fazer com que a riqueza chegasse a mais e mais gente e a um preço mais acessível, a inventar formas de conservar os alimentos para que durassem mais e com eles as suas qualidades nutritivas, a reproduzir artificialmente qualidades naturais para que chegássemos a esta espantosa realidade: se eu hoje quiser um alimento natural, tal qual era consumido no tempo dos meus avós, tenho de pagar bem mais caro por ele do que se o consumir cheínho de produtos químicos ou a saber a plástico, porque há uma lei qualquer para a qual eu não votei que diz que o mesmo tem de ser embalado numa porra de uma embalagem que lhe altera as características além de ser antiecológico, mas isso já são outros quinhentos e se vocês ainda tiverem pachorra outro dia faço uma posta sobre o assunto.

Dei por mim a pensar nisto e em muitas outras coisas enquanto percorria os corredores de um recém-inaugurado espaço comercial especializado em agricultura biológica. Tudo muito bom, mesmo muito. Leite propriamente dito, mugido da vaca que pastou erva pura, sem pesticidas. Só por isso tenho de pagar duas vezes e meia o preço da coisa geneticamente modificada e artificialmente manipulada. Pão sem quatrocentos e e trinta e cinco 'E's. (Sim, inúmeros e incontáveis, ide comprar o vosso pão ao Pingo Doce e lede a etiqueta. E depois, se quiserdes, continuai a comê-lo e a dá-lo de comer aos vossos filhos. Eu cá sou maluquinha mas prefiro comprá-lo na padaria ou na tal loja e imaginar que ele vem um pouquinho que seja mais limpo...). Mais 50% de aéreos. Fruta e legumes que cheiram ao mesmo que aqueles que colho nos pomares alentejanos onde por vezes tenho o privilégio de poder fazê-lo (Arrotar mais 30 a 150% dos aéreos em relação aos mesmos frutos e legumes inodoros, congelados quando ainda não estavam maduros e que vão apodrecer sem nunca terem passado pela fase do comestivel). Não garanto a pureza a cem por cento, mas como fazê-lo? Não estão os lençóis freáticos, as águas, os caudais contaminados? Mas quando os produtos são preparados, como o pão de que falava mais acima , pelo menos não lhes foram acrescentadas substâncias que dão por nomes enigmáticos como 'intensificador de sabor' ou 'regulador de acidez'. Lá em casa, a hortelã, o coentro e o sumo de limão acrescentados na hora ainda conseguem intensificar o sabor e regular a acidez de qualquer alimento...

Mas francamente, que chateia à brava, chateia. Comprar a minha manteiga sem sal ( e branquinha..., como veio ao mundo) e ter de pagar mais dez a vinte cêntimos do que se levasse a sua congénere salgada. Ou chegar à farmácia querendo comprar um produto contra os piolhos - pois é verdade, inúmeros e incontáveis, eles andem aí, mais fortes, mais invasores do que nunca!!!, preparando-se para um ano escolar em grande e para contribuir para a riqueza da indústria farmacêutica em peso (aliás, pergunto a mim própria se não serão estes que "fabricam" estas pragas todos os outonos...) - e dar com uma loção nova que apregoa o seguinte: "SEM NEUROTÓXICOS". E logo ao lado, não se fosse dar o caso de eu não ter percebido: "NO NEUROTOXICS". Sim senhor. É assim que ao fim de cinco anos a lutar desenfreadamente contra esta bicharada fico a saber o que andei a colocar repetidamente na cabeça do meu filho! FODA-SE! ESTES GAJOS ESTÃO A GOZAR COM QUEM??? Portanto eu pago vinte euros por um frasco de uma tanga qualquer cujo efeito vai durar 15 dias, que vai pôr o puto aos berros e a chorar, e ao fim de quinze dias vou lá buscar mais porque entretanto ele foi re-infestado e estou a pespegar-lhe com uma droga que lhe está a causar danos cerebrais e nem sequer sou informada???
Mais, para quem ainda não saiba: gelatina é bom, não? Pois é. Faz crescer as unhas e o cabelo, não é? Pois é. Mas não é aquela que vos vendem. Essa é feita à base de farinha DE CARNE DE PORCO. Procurem nos ingredientes. Só a gelatina vegetal é saudável e essa só é vendida em determinados sítios.
Mais. Cornetto de Morango e Perna de Pau. É bom, não é? Pesquisem lá que 'E's são aqueles. Dois deles são cancerígenos. Porque é que ainda estão no mercado? Vocês sabem? Eu não.

Exijam da porra do governo e da rachtaparta da ASAE, já agora, que foi para isso que os puseram lá, se é que alguém ainda se lembra, que nos esclareçam sobre as merdas que andamos a comprar e a dar aos nossos filhos. Que venenos são estes que são permitidos/tolerados pelas autoridades?


E já agora, se tiverem estômago, dediquem lá 20 minutos das vossas vidas a ver isto. Mas vejam mesmo. Aprende-se mais do que em três anos de blogosfera. Se precisarem, existe uma versão traduzida e legendada em Português que está bastante fiel ao original. Divulguem. Mostrem aos nossos filhos. É que, apesar de tudo, pode ser que ainda haja saída. Afinal, andamos aqui para alguma coisa ou só para alimentar este gigantesco engodo?




Ah, é verdade: com 1/2 copo de vinagre dá-se cabo da piolhada... Ah, pois é!!! É vê-los, senhoria, a tombar na banheira, que nem tordos, clamando por misericórdia!... O preço? Uma agradável surpresa!...

PS: Só para terminar, e depois prometo que não vos empato mais, não percam esta brilhante crónica do RAP. Eu própria não o teria dito melhor (heheheh)...

Tal qual outra droga qualquer

Ao princípio é a loucura. Vive-se a coisa intensamente. Respira-se por ela. Quer-se a toda a hora. E ela paga-nos da mesma moeda. Compensa-nos. Preenche-nos. Dá sentido à vida. Faz-nos esquecer toda a merda em volta. Faz-nos achar que vale a pena.

Depois... depois vem o choque da realidade. Afinal vai tudo dar ao mesmo. Tudo a mesma tanga. O grande vôo deu em grande estatelanço. Demos com os cornos no chão e nem sabemos bem quando é que deixou de ser o que era. De que falo? Da coca? Do sexo desenfreado? Do grupinho dos "amigos"? Da blogosfera?

E será que importa verdadeiramente? Só mudam as moscas, mesmo...

(Lembro-me repetidamente dos versos do Sérgio Godinho: "Depois do primeiro assombro logo o corpo fica farto"...)